As benzoilureias constituem uma família de compostos orgânicos sintéticos acilureicos empregues na agricultura e medicina veterinária como reguladores do crescimento de insetos (RCI). Distinguindo-se dos inseticidas neurotóxicos convencionais, o seu modo de ação é altamente específico: atuam como inibidores da síntese de quitina (ISQ), interferindo com a polimerização da N-acetilglucosamina, o polissacarídeo essencial na formação do exoesqueleto dos artrópodes. Isto impede o processo de ecdise (muda), resultando na mortalidade de larvas e ninfas por incapacidade de libertação ou formação da nova cutícula, além de demonstrar forte ação ovicida transovárica. Sintetizadas na década de 1970 com a introdução do diflubenzurão, estas moléculas representaram um marco no manejo integrado de pragas (MIP) devido à sua baixa toxicidade aguda para mamíferos, aves e plantas, organismos desprovidos deste alvo bioquímico. Contudo, a sua estabilidade química confere-lhes uma persistência ambiental considerável e elevada lipofilia, o que motivou restrições severas pela União Europeia sob o Regulamento (CE) n.º 1107/2009. A lixiviação para meios aquáticos representa um risco ecotoxicológico crítico, afetando negativamente macroinvertebrados e crustáceos não-alvo (como a Daphnia magna). Estruturalmente, derivam do acoplamento de radicais benzoílo e ureia, frequentemente halogenados com cloro e flúor para exponenciar a atividade biológica. Exemplos comerciais proeminentes como o lufenurão, triflumurão e teflubenzurão são aplicados na proteção de culturas contra lepidópteros e coleópteros, e na veterinária como antiparasitários sistémicos eficazes no controlo biológico de pulgas domésticas. Atualmente, o seu uso exige zonas de proteção estritas e estratégias de rotação do modo de ação (classificados no Grupo 15 do IRAC) para mitigar o desenvolvimento de resistências e proteger a biodiversidade aquática.