ABNT2 é a denominação pela qual é conhecido, no Brasil, o leiaute de teclado baseado na variante 2 da ABNT NBR 10346, norma brasileira que estabeleceu a padronização do conjunto alfanumérico de teclados para equipamentos de processamento de dados. A disposição é baseada no sistema QWERTY e foi concebida para atender às necessidades de entrada de texto em português brasileiro, incluindo caracteres acentuados e a letra ç. A parte numérica do teclado é tratada pela ABNT NBR 10347.
O nome ABNT2 é uma denominação de uso corrente e corresponde à segunda variante prevista na NBR 10346. A norma de 1991 estabelecia duas variantes de um mesmo teclado básico: a primeira baseada na ISO 3243 e a segunda na ANSI X3.154. As duas variantes possuíam o mesmo conjunto de caracteres gráficos e funções de controle, diferenciando-se principalmente pela legenda e pela atribuição de algumas teclas. A própria norma indicava a segunda variante como preferencial.

O teclado ABNT2 mantém a disposição QWERTY das letras, utilizada internacionalmente em grande parte dos teclados de computadores. Sua principal adaptação ao português brasileiro está na posição de caracteres e teclas auxiliares.
Entre suas características estão:
A tecla Alt Gr permite acessar um terceiro nível de caracteres de determinadas teclas. Entre os caracteres previstos pela norma estão, conforme a configuração, símbolos como ¹, ², ³, £, ¢, ¬, §, ª e º. Alguns desses caracteres têm atualmente pouca utilização prática, mas fazem parte da padronização histórica do leiaute.
O leiaute ABNT2 utiliza o conceito de tecla morta para diversos sinais diacríticos. Nesse sistema, o usuário pressiona primeiro a tecla correspondente ao acento e, em seguida, a letra que receberá o sinal.
Assim, uma sequência formada pela tecla de acento agudo seguida de a produz á, enquanto o acento circunflexo seguido de o produz ô. Quando se deseja inserir o próprio sinal de acentuação sem combiná-lo com uma letra, normalmente utiliza-se a tecla de espaço após o acento.
Esse mecanismo permite produzir os principais caracteres acentuados utilizados na língua portuguesa sem a necessidade de combinações numéricas ou tabelas de caracteres.
A padronização brasileira dos teclados de computadores está relacionada ao trabalho da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) na área de equipamentos de processamento de dados.
Antes da NBR 10346, a ABNT havia publicado normas relacionadas à numeração das teclas e ao posicionamento das teclas de controle. Em 1991, a NBR 10346 estabeleceu a padronização do conjunto alfanumérico, enquanto a NBR 10347 tratou do conjunto numérico.
A NBR 10346 previa duas variantes. A segunda, que passou a ser conhecida no mercado como ABNT2 ou ABNT-II, tornou-se a configuração brasileira mais difundida. Documentos de especificação de equipamentos de órgãos públicos brasileiros passaram posteriormente a utilizar expressamente a expressão "ABNT2" ou a descrição "ABNT NBR 10346, variante 2".
A configuração também é identificada internacionalmente como uma variante brasileira dos teclados QWERTY. A descrição técnica do leiaute brasileiro relaciona a porção alfanumérica à NBR 10346, variante 2, e a porção numérica à NBR 10347.
As expressões ABNT e ABNT2 são frequentemente utilizadas para distinguir duas configurações de teclado brasileiro. Tecnicamente, entretanto, a NBR 10346 de 1991 descrevia ambas como variantes de um mesmo teclado básico, e não como duas normas completamente independentes.
A variante 2 acrescentou uma configuração de teclas destinada à utilização de caracteres alternativos. Entre as diferenças mais perceptíveis está a presença da tecla Alt Gr à direita da barra de espaço e a disposição de determinadas teclas de símbolos.
Por essa razão, a identificação "ABNT2" passou a ser amplamente utilizada por fabricantes, fornecedores e órgãos públicos para indicar o teclado brasileiro correspondente à variante 2 da NBR 10346. Especificações técnicas de equipamentos continuam utilizando a expressão "ABNT2" associada às NBR 10346 e 10347.
Em sua configuração convencional para computadores de mesa, o teclado ABNT2 apresenta quatro grupos principais:
| Grupo | Características |
|---|---|
| Alfanumérico | Letras, números e sinais de pontuação, incluindo a tecla dedicada Ç. |
| Teclas de função | Teclas F1 a F12 e outras teclas de controle, dependendo do equipamento. |
| Controle e navegação | Teclas como Ctrl, Alt, Alt Gr, Shift, Esc, Enter, Tab, Backspace e teclas direcionais. |
| Teclado numérico | Bloco separado destinado à entrada rápida de números e operadores matemáticos, padronizado pela NBR 10347. |
O número total de teclas não é uma característica suficiente para determinar se um teclado é ABNT2. Existem teclados de diferentes dimensões e formatos que utilizam o mesmo leiaute brasileiro, incluindo teclados de notebooks, modelos compactos e teclados destinados a computadores de mesa.
O termo "ABNT2" pode designar tanto o leiaute físico impresso nas teclas quanto, no uso cotidiano, a configuração de teclado selecionada no sistema operacional. Os dois conceitos não são necessariamente idênticos.
Um computador pode possuir fisicamente um teclado ABNT2 e estar configurado no sistema operacional com outro leiaute. Nesse caso, algumas teclas poderão produzir caracteres diferentes daqueles indicados em suas legendas. O problema ocorre porque o sistema operacional interpreta os códigos enviados pelo teclado de acordo com o mapa de teclas selecionado.
Sistemas operacionais modernos, como Windows, Linux e macOS, oferecem configurações específicas para o português brasileiro. A escolha correta do leiaute permite que teclas como Ç, acentos, barra e interrogação funcionem de acordo com a disposição física do teclado.
Uma das características do ABNT2 é a possibilidade de produzir caracteres que não aparecem necessariamente como teclas independentes. Dependendo da implementação do sistema operacional, combinações envolvendo Alt Gr podem produzir caracteres adicionais.
Entre os símbolos historicamente associados à variante 2 estão:
| Caractere | Função ou denominação |
|---|---|
| ¹ | expoente 1 |
| ² | expoente 2 |
| ³ | expoente 3 |
| £ | libra |
| ¢ | centavo |
| ¬ | negação |
| § | parágrafo |
| ª | indicador ordinal feminino |
| º | indicador ordinal masculino |
A presença e a combinação exata desses caracteres podem variar conforme o sistema operacional e sua implementação do mapa de teclado.
O símbolo do euro (€), embora possa ser produzido em algumas configurações de teclado brasileiro, não deve ser confundido com uma característica necessariamente determinada pela NBR 10346 original, publicada em 1991. O euro foi criado posteriormente, em 1999, e entrou em circulação como moeda física em 2002.
O ABNT2 tornou-se a configuração predominante dos teclados comercializados para o mercado brasileiro. A identificação é utilizada tanto em produtos destinados ao consumidor quanto em especificações técnicas de órgãos públicos e instituições brasileiras. Editais de aquisição de equipamentos, por exemplo, frequentemente especificam que o teclado deve obedecer à NBR 10346, variante 2, juntamente com a NBR 10347 para o teclado numérico.
A configuração também é encontrada em computadores portáteis vendidos no Brasil. Em notebooks, contudo, o formato físico pode ser diferente de um teclado convencional de mesa, com redução ou redistribuição de algumas teclas, sem que isso necessariamente altere o leiaute linguístico utilizado.