"Boiler Room Girls" era o apelido dado a um grupo de seis mulheres que atuavam como assessoras políticas na campanha presidencial de Robert F. Kennedy em 1968, trabalhando em uma sala sem janelas nos escritórios da campanha em Washington, D.C.. Elas eram estrategistas políticas que ganharam destaque na mídia nacional por conta do notório acidente de Chappaquiddick em 1969. Foi em Chappaquiddick que Mary Jo Kopechne morreu em um acidente automobilístico, no qual Ted Kennedy era o motorista.
A cada garota foi atribuído um núcleo regional, dividido de acordo com as regiões do país, cabendo-lhe a responsabilidade pela comunicação diária entre a sede da campanha em Washington e os diretores estaduais de sua respectiva região. Ao fim de cada dia, um "dossiê de decisões" era elaborado e enviado a Kennedy e ao seu coordenador de campanha, Stephen Smith. Esse material era preparado pela equipe que trabalhava na sala de operações (a chamada "boiler room"). O grupo de mulheres também acompanhava a contagem de delegados de Kennedy em relação aos seus concorrentes nas primárias democratas: Eugene McCarthy e Hubert Humphrey.
Antes da Convenção Nacional Democrata de 1968, a equipe foi transferida para um escritório temporário, anexo ao local da convenção, onde as responsáveis pela contagem de delegados mantinham contato com as lideranças estaduais. Após o assassinato do senador norte-americano Robert F. Kennedy, em 5 de junho de 1968, a equipe ficou encarregada de concluir o trabalho de coordenação da campanha. Posteriormente, as integrantes seguiram para atuar em outros escritórios no Capitol Hill ou em outros locais de Washington. As "garotas da boiler room" foram descritas, de diferentes formas, como "assustadoramente inteligentes, politicamente astutas e extremamente competentes", bem como "uniformemente brilhantes, eficientes e fascinadas por política".

Após formar-se na turma de 1962 do Caldwell College for Women, Mary Jo Kopechne mudou-se para o Alabama, onde lecionou na Escola Católica de Montgomery. Em 1963, passou a integrar a equipe do senador George Smathers, da Flórida, como secretária. Um ano depois, tornou-se redatora de discursos para Joseph Dolan, um dos assessores políticos de Robert Kennedy. Após o assassinato de Robert Kennedy, ela passou a trabalhar na Matt Reese Associates. Posteriormente, tornou-se membro da equipe do gabinete do senador Edward Kennedy. Após o incidente de Chappaquiddick, relatos sobre o ocorrido grafaram incorretamente o sobrenome de Kopechne — o jornal New Bedford Standard-Times escreveu "Copachni", o FBI registrou "Palporki", e outra agência de notícias chegou a publicar a manchete: "TED SALVO; LOIRA MORRE".
Mary Ellen Lyons formou-se no Regis College, em Weston, Massachusetts. Sua irmã, Nance Lyons, também trabalhou na equipe de campanha de Robert Kennedy. Ela trabalhou para o senador estadual Beryl Cohen, de Massachusetts.
Em janeiro de 1967, Nance Lyons começou a atuar na gestão de demandas — prestando assistência a eleitores, interagindo com agências federais, entre outras atribuições — no gabinete de Robert Kennedy. Um de seus projetos envolvia a elaboração de legislação para o estado de Massachusetts, bem como a obtenção de verbas para a National Seashore (área costeira sob proteção federal) e para o Parque Nacional de Lexington e Concord. Após a eleição de Nixon para a presidência, ela deixou o governo. Posteriormente, recebeu um contato do gabinete do senador Edward Kennedy, convidando-a para trabalhar com ele. Nance aceitou retornar, sob a condição de ocupar o cargo de assessora legislativa — função que, na prática, ela já desempenhava. Os assessores legislativos eram responsáveis pela redação de projetos de lei sobre questões nacionais, além de atuarem em trabalhos de comissões e audiências. No gabinete, todos os assessores legislativos homens contavam com secretárias que os auxiliavam em suas tarefas; Nance, por sua vez, precisava redigir, datilografar e mimeografar todo o material por conta própria. Durante seu período no governo, ela trabalhou no projeto de lei de conversão econômica e no Fundo Fiduciário Nacional de Transportes.
Em 1968, Esther Newberg integrou a campanha presidencial de Robert Kennedy, atuando como assessora. Posteriormente, trabalhou no Urban Institute, em Washington. Mais tarde, atuou como agente literária na International Creative Management.
Susan Tannenbaum era do gabinete do deputado Allard K. Lowenstein, democrata do Condado de Nassau.
Rosemary Keough era ex-aluna do Manhattanville College e formou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Boston. Ela atuou como assistente administrativa do senador Robert F. Kennedy e também trabalhou para a Children's Foundation, em Washington. Segundo seu depoimento, a bolsa de Keough estava no banco de trás do carro submerso — deixada ali após um compromisso anterior. Ela casou-se com Paul Redmond, um dos advogados contratados por Ted Kennedy para prestar assistência às "Boiler Room Girls" após o incidente e durante todo o inquérito.
Já havia ocorrido um encontro formal das "Boiler Room Girls" antes dos eventos em Chappaquiddick. O encontro foi realizado em Hyannis Port, dois meses após a morte de Robert Kennedy; foi organizado por Joseph Gargan e Joan Kennedy, e contou com a presença de doze dessas jovens colaboradoras da campanha. A programação de três dias incluiu um coquetel, uma refeição em restaurante, passeios de barco, natação, brincadeiras de mímica e um churrasco ao ar livre.

Em 18 de julho de 1969, as "Boiler Room Girls" participaram de uma reunião na ilha de Chappaquiddick com Edward M. Kennedy. Ele estava acompanhado por três advogados — Joseph Gargan, Paul F. Markham e Charles Tretter —, além de John B. Crimmins, motorista do Sr. Kennedy, e de um amigo da família, Raymond S. La Rosa. Naquela noite, Edward Kennedy e Mary Jo Kopechne saíram para um passeio de carro, durante o qual sofreram um acidente: o veículo caiu de uma ponte dentro de Pocha Pond, na ilha de Chappaquiddick.
Em 2017, John Curran dirigiu um filme que retrata o caso Chappaquiddick, com roteiro de Taylor Allen e Andrew Logan. O filme mostra Edward (Ted) Kennedy tentando convencer Mary Jo Kopechne a integrar sua campanha presidencial. No filme, Mary Jo é apresentada como uma estrategista política e vítima do acidente automobilístico. À exceção de uma menção à campanha de Robert (Bobby) Kennedy, outros trabalhos políticos realizados pelas integrantes do grupo "Boiler Room" não são abordados. O filme foca apenas na breve sequência de eventos que antecederam o incidente de Chappaquiddick e em seus desdobramentos.
As cinco garotas que compareceram ao churrasco são, todas elas, inteligentes, eficientes, fascinadas por política e fervorosamente — quase como em uma seita — a favor de Kennedy.