Bordéus
Bordeaux | |
|---|---|
| Gentílico | Bordalês |
| Localização de Bordéus na França | |
| Coordenadas: 44° 50′ 19″ N, 0° 34′ 42″ O | |
| País | |
| Região | |
| Departamento | |
| Área | |
| • Total | 49,36 km² |
| Altitude máx. | 42 m |
| Altitude mín. | 1 m |
| População | |
| • Total (2018) | 260 352 hab. |
| Densidade | 5 274,6 hab./km² |
| Código Postal | 33000, 33100, 33200, 33300, 33800 |
| Código INSEE | 33063 |
| Sítio | www.bordeaux.fr |
Bordéus ou Bordeaux (em francês Bordeaux [bɔʁdo]; em occitano Bordèu [buɾˡdɛʊ]) é a capital e a maior cidade do departamento da Gironda e da região Nova Aquitânia, no sudoeste da França. Designou-se Burdígala na Antiguidade.
A comuna de Bordéus tem cerca de 267 991 habitantes (2023) distribuídos em um território de 49 km², enquanto que a área metropolitana de Bordeaux–Arcachon–Libourne conta com cerca de 1 376 375 residentes (2020), a sexta mais populosa da França, atrás apenas de Paris, Lyon, Marselha, Lille e Toulouse. É atravessada pelo rio Garona. Os habitantes de Bordéus designam-se, em português, "bordaleses" (em francês, Bordelais).
A cidade é famosa em todo o mundo pelos vinhos, sobretudo desde o século XVIII, que lhe proporcionaram uma verdadeira idade de ouro. Capital da antiga Guyenne (aproximadamente a Aquitânia actual), Bordéus faz parte da Gasconha e é situada na fronteira das chamadas Landes de Gascogne. Foi classificada em 2007 como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO que reconheceu o excepcional conjunto urbano que representa.
Desde a libertação da cidade, na Segunda Guerra Mundial, a cidade cresceu e é hoje sede de uma das maiores áreas metropolitanas europeias do litoral, sendo um destino turístico muito apreciado.
O nome Bordeaux deriva do antigo nome latino Burdigala, conhecido desde o século I. Seu significado permanece incerto. A hipótese mais aceita entre os linguistas modernos propõe uma origem aquitana (proto-basca), composta pelas raízes burd- ("lodoso", "pantanoso") e gala ("abrigo", "enseada"), significando algo como "abrigo nos pântanos" ou "enseada pantanosa". Outras interpretações, de origem celta ou basca, foram propostas ao longo dos séculos, mas não alcançaram consenso.

Entre 30 000 e 20 000 anos atrás, a zona de Bordéus era habitada por Neandertais, cujos restos foram encontrados na gruta Pair-non-Pair, perto de Bourg-sur-Gironde, a norte da cidade. Por volta de 300 a.C., a região era um assentamento da tribo celta dos Bitúriges Viviscos.
Em 107 a.C., ocorreu a Batalha de Burdígala, travada entre os romanos, que defendiam os Alóbroges, uma tribo gaulesa aliada de Roma, e os tigurinos, liderados por Divico. Os romanos foram derrotados, e seu comandante, o cônsul Lúcio Cássio Longino, morreu em combate.
A cidade passou ao domínio romano por volta de 60 a.C. e tornou-se um importante centro comercial de estanho e chumbo. Durante esse período, foram construídos o anfiteatro e o monumento conhecido como Les Piliers de Tutelle ("Os Pilares de Tutela").
Em 276 d.C., a cidade foi saqueada pelos Vândalos. Estes voltaram a atacá-la em 409, seguidos pelos Visigodos em 414 e pelos Francos em 498. Posteriormente, Bordéus entrou em um período de declínio.
No final do século VI, Bordéus voltou a ganhar importância ao tornar-se sede de um condado e de uma arquidiocese do Reino Merovíngio, consolidando-se como um importante centro urbano na fronteira do Ducado da Vasconia. Durante o século VIII, a cidade foi disputada entre francos, aquitanos e omíadas. Em 732, foi saqueada pelas tropas de Abderramão ibne Abdalá Algafequi, mas permaneceu sob controle aquitano. Após sucessivas campanhas francas, Bordéus foi definitivamente incorporada ao Reino Franco por Pepino, o Breve, entre 760 e 768. Pouco depois, Carlos Magno reforçou a defesa da região com a construção da fortaleza de Fronsac. Durante o período carolíngio, os condes de Bordéus (governantes locais) tinham também a missão de conter os bascos e proteger a foz do Garona contra as incursões vikings.
Embora o porto de Bordéus fosse um movimentado centro comercial, a estabilidade e a prosperidade da cidade eram ameaçadas pelas incursões dos vikings e normandos, além da instabilidade política. A restauração dos duques ramnulfitas da Aquitânia, sob Guilherme IV da Aquitânia e seus sucessores da Casa de Poitiers, trouxe maior continuidade ao governo.


