A anquirina 2 (também conhecida como anquirina B ou pela abreviatura ANK2) é uma proteína adaptadora estrutural multifuncional codificada em humanos pelo gene ANK2, localizado no cromossoma 4. Esta molécula desempenha um papel celular fundamental ao atuar como uma «âncora» que liga proteínas transmembranares essenciais — como canais iónicos, transportadores de membrana e moléculas de adesão celular — ao citoesqueleto subjacente de espectrina e actina. Embora esteja presente em diversos tecidos corporais, a anquirina 2 exibe níveis de expressão particularmente elevados no músculo cardíaco e no sistema nervoso central, onde é vital para a organização geométrica e estabilização de complexos macromolares. No miocárdio, ela coordena a localização espacial da bomba de sódio e potássio, do permutador de sódio e cálcio e dos recetores de IP3, garantindo a regulação precisa das concentrações intracelulares de cálcio a cada batimento. No cérebro, diferentes isoformas geradas por splicing alternativo (incluindo uma variante gigante de 440 kDa) são cruciais para a morfogénese neuronal, orientação axónica e plasticidade sináptica, além de influenciarem funções cognitivas complexas e a consolidação da memória a longo prazo. Variantes genéticas com perda de função ou mutações patogénicas neste gene comprometem a integridade destas redes moleculares e estão diretamente associadas a patologias graves humanas. A mais notável é a síndrome da anquirina B (historicamente designada como síndrome do QT longo do tipo 4), uma condição clínica caracterizada por disfunção do nó sinusal, bloqueios de condução cardíaca e elevado risco de morte súbita devido a arritmias ventriculares polimórficas. Adicionalmente, disfunções no gene ANK2 têm sido identificadas em análises genómicas como fatores de risco fortemente associados ao transtorno do espetro do autismo, epilepsia e perturbações metabólicas como a diabetes do tipo 2.