| Abu Numai Maomé I | |
|---|---|
| Emir de Meca | |
| Reinado | 1254–1255 |
| Antecessor(a) | Ganime ibne Raji |
| Sucessor(a) | Ibne Bartas |
| Cogovernante | Idris ibne Catada |
| Emir de Meca | |
| Reinado | 1255–1258 |
| Predecessor(a) | Ibne Bartas |
| Sucessor(a) | filhos de Abu Sade |
| Cogovernante | Idris ibne Catada |
| Emir de Meca | |
| Reinado | 1258–1269 |
| Predecessor(a) | filhos de Abu Sade Alhaçane |
| Sucessor(a) | Idris ibne Catada |
| Cogovernante | Idris ibne Catada |
| Emir de Meca | |
| Reinado | 1270–1271 |
| Predecessor(a) | Idris ibne Catada |
| Sucessor(a) | Ganime ibne Idris Jamaz ibne Xia |
| Emir de Meca | |
| Reinado | 1271–1282/3 |
| Predecessor(a) | Ganime ibne Idris Jamaz ibne Xia |
| Sucessor(a) | Jamaz ibne Xia |
| Emir de Meca | |
| Reinado | 1282/3–1288/9 |
| Predecessor(a) | Jamaz ibne Xia |
| Sucessor(a) | Jamaz ibne Xia |
| Emir de Meca | |
| Reinado | 1288/9–1301 |
| Predecessor(a) | Jamaz ibne Xia |
| Sucessor(a) | Humaida ibne Abi Numai Rumaita ibne Abi Numai |
| Dados pessoais | |
| Morte | 8 de outubro de 1301 Marre Azarã, Hejaz |
| Dinastia | catádida |
| Pai | Abu Sade Alhaçane |
Abu Numai Maomé I ibne Abi Sade Alhaçane (em árabe: أبو نمي محمد بن أبي سعد الحسن; romaniz.: Abū Numayy Muḥammad ibn Abī Saʿd al-Ḥasan; m. 4 de Sáfar de 701 A.H. (8 de outubro de 1301)) foi um xarife haçânida da dinastia dos catádidas que exerceu repetidamente o Emirado de Meca entre 1254 e 1301. Filho de Abu Sade Alhaçane, destacou-se ainda jovem nas disputas pelo controle da cidade e, após a deposição de Ganime ibne Raji, assumiu pela primeira vez o emirado em associação com seu tio-avô Idris ibne Catada. O governo conjunto de Abu Numai e Idris foi marcado por sucessivas rupturas, reconciliações e intervenções externas. Depois da morte de Idris em combate em 1270–1271, Abu Numai tornou-se o principal governante de Meca, embora sua autoridade ainda tenha sido interrompida por ocupações de rivais, entre eles Ganime ibne Idris e Jamaz ibne Xia.
Ao longo de sua carreira, procurou preservar sua posição em meio à rivalidade pela influência sobre o Hejaz entre os mamelucos do Egito e a dinastia raçúlida do Iêmem. Abu Numai recuperou repetidamente Meca após ser expulso e permaneceu à frente do emirado até os últimos dias de sua vida. Em 2 de Sáfar de 701 A.H. (6 de outubro de 1301), entregou o governo a seus filhos Humaida e Rumaita e morreu dois dias depois, em Aljadide, em Marre Azarã. Foi sepultado no cemitério de Almuala, em Meca. Sua descendência constituiu o ramo dos catádidas do qual provieram numerosos emires posteriores da cidade.
Abu Numai nasceu por volta de 630 A.H. (1232) e era filho de Abu Sade Alhaçane, emir de Meca, descendendo de Catada ibne Idris, fundador da dinastia dos catádidas. Ainda jovem, participou das lutas de seu pai contra Raji ibne Catada. Depois que Abu Sade assumiu o emirado, em Dulcada de 647 A.H. (fevereiro de 1250), Raji procurou em Medina o apoio de seus parentes maternos entre os huceinitas e avançou contra Meca com cerca de setecentos cavaleiros, comandados por Issa ibne Xia. Abu Numai, informado da aproximação do exército, saiu de Iambo com apenas quarenta cavaleiros e surpreendeu as forças adversárias, obrigando Raji e Issa a regressarem a Medina. Em recompensa pela vitória, Abu Sade associou o filho ao governo de Meca. Abu Numai permaneceu como corregente do pai até Ramadã de 651 A.H. (outubro–novembro de 1253), quando Jamaz ibne Haçane tomou Meca com tropas sírias e matou Abu Sade. Jamaz foi pouco depois expulso por Raji, que, por sua vez, foi deposto pelo próprio filho Ganime ibne Raji em Rabi Alaual de 652 A.H. (abril–maio de 1254).
Em Xaual de 652 A.H. (novembro–dezembro de 1254), Abu Numai e seu tio-avô Idris ibne Catada avançaram contra Ganime, derrotaram-no e tomaram Meca, passando a governá-la conjuntamente. No mês seguinte, uma força de cem cavaleiros enviada pelo sultão raçúlida Almáleque Almuzafar Iúçufe I (r. 1250–1295) e comandada por Ibne Bartas avançou contra a cidade. Abu Numai e Idris receberam auxílio de Jamaz ibne Xia, emir de Medina, mas foram derrotados em 25 de Dulcada de 652 A.H. (6 de janeiro de 1255), em Cauze Almacaça, ao sul de Meca, que foi ocupada por Ibne Bartas. No último sábado de Moarrão de 653 A.H. (6 de março de 1255), Abu Numai e Idris regressaram com reforços e novamente com o apoio de Jamaz. Desceram das montanhas, entraram à força em Meca e infligiram pesadas perdas às tropas iemenitas. Ibne Bartas foi capturado e recuperou a liberdade mediante o pagamento de um resgate, regressando depois ao Iêmem. A relação entre Abu Numai e Idris foi marcada por períodos de cooperação e conflito. Em 654 A.H. (1256), Idris dirigiu-se a Assirraine para visitar seu irmão Raji, e Abu Numai aproveitou sua ausência para assumir sozinho o emirado. Quando Idris regressou acompanhado por Raji, os três se reconciliaram e Idris voltou ao governo conjunto.