Do século XII ao século XV, Bordéus voltou a prosperar novamente após o casamento de Leonor da Aquitânia e a última da Casa de Poitiers, com Henrique II de Inglaterra, conde de Anjou e neto de Henrique I da Inglaterra, que sucedeu ao trono inglês meses após o casamento, dando origem ao vasto Império Angevino, que se estendia dos Pireneus à Irlanda. Após conceder um estatuto de comércio livre de impostos com a Inglaterra, Henrique foi adorado pelos habitantes locais, pois eles poderiam ser ainda mais lucrativos no comércio de vinho, sua principal fonte de renda, e a cidade se beneficiou das importações de tecidos e trigo. O campanário (Grosse Cloche) e a Catedral de Santo André (Cathédrale Saint-André de Bordeaux) em sua forma mais conhecida atualmente, símbolos da cidade, foram construídos na época do domínio inglês. Nos termos do Tratado de Brétigny, tornou-se brevemente a capital de um Estado independente (1362-1372) sob Eduardo, o Príncipe Negro, mas, após a Batalha de Castillon (1453), foi anexada pela França.

Bordéus aderiu à Fronda, sendo efetivamente anexada ao Reino da França apenas em 1653, quando o exército de Luís XIV entrou na cidade.
O século XVIII marcou uma nova era de ouro para Bordéus. O Porto da Lua abastecia grande parte da Europa com café, cacau, açúcar, algodão e índigo, tornando-se o porto mais movimentado da França e o segundo mais movimentado do mundo, atrás apenas de Londres. Muitos dos edifícios do centro de Bordéus (cerca de 5 000), incluindo os situados nos cais, datam desse período.
Bordéus também foi um centro do comércio de escravos. No total, os mercadores trouxeram forçosamente 150 000 africanos em cerca de 500 expedições.
No início da Revolução Francesa (1789), Bordéus era um importante centro do movimento girondino, ligado à burguesia provincial que defendia o fim dos privilégios aristocráticos, mas se opunha às medidas sociais mais radicais da Revolução. Apesar da prosperidade gerada pelo comércio, incluindo o comércio colonial e o tráfico de escravizados, grande parte da população enfrentava pobreza e escassez de recursos, contribuindo para o descontentamento social. Em 1793, com a ascensão dos montanheses liderados por Maximilien de Robespierre e Jean-Paul Marat, muitos girondinos foram executados, e a cidade chegou a ser renomeada como "Commune-Franklin". A abolição da escravidão pelas autoridades revolucionárias em 1794 e, posteriormente, sua restauração por Napoleão Bonaparte em 1802, seguida pela independência do Haiti em 1804, afetaram profundamente o comércio colonial de Bordéus. Em 1814, durante o fim das Guerras Napoleônicas, a cidade apoiou a restauração dos Bourbons e foi ocupada pelas tropas britânicas de Arthur Wellesley, 1.º Duque de Wellington, recebidas com pouca resistência.

