| Randy Brecker | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Nome completo | Randal Edward Brecker |
| Nascimento | 27 de novembro de 1945 (80 anos) Cheltenham, Pensilvânia, Estados Unidos |
| Gêneros | Jazz Jazz fusion |
| Instrumentos | Trompete e fliscorne |
| Página oficial | Site oficial |
Randal Edward "Randy" Brecker (Cheltenham, Pensilvânia, 27 de novembro de 1945) é um trompetista, fliscornista e compositor estadunidense. Ao longo da carreira, desenvolveu uma extensa atividade como músico de estúdio e trabalhou frequentemente com o seu irmão, o saxofonista Michael Brecker, com quem integrou os Dreams e fundou os Brecker Brothers. Vencedor de vários Grammy Awards, desenvolveu igualmente uma carreira a solo.
Randal Edward Brecker nasceu em 27 de novembro de 1945, em Cheltenham, na Pensilvânia, nos arredores de Filadélfia, numa família ligada à música. O pai, Bob Brecker, era advogado e pianista de jazz semiprofissional, e mantinha em casa gravações de músicos como Miles Davis e Clifford Brown, que estiveram entre as primeiras influências musicais de Randy. Ainda criança optou pelo trompete e, durante a adolescência, começou a atuar com grupos de rhythm and blues e funk da região de Filadélfia.
Após concluir o ensino secundário, Brecker estudou na Universidade de Indiana, em Bloomington, onde teve formação em trompete com Bill Adam e em teoria do jazz com David Baker. Durante esse período integrou a banda de jazz da universidade e, em 1966, participou numa digressão pela Ásia e pelo Médio Oriente. Depois de uma breve permanência na Europa, estabeleceu-se em Nova Iorque, onde iniciou a carreira profissional tocando em formações dirigidas por músicos como Clark Terry, Duke Pearson e Thad Jones.
Em 1967, Brecker integrou os Blood, Sweat & Tears, participando na gravação do álbum de estreia da banda, Child Is Father to the Man, lançado no ano seguinte. No disco tocou trompete e fliscorne, integrando a secção de sopros juntamente com Fred Lipsius, Jerry Weiss e Dick Halligan. Após o lançamento do álbum, deixou o grupo para integrar a formação do pianista Horace Silver.
A entrada no quinteto de Horace Silver marcou o regresso de Brecker a uma formação de jazz, depois da passagem pelos Blood, Sweat & Tears. Em paralelo, iniciou o percurso em nome próprio com Score, o seu álbum de estreia, que contou com a participação do irmão Michael Brecker, então com 19 anos. Após a passagem pelo grupo de Silver, integrou ainda os Jazz Messengers, liderados pelo baterista Art Blakey.
Após a passagem pelos Jazz Messengers, Brecker juntou-se ao irmão Michael nos Dreams, grupo de jazz-rock que integrava também o trombonista Barry Rogers, o baterista Billy Cobham e o guitarrista John Abercrombie. A secção de sopros assumia um papel de destaque, com arranjos desenvolvidos através da improvisação e abertos a variações em palco.
No álbum de estreia, Dreams (1970), Brecker tocou trompete e fliscorne e participou igualmente nos arranjos, assumindo individualmente o de Holli Be Home e partilhando com Michael Brecker e Barry Rogers os de Try Me e New York. Os dois irmãos participaram ainda na composição de Crunchy Grenola, integrada na Dream Suite.
Após o fim dos Dreams, Brecker manteve uma intensa atividade como instrumentista, atuando em diferentes contextos de jazz e fusão. Trabalhou, entre outros, com os Eleventh House de Larry Coryell, Stevie Wonder e Billy Cobham, e continuou a colaborar com o irmão Michael em gravações dirigidas pelo pianista Hal Galper.
