Iovogã

O iovogã (Yovogan) era um Togã (líder local) dentro da administração do antigo Reino do Daomé. Indicado diretamente pelo rei, o iovogã era o encarregado pela gestão da cidade de Uidá, o que incluía poderes de manutenção da ordem, recrutamento militar na cidade e desempenhava um papel de arbitragem em casos de conflitos por terra. No entanto, a mais conhecida de suas competências era a de supervisionar o comércio de escravizados que eram vendidos aos europeus através do porto da cidade, estabelecendo cotas, controlando preços e coletando impostos. Este controle sobre o tráfico tornou o iovogã um dos cargos mais influentes da administração real.

O título vem do idioma Fon, no qual "yovo" significa "branco", ou "europeu", e "gan" significa "líder", ou "chefe". Assim, ainda que o "chefe dos brancos" tivesse atribuições mais amplas dentro da administração da cidade de Uidá como togã, seu poder e influência dentro da burocracia de Daomé provinham de seu contato com os europeus e o controle do tráfico transatlântico. Como a cobrança de impostos pelo tráfico era uma prerrogativa do togã, os ocupantes do cargo podiam enriquecer rapidamente através de subornos e de articulações com os europeus para facilitar o comércio de escravizados e demais produtos de origem mercantil.

Entretanto, o iovogã não tinha poderes plenos sobre Uidá, uma vez que seu título como tal dependia da nomeação real, que poderia ser revogada a qualquer momento. Além disso, o rei mantinha para si algumas prerrogativas da justiça, como a autorização de pena de morte e a indicação de subordinados diretos do iovogã, como era o caso do Chachá. Por fim, o togã de Uidá respondia também ao ministro do rei conhecido como Meu.

Esta sobreposição de poderes e atribuições frequentemente colocavam o rei de Daomé e o iovogã em conflito aberto. O mais notório destes episódios ocorre em 1745, quando o iovogã pega em armas contra o rei Tebessú, mas tem sua rebelião frustrada pelas forças leais ao palácio.

O primeiro iovogã foi indicado pelo Rei Agajá por volta do ano de 1733, após a conquista do Reino de Uidá, em 1272.

Referências

  1. ↑ Bradbury, R.E. (2018). The Kingdom of Benin. In: Forde, D., & Kaberry, P. M. (Eds.). (2018). West African kingdoms in the nineteenth century. Routledge.
  2. ↑ Monroe, J. C. (2014). The precolonial state in West Africa: Building power in Dahomey. Cambridge University Press, p. 76.
  3. ↑ Glélé, M. A. (1974). Le Danxomẹ: du pouvoir Aja à la nation Fon, Nubia, Paris, p. 41
  4. ↑ Monroe, J. C. (2014). The precolonial state in West Africa: Building power in Dahomey. Cambridge University Press, p. 77.
  5. ↑ Monroe, J. C. (2014). The precolonial state in West Africa: Building power in Dahomey. Cambridge University Press, p. 96.
  6. ↑ Bradbury, R.E. (2018). The Kingdom of Benin. In: Forde, D., & Kaberry, P. M. (Eds.). (2018). West African kingdoms in the nineteenth century. Routledge, p. 82.
  7. ↑ Monroe, J. C. (2014). The precolonial state in West Africa: Building power in Dahomey. Cambridge University Press, p. 84.
  8. ↑ Vido, A. (2019). Le yovogan: un haut dignitaire du royaume du Danhomè, 18th century, L'Harmattan, Paris, 2019, p. 21.