Durante a Restauração Francesa, a economia de Bordéus foi reconstruída por comerciantes e armadores, que impulsionaram a construção da primeira ponte da cidade e de novos armazéns. O tráfego marítimo cresceu com a expansão das novas colônias africanas. Em 1870, durante a Guerra Franco-Prussiana, o governo francês transferiu temporariamente sua sede para Bordéus.
Bordéus também foi a capital francesa por alguns meses durante a Primeira Guerra Mundial. Em 3 de setembro de 1914, após ataque aéreo alemão na cidade de Paris, o governo e o parlamento transferiram sua sede para a cidade, retornando para Paris somente no dia 22 de dezembro de 1914.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Bordéus esteve sob ocupação alemã. Entre 1941 e 1943, a Marinha Real Italiana construiu em Bordéus a base de submarinos BETASOM (Bordeaux Sommergibile). Submarinos italianos participaram da Batalha do Atlântico a partir dessa base, que também serviu como importante instalação para os submarinos alemães U-Boot, como sede da 12.ª Flotilha de U-Boot. Os enormes abrigos de submarinos de concreto armado, construídos durante o período, mostraram-se difíceis de demolir e atualmente são utilizados como pavilhões de eventos e exposições.
Em 2007, 40% da área da cidade, localizada ao redor do Porto da Lua, foi considerada como Patrimônio Mundial pela UNESCO. A organização classificou Bordéus como "uma cidade histórica habitada, um conjunto urbano e arquitetônico excepcional, criado na Era do Iluminismo, cujos valores se estenderam até a primeira metade do século XX, com mais edifícios protegidos do que qualquer outra cidade francesa, depois de Paris".

