| Brecker Brothers | |
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Randy Brecker em atuação com os Brecker Brothers no Bayrischer Hof, em Munique, em julho de 2001. | |
| Informações gerais | |
| Origem | Cidade de Nova Iorque, Nova Iorque |
| País | Estados Unidos |
| Gêneros | |
| Período em atividade | 1974–2007 |
| Gravadoras | |
| Ex-integrantes | Randy Brecker Michael Brecker |
| Página oficial | randybrecker |
Brecker Brothers, também conhecidos como The Brecker Brothers e The Brecker Bros, foram um grupo norte-americano de jazz fusion e jazz-funk, formado em 1975 pelos irmãos Randy Brecker, trompetista e fliscornista, e Michael Brecker, saxofonista. A banda destacou-se pela combinação de elementos do jazz, funk e rock, tendo-se tornado uma das formações influentes no desenvolvimento do jazz fusion durante as décadas de 1970 e 1980.
Antes da formação do grupo, os dois irmãos já tinham trabalhado juntos nos Dreams e desenvolvido carreiras como músicos de sessão. Os Brecker Brothers editaram seis álbuns pela Arista Records entre 1975 e o início da década de 1980, contando ao longo desse período com a participação de músicos como David Sanborn, Don Grolnick, Steve Gadd, Steve Khan, Will Lee, Hiram Bullock e Lenny White. Após uma interrupção de cerca de uma década, os irmãos retomaram o projeto em 1992 com Return of the Brecker Brothers, editado pela GRP Records.
Em 1994, lançaram Out of the Loop, que recebeu o Grammy Award de Melhor Performance de Jazz Contemporâneo em 1995. O grupo recebeu, no total, sete nomeações para os Grammy ao longo da sua carreira.
A música do grupo combinava elementos de jazz, funk e rock, caracterizando-se pela improvisação jazzística, estruturas derivadas da música popular e técnicas de composição sofisticadas.
Antes da criação dos Brecker Brothers, Randy e Michael Brecker já tinham desenvolvido uma extensa atividade no meio jazzístico e como músicos de sessão. Randy integrou a formação original dos Blood, Sweat & Tears, participando no álbum de estreia, Child Is Father to the Man (1968), enquanto Michael participou no primeiro álbum a solo do irmão, Score (1969). No início da década de 1970, ambos integraram os Dreams, grupo de jazz-rock que constituiu uma das primeiras experiências regulares de trabalho conjunto entre os dois irmãos.
Paralelamente às suas atividades individuais, Randy e Michael tornaram-se músicos de sessão bastante requisitados em Nova Iorque. Em meados da década de 1970 decidiram desenvolver um projeto próprio, que viria a assumir o nome The Brecker Brothers. A banda foi contratada pela Arista Records e lançou em 1975 o álbum de estreia, The Brecker Bros..
O disco estabeleceu desde o início a combinação de jazz fusion e jazz-funk que caracterizaria a primeira fase do grupo. Além de Randy, no trompete e fliscorne, e Michael, no saxofone tenor, a gravação contou com David Sanborn no saxofone alto, Don Grolnick nos teclados, Will Lee no baixo, Harvey Mason na bateria, Bob Mann na guitarra e Ralph MacDonald na percussão. A crítica da AllMusic caracterizou o primeiro lado do álbum como uma combinação de jazz, funk e fusion, associando-lhe a designação skunk-funk. Entre as composições encontrava-se Some Skunk Funk, de Randy Brecker, que se tornaria um dos temas associados ao repertório dos irmãos.
Em 1976, os Brecker Brothers lançaram o segundo álbum, Back to Back, novamente pela Arista Records. Gravado nos Electric Lady Studios, em Nova Iorque, o disco manteve a orientação jazz-funk do trabalho de estreia, ao mesmo tempo que incorporou uma presença mais acentuada de elementos de funk, R&B e música vocal.
A formação utilizada nas gravações voltou a reunir vários músicos destacados do circuito nova-iorquino, entre os quais David Sanborn no saxofone alto, Steve Khan na guitarra, Don Grolnick nos teclados, Will Lee no baixo e voz, Chris Parker e Steve Gadd na bateria e Ralph MacDonald na percussão. O álbum contou ainda com participações vocais de Luther Vandross, Patti Austin, Robin Clark, Allee Willis e Diane Sumler, cabendo a Vandross os arranjos das vozes de apoio.
Em 1977, o grupo editou o terceiro álbum, Don't Stop the Music, gravado nos Atlantic Studios, em Nova Iorque, e produzido por Jack Richardson. O disco acentuou a diversidade estilística dos Brecker Brothers, aproximando em alguns momentos o jazz-funk do grupo da música disco. Na sua crítica para a AllMusic, Jason Elias identificou Finger Lickin' Good e a faixa-título como as incursões mais diretamente orientadas para esse estilo, embora destacando a presença dos arranjos de metais.
