
A pederastia refere-se a relações sexuais entre um homem adulto e um adolescente do sexo masculino; alguns autores também usam o termo para se referir a relações entre mulheres com uma diferença de idade semelhante. A pederastia existiu como uma prática socialmente reconhecida e aceita em algumas sociedades pré-modernas.
Atualmente, na maioria dos países, a idade de consentimento estabelecida pela legislação local determina se uma pessoa é considerada legalmente capaz de consentir com atos sexuais e se esse contato constitui abuso sexual infantil ou estupro de vulnerável. A prática de atividade sexual por um adulto com um menor é considerada abusiva pelas autoridades por diversos motivos, incluindo a idade do menor e os danos psicológicos e físicos que ele pode sofrer.
Pederastia deriva da combinação do grego antigo παίδ-, transliterado como paid-, literalmente “menino, criança (radical)”, com ἐραστής, erastēs, “amante” (cf. eros). O latim tardio pæderasta foi incorporado no século XVI diretamente do grego clássico de Platão, em O Banquete. (O latim translitera αί como æ.) A palavra apareceu pela primeira vez na língua inglesa durante o Renascimento, como pæderastie (por exemplo, em Pilgrimes, de Samuel Purchas), no sentido de relações sexuais entre homens e meninos.
Designava, na Antiguidade grega, uma instituição existente em praticamente toda a sua história embora com diferentes visões, segundo a área geográfica, que variavam desde a aceitação total até a recusa absoluta. A própria natureza do relacionamento variava entre o estritamente afetuoso e romântico, sem qualquer tipo de intercurso sexual, até o ato sexual como única razão de ser da relação. A cultura ocidental atual desencoraja que a prática homossexual seja considerada como pederastia. De fato, evita-se a utilização desta palavra quando se fala em sexualidade.
Em algumas situações, a pederastia era vista como uma questão de fascínio estético; em outras era inserida na educação dos adolescentes do sexo masculino, rapazes de famílias de boa posição social, por parte dos pedagogos - varões maduros. Geralmente estes pedagogos tinham o papel de mestres para estes rapazes, ensinando-lhes algum ofício.
Em outros casos, era conveniente para uma família que seu filho homem pudesse conseguir um mestre de prestígio, e desta forma ascender socialmente. Com frequência, o relacionamento entre ambos ultrapassava a mera amizade, ganhando contornos de relacionamento amoroso e, por vezes, também sexual e de poder do mestre sobre o adolescente. Esses relacionamentos eram tão difundidos na Grécia Antiga que Platão os considerava como um elemento de distinção entre a civilização helênica e as culturas bárbaras (de βάρβαρος, "não grego"). Porém, segundo William Percy, o costume não foi institucionalizado na Grécia até o século VII a.C., quando o amasiamento era proibido ou fortemente desencorajado para os homens com menos de 30 anos.
A pederastia era conhecida também fora da tradição grega. Em várias outras sociedades, o principal objeto de amor homossexual masculino era o adolescente. Tais relações eram conhecidas na Coreia, Japão, China, onde o contato entre homens e mulheres era severamente limitado.
A pedofilia, como é por vezes identificada, é geralmente considerada como um tipo de perversão sexual caracterizada pela atração física (ou de outra ordem) por crianças até a puberdade, sejam elas do sexo masculino, feminino ou ambos, sendo mesmo classificada como uma doença mental pela Organização Mundial da Saúde. Vale ressaltar, que os pedófilos podem ser de ambos os sexos (homens ou mulheres) e de todas as orientações sexuais, incluindo, além de homossexuais, heterossexuais, bissexuais etc. Eis o motivo pelo qual o termo "pederasta" ou "pederastia" é modernamente rechaçado.
No Brasil, existe no Código Penal Militar o chamado "crime de pederastia" que não tem a ver com a definição clássica do termo (relação entre adulto e adolescente), e se refere a atos libidinosos, sejam homossexuais ou heterossexuais, praticados exclusivamente por militares e no âmbito da administração militar.