Bordéus está situada perto da costa Atlântica, no sudoeste da França. Em linha reta, dista 500 km de Paris, 172 km de Pau, 220 km de Toulouse, 170 km de Biarritz e 200 km de San Sebastian. É atravessada pelo rio Garona. Tem um porto acessível a grandes navios, embora presentemente a maior parte fique pela foz. Em Bordéus, fica a última ponte sobre o Garona, a ponte de Aquitânia. Para oeste, o rio alarga-se no estuário do Garona e só se pode atravessar de barco.
A aglomeração urbana tem crescido a um ritmo rápido, o que se reflete numa forte expansão especialmente para oeste. Esta expansão está relacionada com o facto de os edifícios em Bordéus poucas vezes terem mais de dois ou três pisos, mesmo perto do centro da cidade.
O clima de Bordéus é classificado como clima oceânico (Cfb), segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, fazendo transição para o clima subtropical úmido (Cfa). Entretanto, segundo a classificação climática de Trewartha, a cidade é classificada apenas como subtropical úmida, em razão do aumento recente das temperaturas, associado, em alguma medida, às mudanças climáticas e ao efeito de ilha de calor urbana.
A cidade apresenta invernos amenos e chuvosos, em razão de sua latitude relativamente meridional e da predominância de ventos de oeste, amenizados pelo Oceano Atlântico. Os verões são quentes e relativamente mais secos, embora ainda suficientemente úmidos para impedir sua classificação como clima mediterrânico. Geadas ocorrem anualmente, mas a neve é pouco frequente, registrando-se em apenas três ou quatro dias por ano. Durante a onda de calor na Europa em 2003, Bordéus registrou recorde de temperatura média, com 23,3 °C, enquanto fevereiro de 1956 foi o mês mais frio já registrado na medição do Aeroporto de Bordéus-Mérignac, com temperatura média de −2,0 °C.
| Dados climáticos para Bordeaux (Aeroporto de Bordéus-Mérignac), altitude: 47 m ou 154 ft, 1991–2020 (médias) e 1920–2020 (recordes) | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Mês | Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez | Ano |
| Recorde alta °C (°F) | 20.8 (69.4) |
26.2 (79.2) |
27.7 (81.9) |
31.1 (88) |
36.6 (97.9) |
42.5 (108.5) |
41.2 (106.2) |
41.6 (106.9) |
37.0 (98.6) |
32.2 (90) |
26.7 (80.1) |
22.5 (72.5) |
42.5 (108.5) |
| Média alta °C (°F) | 10.5 (50.9) |
12.0 (53.6) |
15.5 (59.9) |
18.0 (64.4) |
21.7 (71.1) |
25.0 (77) |
27.1 (80.8) |
27.6 (81.7) |
24.2 (75.6) |
19.6 (67.3) |
14.1 (57.4) |
11.0 (51.8) |
18.9 (66) |
| Média diária °C (°F) | 7.1 (44.8) |
7.8 (46) |
10.7 (51.3) |
13.0 (55.4) |
16.6 (61.9) |
19.8 (67.6) |
21.7 (71.1) |
21.9 (71.4) |
18.8 (65.8) |
15.2 (59.4) |
10.4 (50.7) |
7.7 (45.9) |
14.2 (57.6) |
| Média baixa °C (°F) | 3.7 (38.7) |
3.6 (38.5) |
5.8 (42.4) |
8.0 (46.4) |
11.4 (52.5) |
14.6 (58.3) |
16.2 (61.2) |
16.3 (61.3) |
13.3 (55.9) |
10.7 (51.3) |
6.7 (44.1) |
4.4 (39.9) |
9.6 (49.3) |
| Recorde baixa °C (°F) | −16.4 (2.5) |
−14.8 (5.4) |
−9.9 (14.2) |
−5.3 (22.5) |
−1.8 (28.8) |
2.5 (36.5) |
5.2 (41.4) |
4.7 (40.5) |
−1.8 (28.8) |
−5.3 (22.5) |
−7.3 (18.9) |
−13.4 (7.9) |
−16.4 (2.5) |
| Média precipitação mm (pol.) | 86.9 (3.421) |
66.9 (2.634) |
63.3 (2.492) |
75.6 (2.976) |
71.1 (2.799) |
70.4 (2.772) |
48.6 (1.913) |
56.7 (2.232) |
81.2 (3.197) |
83.3 (3.28) |
114.5 (4.508) |
106.4 (4.189) |
924.9 (36.413) |
| Média de dias de precipitação (≥ 1.0 mm) | 12.2 | 10.1 | 10.7 | 11.2 | 10.0 | 8.3 | 7.1 | 7.0 | 9.3 | 10.7 | 13.3 | 12.7 | 122.5 |
| Média mensal horas de sol | 89.8 | 117.4 | 170.2 | 186.0 | 220.8 | 237.7 | 256.0 | 248.8 | 208.8 | 150.3 | 100.0 | 84.1 | 2 069,8 |
| Fonte: Météo-France | |||||||||||||
Bordéus possui 267 991 habitantes (2023) e é a nona comuna mais populosa da França. Sua área urbana reúne mais de 1,3 milhão de habitantes. Após um período de despovoamento (de 284 494 habitantes em 1954 para 208 159 em 1982), a cidade voltou a crescer graças à renovação dos bairros históricos e à requalificação urbana do centro. Integra a Métropole de Bordéus, formada por 28 comunas. Na cidade há comunidades significativas de origem italiana, espanhola, portuguesa, turca e alemã. A maior parte dos imigrantes de Bordéus é de origem portuguesa (15 551 em 2019) e marroquina (15 507 em 2019).
| População de Bordéus (comuna) (incluindo Caudéran, anexada em 1965) | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
|
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Fonte: EHESS e INSEE | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

