A anquirina 1 (também conhecida como ANK-1 ou anquirina eritrocitária) é uma proteína adaptadora estrutural fundamental codificada pelo gene ANK1 em humanos, que atua como uma ponte molecular crucial entre as proteínas integrais da membrana plasmática e o citoesqueleto subjacente de espectrina e actina. Expressa maioritariamente nos eritrócitos (glóbulos vermelhos), mas com isoformas mais curtas presentes nos tecidos muscular e nervoso, a sua principal função biológica é conferir estabilidade mecânica, elasticidade e resiliência às células, permitindo, por exemplo, que os eritrócitos se deformem ao atravessar os capilares sanguíneos mais estreitos sem sofrerem rutura. Estruturalmente, a proteína clássica organiza-se em três domínios principais: um domínio N-terminal composto por 24 repetições do motivo anquirina encarregue da ligação à membrana (como à proteína de banda 3), um domínio central de ligação à β-espectrina e um domínio C-terminal com funções reguladoras. Do ponto de vista patológico, mutações e defeitos de expressão no gene ANK1 comprometem gravemente a integridade celular e são clinicamente apontados como a causa principal da esferocitose hereditária do tipo 1, uma anemia hemolítica na qual os glóbulos vermelhos perdem a sua forma bicôncava característica, tornando-se esféricos, rígidos e propensos à destruição prematura no baço. Adicionalmente, investigações biomédicas recentes associam variações epigenéticas na expressão desta proteína no córtex cerebral à progressão da doença de Alzheimer e a polimorfismos na predisposição para a diabetes do tipo 2, expandindo o interesse clínico da anquirina 1 muito para além da hematologia clássica.