
Espevitadeira é um utensílio doméstico usado para espevitar o pavio de velas, candeeiros ou lamparinas, isto é, puxar ligeiramente o pavio ou cortar a sua parte queimada, de modo a avivar a chama e melhorar a iluminação. É também chamada espevitador, aparador de pavio, cortador de pavio ou, em alguns contextos, tesoura de pavio.
O modelo tradicional tem forma semelhante a uma tesoura, com duas lâminas articuladas; numa das partes existe frequentemente uma pequena caixa ou receptáculo destinado a recolher a extremidade carbonizada do pavio. Em inglês, objectos deste tipo são geralmente designados por candle snuffers ou wick trimmers, embora candle snuffer também possa referir-se a abafadores ou apagadores de vela de outro tipo.
Antes da difusão dos pavios modernos autoaparadores, o pavio das velas tendia a alongar-se durante a combustão. Quando a extremidade queimada ficava demasiado comprida, a vela podia produzir menos luz, mais fumo e fuligem, sendo necessário aparar o pavio para manter a chama regular.
A espevitadeira permitia cortar ou ajustar o pavio sem apagar necessariamente a vela. O receptáculo existente numa das lâminas recolhia a parte carbonizada, evitando que o resíduo incandescente caísse sobre a cera, sobre móveis ou sobre tecidos. Alguns modelos eram acompanhados por uma bandeja própria e podiam ser fabricados em prata, especialmente em contextos domésticos abastados.

A espevitadeira fazia parte dos objectos associados à iluminação doméstica antes da generalização da iluminação a gás e da iluminação eléctrica. Nos séculos XVIII e XIX, casas mais abastadas podiam dispor de castiçais, candelabros, lustres, velas, candeeiros, abafadores e espevitadeiras, bem como de criados ou trabalhadores encarregados de manter a iluminação.
Além de avivar a chama, a espevitadeira podia auxiliar a extinção da vela de forma mais controlada, reduzindo o risco de espalhar cera quente, fumo ou resíduos do pavio. O Museu Etnográfico da Madeira refere exemplares em prata semelhantes aos usados desde o século XVIII, formados por duas lâminas e por um recipiente para os resíduos do pavio.
A necessidade de aparar manualmente os pavios diminuiu no século XIX com melhorias na tecnologia das velas. A introdução de combustíveis como a estearina e a parafina, juntamente com pavios entrançados de modo assimétrico, permitiu que a ponta do pavio se curvasse para a zona mais quente e oxigenada da chama, consumindo-se por si própria. A partir do século XIX, a necessidade de aparar manualmente os pavios diminuiu com a introdução de pavios entrançados que se curvavam para a zona exterior da chama e se consumiam durante a combustão.
A espevitadeira não se confunde necessariamente com o apagador de vela ou abafador de vela. A primeira é, em regra, um instrumento em forma de tesoura destinado a aparar ou ajustar o pavio; o segundo é geralmente um pequeno cone ou campânula, montado na extremidade de uma haste, usado para extinguir a chama por abafamento.