Espevitadeira

Espevitadeira com bandeja, em prata, Londres, 1734, no Metropolitan Museum of Art.

Espevitadeira é um utensílio doméstico usado para espevitar o pavio de velas, candeeiros ou lamparinas, isto é, puxar ligeiramente o pavio ou cortar a sua parte queimada, de modo a avivar a chama e melhorar a iluminação. É também chamada espevitador, aparador de pavio, cortador de pavio ou, em alguns contextos, tesoura de pavio.

O modelo tradicional tem forma semelhante a uma tesoura, com duas lâminas articuladas; numa das partes existe frequentemente uma pequena caixa ou receptáculo destinado a recolher a extremidade carbonizada do pavio. Em inglês, objectos deste tipo são geralmente designados por candle snuffers ou wick trimmers, embora candle snuffer também possa referir-se a abafadores ou apagadores de vela de outro tipo.

Funcionamento

Antes da difusão dos pavios modernos autoaparadores, o pavio das velas tendia a alongar-se durante a combustão. Quando a extremidade queimada ficava demasiado comprida, a vela podia produzir menos luz, mais fumo e fuligem, sendo necessário aparar o pavio para manter a chama regular.

A espevitadeira permitia cortar ou ajustar o pavio sem apagar necessariamente a vela. O receptáculo existente numa das lâminas recolhia a parte carbonizada, evitando que o resíduo incandescente caísse sobre a cera, sobre móveis ou sobre tecidos. Alguns modelos eram acompanhados por uma bandeja própria e podiam ser fabricados em prata, especialmente em contextos domésticos abastados.

Uso doméstico

Ilustração de uma espevitadeira em forma de tesoura.

A espevitadeira fazia parte dos objectos associados à iluminação doméstica antes da generalização da iluminação a gás e da iluminação eléctrica. Nos séculos XVIII e XIX, casas mais abastadas podiam dispor de castiçais, candelabros, lustres, velas, candeeiros, abafadores e espevitadeiras, bem como de criados ou trabalhadores encarregados de manter a iluminação.

Além de avivar a chama, a espevitadeira podia auxiliar a extinção da vela de forma mais controlada, reduzindo o risco de espalhar cera quente, fumo ou resíduos do pavio. O Museu Etnográfico da Madeira refere exemplares em prata semelhantes aos usados desde o século XVIII, formados por duas lâminas e por um recipiente para os resíduos do pavio.

Obsolescência

A necessidade de aparar manualmente os pavios diminuiu no século XIX com melhorias na tecnologia das velas. A introdução de combustíveis como a estearina e a parafina, juntamente com pavios entrançados de modo assimétrico, permitiu que a ponta do pavio se curvasse para a zona mais quente e oxigenada da chama, consumindo-se por si própria. A partir do século XIX, a necessidade de aparar manualmente os pavios diminuiu com a introdução de pavios entrançados que se curvavam para a zona exterior da chama e se consumiam durante a combustão.

Distinção de objectos semelhantes

A espevitadeira não se confunde necessariamente com o apagador de vela ou abafador de vela. A primeira é, em regra, um instrumento em forma de tesoura destinado a aparar ou ajustar o pavio; o segundo é geralmente um pequeno cone ou campânula, montado na extremidade de uma haste, usado para extinguir a chama por abafamento.

Referências

  1. 1 2 «Espevitadeira». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 16 de junho de 2026
  2. 1 2 3 4 «Conheça a Espevitadeira». Museu Imperial. 11 de novembro de 2020. Consultado em 16 de junho de 2026
  3. ↑ «Espevitadeira». Michaelis On-line. Melhoramentos. Consultado em 16 de junho de 2026
  4. 1 2 3 4 «A "Espevitadeira"». Cultura Madeira / Museu Etnográfico da Madeira. Consultado em 16 de junho de 2026
  5. 1 2 3 4 «Candle snuffers». Museum of New Zealand Te Papa Tongarewa. Consultado em 16 de junho de 2026
  6. 1 2 van Orsouw, Michael (30 de maio de 2022). «In the days when candle wicks still had to be trimmed…». Swiss National Museum. Consultado em 16 de junho de 2026