Conforme o Dicionário Michaelis, a planta possui frutos "muito apreciados pelos pássaros" e que "contêm sementes que estes disseminam com as fezes que depositam sobre a casca das plantas hospedeiras". Isso explica o nome nativo da planta, guirarepoti, que em tupi antigo significava "fezes de passarinho" (guirá, ave, pássaro; e repoti, fezes).
Denominações
Visco é a denominação popular mais comum em Portugal, mas a planta também é conhecida como visgo ou agárico. No Brasil, ela é amplamente conhecida como erva-de-passarinho ou enxerto-de-passarinho.
Os indígenas brasileiros, contudo, a conheciam como guirarepoti, que em língua tupi significa “excremento de aves” (guira = ave, repoti ou tepoti = excremento). Isso indica que os povos indígenas do Brasil já conheciam as ervas-de-passarinho muito antes de ela ser descrita pela taxonomia oficial. Acredita-se que os índios provavelmente observaram alguma espécie de ave, como os gaturamos do gêneroEuphonia, defecando as pequenas sementes de alguma erva-de-passarinho, como as do gênero Phoradendron.
Viscum album mali, com bagas brancas, apresenta folhas ovaladas de bordos lisos em pares ao longo do caule lenhoso. Parasita árvores do género Populus e Crataegus, e a macieira, o limoeiro, entre outras.
As ervas-de-passarinho são plantas cuja dispersão de sementes se dá a partir da planta-mãe, sendo feita por aves frugívoras ou morcegos através de defecação ou regurgitação sobre as futuras plantas hospedeiras ou sobre seus galhos, como ocorre nos gêneros Struthanthus e Psittacanthus.
Usos
Tufo de visco num choupo
As bagas de algumas espécies possuem propriedades medicinais e, por isso, a planta era utilizada como remédio para a epilepsia e distúrbios nervosos, para doenças cardíacas, hipertensão e para a digestão.
Na Europa, a planta está associada em algumas culturas às festividades do Natal, assim como o azevinho, ou ao renascimento, havendo uma lenda escandinava que diz que duas pessoas que se encontram debaixo de um visco devem se beijar para celebrar com amor a ressurreição de Balder, divindade da mitologia nórdica. Já os druidas a tinham como planta sagrada e sempre a colhiam no inverno, quando realizavam seus importantes atos religiosos.
Na série em quadrinhos Asterix, o druida Panoramix colhia o gui (“visco” em francês) das árvores.
Estudo
O principal taxonomista das ervas-de-passarinho é o canadenseJob Kuijt, mas há especialistas em quase todas as famílias. Destaca-se também o trabalho de Daniel L. Nickrent, que aborda não somente ervas-de-passarinho, mas plantas parasitas no geral, com foco em análises moleculares.
Quanto às ervas-de-passarinho brasileiras, em 2012 foi publicado uma ampla revisão da literatura sobre ecologia das espécies neotropicais, com ênfase nas que ocorrem no Brasil.
Referências
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Nickrent, Daniel L. (20 de dezembro de 2014). «The Parasitic Plant Connection» (em inglês). Department of Plant Biology, Southern Illinois University. Consultado em 3 de Junho de 2015