O álbum incluiu igualmente algumas das composições mais exigentes do grupo. Elias destacou Squids, composta por Randy Brecker, pelo trabalho de trompete elétrico e pela guitarra de Hiram Bullock, e Funky Sea, Funky Dew, de Michael Brecker, pelos solos de saxofone tenor, além do trabalho de Randy em Petals. Funky Sea, Funky Dew recebeu uma nomeação para o Grammy Award de Melhor Performance Instrumental de R&B em 1978.
Em 1978, os Brecker Brothers lançaram Heavy Metal Be-Bop, álbum constituído maioritariamente por gravações ao vivo realizadas no My Father's Place, em Roslyn, Nova Iorque, à exceção de East River, gravada em estúdio. O disco apresentou uma formação renovada, na qual Randy e Michael Brecker foram acompanhados por Barry Finnerty na guitarra, Neil Jason no baixo e voz e Terry Bozzio na bateria, além de percussionistas adicionais.
O álbum acentuou a combinação de jazz, funk e rock e explorou o processamento eletrónico dos instrumentos de sopro dos dois irmãos. O repertório retomava composições anteriormente gravadas pelo grupo, entre elas Some Skunk Funk, Sponge, Funky Sea, Funky Dew e Squids, além de incluir Inside Out, de Randy Brecker. A faixa East River, única gravação de estúdio do álbum, alcançou a 34.ª posição na tabela britânica de singles.
Em 1980, o grupo regressou aos álbuns de estúdio com Detente, produzido por George Duke. O disco prosseguiu a aproximação entre jazz-funk, R&B e formatos mais orientados para a canção, alternando-os com composições instrumentais. Na sua crítica para a AllMusic, Jason Elias destacou Tee'd Off, Squish e Baffled pelos arranjos e pela manutenção das características instrumentais do grupo, e Dream Theme, arranjada por Michael Brecker, pelo trabalho do saxofonista. A gravação contou, entre outros, com George Duke, Don Grolnick, Hiram Bullock, Marcus Miller, Neil Jason, Steve Gadd, Steve Jordan, Airto Moreira e Ralph MacDonald.
Em 1981, os Brecker Brothers encerraram a primeira fase discográfica com Straphangin', novamente editado pela Arista Records. O álbum manteve elementos de jazz-funk e fusion, incorporando também aproximações a sonoridades associadas ao AOR e ao soft rock. Na sua crítica para a AllMusic, Rob Theakston apontou influências de grupos como Spyro Gyra e Steely Dan, assinalando o contraste entre temas mais contidos, como a faixa-título e Threesome, e a componente mais percussiva de Bathsheba.
Gravado nos Right Track Studios, em Nova Iorque, Straphangin' foi produzido pelos próprios Randy e Michael Brecker. A formação incluiu Barry Finnerty na guitarra, Marcus Miller no baixo, Mark Gray nos teclados e Richie Morales na bateria, com Manolo Badrena, Sammy Figueroa e Don Alias na percussão.
Após este período, os irmãos interromperam a atividade regular dos Brecker Brothers, seguindo outros projetos antes de retomarem o grupo no início da década de 1990.
Após um longo período sem gravarem como grupo, Randy e Michael Brecker retomaram os Brecker Brothers em 1992 com Return of the Brecker Brothers, editado pela GRP Records. Durante o intervalo, os compromissos dos dois irmãos em estúdio e em digressões com outros projetos tinham limitado a atividade conjunta da banda.
O álbum recuperou a combinação de jazz, funk, pop, soul e fusion associada à primeira fase do grupo, num período em que o smooth jazz tinha adquirido maior expressão comercial. Michael Brecker utilizou saxofones e o EWI, enquanto Randy Brecker tocou trompete e fliscorne. A secção rítmica incluiu Dennis Chambers na bateria, George Whitty nos teclados e James Genus no baixo, e o disco contou ainda com participações de Mike Stern e Dean Brown nas guitarras, Don Alias na percussão, David Sanborn no saxofone alto e Will Lee no baixo.

Segundo Jurek, apesar de incorporar elementos de produção característicos do período, o álbum manteve a identidade jazzística dos Brecker Brothers, utilizando frequentemente linhas melódicas como ponto de partida para a improvisação e recorrendo a uma variedade de estruturas rítmicas. Entre as composições destacadas pelo crítico encontram-se Song for Barry, King of the Lobby, On the Backside, Spherical e Above & Below.