O atual prefeito de Bordéus é Thomas Cazenave (Renascimento, RE), eleito em 2026. A cidade é a capital de cinco cantões e sede da prefeitura do departamento da Gironda e da região da Nova Aquitânia. O município está dividido em três arrondissements. Seguindo a legislação francesa, por possuir entre 250 mil e 299 999 habitantes, o Conselho Municipal é composto por 65 vereadores.
Desde a Libertação da França em 1944, Bordéus teve oito prefeitos:
| Prefeito | Início do mandato | Fim do mandato | Partido | |
|---|---|---|---|---|
| Jean-Fernand Audeguil | agosto de 1944 | 19 de outubro de 1947 | SFIO | |
| Jacques Chaban-Delmas | 19 de outubro de 1947 | 19 de junho de 1995 | RPR | |
| Alain Juppé | 19 de junho de 1995 | 13 de dezembro de 2004 | RPR / UMP | |
| Hugues Martin | 13 de dezembro de 2004 | 8 de outubro de 2006 | UMP | |
| Alain Juppé | 8 de outubro de 2006 | 7 de março de 2019 | UMP / LR | |
| Nicolas Florian | 7 de março de 2019 | 3 de julho de 2020 | LR | |
| Pierre Hurmic | 3 de julho de 2020 | 27 de março de 2026 | PVE | |
| Thomas Cazenave | 27 de março de 2026 | Em exercício | Renascimento | |
Bordeús é cidade irmã de:

Bordeaux é um dos principais centros econômicos da França, destacando-se nos setores de comércio, serviços, indústria e administração. A cidade é mundialmente conhecida pela produção de vinhos, com uma das mais importantes regiões vinícolas do mundo. Sua economia também se apoia nas indústrias aeroespacial e de alta tecnologia, no turismo e nas atividades portuárias. Cerca de 20 000 pessoas trabalham na indústria aeronáutica em Gironda, sendo 12 700 na região de Bordéus. A Dassault Aviation possui quatro fábricas na região, onde são produzidos os jatos executivos da linha Falcon e o caça militar Rafale.
O plantio de videira foi introduzido na região de Bordéus pelos romanos, provavelmente em meados do século I, para a produção de vinho destinado ao consumo local, e a atividade vitivinícola mantém-se contínua na região desde então.

A região vinícola de Bordéus possui cerca de 116 160 hectares de vinhedos, 57 denominações de origem, 10 000 propriedades produtoras de vinho (châteaux) e 13 000 viticultores. Com uma produção anual de aproximadamente 960 milhões de garrafas, a região produz tanto grandes volumes de vinhos comuns quanto alguns dos vinhos mais caros do mundo. Entre os vinhos mais prestigiados estão os cinco premiers crus da Classificação Oficial dos Vinhos de Bordeaux de 1855, criada para estabelecer uma hierarquia entre os principais produtores da região. Quatro deles pertencem ao Médoc e um, o Château Haut-Brion, à região de Graves.
Cité du Vin, um museu e espaço dedicado a exposições, espetáculos e seminários acadêmicos sobre o tema do vinho, foi inaugurado em 2016.
A cidade é um destino famoso para o enoturismo. Em 2024, Bordeaux registrou 7,2 milhões de pernoites em hotéis e demais acomodações turísticas. A taxa de ocupação hoteleira atingiu 64,1%. Bordéus é o quinto destino turístico mais procurado da França e segunda maior escala de cruzeiros da costa atlântica da França. Bordéus é reconhecida pelo selo Turismo e Acessibilidade do Ministério do Turismo da França, concedido a destinos que oferecem infraestrutura turística acessível.

A cidade é servida pelo Aeroporto de Bordéus-Mérignac, localizado a 8 km do centro de Bordéus, na comuna de Mérignac. Bordéus também é um importante ponto de junção de rodovias. A cidade está conectada a Paris pela autoestrada A10, a Lyon pela A89, a Toulouse pela A62 e à Espanha pela A63. A cidade também possui um anel viário de 45 km chamado "Rocade". Existem cinco pontes rodoviárias sobre o rio Garona.
A Bordeaux-Saint-Jean é a estação ferroviária principal da cidade. Ela está localizada próxima ao centro de Bordéus e recebe cerca de 22 milhões de passageiros por ano. A estação é servida pelos trens de alta velocidade TGV, que ligam Bordéus a Paris em cerca de duas horas e oferecem conexões para grandes cidades francesas e europeias, incluindo Lille, Bruxelas, Amsterdã, Colônia, Genebra e Londres. Os serviços TGV também conectam Bordéus a Toulouse, Irun (Espanha), Marselha, Lyon e outras cidades. A estação também é o terminal dos trens regionais TER, com ligações para Arcachon, Limoges, Agen, Périgueux, Pau, Angoulême e Bayonne.

