| Ali do Hejaz | |
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Ali a bordo de um navio ao largo de Jafa, após o funeral de seu irmão Faiçal, em 1933; Fotografia de Zoltan Kluger | |
| Rei do Hejaz | |
| Reinado | 3 de outubro de 1924 – 19 de dezembro de 1925 |
| Consorte de | Nafiça binte Abedalá |
| Antecessor(a) | Huceine ibne Ali |
| Sucessor(a) | Abedalazize ibne Saúde |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 1880 Meca, Império Otomano |
| Morte | 13 de fevereiro de 1935 Baguedade, Iraque |
| Sepultamento | Mausoléu Real do Iraque, Adamia |
| Dinastia | aúnida |
| Pai | Huceine ibne Ali |
| Mãe | Abidia binte Abedalá |
| Filho(s) |
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| Religião | Islã |
Ali do Hejaz, nascido Ali ibne Huceine (em árabe: علي بن الحسين; romaniz.: ʿAlī ibn al-Ḥusayn; Meca, 1880 – Baguedade, 13 de fevereiro de 1935), foi um xarife aúnida (Du Aune), ramo dos catádidas da linhagem haçânida dos haxemitas, e último rei do Hejaz, governando de 1924 a 1925. Filho mais velho de Huceine ibne Ali, emir de Meca e primeiro rei do Hejaz, pertencia ao ramo aúnida (Du Aune) dos catádidas e era irmão de Abedalá, Faiçal e Zaíde. Participou da Revolta Árabe contra o Império Otomano, comandando o Exército Meridional nas operações em torno de Medina, e posteriormente ocupou importantes funções administrativas no reino estabelecido por seu pai. Ali sucedeu Huceine em outubro de 1924, quando o avanço das forças de Abedalazize ibne Saúde e dos Icuanes já ameaçava o domínio haxemita no Hejaz.
Depois da perda de Meca, transferiu seu governo para Gidá, onde resistiu durante grande parte de 1925. A progressiva conquista das demais regiões do reino e a rendição de Medina deixaram Gidá como sua última posição importante. Em dezembro daquele ano, negociou o encerramento das hostilidades, deixou o governo e abandonou o Hejaz, encerrando o domínio dos haxemitas sobre a região. Após sua deposição, Ali estabeleceu-se em Baguedade, junto de Faiçal, então rei do Iraque, e o substituiu no exercício de suas funções durante algumas ausências. Permaneceu na capital iraquiana até sua morte, em 1935. Seu único filho, Abede Alilá ibne Ali, exerceu posteriormente a regência do Iraque durante a menoridade de Faiçal II, enquanto sua filha Aliá binte Ali tornou-se rainha do Iraque por seu casamento com Gazi I.

Ali nasceu em Meca em 1880, sendo o filho mais velho de Huceine ibne Ali, futuro emir de Meca e rei do Hejaz. Pertencia aos aúnidas (Du Aune), ramo dos catádidas da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Era irmão mais velho de Abedalá, Faiçal e Zaíde. Ainda jovem, acompanhou o pai e os demais membros de sua família a Constantinopla, onde Huceine permaneceu durante vários anos. Ali recebeu parte de sua educação na capital otomana. Em 1908, depois que Huceine foi nomeado emir de Meca, Ali regressou com ele ao Hejaz. Passou então a auxiliá-lo no exercício do governo e a substituí-lo durante suas ausências. Quando Huceine iniciou a Revolta Árabe contra o Império Otomano em junho de 1916, Ali participou desde o princípio das operações militares. Juntamente com seu irmão Faiçal, comandou forças enviadas contra Medina, cuja guarnição otomana estava sob o comando de Facradim Paxá. A chegada de reforços otomanos pela Ferrovia do Hejaz impediu a tomada da cidade e levou os revoltosos a reorganizar suas forças. Com a reorganização dos exércitos da revolta, Ali recebeu o comando do Exército Meridional, estabelecido em Rabigue, enquanto Abedalá comandava o Exército Oriental e Faiçal o Exército Setentrional. O Exército Meridional destinava-se a enfrentar as forças otomanas estacionadas em Medina e compreendia dois batalhões de infantaria, um batalhão de infantaria montada em mulas, um batalhão montado em camelos, quatro baterias de artilharia, uma companhia de engenharia e contingentes tribais.
Depois que o avanço otomano para o sul foi contido, as forças árabes passaram a ampliar o cerco de Medina. O Exército Oriental de Abedalá avançou contra as posições otomanas e atacou repetidamente a Ferrovia do Hejaz, enquanto Faiçal deslocou suas forças para o norte, em direção a Aluaja, modificando a disposição dos exércitos árabes no início de 1917. Ali permaneceu à frente do Exército Meridional, baseado em Rabigue, e continuou as operações contra as forças otomanas ao sul de Medina. Posteriormente, suas forças avançaram de Rabigue contra Bir Daruixe, onde encontraram tropas otomanas. Os combates prolongaram-se por três dias e terminaram com a tomada de Bir Daruixe e Majezã pelas forças de Ali, levando as tropas de Facradim Paxá a recuar para Abar Ali. Enquanto Faiçal passou a concentrar suas operações mais ao norte e posteriormente participou da campanha na Síria, Ali permaneceu no Hejaz, mantendo suas forças na frente de Medina. Abedalá também participou do cerco pelo leste, e as forças dos dois irmãos continuaram a pressionar a guarnição otomana até o fim da guerra. Mesmo depois do Armistício de Mudros, em outubro de 1918, Facradim recusou-se a entregar Medina, apesar das determinações para que se rendesse. A resistência terminou em janeiro de 1919, quando Facradim foi entregue por seus próprios oficiais às forças árabes e a guarnição capitulou.