Dois anos depois, os Brecker Brothers editaram pela GRP Records Out of the Loop (1994), segundo álbum de estúdio desta nova fase. O disco manteve elementos de jazz-funk e fusion, incorporando sonoridades contemporâneas, programação rítmica e elementos de hip-hop. Na sua crítica para a AllMusic, Jim Newsom destacou a diversidade do álbum, apontando Slang, African Skies, Secret Heart e Scrunch como exemplos das diferentes abordagens adotadas pelo grupo.
Michael Brecker voltou a utilizar saxofones tenor e soprano e o EWI, enquanto Randy Brecker tocou trompete e fliscorne. Entre os músicos participantes encontravam-se James Genus no baixo, Dean Brown nas guitarras, Steve Jordan, Shawn Pelton e Rodney Holmes na bateria e George Whitty nos teclados, além da participação de Eliane Elias em Secret Heart.
Out of the Loop recebeu o Grammy Award de Melhor Performance de Jazz Contemporâneo, enquanto African Skies, composta por Michael Brecker, recebeu o prémio de Melhor Composição Instrumental.
Os irmãos continuaram a realizar colaborações conjuntas após Out of the Loop. Em novembro de 1997, participaram nas gravações de Peace, do trombonista japonês Eijiro Nakagawa, editado no ano seguinte como Eijiro Nakagawa featuring Brecker Brothers. Randy Brecker participou no trompete em três faixas, enquanto Michael Brecker tocou saxofone tenor noutras três, coincidindo ambos em Footprints e Latitude 22 South.
Após Out of the Loop, Randy e Michael Brecker continuaram a realizar atuações e colaborações conjuntas, embora não tenham voltado a editar um álbum de estúdio sob o nome Brecker Brothers. A colaboração entre os dois irmãos terminou com a morte de Michael Brecker, em 13 de janeiro de 2007.
Posteriormente foram editadas gravações de arquivo do grupo. The Bottom Line Archive Series: The Brecker Brothers, lançado em 2015, recuperou uma atuação registada em 1976, enquanto Live and Unreleased, editado em 2020, apresentou uma gravação realizada em 2 de julho de 1980 no Onkel Pö's Carnegie Hall, em Hamburgo.
A música dos Brecker Brothers desenvolveu-se principalmente a partir da fusão entre jazz, funk, R&B e rock, combinando a improvisação jazzística com uma secção rítmica frequentemente orientada para o funk. As composições de Randy Brecker caracterizavam-se também pelo recurso a estruturas melódicas e harmónicas complexas, enquanto os arranjos exploravam a interação entre o trompete e o fliscorne de Randy e o saxofone tenor de Michael Brecker.
Ao longo da carreira, o grupo incorporou diferentes elementos da música popular contemporânea sem abandonar a improvisação como componente central. Em Don't Stop the Music (1977), por exemplo, Finger Lickin' Good e a faixa-título aproximaram-se da música disco, mantendo arranjos de metais, enquanto outras composições do álbum, como Squids e Funky Sea, Funky Dew, conservaram uma orientação mais diretamente ligada ao jazz-funk e à improvisação.
Em Heavy Metal Be-Bop (1978), a componente rock tornou-se mais acentuada, sendo acompanhada pelo processamento eletrónico do saxofone e do trompete dos dois irmãos. Os trabalhos posteriores continuaram a refletir diferentes tendências: Straphangin' (1981) incorporou elementos associados ao AOR e ao soft rock, enquanto, no regresso dos anos 1990, Return of the Brecker Brothers combinou jazz, funk, pop, soul e fusion num contexto em que o smooth jazz tinha adquirido maior expressão comercial.
Apesar das alterações estilísticas e de produção entre os diferentes períodos, a improvisação, os arranjos para instrumentos de sopro e a interação entre Randy e Michael Brecker permaneceram elementos recorrentes na linguagem do grupo.
Os Brecker Brothers são apontados como uma formação relevante no desenvolvimento do jazz fusion das décadas de 1970 e 1980. Num estudo académico dedicado às contribuições do grupo, Christopher Aaron Madsen defendeu a sua inclusão entre as formações significativas do género, ao lado de grupos associados a Miles Davis, Herbie Hancock, Mahavishnu Orchestra e Return to Forever, salientando como característica particular a combinação de material de orientação comercial com formas musicais mais experimentais.
A integração entre diferentes linguagens musicais foi igualmente assinalada pela crítica especializada. Em 1995, a revista Jazz Journal descreveu a música dos irmãos como uma combinação entre a energia do R&B e a harmonia do jazz moderno, considerando os Brecker Brothers uma das formações de jazz-rock da década de 1970 mais orientadas para a tradição jazzística. A publicação destacou ainda a influência do bebop na escrita de Randy Brecker e a conjugação dessa linguagem com estruturas rítmicas provenientes do funk e do R&B.