Em 1975, Randy e Michael Brecker formaram os Brecker Brothers, dando continuidade à colaboração que ambos vinham desenvolvendo desde o final da década anterior. No álbum de estreia, The Brecker Bros., Randy assumiu um papel central na definição do repertório: produziu o disco e compôs e arranjou oito das nove faixas, participando também na composição da restante. Além do trompete e do fliscorne, utilizou trompete eléctrico e voltou a assumir funções vocais em Oh My Stars, tema do qual escreveu igualmente a letra.
Na primeira fase do grupo seguiram-se Back to Back (1976), Don't Stop the Music (1977), o álbum ao vivo Heavy Metal Be-Bop (1978), Detente (1980) e Straphangin' (1981); neste período, os Brecker Brothers receberam quatro nomeações para os Grammy, antes de Randy e Michael interromperem a atividade conjunta para se dedicarem às respectivas carreiras.

Após a primeira fase dos Brecker Brothers, Randy retomou a carreira individual e desenvolveu uma colaboração musical com a pianista brasileira Eliane Elias, com quem viria a casar. O trabalho conjunto resultou em Amanda, gravado em 1985 e produzido por ambos, com Randy no trompete e fliscorne e Elias nos teclados, composição e arranjos. O álbum contou ainda com a participação de Michael Brecker e foi dedicado à filha do casal, Amanda Elias Brecker.
Dois anos mais tarde, Brecker regressou a uma formação de jazz acústico com In the Idiom (1987), acompanhado por Joe Henderson no saxofone tenor, David Kikoski no piano, Ron Carter no contrabaixo e Al Foster na bateria. Brecker compôs e arranjou o repertório, assumindo também a produção do álbum.
No ano seguinte, Brecker gravou ao vivo no clube Sweet Basil, em Nova Iorque, com um quinteto formado por Bob Berg no saxofone tenor, David Kikoski no piano, Dieter Ilg no contrabaixo e Joey Baron na bateria. O repertório, integralmente composto por Brecker, incluiu uma nova interpretação de Moontide, já gravada em In the Idiom.
Com Toe to Toe, gravado em 1989, Brecker regressou a uma orientação próxima do R&B, soul e fusion, recorrendo novamente ao trompete eléctrico e a elementos electrónicos. O álbum contou com a participação de Michael Brecker e incluiu também intervenções vocais de Randy. A revista Jazz Journal destacou a elaboração dos arranjos e a interpretação do trompetista, embora tenha manifestado reservas em relação às suas prestações vocais.
Em 1992, Randy voltou a reunir-se com o irmão Michael nos Brecker Brothers, editando Return of the Brecker Brothers pela GRP Records. O álbum retomou a combinação de jazz, funk, soul e fusion característica do grupo, incorporando simultaneamente elementos electrónicos e uma produção contemporânea. Entre os músicos participantes encontravam-se Dennis Chambers, George Whitty e James Genus, além de convidados como Mike Stern, Dean Brown, Don Alias, David Sanborn e Will Lee.
Na sua análise para o AllMusic, Thom Jurek destacou a forma como o álbum preservou a identidade jazzística dos irmãos numa época marcada pelo sucesso comercial do smooth jazz, salientando a diversidade rítmica das composições e, em particular, a linguagem de hard bop de Randy. O crítico considerou o disco um regresso bem-sucedido dos Brecker Brothers, observando que o grupo evitou subordinar a sua sonoridade às tendências predominantes do smooth jazz.
Dois anos depois, os irmãos editaram Out of the Loop (1994), prosseguindo a colaboração iniciada com o álbum anterior. Na crítica publicada no AllMusic, Jim Newsom considerou que o disco evitava uma simples recuperação das fórmulas do passado, destacando o contraste entre a abordagem enérgica de Michael e o fraseado mais melódico de Randy, assim como o uso do flugelhorn deste último em temas como And Then She Wept e Secret Heart. O álbum recebeu o Grammy de Best Contemporary Jazz Performance, enquanto African Skies, composta por Michael, venceu na categoria Best Instrumental Composition.

