
BRICS Pay (estilizado como BRICS PAY) é um sistema descentralizado e independente de mensagens para pagamentos, vinculado à organização BRICS.
O projeto é uma iniciativa conjunta desenvolvida pelos países membros do BRICS para realizar e receber pagamentos em suas respectivas moedas locais. A iniciativa foi lançada em 2018 pelo Conselho Empresarial do BRICS. A equipe responsável pela operação colaborativa do BRICS PAY é composta por especialistas em finanças e tecnologia bancária dos cinco países originais do bloco. O objetivo do BRICS PAY é tornar os pagamentos internacionais mais seguros, transparentes, menos onerosos e menos complexos, incentivando a cooperação internacional entre os membros do BRICS, que estão em rápida expansão.
Em 23 de outubro de 2024, a China declarou apoio total ao BRICS PAY.
O BRICS PAY contará com um sistema descentralizado de mensagens transfronteiriças (DCMS), desenvolvido por cientistas do Centro da Universidade Estatal de São Petersburgo, na Rússia.[carece de fontes] O DCMS opera de forma transparente, sem um proprietário central ou núcleo de controle. Os participantes gerenciam seus próprios nós, o que supostamente torna o sistema resistente a abusos externos, controle ou interferência. O sistema não impõe taxas obrigatórias de transação, mas permite que os participantes cobrem uns aos outros opcionalmente, caso desejem. O DCMS constrói automaticamente rotas de transação entre os participantes, visando garantir uma comunicação confiável mesmo quando a transmissão direta não estiver disponível. O objetivo é minimizar os desequilíbrios de liquidação entre as partes envolvidas.
As mensagens serão criptografadas e assinadas, com múltiplos mecanismos de criptografia disponíveis. Os participantes poderão definir taxas de conversão cambial e limites de transação. Com as configurações recomendadas, o DCMS afirma ser capaz de processar até vinte mil mensagens por segundo, exigindo, por outro lado, requisitos mínimos de hardware. Está previsto que o DCMS se torne um sistema de código aberto após a fase de testes piloto.
Os países membros veem o BRICS Pay como uma ferramenta para promover o comércio entre os integrantes do bloco, ampliar a inclusão financeira e reduzir a dependência do dólar estadunidense. A Rússia tem sido a maior defensora do BRICS Pay, buscando contornar a rede SWIFT e as transações em dólar das quais foi excluída após a invasão da Ucrânia. O Irã, também sob sanções dos Estados Unidos, considera o sistema uma prioridade nacional. O presidente do Brasil, Lula, também manifestou apoio ao mecanismo, afirmando que "a ordem multipolar que almejamos se reflete no sistema financeiro internacional" e sugeriu a criação de uma moeda do BRICS.
A Declaração de Kazan, de outubro de 2024, reconheceu os benefícios dos instrumentos de pagamento transfronteiriços para minimizar "barreiras comerciais e garantir acesso não discriminatório", além de incentivar o uso de moedas locais nas transações financeiras entre os países do BRICS e seus parceiros comerciais — sem, no entanto, assumir compromissos com uma moeda única.
A necessidade de um mecanismo alternativo de liquidação global intensificou-se ao longo da década de 2010, impulsionada pelo crescimento econômico dos países emergentes e por tensões geopolíticas. O uso frequente de sanções econômicas por parte de nações ocidentais — que culminou na exclusão de importantes bancos russos do sistema internacional SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication) em 2022 — acelerou os esforços do bloco para consolidar sua soberania financeira.
O debate formal sobre a criação de uma infraestrutura de pagamentos unificada teve início nas cúpulas anuais do BRICS. O objetivo central era mitigar os riscos associados à flutuação cambial do dólar e criar um ambiente seguro para o comércio mútuo utilizando as moedas locais (como o Real, o Rublo, a Rúpia, o Renminbi e o Rand).
O desenvolvimento técnico do BRICS Pay foi coordenado pelo Conselho Empresarial do BRICS, em alinhamento com os bancos centrais e ministérios de finanças dos países membros. Ao contrário de sistemas centralizados, a arquitetura do BRICS Pay foi desenhada para integrar as tecnologias de pagamento já existentes em cada país, tais como: Pix (Brasil), Mir (Rússia), Unified Payments Interface - UPI (Índia) e UnionPay / Alipay / WeChat Pay (China) entre outros países que aderiram ao bloco econômico.