Abu Bacir (em árabe: أبو بصير عتبة بن أسيد بن جارية الثقفي; romaniz.: Abū Baṣīr ʿUtba ibn Asīd ibn Jāriya al-Thaqafī; m. 6 A.H. / 628) foi um muçulmano taquifita de Meca, aliado dos zuraítas coraixitas, conhecido pelos acontecimentos que se seguiram ao Tratado de Hudaibia. Depois de fugir de Meca e ser devolvido aos coraixitas em cumprimento ao tratado, escapou novamente e estabeleceu-se na rota comercial entre Meca e a Síria, onde reuniu outros convertidos, entre eles Abu Jandal ibne Suail. Os ataques do grupo às caravanas coraixitas contribuíram para que os habitantes de Meca solicitassem o abandono da cláusula que determinava a devolução dos convertidos que fugissem para junto de Maomé.
Abu Bacir era natural de Meca e pertencia à tribo dos taquifitas, sendo seu nome completo Oteba ibne Acide ibne Jaria Ataquifi. Algumas tradições, contudo, registram seu nome pessoal como Ubaide. Embora taquifita, encontrava-se associado aos coraixitas como aliado dos zuraítas. Depois de se converter ao Islã, foi preso pelos coraixitas em Meca. Após a celebração do Tratado de Hudaibia, em 6 A.H. (628), conseguiu escapar e dirigiu-se a Medina, onde procurou Maomé. Os coraixitas enviaram dois homens para exigir sua devolução, invocando a cláusula do tratado segundo a qual os habitantes de Meca que fugissem para junto dos muçulmanos deveriam ser restituídos. Maomé informou Abu Bacir de que estava obrigado a cumprir o acordo e entregou-o aos emissários, apesar do pedido do convertido para que não fosse devolvido aos seus perseguidores.
Durante a viagem de retorno a Meca, Abu Bacir e seus dois guardas fizeram uma parada em Dul Hulaifa. Enquanto comiam, Abu Bacir apoderou-se da espada de um deles e o matou; o outro conseguiu fugir para Medina e buscou proteção junto a Maomé. Abu Bacir também retornou à cidade e argumentou que Maomé já havia cumprido sua obrigação ao entregá-lo aos coraixitas, enquanto ele próprio havia apenas salvado sua vida e sua religião. Percebendo pelas palavras de Maomé que poderia ser novamente entregue aos habitantes de Meca, deixou Medina e dirigiu-se para a costa do Mar Vermelho. Uma tradição diferente, transmitida por Aluaquidi, afirma que Abu Bacir ofereceu a Maomé um quinto dos bens que tomara do homem que havia matado, mas o profeta recusou a proposta por considerá-la contrária ao tratado com os coraixitas e permitiu-lhe que seguisse para onde desejasse. Segundo essa versão, Abu Bacir estabeleceu-se em Alis, na rota comercial entre Meca e a Síria.
A notícia de sua fuga espalhou-se entre os muçulmanos que permaneciam sob o domínio dos politeístas de Meca. Entre os que se juntaram a Abu Bacir estava Abu Jandal ibne Suail, que havia sido entregue aos coraixitas durante as próprias negociações de Hudaibia em cumprimento das condições do tratado. Outros convertidos fugiram posteriormente para o mesmo local, formando em torno de Abu Bacir um grupo que, segundo diferentes tradições, chegou a reunir setenta ou até trezentos homens. Como não estavam estabelecidos em Medina nem submetidos às obrigações de Maomé perante os coraixitas, passaram a atacar as caravanas comerciais de Meca que percorriam a região, apoderando-se de seus bens e matando alguns dos viajantes. Os ataques acabaram levando os coraixitas a solicitar que a disposição do Tratado de Hudaibia relativa à devolução dos convertidos que fugissem de Meca fosse abandonada. Os habitantes de Meca comunicaram que Abu Bacir e seus companheiros poderiam ser acolhidos em Medina, desde que cessassem os ataques às caravanas coraixitas. Maomé enviou então uma carta ordenando que o grupo se dirigisse a Medina. Quando a mensagem chegou, porém, Abu Bacir encontrava-se à beira da morte e faleceu pouco depois, em 6 A.H. (628). Abu Jandal e os demais companheiros sepultaram-no no local onde estavam estabelecidos e construíram uma mesquita junto ao seu túmulo, seguindo depois para Medina.