Após a nova fase dos Brecker Brothers, Randy retomou a carreira a solo com Into the Sun, álbum marcado pela combinação de influências da música brasileira, nomeadamente samba e bossa nova, com jazz contemporâneo, funk e rock. Na sua crítica para o AllMusic, Scott Yanow considerou o trabalho excessivamente orientado para uma abordagem comercial, embora tenha elogiado a interpretação de Brecker e destacado a participação de David Sanborn. O álbum inclui ainda, em The Hottest Man in Town, uma gravação de 1945 do pai do trompetista, Bobby Brecker, tocando piano e cantando.
Apesar da receção pouco favorável de Yanow, Into the Sun conquistou em 1998 o Grammy Award de Best Contemporary Jazz Performance, constituindo o primeiro Grammy de Randy Brecker em nome próprio.
Em 2001, Brecker apresentou uma abordagem bastante diferente em Hanging in the City, álbum gravado no ano anterior e no qual combinou o trompete e o flugelhorn com elementos de funk urbano, programação electrónica e interpretações vocais. O disco introduziu «Randroid», uma persona criada a partir de uma alcunha anteriormente atribuída ao músico pelo saxofonista Gary Bartz. Segundo David R. Adler, esta vertente, marcada pelo canto, rap e por uma abordagem satírica e irreverente, afastava-se consideravelmente da produção habitual de Brecker como trompetista de jazz.
Produzido por George Whitty, que também participou nos teclados e na programação rítmica, o álbum contou novamente com Michael Brecker, além de músicos como Richard Bona, Will Lee, Hiram Bullock, Dean Brown e Adam Rogers. Adler destacou a combinação entre ritmos contemporâneos, harmonias elaboradas e o trabalho instrumental de Brecker, apesar de manifestar reservas em relação a parte do conteúdo lírico.
Em 2018, Brecker colaborou com o compositor e arranjador sueco Mats Holmquist e com a UMO Jazz Orchestra no álbum Together, no qual participou como solista em trompete e fliscorne. Holmquist, responsável pelos arranjos, contribuiu com cinco composições para o repertório, que incluiu também três temas de Chick Corea e standards de jazz.
No álbum 34th N Lex, Brecker prosseguiu a aproximação entre o jazz e o funk, num trabalho inspirado no ambiente do bairro de Manhattan onde vivia. O disco contou com a participação de Michael Brecker no saxofone tenor, David Sanborn no saxofone alto, Ronnie Cuber no saxofone barítono e Fred Wesley no trombone. A crítica Paula Edelstein, da AllMusic, destacou a combinação de hard bop e funk, bem como a utilização de programação e elementos vocais em algumas das composições.
Randy voltou a gravar com o irmão Michael em Some Skunk Funk, registo de um concerto realizado em 2003, no qual os dois irmãos foram acompanhados por uma secção rítmica e pela WDR Big Band. O repertório, constituído sobretudo por composições originais, combinou post-bop e funk, com Randy no trompete e Michael no saxofone tenor. Na sua crítica para o AllMusic, Scott Yanow destacou os solos dos dois irmãos e a participação da WDR Big Band, que acrescentou 14 instrumentos de sopro e uma guitarra à formação.

Brecker co-liderou posteriormente a Soul Bop Band com o saxofonista Bill Evans, realizando digressões com o grupo nos verões de 2004 e 2005. A formação incluía Hiram Bullock na guitarra, David Kikoski nos teclados, Victor Bailey no baixo e Steve Smith na bateria. O repertório, composto por temas originais de Brecker, Evans e Bullock, combinava jazz e funk e foi documentado no álbum duplo Soul Bop Band Live, gravado em 2004.
Ainda em 2006, Brecker colaborou com a Pirineos Jazz Orchestra em Transatlantic Connection, projeto dirigido por Iñaki Askunze. O repertório combinou composições de Brecker, entre elas «Above and Below», «Harpoon» e «Free Fall», com temas de outros autores, incluindo Pat Metheny, Herbie Hancock e Joe Zawinul, recorrendo a arranjos de diversos músicos.
