Amanda Marfree

Amanda Marfree
NascimentoSão Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil
Morte23 de junho de 2020
São Paulo, São Paulo, Brasil
Causa da morteCOVID-19
Nacionalidadebrasileira
Ocupação
  • ativista
  • orientadora socioeducacional

Amanda Marfree (São Gonçalo, Rio de Janeiro – São Paulo, 23 de junho de 2020) foi uma ativista brasileira dos direitos das pessoas transgênero e orientadora socioeducacional. Participou da primeira turma do programa Transcidadania, da Prefeitura de São Paulo, sendo a primeira participante do grupo a concluir o ensino médio. Posteriormente, trabalhou em serviços de atendimento à população LGBT da cidade, incluindo o Centro de Referência e Defesa da Diversidade.

Em 2015, candidatou-se ao Conselho Tutelar de Itaquera, em São Paulo. Em 2020, era pré-candidata a vereadora da capital paulista pelo coletivo DiverCidade SP, ligado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Morreu em 23 de junho daquele ano, aos 35 anos, em decorrência da COVID-19.

Vida e formação

Natural de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, Amanda Marfree interrompeu os estudos durante a adolescência, após enfrentar episódios de discriminação relacionados à sua identidade de gênero. Em entrevistas, relatou ter recorrido à prostituição como meio de subsistência, diante das dificuldades de acesso ao mercado de trabalho formal.

Entre 2005 e 2008, viveu na Itália, de onde foi deportada para o Brasil, fixando-se posteriormente em São Paulo. Na capital paulista, continuou a enfrentar dificuldades de inserção profissional e chegou a frequentar um curso de cabeleireira, sem conseguir estabelecer-se nessa atividade.

Em 8 de janeiro de 2015, inscreveu-se no programa Transcidadania, criado pela Prefeitura de São Paulo durante a administração de Fernando Haddad. A iniciativa destinava-se à promoção da cidadania e da inserção social de travestis e pessoas transexuais em situação de vulnerabilidade, por meio da educação, de formação profissional e de apoio financeiro. Integrou a primeira turma, formada por cem participantes, e foi a primeira do grupo a concluir o ensino médio. Estudou na Escola Estadual Padre Antão, recebendo um diploma de honra ao mérito pela conclusão dos estudos. Participou do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015, obtendo uma pontuação que lhe permitia disputar vagas no ensino superior.

Na pesquisa de mestrado de Chinaira Raiazac Faria Santana, realizada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Marfree relatou que a participação no programa lhe despertou o interesse em estudar Serviço Social, área na qual pretendia atuar profissionalmente. Sua trajetória foi analisada num capítulo dedicado às experiências de três mulheres trans participantes do Transcidadania.

Atuação profissional e política

Em 3 de novembro de 2015, Marfree iniciou seu primeiro emprego formal, como recepcionista num centro de atendimento à população LGBT da Zona Leste de São Paulo. Em entrevista concedida à pesquisadora Chinaira Santana, descreveu a contratação e a experiência de trabalhar com carteira assinada como mudanças significativas em sua trajetória profissional.

No mesmo ano, candidatou-se a uma vaga no Conselho Tutelar de Itaquera. Segundo reportagem publicada pela Revista Fórum em setembro de 2015, era a primeira mulher trans a candidatar-se a um conselho tutelar na cidade de São Paulo. Marfree relacionou a decisão ao interesse pela proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

Posteriormente, trabalhou como orientadora socioeducacional no Centro de Referência e Defesa da Diversidade (CRD), em São Paulo, prestando atendimento a pessoas LGBT, incluindo pessoas trans em situação de rua. Também atuou como recepcionista em serviços municipais de cidadania LGBT.

Em 2020, integrou o coletivo político DiverCidade SP, ligado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), pelo qual era pré-candidata a vereadora nas eleições municipais daquele ano. Durante a pandemia de COVID-19 no Brasil, participou de iniciativas de assistência social, incluindo a distribuição de cestas básicas em casas de acolhimento para mulheres trans e travestis.

Morte e homenagens

Amanda Marfree morreu na madrugada de 23 de junho de 2020, aos 35 anos, em São Paulo, em decorrência da COVID-19. Sua morte foi comunicada pelo coletivo DiverCidade SP e noticiada por diversos veículos de imprensa brasileiros.

Em 21 de dezembro de 2022, foi promulgada a Lei Municipal nº 17.863, que atribuiu o nome de Praça Amanda Marfree a um espaço público situado na Rua Santo Afonso, no distrito da Penha, em São Paulo. A denominação resultou do Projeto de Lei 800/2021, apresentado por Erika Hilton, Eduardo Suplicy, Elaine do Quilombo Periférico e Luana Alves.

Em Araraquara, também no estado de São Paulo, o Ambulatório de Saúde Integral de Travestis e Transexuais recebeu o nome de Amanda Marfree pela Lei Municipal nº 11.283, de 17 de julho de 2024, originada de uma proposta da vereadora Filipa Brunelli.

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 Santana, Chinaira Raiazac Faria (2017). Inserção laboral de travestis e transexuais na cidade de São Paulo: o Programa TransCidadania (PDF) (Dissertação de Mestrado em Psicologia Social). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. pp. 139–143. Consultado em 31 de outubro de 2026
  2. 1 2 3 4 Putti, Alexandre (23 de junho de 2020). «Morre aos 35 anos a ativista trans Amanda Marfree». CartaCapital. Consultado em 31 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 7 de dezembro de 2024
  3. 1 2 3 «O único lugar que a travesti tinha era a esquina. Agora tem a escola». Revista Fórum. 10 de setembro de 2015. Consultado em 31 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 8 de novembro de 2025 – via Agência Patrícia Galvão
  4. 1 2 3 «Ativista transexual Amanda Marfree morre aos 35 anos vítima de covid-19». UOL Universa. 23 de junho de 2020. Consultado em 31 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 11 de dezembro de 2024
  5. ↑ Brant, Isadora; Rocca, Lígia (29 de janeiro de 2016). «Com bolsa para estudar, trans relatam inclusão após prostituição e abandono». Folha de S.Paulo. Consultado em 31 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 2 de maio de 2025
  6. ↑ Cetrone, Camila (23 de junho de 2020). «Ativista trans é vítima da Covid-19: "Foi até o limite para ajudar a comunidade"». iG Último Segundo. Consultado em 31 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 22 de abril de 2021
  7. ↑ «Lei nº 17.863, de 21 de dezembro de 2022». Prefeitura de São Paulo. 21 de dezembro de 2022. Consultado em 31 de outubro de 2026
  8. ↑ «Câmara aprova novo subsídio de secretários municipais para próximo mandato». Câmara Municipal de Araraquara. 16 de julho de 2024. Consultado em 31 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 9 de março de 2026
  9. ↑ «Lei nº 11.283, de 17 de julho de 2024» (PDF). Prefeitura Municipal de Araraquara. 17 de julho de 2024. Consultado em 31 de outubro de 2026

Bibliografia

Ligações externas