Victoria Montou

Abdaraya Toya
Dados pessoais
Nascimentoc.1739
Reino do Daomé
Morte12 de junho de 1805
Porto Príncipe, Haiti

Abdaraya Toya, "Victoria Montou" (c. 1739–1805) foi uma guerreira do Daomé e combatente da liberdade no exército de Jean-Jacques Dessalines durante a Revolução Haitiana. Antes da Revolução, ela e Dessalines haviam sido escravizados na mesma propriedade, e os dois permaneceram próximos ao longo de sua vida, com Dessalines chamando-a de sua tia.

Primeiros anos

Acredita-se que Toya tenha nascido no Reino do Daomé, na atual Benin. Algumas fontes indicam que ela era soldada lá. Não se sabe exatamente quando ela foi sequestrada e escravizada, ou quando chegou ao Haiti.

Antes da revolução, Toya trabalhou ao lado de Dessalines como escravizada na propriedade de Henry Duclos. Ela foi descrita como inteligente e enérgica, e compartilhava uma relação próxima com Dessalines e o sentimento contra à escravidão. Dessalines a chamava de sua tia, o que pode ter refletido sua proximidade expressa dentro das tradições de parentesco da diáspora africana, em vez de um vínculo biológico direto.

Toya apresentou Jean-Jacques Dessalines ao combate corpo a corpo e ao arremesso de facas. O proprietário da plantação, Duclos, desconfiava de sua proximidade e decidiu transferir Victoria Montou para a residência Déluger, vendendo Jean-Jacques para um negro liberto chamado Dessalines.

Toya era supostamente uma guerreira habilidosa, parteira e curandeira, que organizou várias rebeliões antes do memorável encontro em Bois Caiman em 1791.

A Revolução Haitiana

Durante a rebelião de escravizados e a guerra civil, ela lutou como soldada em serviço ativo; em pelo menos uma ocasião documentada, ela comandou soldados em ação durante a batalha.

À frente de cerca de cinquenta escravos, estava Toya, com uma foice na mão, uma enxada em um ombro e uma faca de anil pendurada no cinto de sua jaqueta. Sob o comando de Toya, um grupo foi enviado para o desmatamento, outro para a lavoura, outros para colher grãos e colocá-los em grandes cestos. Ela tinha uma voz forte e emitia ordens como um general.... Um pequeno número de rebeldes, sob o comando de Toya, foi rapidamente cercado e feito prisioneiro pelo regimento. Durante a batalha, Toya escapou, perseguida por dois soldados. Uma luta ocorreu entre eles e Toya; ela feriu gravemente um deles, mas o outro, ajudado por mais alguns soldados que chegaram a tempo, fez Toya prisioneira.

Pós-Revolução

Em 1804, Dessalines tornou-se Imperador do Haiti e concedeu a Toya o título de Duquesa.

Quando Toya estava morrendo, o imperador instou seu médico a salvar sua vida, afirmando que ela era sua tia que havia compartilhado seus sofrimentos e emoções desde antes da revolução. Ela recebeu um funeral de estado com uma procissão de oito sargentos e a Imperatriz Marie-Claire Heureuse Felicite vestida de preto entre dois suboficiais liderando o comboio.

Legado

Os nomes de poucas mulheres soldados que serviram no exército haitiano durante a revolução foram lembrados. Toya está entre as exceções, ao lado de Marie-Jeanne Lamartinière e Sanité Belair.

Toya também é lembrada por seu papel na criação e ensino de Dessalines. Kersuze Simeon-Jones escreve que "Por sua influência duradoura sobre Dessalines, Abdaraya Toya será lembrada como a avó, mãe e figura de tia que ajudou a preparar o Libertador dos descendentes africanos escravizados em todas as Américas".

Victoria Montou é uma das protagonistas de Sister Mother Warrior, romance histórico sobre a Revolução Haitiana publicado no ano de 2022 pela novelista estadunidense Vanessa Riley. A revolucionária também inspirou obras de artes visuais, como um retrato seu pintado pelo artista haitiano Naderson Sainte Pierre e uma fotografia feita no ano de 2021 pelo artista estadunidense Christopher Udemezue representando-a em um momento de cuidado com Jean-Jacques Dessalines.

Em 2023, ela foi uma das figuras representadas no Panteão, em Paris na exposição dupla de arte e história We could be heroes do artista francês Raphaël Barontini, destacando personalidades pouco conhecidas que contribuíram para a abolição do sistema escravista.

Referências

  1. ↑ Spencer, Erika Hope. «Research Guides: France: Women in the Revolution: Women in the Haitian Revolution». guides.loc.gov (em inglês). Consultado em 30 de agosto de 2024
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  3. 1 2 3 Simeon-Jones, Kersuze (2020). The Intellectual Roots of Contemporary Black Thought: Nascent Political Philosophies. [S.l.]: Routledge. ISBN 978-1000191646
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  5. ↑ Tucker, Phillip Thomas (2020). Gran Toya: Founding Mother of Haiti, Freedom Fighter Victoria "Toya" Montou (em inglês). [S.l.]: PublishNation. ISBN 978-1-716-14321-2
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  9. ↑ «Sister Mother Warrior - The Untold Story of the Haitian Revolution Vanessa Riley, American Novelist of Sagas, Sisterhoods, and Historical Fiction». Vanessa Riley />. Consultado em 12 de setembro de 2026
  10. ↑ «Instagram». www.instagram.com. Consultado em 12 de setembro de 2026
  11. ↑ «Mother & Child (Victoria "Abdaraya Toya" Montou & Jean-Jacques Dessalines), 2021 by Christopher Udemezue». ocula.com (em inglês). 12 de setembro de 2026. Consultado em 12 de setembro de 2026
  12. ↑ «Exposition de Raphaël Barontini, "We could be heroes». Le Centre des Monuments Nationaux

Leitura adicional

Ligações externas