Besteiro

 Nota: Se procura Besteiros (no plural), veja Besteiros.
Besteiro de polé a armar a besta, desenho por Viollet-le-Duc

Os besteiros eram os soldados medievais equipados com bestas. Geralmente envenenavam as setas com o heléboro-fétido, ou varatro negro, vulgarmente chamado de "erva-dos-besteiros".

Era normal em Portugal os besteiros terem montadas, provinham em regra dos chamados "Besteiros do Conto" ordenação antiga pela qual todos os concelhos do país deveriam possuir um determinado número de besteiros escolhidos entre os habitantes com posses para adquirir tal armamento, já que quem tinha dinheiro para adquirir uma besta também podia sustentar um cavalo ou outra montada, deslocavam-se a cavalo no terreno da batalha mas por regra desmontavam para combater. Acontecia ainda que os chamados "Cavaleiros Vilãos" (milites villani) armavam-se frequentemente com besta, dado que era uma arma que qualquer pessoa poderia utilizar mesmo não sendo particularmente possante, montados numa pileca, com a besta, poderiam enfrentar um nobre cavaleiro de escudo, cota de malha e armadura montado num corcel de guerra.

As bestas são lentas a recarregar, o que limita o seu uso em batalhas de campo aberto. Em cercos, este fator não é uma desvantagem significativa, já que os besteiros se podem esconder ao recarregar a arma. Disparando virotes ou dardos a 150 ou 200 metros, a besta tinha o mesmo alcance útil dos arcos longos mas um poder de penetração nos escudos e armaduras muito maior. Como o tiro era tenso a precisão era muito superior à do arco, ao ponto de os besteiros mais hábeis poderem ser comparados aos snipers (atiradores especiais) modernos.

No tempo de D. João I havia muitas espécies de besteiros:

Referências

  1. ↑ Viterbo, Joaquim de Santa Rosa de (1856). Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram vol. 1. Lisboa: A. J. Fernandes Lopes. p. 210. 552 páginas «Ordinariamente hervavão os virotes, untando-as com hervas venenosas, principalmente com o ellebro fétido, que por isso em Portugal lhe chamão herva-bésteira»
  2. ↑ Abreu, Capistrano de. "Capítulos de História Colonial (1500-1800)". , pgs. 14 e 26. Biblioteca Básica Brasileira - Senado Federal. Brasília (1998)
  3. ↑ Baquero Moreno, Humberto. Privilégios concedidos pelo Infante D. Pedro aos besteiros do conto (1440-1446). [S.l.: s.n.]
  4. ↑ Viterbo, Joaquim de Santa Rosa de (1856). Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram vol. 1. Lisboa: A. J. Fernandes Lopes. p. 211. 552 páginas
  5. ↑ Viterbo, Joaquim de Santa Rosa de (1856). Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram vol. 1. Lisboa: A. J. Fernandes Lopes. p. 210. 552 páginas
  6. ↑ Viterbo, Joaquim de Santa Rosa de (1856). Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram vol. 1. Lisboa: A. J. Fernandes Lopes. p. 210. 552 páginas «Bésteiros da polé: Assim se chamavão os que usavão de bésta, que tinha huma roldana, a que antiguamente chamavão polé»
  7. ↑ M. C. Costa, António Luiz (2015). Armas Brancas- Lanças, Espadas, Maças e Flechas: Como Lutar Sem Pólvora Da Pré-História ao século XXI. São Paulo: Draco. p. 172. 176 páginas
  8. ↑ Viterbo, Joaquim de Santa Rosa de (1856). Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram vol. 1. Lisboa: A. J. Fernandes Lopes. p. 151. 552 páginas
  9. ↑ S.A, Priberam Informática. «Consulte o significado / definição de garrocha no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, o dicionário online de português contemporâneo.». dicionario.priberam.org. Consultado em 8 de dezembro de 2020
  10. ↑ Viterbo, Joaquim de Santa Rosa de (1856). Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram vol. 1. Lisboa: A. J. Fernandes Lopes. p. 192. 552 páginas
  11. ↑ Viterbo, Joaquim de Santa Rosa de (1856). Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram vol. 2. Lisboa: A. J. Fernandes Lopes. p. 192. 522 páginas “Havendo-se mandado, que os moradores de Freixo de Espada -cinta ativessem Besta de garrucha, e solhas, e Gorgilim ;» elles responderam , que «Tinham Arneses d'homens d'armas, a saber , Cotas e Bacinetes de camal, e Laudeis, e delles peças.» Então El - Rei D. João I no de 1410, lhes deo a escolher: ou ter Cotas, ou peças com Bacinetes de camais, ou de babeira, e com avam-braços : ter as ditas Solhas, e Gorgilim : qual quizerem ter , tal tenham . » Doc . de Freixo de Espada – cinta”
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