O belzutifano (comercializado sob a marca Welireg) é um medicamento antineoplásico inovador e o primeiro da sua classe (first-in-class) administrado por via oral, desenvolvido para o tratamento de tumores associados à doença de von Hippel e Lindau (VHL) — como o carcinoma de células renais (CCR), hemangioblastomas do sistema nervoso central e tumores neuroendócrinos pancreáticos — e também para doentes adultos com carcinoma de células renais avançado que já tenham falhado terapêuticas prévias com imunoterapia e inibidores da quinase de tirosina. O seu mecanismo de ação inovador baseia-se na inibição seletiva do fator 2-alfa induzível por hipoxia (HIF-2α); em circunstâncias normais, a proteína VHL degrada o HIF-2α, mas a ausência ou mutação do gene VHL nestes doentes leva à acumulação patológica deste fator, desencadeando a transcrição de genes que promovem a angiogénese e o crescimento tumoral descontrolado. Ao ligar-se diretamente ao HIF-2α, o belzutifano bloqueia esta cascata de sinalização pseudo-hipóxica, conseguindo estabilizar ou reduzir o volume dos tumores e oferecendo uma alternativa terapêutica sistémica que atrasa a necessidade de intervenções cirúrgicas repetidas. Apesar de apresentar um perfil de tolerabilidade geralmente favorável quando comparado com a quimioterapia citotóxica convencional, o fármaco possui efeitos secundários específicos decorrentes do seu próprio mecanismo de ação, destacando-se a anemia severa (uma vez que o HIF-2α regula a produção de eritropoietina) e a hipoxia, as quais exigem uma monitorização clínica rigorosa e, frequentemente, a administração de suporte de oxigénio ou transfusões sanguíneas, estando ainda o seu uso absolutamente contraindicado durante a gravidez devido ao risco comprovado de toxicidade fetal extrema.