Xustar

Xustar
Cidade
Sistema hidráulico de Xustar
Sistema hidráulico de Xustar
Sistema hidráulico de Xustar
Comércio em Xustar
Comércio em Xustar
Comércio em Xustar
Xustar está localizado em: Irã
Xustar
Localização de Xustar no Irã
Coordenadas: 32° 02′ N, 48° 51′ L
ProvínciaCuzistão
CondadoXustar
DistritoCentral
População
 • Total (2016)7 638 hab.

Xustar em persa: شوشتر; romaniz.: Shushtar) ou Tustar (em árabe: تستر; romaniz.: Tustar) é uma cidade histórica do Cuzistão, no sudoeste do Irã, situada numa fértil planície irrigada pelos braços do rio Carum, ao sul dos montes Zagros. Conhecida atualmente pela forma persa Xustar, aparece nas fontes árabes como Xustar. A cidade possui uma longa história anterior ao Islã e adquiriu particular importância após sua conquista pelos muçulmanos no século VII, tornando-se um importante centro urbano, comercial e religioso do Cuzistão.

História

Geografia e origens

Xustar foi construída sobre uma elevação íngreme à margem de uma planície fértil formada pelos cursos de água associados ao rio Carum. O nome da cidade aparece em Plínio sob a forma Sostra. Segundo uma tradição persa, sua fundação remontaria ao lendário soberano Huxangue, que a teria estabelecido depois de Susa, antiga capital do Elão, sendo o nome persa Xustar tradicionalmente interpretado como "mais bela que Susa". Outra tradição atribui sua fundação a Dario, o Grande, ao qual também é atribuída a ligação dos cursos de água da região por meio de um canal. A cidade foi um importante centro durante o Império Sassânida. Segundo Hamedalá Mustaufi, depois de ter sido destruída por razões desconhecidas, foi reconstruída pelos reis sassânidas Artaxer I (r. 224–240) e Sapor I (r. 240–270). Durante o reinado deste último, grandes obras hidráulicas foram realizadas na região. A tradição associa essas construções aos prisioneiros romanos capturados após a derrota do imperador Valeriano (r. 253–260) diante de Sapor em 260, aos quais teria sido atribuída a construção de uma grande barragem e ponte sobre o Carum. A posição de Xustar e a complexa rede de canais, barragens e cursos de água que a circundavam favoreceram o desenvolvimento da agricultura e condicionaram durante séculos a organização da cidade. Entre as principais estruturas encontravam-se o canal Gargar e grandes barragens destinadas à divisão e ao controle das águas do Carum.

Conquista muçulmana

A conquista de Xustar ocorreu durante o califado de Omar. Depois de ser derrotado pelas forças comandadas por Anumane ibne Mucarrine no curso da conquista do Cuzistão, o governador persa Hormuzã retirou-se para Xustar, que se tornou um dos principais centros da resistência sassânida na região. O governador de Baçorá, Abu Muça Alaxari, enviou forças contra a cidade. Entre os comandantes e participantes da campanha figuravam Amar ibne Iacir, Jarir ibne Abedalá, Anas ibne Maleque, Albara ibne Maleque, Majezaa ibne Taur, Albará ibne Azibe, Hudaifa ibne Aliamane e Anumane ibne Mucarrine. Xustar ofereceu resistência prolongada. O cerco teria durado entre um ano e meio e dois anos, até que os muçulmanos conseguiram penetrar na cidade. A cronologia da conquista é incerta: uma das tradições a situa em 17 A.H. (638), data considerada provável pela TDV, enquanto outros relatos indicam os anos 19, 20 ou 21 A.H. (640–642). A tomada de Xustar marcou uma etapa decisiva da conquista do Cuzistão, que em seguida passou inteiramente ao domínio muçulmano.

