Aljadide (em árabe: الجديد; romaniz.: al-Jadīd), também referida como Aljadida (em árabe: الجديدة; romaniz.: al-Jadīdah), foi uma localidade histórica situada em Marre Azarã, no Hejaz, nas proximidades de Meca. Mencionada nas crônicas dos séculos XIII e XIV, esteve associada aos xarifes dos catádidas, que governavam o Xarifado de Meca. Sua localização no vale de Marre fez dela um dos lugares de permanência de membros da família governante durante as disputas pelo controle da cidade. A localidade aparece particularmente nos conflitos dinásticos do século XIV, quando serviu de ponto de reunião e permanência de diferentes facções dos catádidas.
Entre 1335 e 1361, esteve ligada às rivalidades entre Rumaita e Utaifa e, posteriormente, entre os filhos de Rumaita, especialmente Ajelane e Tacaba. Nesse período, foi cenário de confrontos armados, negociações e deslocamentos militares relacionados à sucessão no emirado de Meca. Aljadide também ficou associada à morte de importantes membros da dinastia. Em 1301, o emir Abu Numai I morreu na localidade, pouco depois de abdicar em favor de seus filhos. Em 1362, ali morreu Sanade ibne Rumaita, enquanto, em 1375, o antigo emir Ajelane faleceu no mesmo lugar. Os corpos de Abu Numai e Ajelane foram trasladados a Meca e sepultados no cemitério de Almuala.
Aljadide aparece nas crônicas de Meca como uma localidade de Marre Azarã, no Hejaz, associada à presença dos xarifes dos catádidas. Em 4 de Sáfar de 701 A.H. (8 de outubro de 1301), o emir Abu Numai I morreu no lugar, dois dias depois de transferir o governo de Meca a seus filhos Humaida e Rumaita. Seu corpo foi trasladado à cidade, conduzido em torno da Caaba e sepultado no cemitério de Almuala. Em 736 A.H. (1335–1336), durante uma disputa entre Rumaita e seu irmão Utaifa pelo governo de Meca, o primeiro permaneceu em Aljadide, enquanto o segundo controlava a cidade. Em Ramadã daquele ano, Rumaita lançou uma ofensiva contra Meca, mas foi derrotado e perdeu vários homens, entre eles seu vizir. No ano seguinte, a rivalidade prosseguiu entre os representantes dos dois irmãos. Em 27 de Rajabe de 737 A.H. (1337), Mubaraque ibne Utaifa avançou contra seu primo Mugamis ibne Rumaita, que permanecia em Aljadide. Mubaraque recebeu o apoio de aliados da tribo dos omeiritas e de outros partidários de Meca. O confronto terminou com a retirada de Mugamis. Segundo Ibne Fade, morreram cinco homens entre os partidários de Mubaraque e um entre os de Mugamis, cujos seguidores também perderam cavalos.
Em 750 A.H. (1349–1350), Aljadide voltou a figurar nas disputas entre os filhos de Rumaita. Ajelane dirigiu-se contra seu irmão Tacaba, que se encontrava na localidade. Ao alcançar Adacna e Arde Calide, foi impedido de prosseguir pelos chefes militares, que promoveram uma reconciliação entre os irmãos. Em 752 A.H. (1351–1352), Tacaba voltou a permanecer em Aljadide, acompanhado por membros da família governante e chefes militares, enquanto Ajelane controlava Meca. Em 754 A.H. (1353–1354), Ajelane deslocou-se para Nacla, onde recuperou recursos anteriormente apreendidos, e seguiu para Aljadide. Distribuiu parte deles entre seus partidários e permaneceu na localidade até o final do ano, quando partiu para Alharda após receber notícias das movimentações de Tacaba em Meca. Em 756 A.H. (1355), Tacaba e seus irmãos Sanade e Mugamis regressaram do Egito e reuniram forças contra Ajelane. Em 23 de Xaual, chegaram a Aljadide com 53 cavaleiros e permaneceram ali durante alguns dias. Posteriormente, avançaram contra Meca, mas acabaram regressando à localidade. Aljadide continuou a ser mencionada nas movimentações dos xarifes durante os conflitos de 757 e 758 A.H. (1356–1357), quando diferentes membros da família governante se deslocaram entre a localidade, Meca e outros pontos do Hejaz.
Em 762 A.H. (1361), Tacaba encontrava-se gravemente enfermo quando Ajelane regressou ao Hejaz. Segundo Ibne Fade, o emir foi levado a Aljadide, no vale de Marre, embora outra tradição situe o episódio em Caife Bani Xadide. Ajelane encontrou-se com o irmão antes de sua morte, ocorrida no final de Ramadã ou no início de Xaual daquele ano. Em 763 A.H. (1361–1362), outro filho de Rumaita, Sanade, morreu em Aljadide após adoecer. Segundo a tradição preservada por Alfaci, seu sobrinho Anane ibne Mugamis apropriou-se de seus cavalos e armas e partiu para o Iêmem. Em 11 de Jumada I de 777 A.H. (7–8 de outubro de 1375), Ajelane morreu em Aljadide. Seu corpo foi trasladado a Meca e sepultado no cemitério de Almuala, onde posteriormente foi construída uma cúpula sobre seu túmulo.