Recruta Zero

Recruta Zero
Recruta Zero

Recruta Zero
País de origem  Estados Unidos
Língua de origem inglês
Género humor
Autor(es) Mort Walker (roteiros, 1950-2018)

Mort Walker (arte, 1950-2018) Neal, Brian & Greg Walker (roteiros, 1982-atualmente)

Primeira publicação 4 de setembro de 1950 - presente
Syndicate(s) King Features Syndicate

Recruta Zero (nome original Beetle Bailey) é um personagem de quadrinhos e desenho animado criado por Mort Walker.

É um recruta do exército americano, lotado no quartel Camp Swampy (Quartel Pantanoso). Sempre cultivando sua preguiça e bom-humor, Zero é implacavelmente perseguido pelo adiposo e volátil Sargento Tainha, que não admite nenhuma insubordinação. Ainda assim, Beetle Bailey sempre dá um jeito de escapar da labuta. Seu lema de vida é: Never let to tomorrow what you can do the day after tomorrow ("Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã"). Outro de seus famosos aforismos é: It´s funny how time flies when we are goofing off ("É engraçado como o tempo voa quando a gente está de folga").

Trajetória

Embora tenha se consagrado como soldado, Recruta Zero nasceu como um estudante universitário (aluno da Universidade Rockview), que já aparecia em seus primórdios com os olhos cobertos por um chapéu; hoje, seus olhos são em geral tapados por um boné ou por um capacete, deixando-o com uma aparência inconfundível. O primeiro ano da tira foi delicado. As histórias não eram sempre engraçadas, e a recepção do público não era das melhores. A distribuidora das tiras, King Features, estudava cancelá-las, a tira nunca teve sucesso – até que seu criador teve a ideia de alistá-lo no Exército dos Estados Unidos, em 1951. Mort Walker queria aproveitar a onda de nacionalismo gerada pela Guerra da Coreia, no que obteve sucesso estrondoso: cerca de 100 jornais americanos compraram os direitos de divulgação do Recruta Zero; muitos deles exibem religiosamente as tiras até o presente. Dando uma ideia do trabalho de Walker até definir o personagem como ele é hoje, em 2006 a coletânea "Recruta Zero, Ano Um", foi lançada no Brasil reunindo todas as tiras pioneiras de Zero desde setembro de 1950, quando foi criado, até dezembro de 1951; mostrando toda a transformação do Zero, de calouro universitário até o seu posterior alistamento militar, quando torna-se recruta. Foi uma grande mudança. De universitário veterano que tinha uma namorada fixa (Rita ou Buba, dependendo da tradução) e só pensava em se dar bem sem ter que estudar, Zero passou a viver em um quartel e a ter outras preocupações.

Walker sempre disse que as histórias de Zero não são HQ's militares, mas sim de humor que, por acaso, acontecem em um quartel. O Zero é um dos divertimentos dos militares norte-americanos, por sua irreverência em relação ao sistema militar e por exaltar a esperteza de um soldado raso face a seus superiores. Talvez por isso a tira tenha sofrido alguns maus bocados: durante as guerras da Coreia e do Vietnã, algumas publicações americanas – entre elas a Stars and Stripes, a revista oficial das Forças Armadas norte-americanas – insistiram na proibição da publicação das tiras do Zero, por considerá-lo uma afronta à ordem militar.

De acordo com o próprio autor, episódios como este lhe renderam inúmeras outras piadas, nas quais a burocracia e a estreiteza mental dos homens de quepe são ridicularizadas. De qualquer forma, com tal de evitar novos contratempos, Walker evitava a associação dos quadrinhos com fatos reais, mantendo o desenrolar das histórias restrito ao Quartel Swampy. Desde que faleceu em 2018, seu filho Gregory o sucedeu na confecção das tiras.

Nos países lusófonos

No Brasil

Capa da edição n° 15 da revista do Recruta Zero, publicada em setembro de 1990 pela Editora Globo

No Brasil, a tirinha é editada em vários jornais. Dentre eles: O Estado de S. Paulo (que edita a tirinha desde 1991), O Globo, Zero Hora, A Tarde, Estado de Minas, A Gazeta, Diário de Pernambuco, Jornal de Brasília e Diário do Nordeste. Também é editada em livros de bolso pela Editora L&PM, de Porto Alegre.

A revista do Recruta Zero foi publicada durante os anos 60, 70 e 80 pela Rio Gráfica Editora, que adquiriu e tomou o nome da Editora Globo. Também foi publicada pela Editora Saber, sob o título 'Zé, o Soldado Raso', entre 1970 e 1973.