Com o estabelecimento do Reino do Hejaz durante a Revolta Árabe, Ali passou a ocupar posição destacada na administração organizada por seu pai. Depois da proclamação de Huceine como rei, foi colocado à frente do primeiro governo do novo Estado. Em outubro de 1916, quando se organizou formalmente a administração, Ali tornou-se presidente do conselho de ministros, tendo Abedalá Siraje como seu adjunto. Seus irmãos também receberam funções no governo: Faiçal ficou responsável pelos assuntos internos e Abedalá pelos assuntos externos. Depois da rendição da guarnição otomana de Medina, em janeiro de 1919, Ali entrou na cidade e Huceine nomeou-o emir de Medina. Ali procurou restabelecer a administração e as condições de vida da cidade depois dos anos de cerco e promoveu a reparação do trecho da Ferrovia do Hejaz danificado durante a guerra. Permaneceu ao lado do pai no Hejaz enquanto Faiçal e Abedalá passaram a desempenhar papéis políticos fora do reino.
Como filho mais velho de Huceine, Ali permaneceu também como seu principal herdeiro no Hejaz. Durante os anos seguintes, acompanhou a crescente rivalidade entre o reino haxemita e Abedalazize ibne Saúde, governante do Négede. A disputa entre os dois Estados agravou-se progressivamente e culminou numa nova guerra em 1924. Naquele ano, forças dos Icuanes avançaram contra o Hejaz e derrotaram as tropas haxemitas que defendiam Taife. Ali participou diretamente das operações militares. Quando chegaram reforços regulares e tropas montadas para enfrentar o avanço inimigo, dirigiu-se a Taife, mas, diante da superioridade das forças adversárias, retirou-se para Alhada. Na noite de 26 de Sáfar de 1343 A.H., suas posições foram atacadas e suas forças derrotadas, perdendo parte de suas armas e equipamentos. Ali conseguiu retirar-se para Meca. A perda de Taife permitiu que as forças de Abedalazize prosseguissem seu avanço em direção à capital do reino.
Com a deterioração da situação militar, em outubro de 1924 Ali reuniu em Gidá os principais notáveis daquela cidade e de Meca e comunicou-lhes que seu pai estava disposto a deixar o trono caso sua abdicação contribuísse para solucionar a crise. Depois de discutirem a situação, os notáveis solicitaram a Huceine que abdicasse em favor de Ali. Huceine inicialmente se opôs à escolha do filho como sucessor, enquanto o próprio Ali também se mostrou relutante em aceitar o trono diante da situação militar. Huceine acabou abdicando e Ali foi aclamado rei do Hejaz em 5 de Rabi Alaual de 1343 A.H. (1924). A mudança de soberano não interrompeu as operações militares. Abedalazize não aceitou a permanência dos haxemitas no governo do Hejaz e suas forças prosseguiram o avanço. Ali deixou Meca e transferiu para Gidá o centro de seu governo e das forças que ainda lhe permaneciam fiéis, enquanto Meca passou para o controle das forças de Abedalazize. Ali procurou obter recursos financeiros e militares para continuar a resistência e organizou a defesa de Gidá, estabelecendo trincheiras, posições fortificadas e obstáculos ao redor da cidade. Recebeu também auxílio procedente dos territórios governados por seus irmãos Abedalá e Faiçal, além de armamentos e outros equipamentos destinados às suas forças.
No início de 1925, as forças de Abedalazize estabeleceram-se nos arredores de Gidá e iniciaram um prolongado cerco da cidade. Ali conservou o porto e suas comunicações marítimas, por meio das quais continuou a receber provisões e material militar. Durante o cerco, procurou obter recursos para sustentar suas tropas e realizou tentativas contra as posições adversárias, mas as forças de Abedalazize mantiveram o cerco durante a maior parte de 1925, enquanto consolidavam seu domínio sobre as demais regiões do Hejaz. A posição de Ali tornou-se progressivamente mais difícil durante os últimos meses do ano. Depois da rendição de Medina, em dezembro de 1925, Gidá permaneceu como o centro de sua resistência. Em 16 de dezembro, Ali recorreu ao representante britânico na cidade para negociar as condições para o encerramento das hostilidades com Abedalazize. O representante britânico manteve a posição de não aconselhá-lo quanto à decisão de abdicar, mas aceitou atuar como intermediário nas negociações entre as partes.
As negociações resultaram num acordo pelo qual Ali deixaria o governo e o Hejaz, enquanto os bens e armamentos pertencentes ao governo seriam entregues. Em contrapartida, foram estabelecidas garantias para a população civil e militar e uma anistia geral. Ali formalizou sua retirada do Hejaz em 19 de dezembro e entregou a administração a um governo provisório encarregado de executar os termos acordados. Poucos dias depois, deixou Gidá, encerrando o domínio haxemita sobre o Hejaz. Ali deixou Gidá em dezembro de 1925, encerrando seu reinado e o domínio haxemita sobre o Hejaz. Depois de sua partida, a cidade foi entregue às forças de Ibne Saúde, que assumiu o controle dos últimos territórios ainda mantidos pelo governo de Ali. Depois de deixar o Hejaz no fim de 1925, Ali estabeleceu-se em Baguedade, junto de seu irmão Faiçal, rei do Iraque. Durante os anos seguintes, substituía Faiçal no exercício de suas funções durante as ausências do rei. Ali permaneceu em Baguedade até sua morte, em 1935.
Ali casou-se em 1906 com Nafiça, filha de Abedalá Camil Paxá, emir de Meca. O casal teve um filho e quatro filhas: