| BlackBerry | |
|---|---|
| Dispositivos móveis | |
BlackBerry Bold 9700 (2009) | |
| Desenvolvedor | BlackBerry Limited (1999–2016) BB Merah Putih (Indonésia, 2016–2019) Optiemus Infracom (Índia, 2017–2018) TCL Technology (mundial, 2016–2020) |
| Fabricante | Optiemus Infracom (Ásia Meridional) FIH Mobile (mercado empresarial) BlackBerry Limited TCL (mundial) BB Merah Putih (Indonésia) |
| Lançamento | 19 de janeiro de 1999 |
| Descontinuação | 30 de agosto de 2020 (fim da produção de hardware) 4 de janeiro de 2022 (encerramento dos serviços legados) |
| Sistema Operativo | BlackBerry OS BlackBerry 10 Android |
| Loja online | BlackBerry World, Google Play, BlackBerry Messenger |
BlackBerry (BB) foi uma marca de dispositivos móveis e serviços relacionados, desenvolvida e mantida originalmente pela empresa canadense Research In Motion (RIM, mais tarde BlackBerry Limited) até 2016. O primeiro BlackBerry foi o pager bidirecional Inter@ctive Pager 950, lançado na América do Norte em 1999 para a rede Mobitex, mais tarde também para a DataTAC. O aparelho se popularizou pelo funcionamento permanentemente conectado e pela possibilidade de enviar e receber e-mail sem fio. A linha foi uma das primeiras a difundir notificações push e popularizou o teclado móvel QWERTY, que se tornou uma característica da marca.
Nos primeiros anos, o BlackBerry oferecia comunicação bidirecional onde os pagers convencionais em geral só recebiam mensagens, sem exigir conexão a um computador pessoal. Seu uso se espalhou sobretudo entre empresas nos Estados Unidos e no Canadá. A RIM lançou o BlackBerry na Europa em setembro de 2001, mas o produto teve menor aceitação inicial em mercados onde as mensagens de texto por SMS já eram mais difundidas. Com a evolução das redes celulares, a RIM lançou em 2002 o BlackBerry 5810, seu primeiro telefone celular, compatível com GSM e GPRS para e-mail e acesso à web. A RIM também ganhou reputação pela segurança das comunicações, e o governo dos Estados Unidos se tornou seu maior cliente.
O lançamento do BlackBerry Pearl em setembro de 2006 e a expansão do BlackBerry Messenger levaram a marca além do mercado empresarial tradicional. A linha teve peso na evolução dos smartphones daquela fase. Por algum tempo, foi a plataforma de smartphones com maior participação nos Estados Unidos. No auge, em setembro de 2011, os serviços BlackBerry tinham cerca de 85 milhões de assinantes no mundo. A participação caiu nos anos seguintes diante do Android e do iOS. Ao fim do ano fiscal de 2016, a empresa informava uma base de aproximadamente 23 milhões de usuários de smartphones. Em 2013, a RIM substituiu o BlackBerry OS pela plataforma BlackBerry 10. Em 2015, começou a vender smartphones BlackBerry com Android, a partir do BlackBerry Priv.
Em 28 de setembro de 2016, a BlackBerry Limited anunciou que deixaria de projetar os próprios aparelhos e passaria a licenciar a marca a parceiros responsáveis por projeto, fabricação e comercialização. Os licenciados iniciais foram a BB Merah Putih para a Indonésia, a Optiemus Infracom para a Ásia Meridional e a BlackBerry Mobile, nome comercial da TCL Technology, para os demais mercados. Os novos aparelhos não recuperaram uma parcela expressiva do mercado, e a produção terminou em 2020. Uma nova licenciada norte-americana chegou a anunciar outro telefone BlackBerry, mas encerrou as atividades em 2022 sem lançar o produto. Em 4 de janeiro de 2022, a BlackBerry Limited encerrou os serviços das plataformas legadas, entre eles e-mail, BlackBerry Messenger, BlackBerry World, BlackBerry Protect e Voice Search. Os aparelhos baseados em Android não foram afetados. Depois do fim dos smartphones e de seus serviços, a BlackBerry Limited concentrou suas atividades em software e serviços e manteve patentes de aplicações de software.

A Research In Motion, fundada em Waterloo, Ontário, desenvolveu primeiro o Inter@ctive Pager 900, anunciado em 18 de setembro de 1996. O aparelho tinha formato flip e permitia troca bidirecional de mensagens. Depois do 900, a empresa criou para a IBM o Inter@ctive Pager 800, do qual a IBM comprou US$ 10 milhões em 4 de fevereiro de 1998. O Inter@ctive Pager 950 foi lançado em 26 de agosto de 1998. O BlackBerry 850, um pager de e-mail lançado em 19 de janeiro de 1999, foi o primeiro aparelho a usar o nome BlackBerry. Tinha a mesma aparência do 950, mas incorporava e-mail, e a denominação Inter@ctive Pager deixou de ser usada nos produtos.
O BlackBerry 850 foi apresentado em 1999 como pager bidirecional em Munique, na Alemanha. A plataforma havia sido concebida pela RIM para entregar e-mail por redes sem fio diferentes. O nome BlackBerry foi criado pela empresa de marketing Lexicon Branding. Entre cerca de 40 opções, a escolha recaiu sobre esse nome porque os botões do teclado lembravam os pequenos frutos que compõem uma amora-preta.
Os RIM 850 e 857 usavam a rede DataTAC. Em 2002, a empresa lançou o BlackBerry 5810, que reunia e-mail push, telefonia móvel, mensagens de texto, fax internet, navegador web e outros serviços sem fio. A BlackBerry ampliou sua participação no setor móvel com foco em e-mail e passou a oferecer o BlackBerry Connect, que levava seu serviço de e-mail a aparelhos de outras marcas, como o Palm Treo.
Os primeiros aparelhos tinham tela monocromática, substituída por telas coloridas nas gerações seguintes. Os modelos posteriores foram adaptados à digitação com os polegares. O Storm e o Storm 2 usavam o teclado SureType. Nos aparelhos anteriores à série 8700, a navegação dependia de uma roda lateral. A série Pearl trocou a roda por uma trackball com rolagem em quatro direções. A série 8500 introduziu o trackpad óptico. Modelos para redes iDEN, como os usados pela Nextel e pela NII Holdings, também tinham push-to-talk (PTT), em funcionamento semelhante ao de um rádio bidirecional.
Em 30 de janeiro de 2013, a BlackBerry anunciou os smartphones Z10 e Q10. O Z10 tinha tela inteiramente sensível ao toque, enquanto o Q10 combinava tela sensível ao toque e teclado QWERTY. No segundo trimestre financeiro daquele ano, a empresa vendeu 6,8 milhões de aparelhos e, pela primeira vez, foi superada em unidades pela linha Lumia da Nokia.
Em 12 de agosto de 2013, a BlackBerry anunciou que avaliava a venda da empresa, diante da piora de sua situação financeira e da concorrência no mercado móvel. As vendas abaixo do esperado do Z10 levaram a empresa a anunciar, em 20 de setembro, a eliminação de 4.500 postos de trabalho, cerca de 40% de sua equipe operacional, e a redução da linha de produtos de seis para quatro modelos. Três dias depois, a Fairfax Financial, que detinha 10% da BlackBerry, apresentou uma proposta de US$ 4,7 bilhões, ou US$ 9 por ação. A companhia aceitou a oferta de forma provisória e continuou aberta a propostas até 4 de novembro.
Em 4 de novembro de 2013, Thorsten Heins foi substituído interinamente por John S. Chen, ex-diretor executivo da Sybase. O conselho rejeitou propostas de empresas de tecnologia interessadas em comprar partes isoladas da BlackBerry, por entender que a divisão da companhia não atendia ao conjunto de seus acionistas, empregados, clientes e fornecedores.
Em 2014, a empresa apresentou o Passport, com tela quadrada de 11,4 cm e resolução de 1.440 × 1.440 pixels, voltado a profissionais de áreas como saúde e arquitetura. Em 17 de dezembro foi apresentado o BlackBerry Classic, inspirado na antiga série Bold e com botões de navegação semelhantes aos dos aparelhos com BlackBerry OS. Descontinuado em junho de 2016, foi o último BlackBerry cujo teclado ocupava grande parte da frente do telefone no formato clássico da marca.
Em setembro de 2015, a BlackBerry apresentou oficialmente o BlackBerry Priv, um phablet deslizante com Android, câmera de 18 megapixels e recursos de segurança e produtividade inspirados nos sistemas BlackBerry.
Em 26 de julho de 2016, a empresa apresentou o DTEK50, um aparelho intermediário com Android 6.0 Marshmallow, teclado apenas na tela e display Full HD de 13,2 cm na diagonal. O modelo tinha proteção integrada contra malware e criptografia dos dados do usuário. O DTEK50 era uma versão do Alcatel Idol 4, fabricada e projetada pela TCL com alterações de software voltadas à segurança.
Em setembro, a BlackBerry Limited acertou uma parceria de licenciamento na Indonésia para criar a BB Merah Putih, responsável por obter, distribuir e comercializar aparelhos BlackBerry no país. Em 25 de outubro, a empresa lançou o DTEK60, também projetado e fabricado pela TCL. O aparelho tinha tela Quad HD de 14 cm, processador Qualcomm Snapdragon 820, Quick Charge 3.0, USB-C e leitor de impressões digitais.
Entre dezembro de 2016 e agosto de 2020, a TCL Communication usou o nome comercial "BlackBerry Mobile" para fabricar e vender aparelhos da marca em quase todo o mundo. O acordo não abrangia a Indonésia, atendida pela BB Merah Putih, nem Índia, Bangladesh, Sri Lanka e Nepal, atendidos pela Optiemus Infracom. Os aparelhos desse período continuaram a usar Android com um pacote de software de segurança da BlackBerry Limited, que reunia DTEK, BlackBerry Messenger, BlackBerry Hub e inicialização segura.
O KeyOne, lançado em 2017, foi o primeiro aparelho comercializado pela BlackBerry Mobile e o último cujo hardware havia sido projetado internamente pela BlackBerry Limited. Tinha teclado físico sob uma tela de 11,4 cm e bateria de longa duração. A TCL também projetou, fabricou e distribuiu o BlackBerry Motion, o Key2 e o Key2 LE. A BB Merah Putih lançou o Aurora em 2017 com um sistema baseado no Android 7.0. Em junho de 2018, o Key2 chegou a mercados internacionais e, na Índia, foi lançado pela Optiemus Infracom. Em agosto, a Optiemus anunciou os Evolve e Evolve X, concebidos, projetados e fabricados na Índia.
A mudança do negócio da BlackBerry para software também levou a acordos com fabricantes de automóveis. Em 2016, a empresa ampliou a colaboração com a Ford Motor Company em software para veículos conectados. Em 2018, firmou trabalho semelhante com a Jaguar Land Rover.
A produção sob o nome BlackBerry Mobile terminou em 31 de agosto de 2020, quando expirou o acesso da TCL à licença. No mesmo mês, a BlackBerry assinou novo acordo de licenciamento com a startup norte-americana OnwardMobility, que pretendia lançar um aparelho 5G com teclado físico. A empresa encerrou as atividades em 2022 sem lançar o produto. As licenças para a fabricação e a venda de aparelhos no sul da Ásia e na Indonésia também expiraram, encerrando a produção de hardware sob a marca BlackBerry.
Em 2000, a NTP informou empresas sobre suas patentes de e-mail sem fio e ofereceu licenças. Depois processou a Research In Motion por infração de patente no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Leste da Virgínia, corte conhecida pela rapidez no andamento dos processos e pelo apelido "rocket docket".
O júri concluiu que as patentes da NTP eram válidas e que a RIM as havia infringido deliberadamente, fixando US$ 33 milhões em perdas e danos. O juiz James R. Spencer elevou a indenização para US$ 53 milhões, determinou o pagamento de US$ 4,5 milhões em honorários jurídicos da NTP e expediu uma liminar contra a continuação da infração. Se aplicada, a ordem poderia ter interrompido os sistemas BlackBerry nos Estados Unidos. A RIM recorreu, e a liminar e outras medidas ficaram suspensas enquanto os recursos eram examinados.
Em março de 2005, durante o recurso, RIM e NTP tentaram chegar a um acordo de US$ 450 milhões, mas as negociações fracassaram. O processo voltou aos tribunais em 10 de junho. No início de novembro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou manifestação para que o serviço da RIM continuasse funcionando, devido ao grande número de usuários de BlackBerry no governo federal.
Em janeiro de 2006, a Suprema Corte dos Estados Unidos recusou o recurso da RIM sobre sua responsabilidade pela infração e o caso retornou ao tribunal inferior. Em 9 de fevereiro, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos alegou que seria impraticável interromper o serviço para o público e manter uma exceção para usuários governamentais. A RIM anunciou no mesmo dia que havia preparado alterações de software que contornariam as patentes da NTP caso a liminar entrasse em vigor.
RIM e NTP chegaram a um acordo em 3 de março de 2006. A RIM aceitou pagar US$ 612,5 milhões para encerrar todas as reivindicações, e o processo foi arquivado. Alguns analistas avaliaram o valor como baixo porque o acordo não previa royalties futuros sobre a tecnologia.
Em 26 de maio de 2017, a BlackBerry anunciou o encerramento de uma arbitragem com a Qualcomm relacionada a pagamentos de royalties. O laudo final determinou que a Qualcomm pagasse US$ 940 milhões à BlackBerry, valor que incluía juros e honorários advocatícios e descontava royalties devidos pela BlackBerry por 2016 e pelo primeiro trimestre de 2017.
Em 24 de novembro de 2010, a BlackBerry retirou o Kik Messenger da BlackBerry App World e limitou o funcionamento do programa em seus aparelhos. A RIM também processou a Kik Interactive por infração de patentes e uso indevido de marcas comerciais. As empresas encerraram a disputa em outubro de 2013, sem divulgar os termos.
Em 2018, a BlackBerry abriu processo contra o Facebook, alegando infrações de propriedade intelectual no Facebook Messenger, WhatsApp e Instagram. As partes chegaram a um acordo de valor não divulgado em 15 de janeiro de 2021.
A infraestrutura da BlackBerry sofreu interrupções ocasionais. Algumas foram tratadas pela imprensa como episódios constrangedores para a empresa.
Em 2005 houve uma interrupção relativamente curta em algumas operadoras da América do Norte, com restabelecimento do serviço após poucas horas. Outra falha atingiu o e-mail em 2007 e levou a questionamentos sobre a arquitetura centralizada do sistema. Em dezembro de 2009, uma pane de oito horas afetou usuários em toda a América do Norte.
A interrupção mais extensa começou às 10h UTC de 10 de outubro de 2011, primeiro na Europa, no Oriente Médio e na África, e afetou milhões de usuários por dias. No dia seguinte ocorreu nova falha, e em 12 de outubro o BlackBerry Internet Service ficou indisponível na América do Norte. A RIM atribuiu as panes a uma sobrecarga de dados causada por falhas em equipamentos de comutação de seus centros de dados em Waterloo, no Canadá, e Slough, na Inglaterra.
A falha de 2011 aumentou a pressão de acionistas por mudanças na direção da RIM. A empresa calculou um custo de cerca de US$ 50 milhões com a interrupção, enquanto outra estimativa chegou a US$ 54 milhões.
A BlackBerry manteve lojas fora da América do Norte, entre elas unidades na Tailândia, na Indonésia e nos Emirados Árabes Unidos. Em dezembro de 2007, uma BlackBerry Store abriu em Farmington Hills, Michigan, com aparelhos oferecidos pelas operadoras AT&T, T-Mobile, Verizon e Sprint. Tentativas anteriores de manter lojas em Toronto e Londres foram encerradas. A Wireless Giant também operou lojas BlackBerry em aeroportos norte-americanos. Em 23 de setembro de 2015, a empresa abriu sua primeira loja temporária em Frankfurt, na Alemanha.
A BlackBerry manteve um programa de certificações profissionais para usuários e técnicos de seus produtos. O BlackBerry Certified Enterprise Sales Associate (BCESA, ou BCESA40) exigia exames sobre os aparelhos, o software para computadores e o suporte técnico a clientes. Era o primeiro de três níveis que incluíam também o BlackBerry Certified Technical Associate (BCTA) e o BlackBerry Certified Support Associate T2.
As certificações técnicas oferecidas incluíam:


Dispositivos Android:
Dispositivos BlackBerry 10:
Dispositivos BlackBerry 7:
Dispositivos BlackBerry 6:
Dispositivos BlackBerry 5:
Dispositivos BlackBerry 4:
Dispositivos BlackBerry 3:
Dispositivos BlackBerry 2:
Dispositivos BlackBerry 1:
Telefones com LTE, como o BlackBerry Z10, usavam o Qualcomm Snapdragon S4 Plus, um sistema em um chip baseado na arquitetura ARMv7-A, com dois núcleos Krait de 1,5 GHz e GPU Adreno 225 de 400 MHz. Telefones BlackBerry GSM usavam processadores ARM 7, 9 ou 11. Modelos como Torch 9850/9860, Torch 9810 e Bold 9900/9930 tinham um Snapdragon S2 MSM8655 de 1,2 GHz, 768 MB de memória e 8 GB de armazenamento interno. O Curve 9360, voltado à faixa de entrada, usava um Marvell PXA940 de 800 MHz.
Aparelhos anteriores, como o Bold 9000, traziam processadores Intel XScale de 624 MHz. O Bold 9700 usava uma versão posterior do processador do Bold 9000, na mesma frequência. O Curve 8520 tinha um processador de 512 MHz. Aparelhos da série 8000, como 8700 e Pearl, usavam o ARM XScale ARMv5TE PXA900 de 312 MHz. O BlackBerry 8707 era uma exceção, com chipset Qualcomm 3250 de 80 MHz porque o PXA900 não oferecia suporte a 3G. Isso fazia com que o 8707 muitas vezes baixasse e renderizasse páginas pela rede 3G mais lentamente que o 8700 em EDGE. Os aparelhos iniciais, como o BlackBerry 950, usavam processadores baseados no Intel 80386.
O BlackBerry Z30 tinha tela Super AMOLED de 12,7 cm, resolução de 1280 × 720 e profundidade de cor de 24 bits, além do Qualcomm MSM8960T Pro de dois núcleos a 1,7 GHz.
O primeiro BlackBerry com Android foi o BlackBerry Priv, de 192 g, lançado no fim de novembro de 2015. Saiu com Android 5.1.1 e depois recebeu o Android 6.0. O aparelho, inicialmente disponível em quatro países, era vendido em 31 países até 28 de fevereiro de 2016. Tinha Snapdragon 808 de seis núcleos e 64 bits, GPU Adreno 418 de 600 MHz, 3 GB de RAM, tela OLED curva de 13,7 cm com resolução de 2560 × 1440 e teclado QWERTY deslizante. A bateria de 3.410 mAh era anunciada para até 22,5 horas de uso misto. A câmera de 18 megapixels, com lente Schneider-Kreuznach, gravava vídeo em 4K, e havia uma câmera frontal. Aplicativos próprios do Priv também foram distribuídos pelo Google Play.
O BlackBerry 10 foi lançado em 30 de janeiro de 2013 para os novos modelos Z10 e Q10. Na BlackBerry World 2012, Thorsten Heins demonstrou recursos como uma câmera que permitia voltar quadro a quadro em rostos individuais para escolher expressões de tomadas diferentes e combiná-las em uma única imagem, um teclado preditivo adaptável e uma interface baseada em gestos em torno dos conceitos "peek" e "flow". Os aplicativos para aparelhos BlackBerry 10 eram distribuídos pela loja BlackBerry World.
O sistema anterior, BlackBerry OS, era um ambiente multitarefa proprietário desenvolvido pela RIM e preparado para controles como roda de rolagem, trackball e trackpad. Tinha suporte a Java MIDP 1.0 e WAP 1.2. Versões antigas permitiam sincronização sem fio de e-mail e calendário com o Microsoft Exchange Server e de e-mail com Lotus Domino. O BlackBerry OS 5.0 oferecia parte do MIDP 2.0, permitia ativação e sincronização sem fio de e-mail, calendário, tarefas, notas e contatos do Exchange e acrescentava suporte a Novell GroupWise e Lotus Notes. O BlackBerry OS 7, de 2011, equipou aparelhos como Curve 9360, Torch 9810, Bold 9900/9930, Curve 9310/9320 e Torch 9850/9860. Antes de 2013, a BlackBerry World se chamava BlackBerry App World.
Desenvolvedores podiam escrever programas com as APIs padronizadas e com APIs proprietárias da BlackBerry. Aplicativos que usavam determinados recursos restritos precisavam de assinatura digital para ficarem associados a uma conta de desenvolvedor da RIM. A assinatura confirmava a autoria do aplicativo, mas não sua qualidade ou segurança. A RIM fornecia ferramentas para a criação de aplicativos e temas, que podiam ser instalados pela BlackBerry World, por transmissão sem fio pelo navegador do aparelho ou pelo BlackBerry Desktop Manager.
Aparelhos BlackBerry e, em fases posteriores, as plataformas Android, iOS e Windows Phone podiam usar o BlackBerry Messenger, ou BBM, para trocar mensagens instantâneas criptografadas, notas de voz, imagens e vídeos por meio do PIN BlackBerry. Com um plano de dados, essas mensagens não tinham cobrança individual. O BBM oferecia grupos, leitura de códigos de barras, listas, calendários compartilhados, BBM Music e integração com aplicativos e jogos.
Em abril de 2013, a BlackBerry anunciou o encerramento do BBM Music, serviço de música por streaming lançado cerca de dois anos antes. O serviço terminou em 2 de junho de 2013.
Em julho de 2014, a empresa apresentou o BlackBerry Assistant, assistente pessoal digital para o BlackBerry OS 10.3 e o BlackBerry Passport. Em dezembro, a BlackBerry e a NantHealth lançaram um navegador seguro de genoma humano para câncer, que permitia a médicos acessar dados genéticos de pacientes no Passport.
Alguns telefones de outras marcas foram lançados com o cliente de e-mail BlackBerry e se conectavam aos servidores da plataforma. Muitos tinham teclado QWERTY completo:
O software de terceiros disponível para BlackBerry incluía sistemas completos de gerenciamento de banco de dados, usados por clientes de gestão de relacionamento com o cliente e por outros aplicativos que precisavam administrar grandes volumes de dados.
Em março de 2011, a RIM anunciou para o BlackBerry PlayBook um reprodutor opcional que executaria aplicativos criados para Android. Em 20 de outubro daquele ano, a RIM anunciou que aplicativos Android poderiam rodar sem modificação no PlayBook e nos futuros telefones BlackBerry 10 usando a nova versão do sistema.

Os smartphones BlackBerry podiam ser integrados ao sistema de e-mail de uma organização pelo BlackBerry Enterprise Server (BES) até a versão 5 e pelo BlackBerry Enterprise Service a partir da versão 10. Não existiram versões 6 a 9. Havia versões do BES para Microsoft Exchange, Lotus Domino, Novell GroupWise e Google Apps. Usuários individuais podiam recorrer ao serviço de e-mail da operadora sem instalar o BES, enquanto organizações com muitos usuários costumavam executá-lo na própria rede. Aparelhos com BlackBerry 10 também podiam ser administrados diretamente pelo Microsoft Exchange Server com políticas Exchange ActiveSync (EAS), como ocorria com iOS e Android, embora o EAS oferecesse menos controles administrativos que o BES. Também existiam serviços BES hospedados por terceiros. Cada BlackBerry tinha um identificador único, o PIN BlackBerry, usado pelo BES. A empresa chegou a oferecer uma versão gratuita chamada BES Express (BESX).
A função básica do BES era retransmitir e-mail de uma caixa postal corporativa para o telefone. O servidor monitorava a caixa do usuário e enviava novas mensagens ao aparelho por meio do centro de operações de rede da BlackBerry e da operadora móvel. O mecanismo era conhecido como e-mail push porque novas mensagens, contatos, tarefas, notas e compromissos de calendário eram enviados imediatamente, sem exigir sincronização manual ou consultas periódicas do aparelho ao servidor.
O BlackBerry também podia consultar contas de e-mail em intervalos por meio de aplicativos de terceiros. O sistema de mensagens interno recebia conteúdo por BES ou BIS, serviços que mantinham a conexão com os provedores de e-mail. O armazenamento local permitia consultar dados mesmo sem sinal. Quando a conexão voltava, o BES enviava os dados mais recentes.
Modelos posteriores podiam estimar rapidamente a localização do usuário por trilateração sem recorrer ao GPS, poupando tempo e bateria. Essa técnica era menos precisa que o GPS, sobretudo quando torres celulares eram bloqueadas por prédios ou montanhas ou ficavam muito distantes.
O BES também oferecia conectividade TCP/IP por um componente chamado MDS Connection Service, ou Mobile Data System. Isso permitia desenvolver aplicativos personalizados com fluxos de dados em aparelhos baseados em Java ME.
A segurança de rede do BES usava Triple DES e, em versões mais recentes, AES. O tráfego de e-mail e MDS entre o telefone e o servidor era criptografado.
Muitas operadoras ofereciam tarifas mensais fixas para dados ilimitados entre os aparelhos e o BES. Além do e-mail, organizações podiam manter intranets e aplicativos internos personalizados sem cobrança de tráfego por volume.
Nas versões posteriores da plataforma, o MDS deixou de ser necessário para o acesso sem fio a dados. A partir do BlackBerry OS 3.8 ou 4.0, os telefones podiam acessar a internet por TCP/IP sem MDS. Antes disso, sem BES/MDS, estavam disponíveis apenas e-mail e WAP. O BES/MDS continuava necessário para e-mail seguro, determinados acessos a dados e aplicativos que dependiam do WAP de operadoras que não ofereciam esse acesso diretamente.
A principal alternativa ao BES era o BlackBerry Internet Service (BIS), oferecido em 91 países e voltado sobretudo ao consumidor. O BIS permitia acessar contas POP3, IMAP e Outlook Web App, sem Exchange ActiveSync e sem conexão a um BES. Cada usuário podia configurar até dez contas, entre serviços proprietários e públicos como Gmail, Outlook, Yahoo e AOL. O BIS também fornecia recursos push a aplicativos da RIM, entre eles clientes de mensagens instantâneas como Google Talk, Windows Live Messenger e Yahoo Messenger. MMS, mensagens por PIN, jogos interativos, mapas e aplicativos de negociação dependiam de um plano de dados como o BIS, e não apenas de Wi-Fi. Em geral, a operadora provisionava o serviço, mas a infraestrutura era operada pela própria BlackBerry.
O PIN BlackBerry, sigla de Personal Identification Number, era um identificador hexadecimal de oito caracteres atribuído a cada aparelho. O usuário não podia alterá-lo manualmente, embora técnicos da BlackBerry pudessem redefini-lo no servidor, e ele ficava vinculado ao dispositivo. Aparelhos BlackBerry podiam trocar mensagens diretamente pelo PIN ou pelo BlackBerry Messenger. Os PINs eram acompanhados pelo BlackBerry Enterprise Server e pelo BlackBerry Internet Service e usados para encaminhar mensagens ao aparelho. E-mails e mensagens do BlackBerry Push Service costumavam ser direcionados ao PIN e passavam pelo centro de operações de rede da RIM antes de seguir à operadora, que fazia a entrega ao dispositivo.
A popularidade do BlackBerry cresceu rapidamente no começo dos anos 2000 e, por volta de 2005, a marca estava difundida na América do Norte. O uso frequente dos aparelhos rendeu o apelido "CrackBerry", uma referência à impressão de dependência causada pelo produto. Em 2006, "CrackBerry" foi escolhido como palavra do ano pelo Webster's New World College Dictionary.