Bordeaux possui um sistema de transporte público denominado Transports Bordeaux Métropole (TBM). A rede é operada pelo grupo Keolis. O sistema é composto por 6 linhas de bonde (A, B, C, D, E e F), linhas de ônibus regulares e noturnas, serviço de ônibus turísticos elétrico no centro da cidade e um serviço de transporte fluvial por barco no rio Garona.
Em 1441, quando Bordéus era uma cidade inglesa, o papa Eugênio IV criou uma universidade a pedido do arcebispo Pey Berland. Em 1793, durante a Revolução Francesa, a Convenção aboliu a universidade e a substituiu pela École centrale, criada em 1796. Em Bordéus, esta instituição foi instalada nos antigos edifícios do colégio de Guyenne. Em 1808, a universidade foi restaurada por Napoleão. Bordéus abriga atualmente cerca de 60 000 estudantes em um dos maiores campi universitários da Europa, com 235 hectares.
As instituições de ensino superior de Bordéus são:
| Porto da Lua, Bordéus | |
|---|---|
| Património Mundial da UNESCO | |
Place de la Bourse na região do Porto da Lua | |
| Critérios | Cultural: ii, iv |
| Referência | 1256 en fr es |
| Região | Europa e América do Norte |
| País | |
| Coordenadas | |
| Histórico de inscrição | |
| Inscrição | 2007 |
| Nome usado na lista do Património Mundial Região pela classificação da UNESCO | |
A região histórica do Porto da Lua (Port de la Lune) foi reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO, pelo seu "conjunto urbano e arquitetônico excepcional". Bordéus possui o segundo maior número de edifícios classificados ou inscritos como monumentos históricos da França, atrás apenas de Paris.

A gastronomia de Bordéus é fortemente associada aos vinhos de Bordéus, com diversas variedades entre as mais renomadas do mundo. A cidade também é conhecida por especialidades doces como o canelé (bolinho doce com casca crocante e interior macio), os croquants bordelais (biscoitos crocantes de avelã) e os sarments du Médoc (palitos de chocolate). Entre os pratos típicos destacam-se o entrecôte à bordelaise (filé de costela com molho de vinho), a lampreia à bordelaise (lampreia com molho de vinho) e o grenier médocain (embutido de tripas de porco). Bordéus também é reconhecida pela produção de caviar do estuário da Gironda e pela mostarda de Bordéus.

Inaugurado em 2015, o Stade Atlantique, é o maior estádio da cidade, com capacidade para 42 115 espectadores. Outro estádio é o tradicional Stade Chaban-Delmas, que sediou partidas das Copas do Mundo de 1938 e 1998, além da Copa do Mundo de Rugby de 2007. Durante a Copa do Mundo de 1938, o estádio recebeu uma partida histórica das quartas de final entre Tchecoslováquia e Brasil que ficou conhecida como a "Batalha de Bordeaux". Até 2001, o estádio era denominado Stade du Parc Lescure, quando foi rebatizado em homenagem ao ex-prefeito de Bordeaux, Jacques Chaban-Delmas.
O Girondins de Bordeaux é o clube de futebol da cidade e é um dos clubes mais vitoriosos da França, com seis títulos do Campeonato Francês. O clube, no entanto, está passando um grave crise financeira e atualmente disputa a divisão regional após ser rebaixado administrativamente como punição. O Union Bordeaux Bègles é a principal equipe de rugby da cidade e disputa o Top 14, a primeira divisão nacional.
Com 82 chegadas de etapas oficialmente registradas, Bordéus é, depois de Paris, a cidade que mais vezes recebeu o Tour de France.
Esta seção não cita fontes confiáveis. (julho de 2026) |