Em 655 ou 656 A.H. (1257–1258), Abu Numai deixou Meca para combater os taquifitas, e alguns filhos de Abu Sade aproveitaram sua ausência para ocupar a cidade e aprisionar Idris. Sua ocupação durou apenas seis dias; ao saber do ocorrido, Abu Numai regressou, e os invasores retiraram-se sem combate. Em 659 A.H. (1261), Almuzafar Iúçufe realizou o haje acompanhado por seu exército. Temendo sua aproximação, Abu Numai e Idris abandonaram Meca e só regressaram depois da partida do sultão, dez dias após o término da peregrinação. Em Xabã de 667 A.H. (abril de 1269), Abu Numai expulsou Idris e ordenou que a cutba fosse pronunciada em nome do sultão bárida Baibars (r. 1257–1277). Comunicou ao soberano egípcio que afastara Idris devido à inclinação deste em favor de Almuzafar Iúçufe e dos raçúlidas e pediu que o emir de Medina fosse proibido de auxiliá-lo. Baibars aceitou a submissão de Abu Numai sob condições relativas à proteção da Grande Mesquita de Meca e dos peregrinos, entre elas a de que não fossem impostos tributos adicionais. Depois de Abu Numai aceitar as condições, o sultão enviou-lhe um diploma de investidura. Idris reconciliou-se pouco depois com Abu Numai, e Baibars confirmou ambos como emires conjuntos. Naquele ano, Baibars realizou o haje e mostrou-se satisfeito com o governo dos dois xarifes.
Em Rabi Alaual de 669 A.H. (novembro de 1270), após a morte de um de seus filhos, Abu Numai entrou novamente em conflito com Idris e foi expulso de Meca. Refugiou-se em Iambo, onde procurou o auxílio do emir local. Cerca de quarenta dias depois, em Jumada Aluala (dezembro), regressou com reforços e derrotou Idris em Culais. Idris morreu no confronto, e Abu Numai passou a governar sozinho o Emirado de Meca. No final de Sáfar de 670 A.H. (outubro de 1271), Jamaz ibne Xia aliou-se a Ganime ibne Idris, filho de Idris ibne Haçane, associado ao emirado de Iambo. Os dois avançaram contra Meca, expulsaram Abu Numai e assumiram conjuntamente o governo da cidade. Seu domínio durou cerca de quarenta dias, até Rabi Alarrir (novembro), quando Abu Numai reuniu novas forças, derrotou os adversários e recuperou o emirado. Em 19 de Rabi Alarrir de 675 A.H. (1276), Jamaz voltou a avançar contra Meca, acompanhado por forças de Iambo. Segundo um relato do historiador Xameçadim Aljazari, reproduzido por Taquiadim Alfaci, seu aliado era Idris ibne Haçane, emir de Iambo. Os invasores dispunham de 215 cavaleiros e seiscentos soldados de infantaria, enquanto Abu Numai contava com duzentos cavaleiros e 180 soldados de infantaria. Na batalha travada em Marre Azarã, Abu Numai derrotou os adversários. O comandante de Iambo foi capturado, mas Jamaz conseguiu escapar. Alfaci, entretanto, considerou mais provável que o aliado de Jamaz fosse Ganime ibne Idris, supondo que seu nome tivesse sido omitido por engano na transmissão do relato de Aljazari.
Nas décadas seguintes, Abu Numai procurou equilibrar as pretensões dos mamelucos do Egito e dos raçúlidas sobre o Hejaz. Em 681 A.H. (1282–1283), o sultão bárida Calavuno (r. 1279–1290) exigiu-lhe um juramento de fidelidade absoluta. O acordo estabelecia, além da pronúncia da cutba e da cunhagem de moedas em nome do sultão, o monopólio mameluco sobre o fornecimento anual da quiçuá da Caaba. Em 687 A.H. (1288), Jamaz obteve de Calavuno um exército para depor Abu Numai e reforçar a autoridade mameluca sobre Meca. Conseguiu tomar a cidade, mas, uma vez no poder, ordenou que a cutba e as moedas fossem emitidas em seu próprio nome. Antes do fim do ano, foi envenenado, segundo uma tradição, por um dos servidores de sua esposa Cuzaima, filha de Abu Numai, e regressou a Medina. Abu Numai reassumiu então o emirado. Em 30 de Rabi Alaual de 691 A.H. (21 de março de 1292), Abu Numai retirou da cutba o nome do sultão mameluco Axerafe Calil (r. 1290–1293) e substituiu-o pelo de Almuzafar Iúçufe do Iêmem. Em 692 A.H. (1292–1293), o emir do haje mameluco ordenou que Abu Numai o acompanhasse ao Egito. Partiram no início de 693 A.H. (1293–1294), mas, ao chegarem a Iambo, receberam a notícia da morte de Axerafe Calil, e Abu Numai regressou a Meca. Abu Numai continuou à frente do emirado até 701 A.H. (1301). Em 2 de Sáfar daquele ano (6 de outubro), entregou o governo a seus filhos Humaida e Rumaita. Morreu dois dias depois, em 4 de Sáfar (8 de outubro), em Aljadide, em Marre Azarã. Seu corpo foi trasladado a Meca e conduzido em torno da Caaba. Foi sepultado no cemitério de Almuala, próximo aos túmulos de seu pai Abu Sade e de seu bisavô Catada.