Na revista houve muitas adaptações para o público brasileiro, feitas por artistas brasileiros, como os jornais "Folha Oficial" e "Jornal do Batalhão", o primeiro, órgão oficial do quartel e o segundo um jornal feito pelos soldados com o slogan "a verdade, doa a quem doer", sempre com muita ironia sobre os acontecimentos do quartel. Foi relançado pela editora Saber, em edições com formato diferente da publicações da Globo, Abril, Nova Sampa, Mythos Editora, Opera Graphica (que publicou em três formatos distintos: em formatinho nas coleções King Komix de 2001, no ano seguinte na coleção Opera King em formato próximo ao formato italiano [16 x 23 cm] em preto e branco, e em 2006 em um álbum de luxo). Em 2010, o desenhista italiano radicado no Brasil Primaggio Mantovi participou ao lado do jornalista Gonçalo Junior e o também desenhista e pesquisador Álvaro de Moya do evento "Recruta Zero 60 Anos", realizado no SESC Vila Mariana, Mantovi foi um dos artistas que produziram quadrinhos exclusivos para o mercado brasileiro. Em 2011, um novo álbum foi publicado pela Editorial Kalaco (editora criada pelo editor Franco de Rosa, um dos fundadores da Opera Gráphica), Em 2012 é lançada uma nova revista mensal em formatinho foi pelo selo Pixel Media, da Ediouro Publicações, além das tiras do Recruta Zero, são também Hagar, o Horrível de Dik Browne, Zezé & Cia entre outras criações de Walker e Browne.

Duas adaptações de destaque, em edições especiais da revista, foram:

O desenho animado de Recruta Zero foi exibido no Brasil inicialmente pela emissora SBT durante os anos 80 e posteriormente pela TV Record e no Boomerang canal fechado em especial em 2004, e no começo de 2007 onde era exibido diariamente as 4:30. Zero teve sua voz dublada no Brasil primeiramente por Mário Jorge Andrade.

Personagens

De alguma forma, todos eles foram inspirados em experiências pessoais do autor, mas alguns originaram-se de sugestões de leitores. Outros personagens, no entanto, acabaram não emplacando e foram retirados de circulação, como Foguinho, Sebinho e Cantina. Abaixo, seguem os personagens que acompanham Zero desde que este entrou para o Exército norte-americano:

Ver também

Referências

  1. 1 2 CIRNE, Pedro (16 de outubro de 2006). «Livro reúne tiras iniciais do recruta Zero. Coletânea que sai no Brasil revela curiosidades sobre personagem criado nos anos 50 por Mort Walker». jornal Folha de S.Paulo. Consultado em 13 de março de 2021
  2. ↑ Mort Walker (Autor); Fernando Moretti (Tradutor) (2006). Recruta Zero, Ano um. São Paulo: Opera Graphica Editora. 160 páginas. ISBN 978-8589961837
  3. ↑ «UHQ Entrevista Mort Walker». Universo HQ. Arquivado do original em 7 de abril de 2012
  4. ↑ Sonia Hirsch. «Histórias que não estavam no gibi». Universo HQ. Arquivado do original em 10 de maio de 2010
  5. ↑ «Coleção King Komix nº2 - Recruta Zero». Opera Graphica. Arquivado do original em 8 de março de 2009
  6. ↑ «Recruta Zero Coleção King Komix #2». Arquivado do original em 4 de junho de 2012
  7. ↑ Jotapê Martins (4 de dezembro de 2002). «Opera King traz Recruta Zero». Omelete
  8. ↑ Marcelo Naranjo (10 de fevereiro de 2010). «Almanaque Tex será reeditado em formato italiano». Universo HQ. Consultado em 23 de maio de 2010. Arquivado do original em 10 de maio de 2010
  9. ↑ «Coleção Opera King nº 05 - Recruta Zero». Opera Graphica. Arquivado do original em 8 de março de 2009
  10. ↑ «Desenhista do Recruta Zero participa de bate-papo no Sesc Vila Mariana». UOL. 8 de junho de 2010[ligação inativa]
  11. 1 2 Carlos Costa (29 de fevereiro de 2012). «Pixel lança quadrinhos do Recruta Zero». HQManiacs [ligação inativa]
  12. ↑ Carlos Costa sobre release (17 de agosto de 2010). «Flash Gordon chega ao Brasil por nova editora». HQManiacs. Arquivado do original em 13 de maio de 2014

Ligações externas