Abu Laabe (em árabe: أبو لهب; romaniz.: Abū Lahab), nascido Abede Aluzá ibne Abede Almotalibe ibne Haxime (em árabe: عبد العزى بن عبد المطلب بن هاشم; romaniz.: ʿAbd al-ʿUzzā ibn ʿAbd al-Muṭṭalib ibn Hāshim; Meca, século VI – Meca, 624), foi um chefe dos haxemitas, clã dos coraixitas, e tio paterno do profeta islâmico Maomé. Seu nome pessoal era Abede Aluzá e sua cúnia original, Abu Oteba; Abu Laabe, literalmente "pai da chama", era uma alcunha tradicionalmente atribuída à sua aparência. Filho de Abede Almotalibe e Lubena binte Hujer, dos cuzaaítas, era meio-irmão de Abedalá, pai de Maomé.
Antes da pregação islâmica, Abu Laabe mantinha relações amistosas com Maomé, e dois de seus filhos foram casados ou prometidos a filhas do futuro profeta. Posteriormente tornou-se um de seus principais adversários em Meca e, durante o boicote aos haxemitas e almotalibitas, rompeu com seu clã e alinhou-se aos oponentes de Maomé. Após a morte de seu irmão Abu Talibe, sucedeu-lhe na chefia dos haxemitas e inicialmente concedeu proteção tribal ao sobrinho, mas pouco depois a retirou, circunstância que contribuiu para a vulnerabilidade política de Maomé em Meca e para sua tentativa de obter apoio em Taife.
Sua oposição a Maomé está associada à sura al-Masadd, que condena nominalmente Abu Laabe e menciona também sua esposa, Ume Jamil binte Harbe. Abu Laabe não participou da Batalha de Badre e morreu em Meca poucos dias depois da derrota coraixita, em 624. Apesar de sua oposição ao Islã, alguns de seus filhos posteriormente se converteram, entre eles Oteba e Muatibe após a Conquista de Meca, enquanto sua filha Durra emigrou como muçulmana para Medina.
Abu Laabe era filho de Abede Almotalibe, chefe dos haxemitas, e de Lubena binte Hujer, pertencente aos cuzaaítas, e meio-irmão de Abedalá, pai de Maomé. Seu nome pessoal era Abede Aluzá e sua cúnia original, Abu Oteba. A alcunha pela qual ficou conhecido, Abu Laabe, literalmente "pai da chama", teria sido atribuída por seu pai em alusão à sua aparência; as tradições explicam-na pela beleza e luminosidade de seu rosto ou pelo rubor de suas faces quando se irritava. Pertencia à elite de Meca e, antes do início da pregação islâmica, mantinha boas relações com o sobrinho. Seus filhos Oteba e Utaiba foram casados ou, segundo outra interpretação das tradições, prometidos respectivamente a Rucaia e Ume Cultume, filhas de Maomé. Após o início da atividade profética de Maomé, Abu Laabe tornou-se um de seus adversários. As tradições islâmicas associam sua oposição sobretudo à condenação do politeísmo e dos cultos tradicionais de Meca. Segundo a TDV, quando Afla ibne Anadre, responsável pelo culto da deusa Aluzá, manifestou antes de morrer preocupação com a continuidade de seu culto, Abu Laabe teria prometido assumir essa responsabilidade. Relatos da sira também o apresentam reagindo hostilmente às primeiras proclamações públicas do sobrinho. Quando Maomé reuniu seus parentes após a revelação do versículo que lhe ordenava advertir seus familiares mais próximos, Abu Laabe teria rejeitado sua mensagem e acusado-o de pretender afastá-los da religião de seus antepassados. Outra tradição situa uma reação semelhante quando Maomé convocou os habitantes de Meca no monte Safá para lhes anunciar sua mensagem.