Período islâmico

Durante o Período Omíada, Xustar foi utilizada durante algum tempo pelos carijitas como fortaleza e refúgio. A autoridade omíada sobre a cidade foi restabelecida depois que Alhajaje ibne Iúçufe derrotou e eliminou Xabibe ibne Iázide, um dos principais chefes carijitas. Com o tempo, Xustar tornou-se um importante centro islâmico, adquirindo inclusive o epíteto de dār al-muʾminīn ("morada dos crentes"). Sob o Califado Abássida, a cidade foi reconstruída e desenvolveu estreitas relações com Baguedade. A presença de mercadores e personalidades originários de Xustar na capital abássida foi suficientemente numerosa para dar origem a um bairro denominado Mahallat al-Xustariyyin. Em 334 A.H. (945), Xustar e o restante da região passaram ao domínio dos buídas. Os geógrafos muçulmanos medievais descrevem Xustar como uma cidade próspera, conhecida tanto por sua produção têxtil quanto por suas obras hidráulicas. Alistacri afirma que os tecidos ornamentados produzidos na cidade eram exportados para numerosas regiões e que deles se confeccionava inclusive a cobertura da Caaba. Em 353 A.H. (964), o califa fatímida Almuiz Lidim Alá teria adquirido um luxuoso tecido de Xustar no qual estavam representados os países então conhecidos. Ibne Haucal, no século X, descreveu a cidade como possuidora da maior barragem do mundo, enquanto Almocadaci afirmou não ter visto lugar mais belo, destacando os jardins e cursos de água que a cercavam.

No século XIII, o ilcã Abaca concedeu a região ao atabegue Iúçufe Xá, iniciando em Xustar um período de aproximadamente um século de domínio dos atabegues. Quando Ibne Batuta visitou a cidade no século XIV, descreveu sua dimensão e prosperidade, mencionando seus jardins, águas, mercado, longa ponte e construções. Em 1375, Xustar passou aos muzafáridas e posteriormente aos timúridas. Em 914 A.H. (1508), foi conquistada pelo xá Ismail I, passando ao domínio safávida. No final do século XVI, conflitos entre grupos conhecidos como Nematolahi e Haidari provocaram a divisão da cidade em dois bairros rivais, situação que perdurou por longo período. Xustar atravessou novas dificuldades durante as invasões que atingiram o Irã entre 1722 e 1729, mas posteriormente tornou-se novamente um centro administrativo regional.

Declínio e cidade moderna

Xustar sofreu severas perdas demográficas durante epidemias de cólera, iniciadas em 1832, e durante uma epidemia de peste em 1876. Em 1885, uma cheia do Carum provocou novos danos. A deterioração dos canais de água durante o século XIX prejudicou a economia local, e, no início do século XX, o rápido crescimento de Avaz e sua transformação no principal centro regional contribuíram para a perda da antiga importância de Xustar. A partir da década de 1970, entretanto, a cidade voltou a crescer, com a expansão da ocupação urbana para novos bairros. A cidade conserva numerosos monumentos relacionados às diferentes fases de sua história. Entre eles encontram-se a mesquita congregacional, cuja construção remonta ao período abássida e que foi repetidamente restaurada; o castelo de Salacil, de origem sassânida; antigas instalações hidráulicas e moinhos junto ao Gargar; a barragem de Mizã e a ponte de Sapor. Também se encontram na cidade túmulos associados a Albará ibne Maleque e outras figuras religiosas. Entre os estudiosos historicamente associados a Xustar destaca-se Sal Axustari, enquanto Alhalaje ibne Iúçufe viveu na cidade durante alguns anos.

Referências

  1. 1 2 3 Kurtuluş 2010, p. 276.
  2. 1 2 Kramers & Bosworth 1997, p. 512.
  3. 1 2 Kurtuluş 2010, pp. 276–277.
  4. ↑ Kramers & Bosworth 1997, pp. 512–513.
  5. 1 2 Kurtuluş 2010, p. 277.

Bibliografia