Cavaleiro

 Nota: Para outros significados, veja Cavaleiro (desambiguação).
Armaduras no Museu Metropolitano de Arte, Nova Iorque

Um cavaleiro é uma pessoa que recebe um título honorário de uma ordem de cavalaria (knighthood, em inglês) de um chefe de estado (incluindo o Papa) ou representante por serviços prestados ao monarca, à igreja ou ao país, especialmente em uma capacidade militar.

O conceito de cavalaria pode ter sido inspirado nos hipeis da Grécia Antiga e nos equites romanos. No início da Idade Média, na Europa Ocidental cristã, a cavalaria era concedida a guerreiros montados e durante a Alta Idade Média passou a ser associada à baixa nobreza. Já na Baixa Idade Média, os cavaleiros ficaram ligados ao ideal de cavalheirismo, um código de conduta que representava o guerreiro cristão perfeito, muitas vezes servindo como vassalos ou combatentes de elite a serviço de um senhor em troca de terras. A cavalaria esteve fortemente conectada à equitação e aos torneios, especialmente as justas, algo refletido em termos como chivalry e chevalier. Esse prestígio dos guerreiros montados também tinha um paralelo no mundo islâmico, com a furusiyya. As Cruzadas ajudaram a colocar em destaque várias ordens militares de cavaleiros, que atuavam na proteção de peregrinos cristãos rumo à Terra Santa.

Mais tarde, novas armas, como as armas de fogo movidas a pólvora, tornaram os cavaleiros fortemente armadurados menos eficazes, embora o título tenha continuado existindo. O imperador Maximiliano I às vezes é chamado de "o último cavaleiro", mesmo que batalhas importantes envolvendo os Cavaleiros Hospitalários, como os cercos de Rodes e de Malta, tenham ocorrido depois de seu reinado. Os ideais de cavalheirismo também foram popularizados pela literatura medieval, especialmente em histórias sobre Carlos Magno e o Rei Artur. Hoje, várias ordens de cavalaria ainda existem em igrejas cristãs e em países historicamente cristãos, mas elas são principalmente honoríficas e voltadas para caridade e serviço público, e não mais para fins militares. A cavalaria é concedida como forma de reconhecer mérito, e o equivalente feminino moderno em inglês é dame. Apesar de não reter mais poder político ou militar, atualmente o título de cavaleiro ainda é considerado um grande prestígio.

História do título nobiliárquico

A divisão medieval dos três municípios: o clero, os cavaleiros e os servos.

Para os gregos e romanos, ser cavaleiro implicava prestígio social e económico.

Na Grécia Antiga, hipeis, literalmente "cavalaria", constituía a segunda mais alta dentre as quatro classes sociais de Atenas e era constituída pelos homens que podiam comprar e manter um cavalo de guerra, a serviço da pólis. A hipeis é comparável aos equestres romanos e aos cavaleiros medievais.

A cavalaria da Roma Antiga era um corpo do exército romano, composta pelos equites, recrutados desde os tempos de Rômulo entre os cidadãos romanos. Posteriormente foram incluídos os sócios latinos e, finalmente, também os provinciais (auxiliares).

Entre as tribos nômades da Ásia Central, o cavalo não foi apenas o meio de transporte que permitiu o deslocamento desses povos desde as planícies da Mongólia até às fronteiras da Europa central - como no caso dos Hunos e dos exércitos de Gengis Khan. O animal também figurava em rituais mágicos religiosos e, no limite, podia servir como alimento. Por ocasião da morte do cavaleiro, seu cavalo chegava mesmo a ser enterrado com ele, o que era usual entre algumas tribos hititas.

Na Idade Média, a cavalaria era uma instituição, dotada de um código de conduta e de honra próprio que regulava não somente a arte da guerra, mas também a conduta social. Na guerra, o uso do cavalo para tracção dos carros de ataque foi abandonado, e o animal passou a ser usado apenas como montaria. Dada a necessidade de proteção do cavaleiro, foi inventada a armadura, que evoluiu nos seus vários estilos, dando origem à cavalaria pesada, uma das mais poderosas armas das guerras medievais.

Etimologia

As palavras cavalarias e cavaleiro derivam do baixo latim caballus, que originalmente significava "cavalo castrado" ou "cavalo de trabalho", em oposição ao termo latino clássico Equus - aplicável aos cavalos de boa raça, utilizados na guerra pelos Equites, a ordem equestre romana, correspondente aos hipeis da Grécia Antiga.