Em 2006, os concorrentes da linha incluíam produtos da Motorola, da Palm, a linha iPAQ e outros Pocket PCs, além de aparelhos da Nokia, como o E61. Em 2009, a RIM tinha 56% do mercado norte-americano de smartphones. O iPhone da Apple crescia rapidamente, mas a RIM ainda liderava o mercado e havia triplicado as vendas entre 2007 e 2009. A empresa ficou em primeiro lugar na lista de companhias de crescimento mais rápido da Fortune naquele ano, e o BlackBerry Curve foi o smartphone mais vendido nos Estados Unidos em 2009.
Mesmo quando sua participação começou a cair, o número de assinantes ativos ainda cresceu por alguns anos. No período fiscal em que o primeiro iPhone foi lançado, a RIM informou 10,5 milhões de assinantes. Em setembro de 2012, Thorsten Heins anunciou uma base mundial de 80 milhões de assinantes, notícia seguida por uma alta de 7% nas ações.
Em 2010, RIM e Apple ainda dominavam o mercado norte-americano, mas o Curve havia perdido o posto de aparelho mais vendido para o iPhone 3GS. No começo da década de 2010, a BlackBerry passou a ter dificuldade para competir com iPhone e Android. As vendas de aparelhos atingiram o pico em 2011 e depois caíram acentuadamente, levando a especulações sobre a continuidade da empresa independente. Ainda assim, a marca conservou posições fortes em alguns mercados por mais algum tempo. A base mundial de contas ativas caiu para 46 milhões em setembro de 2014, e a participação mundial dos sistemas BlackBerry chegou a menos de 1%.
Nos resultados do terceiro trimestre de 2015, divulgados em 18 de dezembro, a BlackBerry informou a venda de cerca de 700 mil aparelhos, ante 1,9 milhão no mesmo trimestre de 2014 e 800 mil no trimestre imediatamente anterior. O preço médio por unidade subiu de US$ 240 para US$ 315. O prejuízo líquido foi de US$ 89 milhões, ou US$ 0,17 por ação, e de US$ 15 milhões, ou US$ 0,03 por ação, quando excluídos custos de reestruturação e itens não recorrentes. A receita foi de US$ 557 milhões, ante US$ 548 milhões um ano antes, impulsionada pelas vendas de software. O Priv ainda havia sido lançado havia poucas semanas e em apenas quatro países, por isso a empresa não divulgava números específicos do modelo.
Em fevereiro de 2016, com a redução contínua da base de usuários, a sede da BlackBerry em Waterloo cortou 35% de sua força de trabalho. No início daquele ano, a participação do BlackBerry no mercado de sistemas móveis havia caído para 0,2%. No quarto trimestre de 2016, foram vendidos 207.900 aparelhos BlackBerry, participação arredondada para 0,0% nas estimativas publicadas.
Em 2011, a BlackBerry respondia por 43% dos smartphones enviados ao mercado da Indonésia. Em abril de 2014, a participação havia caído para 3%, acompanhando a retração mundial da marca. Um aparelho vendido por 2.199.000 rupias indonésias, cerca de US$ 189 na época, foi oferecido com desconto aos primeiros mil compradores. A promoção provocou uma aglomeração em Jacarta na qual algumas pessoas ficaram feridas. A participação continuou caindo mesmo com o lançamento mundial do Z3 em Jacarta, em 13 de maio de 2014. O lançamento ocorreu depois de a RIM anunciar a terceirização de parte da fabricação de hardware para a Foxconn, de Taiwan, com o objetivo de reduzir custos.
A empresa publicou ao longo dos anos números de assinantes ou usuários ativos. Os marcos abaixo usam apenas valores acompanhados por relatórios ou divulgações citados no artigo:
| Usuários ou assinantes | Data |
|---|---|
| 25.000 | 2000 |
| 165.000 | 2001 |
| 321.000 | 2002 |
| 534.000 | 1 de março de 2003 |
| 80.000.000 | setembro de 2012 |
| 76.000.000 | 2 de março de 2013 |
| 72.000.000 | 1 de junho de 2013 |
| 37.000.000 | fevereiro de 2015 |
| 33.000.000 | junho de 2015 |
| 30.000.000 | setembro de 2015 |
| 25.000.000 | dezembro de 2015 |
| 23.000.000 | 29 de fevereiro de 2016 |
A Research In Motion concordou em dar aos governos dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita acesso a comunicações privadas em 2010, e fez um acordo semelhante com a Índia em 2012. Os governos saudita e emiradense haviam ameaçado bloquear certos serviços porque suas forças de segurança não conseguiam decifrar mensagens de pessoas sob investigação.
As revelações sobre vigilância em massa de 2013 mostraram que as agências de inteligência dos Estados Unidos e do Reino Unido, a Agência de Segurança Nacional (NSA) e o Government Communications Headquarters (GCHQ), tinham acesso a dados de usuários de BlackBerry. As agências conseguiam ler dados como SMS, localização, e-mails e notas transmitidos pelo BlackBerry Internet Service. Esse serviço operava fora das redes corporativas e, ao contrário do tráfego interno do BES, compactava os dados sem criptografá-los.