A oposição de Abu Laabe assumiu também uma dimensão política dentro dos haxemitas. Durante o boicote imposto pelos demais clãs coraixitas aos haxemitas e aos almotalibitas, rompeu com seu próprio clã e alinhou-se aos adversários de Maomé. A tradição reproduzida pela TDV atribui sua decisão a dificuldades econômicas, enquanto Watt observa que sua posição pode também ter sido favorecida pelos vínculos que mantinha com os abedexemecitas através de sua esposa, Ume Jamil, filha de Harbe ibne Omaia e irmã de Abu Sufiane ibne Harbe. Apesar dessa oposição, a morte de Abu Talibe, pouco depois do encerramento do boicote, alterou temporariamente a relação entre os dois. Abu Laabe sucedeu ao irmão na chefia dos haxemitas e, em conformidade com as obrigações de solidariedade do clã, inicialmente concedeu sua proteção a Maomé. Essa proteção, contudo, foi de curta duração. Segundo Watt, Abu Jal e Uqueba ibne Abi Muaite persuadiram Abu Laabe a interrogar o sobrinho sobre o destino de seus antepassados falecidos. Ao ouvir que os politeístas do passado, incluindo seus próprios ancestrais, estavam destinados ao inferno, Abu Laabe retirou a proteção que lhe concedera. A TDV relaciona igualmente a ruptura às declarações de Maomé acerca dos antepassados politeístas e à sua oposição às divindades Alate, Manate e Aluzá.
A perda da proteção haxemita deixou Maomé numa posição particularmente vulnerável em Meca. Watt considera provável que essa circunstância tenha contribuído para sua tentativa de obter apoio em Taife. Como a iniciativa não teve êxito, Maomé não pôde simplesmente regressar a Meca sob a proteção de seu próprio clã e precisou obter o jiwar de Mutime ibne Adi, chefe de outro clã coraixita, para voltar à cidade. Abu Laabe, por sua vez, continuou a opor-se publicamente à pregação do sobrinho. As tradições islâmicas o apresentam acompanhando Maomé em algumas ocasiões para contradizê-lo diante daqueles a quem se dirigia e acusá-lo de falsidade e de provocar divisões entre os coraixitas. Abu Laabe não participou da Batalha de Badre, travada em 624 entre os muçulmanos de Medina e os coraixitas de Meca. Segundo a tradição, enviou em seu lugar Alás ibne Hixame, que lhe devia dinheiro. Morreu em Meca poucos dias depois de receber a notícia da derrota coraixita. A TDV registra a tradição segundo a qual contraiu uma doença denominada adasa e que seus filhos, temendo o contágio, inicialmente evitaram aproximar-se do cadáver, providenciando posteriormente seu sepultamento com a ajuda de homens contratados para a tarefa. Abu Laabe deixou vários filhos. Sua filha [[|Durra|Durra binte Abi Laabe]] converteu-se ao Islã e emigrou para Medina, enquanto seus filhos Uteba e Muatibe converteram-se após a Conquista de Meca, em 630.
Abu Laabe e sua esposa, Ume Jamil, ocupam uma posição singular na tradição islâmica por serem condenados na sura al-Masadd, a 111.ª sura do Alcorão. O texto anuncia a perdição de Abu Laabe e afirma que sua riqueza não lhe seria útil, destinando-o a um fogo flamejante; sua esposa é igualmente mencionada e descrita como carregadora de lenha, com uma corda de fibras em torno do pescoço. Watt considera provável que a hostilidade de Abu Laabe a Maomé tenha constituído o contexto da sura e observa que seu texto contém um jogo de palavras entre a alcunha Abu Laabe, "pai da chama", e a condenação ao fogo. A literatura exegética e biográfica relacionou a revelação da sura a diferentes episódios da oposição de Abu Laabe e Ume Jamil a Maomé. A TDV associa-a às ações atribuídas ao casal contra o profeta e observa que, segundo a cronologia tradicional da revelação, Abu Laabe é o primeiro adversário de Maomé mencionado nominalmente e ameaçado juntamente com a esposa no Alcorão. Após a revelação da sura, segundo a tradição, Abu Laabe ordenou que seus filhos Uteba e Utaiba rompessem suas uniões com Rucaia e Ume Cultume, filhas de Maomé.