Cavaleiros nas etapas da história

Representação de um dos maiores eventos da história Europa: A Batalha de Grunwald, Tannenberg (Polónia)

Os cavaleiros e o feudalismo

Os cavaleiros feudais eram guerreiros que se deslocam a cavalo em proveito próprio ou ao serviço do rei ou outro senhor feudal, faziam-no com o objetivo de defesa dos territórios e em paga de terras (Tenência) recebidas do rei ou de outros senhor feudal. Também podiam receber um soldo, caso não fossem pagos em terras como eram os casos das tropas mercenárias.

O cavaleiro feudal tinha quase sempre origem na nobreza, que tendo servido ao rei ou a outro grande senhor feudal como pajem ou escudeiro eram depois durante uma importante cerimónia de investidura elevados à categoria de cavaleiro.

Durante essa cerimônia o candidato a cavaleiro prestava juramento comprometendo-se a ser sempre corajoso, leal, cortês, e proteger os indefesos.

Nos finais do século XV, o título de cavaleiro foi concedido aos civis como homenagem ou recompensa por serviços públicos e privados. Este título é reconhecido em vários países sendo a sua atribuição uma honra conferida geralmente pelo monarca. Tanto homens como mulheres, foram ao longo dos tempos e em reconhecimento de notável mérito pessoal, condecorados com o título de cavaleiro. O título Sir usado como prefixo ao nome é usado após as iniciais da ordem de cavalaria, no Reino Unido.

Dois cavaleiros em duelo, Museu do Louvre, Jovem sendo elevado à dignidade de cavaleiro (Edmund Leighton) e Um cavaleiro numa encruzilhada dos caminhos, por Viktor Vasnetsov, no Museu Russo

Armamento usualmente utilizado pelo cavaleiro

Cavaleiro medieval em competição

O cavaleiro e as ordens monásticas

Ordens de cavalaria

Símbolos
Ordem Equestre e Militar de São Miguel da Ala
Torse ("coronel/coroa") de um cavaleiro

Reis cavaleiros

Ao longo dos séculos XI, XII, XIII e XIV, no período heroico da cavalaria, um dos factores mais importantes para a cavalaria foi o surgir dos reis cavaleiros. Estes reis que abraçaram os ideais da cavalaria, tanto os ideais militares como os ideias míticos do cavaleiro andante, vieram trazer novos valores com a elevação da honra, da religiosidade cristã, da coragem e da justiça.[carece de fontes]?

Nesta fase da história do homem cavaleiro nasce o cavaleiro mítico que seria lembrado como um figura mítica e idealizada, conduzindo inevitavelmente estados medievais. A sua imagem foi usada para instigar o moral e motivação para os gentios, que por vias disso se mantinham fiéis aos princípios do cristianismo. Entre as personalidades mais conhecidas são do cavaleiro medieval encontram-se:

Século VI

Século IX

Século XI

Século XII

Século XIII

Século XIV

Século XVI

Tauromaquia

Elemento artístico de comprovada tradição na corrida de touros, tal como se realiza em Portugal. Veste casaca de seda bordada a ouro ou prata, semelhante às usadas no reinado de Luís XV, colete de cetim bordado a fio de seda, bota alta e tricórnio emplumado. O cavaleiro tauromáquico profissional existe há já bastantes anos em Portugal, diferenciando-se entre si através do estilo, do valor, da concepção tauromáquica em que se formaram.

Historicamente pode atribuir-se aos fidalgos espanhóis o início da prática do toureiro equestre. O rei Filipe IV de Espanha proibiu o então divertimento aos nobres da sua corte, vindo este gosto, pelo cavalo e pelo touro, a ser preferentemente praticado em Portugal. Uma vez implantado com todos os requisitos exigíveis e no sentido da lide do touro, as regras surgiram naturalmente, mantendo-se, no entanto, a exigência de uma perfeita equitação.

Ver também

Referências

  1. ↑ Almarez, Felix D. (1999). Knight Without Armor: Carlos Eduardo Castañeda, 1896–1958. [S.l.]: Texas A&M University Press. p. 202. ISBN 9781603447140
  2. ↑ Diocese of Uyo. [S.l.]: El-Felys Creations. 2000. p. 205. ISBN 9789783565005
  3. ↑ Boulton, D'Arcy Jonathan Dacre. The Knights of the Crown: The Monarchical Orders of Knighthood in Later Medieval Europe, 1325–1520. 2d revised ed. Woodbridge, UK: Boydell Press, 2000. ISBN 0-85115-795-5
  4. ↑ Forey, Alan John. The Military Orders: From the Twelfth to the Early Fourteenth Centuries. Basingstoke, Hampshire, UK: Macmillan Education, 1992. ISBN 0-333-46234-3
  5. ↑ Mason, Christopher (13 de outubro de 2015). «Has Being Knighted Lost Its Prestige?». own & Country. Consultado em 11 de março de 2022

Bibliografia

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