Os documentos informavam que a NSA conseguia acessar o sistema de e-mail BlackBerry e ler tráfego de SMS. Em 2009, uma mudança na forma de compactação dos dados interrompeu temporariamente esse acesso, que depois foi restabelecido pelo GCHQ. O GCHQ dispunha ainda de uma ferramenta chamada SCRAPHEAP CHALLENGE, capaz de falsificar e-mails de alvos que usavam BlackBerry.
A BlackBerry respondeu que não comentaria relatos sobre suposta vigilância governamental do tráfego de telecomunicações e negou a existência de um canal de acesso oculto criado em sua plataforma. Técnicas semelhantes também eram usadas contra outros aparelhos móveis.

No início, o BlackBerry era usado sobretudo por empresas e profissionais. No fim dos anos 2000, o público consumidor havia se ampliado. A criptografia dos aparelhos também permitiu seu uso por órgãos governamentais e forças de segurança.
O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama chamou atenção pelo uso constante de um BlackBerry durante sua campanha presidencial de 2008. Mesmo diante de preocupações de segurança, insistiu em manter o aparelho após a posse. Especialistas em marketing estimaram que a exposição espontânea do produto pelo presidente equivalia a uma publicidade de US$ 25 milhões a US$ 50 milhões. Obama usou BlackBerry até perto do fim de sua presidência.
A controvérsia sobre os e-mails de Hillary Clinton envolveu sua decisão de continuar usando um BlackBerry pessoal depois de assumir o cargo de secretária de Estado dos Estados Unidos.
A polícia de West Yorkshire, no Reino Unido, forneceu BlackBerrys a seus agentes para que tarefas administrativas fossem feitas nas ruas, reduzindo o tempo passado em escritórios. A BlackBerry publicou casos de uso semelhantes em outras organizações.
O governo federal dos Estados Unidos demorou a abandonar a plataforma. Em 2013, um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos disse que os aparelhos BlackBerry ainda eram os únicos dispositivos móveis autorizados para missões diplomáticas norte-americanas no exterior. O padrão criptográfico FIPS 140-2, usado por smartphones BlackBerry e pelo BlackBerry PlayBook, depois passou a ser implementado em outros dispositivos, entre eles a maioria dos aparelhos Apple lançados após o iPhone 4.
Na Índia, as polícias de Bangalore, Pune e Kochi estiveram entre os departamentos que usaram aparelhos BlackBerry.
No Reino Unido, South West Trains e Northern Rail distribuíram BlackBerrys a funcionários dos trens para melhorar a comunicação entre os centros de controle, as equipes e os passageiros.
Como parte de seus projetos de Internet das coisas, a empresa anunciou planos de adaptar smartphones e serviços de nuvem às necessidades de comunicação de contêineres de carga.
O rapper Eminem ainda usava um telefone com BlackBerry OS em 2024. Kim Kardashian também foi usuária assídua. Em 2014, disse que mantinha aparelhos de reserva por receio de não encontrar mais unidades do BlackBerry Bold. Mais tarde passou a usar iPhone.
Katy Perry usou modelos 8800, Bold, Torch e Curve em videoclipes, apresentações e no filme Katy Perry: Part of Me. Em 2012, experimentou um iPhone 4S por duas semanas e voltou ao BlackBerry, dizendo que sentia falta do teclado.
E. L. James escreveu parte de Fifty Shades of Grey em um BlackBerry, e o escritor nigeriano Stephen Buoro redigiu no aparelho o primeiro rascunho de seu romance de estreia. Eric Schmidt, então presidente executivo do Google, disse em 2013 que continuava usando BlackBerry porque preferia o teclado físico, apesar da concorrência entre Android e BlackBerry.
Em fevereiro de 2009, a organização criminosa italiana 'Ndrangheta foi apontada como usuária do BlackBerry Messenger em comunicações internacionais com o Cartel do Golfo, do México. O grupo recorria ao BBM por considerá-lo difícil de interceptar.
BlackBerry, filme de 2023 dirigido por Matt Johnson, dramatiza a trajetória da marca. A obra foi adaptada livremente do livro Losing the Signal: The Untold Story Behind the Extraordinary Rise and Spectacular Fall of BlackBerry, de Jacquie McNish e Sean Silcoff.
A BlackBerry recorreu a músicos e outras figuras conhecidas em campanhas e eventos promocionais. Alicia Keys foi nomeada diretora criativa global da empresa em janeiro de 2013. A marca patrocinou ações com Black Eyed Peas, Diplo, Jessie J e U2.