Alexandre Gnattali

Alexandre Gnattali
Informações gerais
Nascimento4 de fevereiro de 1918 (108 anos)
Porto Alegre, Rio Grande do Sul
PaísBrasil

Alexandre Gnattali (Porto Alegre, 4 de fevereiro de 1918-Rio de Janeiro 30 de março de 1990) foi um maestro, pianista, arranjador e compositor de música popular brasileira.

Biografia

Filho do professor de música e maestro Alexandre Gnattali e irmão do compositor e maestro Radamés Gnatalli, desde cedo demonstrou interesse pela música, aprendendo piano com sua mãe Adélia Gnattali.

Fez renome principalmente como arranjador e maestro, sendo um dos principais arranjadores e regentes da Rádio Nacional, assinando mais de 1470 arranjos entre as décadas de 1940 e 1950, ficando em segundo lugar em números totais, e ali também iniciou a organização do Arquivo Musical na década de 1940. Segundo Saroldi & Moreira, seu trabalho de arranjador na Rádio Nacional serviu como modelo para muitos outros arranjadores e maestros, e segundo Jessé de Sousa, ele contribuiu significativamente para o desenvolvimento do estilo do "jazz sinfônico" no Brasil. Foi um dos principais arranjadores da gravadora CBS, e conduziu orquestras nas gravadoras Odeon, Continental, Todamérica, Polydor e Columbia. Na Columbia foi ainda um dos diretores do Departamento Musical e um dos responsáveis pelo lançamento do selo Magic Notes no Brasil em 1962. Faria & Coli o chamaram de "grande maestro aclamado", e para Ítalo Neuhaus é um "nome de grande importância na música nacional".

Participou como arranjador ou maestro da gravação de discos de muitos cantores e compositores famosos, como Emilinha Borba, Roberto Carlos, Edu da Gaita, Lupicínio Rodrigues, Orlando Silva, o Trio Irakitan, Jerry Adriani, Dorival Caymmi, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, Pixinguinha, Dick Farney, entre outros. Compôs e conduziu a música para três discos infantis com histórias narradas por Tia Chiquinha para a Odeon, foi diretor musical de dois LPs da cantora Gilda Valença, regeu a orquestra na gravação do cordel musical Estória de João-Joana, de Carlos Drummond de Andrade e Sérgio Ricardo.

Colaborou com o irmão em dezenas de trilhas sonoras para o cinema, incluindo para o clássico Rio, Zona Norte. Compôs a trilha para o filme Redenção (1958), as comédias O petróleo é nosso (1954), Carnaval em Marte (1955), O homem do Sputinik (1959), Os apavorados (1962), da produtora Atlântida, e para quase todas as chanchadas da produtora Herbert Richers na década de 1960. Segundo o pesquisador de cinema Hernani Heffner, a produtividade de Gnattali neste campo "é impressionante", "enquanto que o Radamés se liga a todo tipo de produção, o Alexandre vai se fixar muito mais em um estúdio, muito mais na chanchada, vai virar uma assinatura".

Discografia

Gravou vários discos com suas orquestras, com seleções de obras de diversos autores:

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 "Alexandre Gnattali". In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, acesso em 28/07/2023
  2. ↑ Cabral, Sérgio. Antonio Carlos Jobim: Uma biografia. Lazuli, 2016, p. 1690
  3. ↑ Farias, Raphael Fernandes Lopes & Valente, Heloísa de Araújo Duarte. "Criação musical na Era do Rádio: maestros e arranjadores, entre a tradição e a modernidade". In: Estudos em Jornalismo e Mídia, 2020; 17 (2)
  4. ↑ Saroldi, Luiz Carlos & Moreira, Sonia Virgínia. Rádio Nacional, o Brasil em sintonia. Funarte / Instituto Nacional de Música, 1984, p. 34
  5. ↑ Saroldi & Moreira, p. 90
  6. ↑ Sousa, Jessé Gomes de. O curso de arranjo da Escola de Música de Brasília: aspectos históricos, estruturais e contextuais. Mestrado. Universidade de Brasília, 2019, p. 87
  7. ↑ Medeiros, Jotabê. Roberto Carlos: Por isso essa voz tamanha. Todavia, 2021, s/pp.
  8. ↑ "International News Report". Billboard, 07/04/1962, p. 20
  9. ↑ Faris, Raphael F. Lopes & Coli, Juliana Marília. "A música nas rádios do Rio de Janeiro e de São Paulo: tensionamentos culturais e modelos de musicalidades midiatizadas". In: Revista Brasileira de História da Mídia, 2022; 11 (2)
  10. ↑ Neuhaus, Ítalo Simão. "A música popular brasileira nas orquestras da Rádio Nacional nas décadas de 1940 e 50". In: Anais do IV SIMPOM, 2016 (4)
  11. 1 2 Onofre, Cintia Campolina de. Nas trilhas de Radamés: a contribuição musical de Radamés Gnattali para o cinema brasileiro. Doutorado. Universidade Estadual de Campinas, 2011, pp. 208-209
  12. ↑ Didier, Aluísio. Radamés Gnattali. Brasiliana, 1996, p. 29
  13. ↑ Redenção. Cinemateca Brasileira
  14. ↑ Lovisi, Daniel Menezes. Radamés Gnattali e sua música para cinema. Mestrado. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2011, pp. 56-58
  15. ↑ Onofre, pp. 328-329