Variante Beta do SARS-CoV-2

Variante Beta do SARS-CoV-2
Variante da SARS-CoV-2 vírus responsável pela COVID-19 e sua pandemia
Nome científico 501Y.V2 ou B.1.351
Apelido Variante Beta
Primeira detecção em África do Sul
Variante de Preocupação (VOC)? Sim (encerrada)
Variante de Interesse (VOI)? Sim (encerrada)
Resistencia á vacinação Redução documentada de eficácia vacinal e de anticorpos monoclonais
Legenda do mapa
  •   1000+ casos confirmados
  •   250–999 casos confirmados
  •   100–249 casos confirmados
  •   10–99 casos confirmados
  •   2–9 casos confirmados
  •   1 caso confirmado
  •   Nenhum dado
Dados expostos no mapa são de 25 de junho de 2021. A variante não está mais em circulação ativa.

A variante 501Y.V2, também conhecida como 20H/501Y.V2 (anteriormente 20C/501Y.V2), linhagem B.1.351 ou variante Beta, foi uma variante do SARS-CoV-2, o vírus que causou o COVID-19. Uma das várias variantes do SARS-CoV-2 inicialmente consideradas de particular importância, foi detectada pela primeira vez na área metropolitana de Nelson Mandela Bay na província de Cabo Oriental, na África do Sul, e reportada pelo departamento de saúde do país no dia 18 de dezembro de 2020. A Organização Mundial da Saúde (OMS) a classificou como variante de preocupação (VOC) em 18 de dezembro de 2020 e, a partir de maio de 2021, passou a denominá-la oficialmente pelo nome grego Beta. A OMS a considera atualmente uma variante de preocupação que não está mais em circulação ativa.

Descoberta

A variante foi identificada inicialmente em três províncias sul-africanas no início de novembro de 2020.

Variante

Investigadores e autoridades relataram que a prevalência da variante era maior entre jovens sem problemas de saúde subjacentes e que causava doenças graves com maior frequência nesses casos do que outras variantes anteriores. O departamento de saúde da África do Sul também indicou que a variante estava impulsionando a segunda onda da pandemia de COVID-19 no país, dado que se espalhava mais rapidamente do que as variantes anteriores do vírus. A variante foi associada a uma mortalidade hospitalar 20% maior durante a segunda onda na África do Sul em comparação com a primeira onda.

Mutações

Os cientistas identificaram que a variante se ligava mais facilmente às células humanas em decorrência de três mutações no domínio de ligação ao receptor (RBD) na glicoproteína de pico do vírus: N501Y (uma substituição da asparagina (N) pela tirosina (Y) na posição 501 do aminoácido), K417N e E484K. Duas dessas mutações, E484K e N501Y, estão situadas dentro do motivo de ligação ao receptor (RBM) do domínio de ligação ao receptor (RBD).

Além das mutações no domínio de pico, a variante também apresentava as seguintes alterações em outras regiões do genoma: K1655N, deleção SGF 3675–3677, P71L e T205I; e, ainda na região de pico: D80A, D215G e deleção L242–L244.

A mutação N501Y também foi detectada no Reino Unido. As mutações E484K e K417N, presentes na variante Beta, não estão presentes na variante Alfa. Além disso, a variante Beta não possui a mutação 69-70del encontrada na variante Alfa.

Escape imunológico

A variante Beta demonstrou capacidade significativa de evasão imunológica. Em estudos in vitro, a variante 501Y.V2 apresentou escape completo de anticorpos neutralizantes em 48% das amostras de soro convalescente obtidas de pacientes que já tiveram COVID-19. A mutação E484K, em particular, foi associada a redução superior a 2.000 vezes na neutralização pelo anticorpo monoclonal bamlanivimabe.

Brasil

A variante Beta foi detectada pela primeira vez no Brasil durante vigilância genômica realizada no Estado de São Paulo. Um isolado classificado como B.1.351 foi identificado na região sudeste do estado, em um indivíduo sem histórico recente de viagens. A análise filogenética sugeriu que a introdução no Brasil teria ocorrido por viajantes provenientes de países europeus.

Ver também

Referências

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