Em 2008, Brecker lançou Randy in Brasil, gravado no Brasil em novembro de 2006 e produzido por Ruriá Duprat, com a participação de vários músicos brasileiros, entre os quais Robertinho Silva, André Mehmari, Teco Cardoso, Sizão Machado e Ricardo Silveira. Na sua crítica para o AllMusic, Thom Jurek caracterizou o trabalho sobretudo como um álbum de jazz contemporâneo influenciado pelo samba, combinando elementos da música brasileira com funk e arranjos contemporâneos.
Em 2009, Brecker lançou Nostalgic Journey: Tykocin Jazz Suite, obra composta pelo pianista polaco Włodek Pawlik e gravada no ano anterior com o trio de Pawlik e a Orquestra Sinfónica da Ópera e Filarmónica de Podlasie, em Białystok. O projeto esteve ligado às origens familiares de Brecker em Tykocin, região da Polónia onde o seu avô vivera antes de emigrar para os Estados Unidos, combinando o seu trompete e um trio de jazz com formação sinfónica.
Em 2010, Brecker participou em The Latin Side of Herbie Hancock, projeto do trombonista e arranjador Conrad Herwig dedicado à reinterpretação de composições de Herbie Hancock numa abordagem afro-cubana, com a participação do pianista Eddie Palmieri. Na sua crítica para o AllMusic, Thom Jurek destacou a atuação de Brecker em «Oliloqui Valley» e o seu solo em «The Sorcerer». No mesmo ano foi lançado Inner Mission, do saxofonista Richard Cole, gravado em 2005, no qual Brecker participou como trompetista. Na crítica do álbum para o AllMusic, Adam Greenberg destacou «Slow Hot Wind» como um espaço para os solos exploratórios de Cole e Brecker.
Em 2011, Brecker lançou The Jazz Ballad Song Book, gravado no ano anterior com a DR Big Band e a Danish National Chamber Orchestra. O álbum reuniu standards, temas de cinema e composições do próprio Brecker, com arranjos de vários músicos, entre eles Vince Mendoza. Na crítica para o AllMusic, Ken Dryden destacou a interpretação de Brecker em «Someday My Prince Will Come» e o seu solo em «Goldfinger», considerando o álbum um exemplo das suas colaborações com grandes formações europeias.

Em 2013, Brecker retomou o repertório e o legado dos Brecker Brothers com The Brecker Brothers Band Reunion, projeto iniciado após reunir vários músicos que haviam integrado diferentes formações do grupo. Sem constituir uma reunião dos Brecker Brothers propriamente ditos, devido à morte de Michael Brecker em 2007, a nova formação contou com antigos colaboradores como Mike Stern, George Whitty e Dave Weckl, além da saxofonista Ada Rovatti. O álbum, lançado em 2013, prolongou a vertente jazz-funk e fusion associada ao grupo e incluiu várias composições de Randy Brecker.
Nesse mesmo ano, Brecker voltou a colaborar com o pianista e compositor polaco Włodek Pawlik em Night in Calisia, obra escrita no âmbito das comemorações dos 1850 anos da cidade de Kalisz e interpretada com o trio de Pawlik e a Orquestra Filarmónica de Kalisz. O álbum recebeu em 2014 o Grammy de Melhor Álbum de Grande Ensemble de Jazz.
Em 2015, Brecker lançou Randypop!, projeto em que revisitou temas de artistas com quem havia trabalhado anteriormente como músico de estúdio, incluindo Paul Simon, Todd Rundgren, James Brown e Bruce Springsteen. Gravado no Blue Note de Nova Iorque com um grupo que incluía Kenny Werner, David Sánchez, Adam Rogers, John Patitucci e Nate Smith, o álbum retomou também «I Can't Quit Her», de Al Kooper, tema do álbum Child Is Father to the Man (1968), dos Blood, Sweat & Tears, uma das primeiras gravações de destaque da carreira de Brecker. Na JazzTimes, Jeff Tamarkin destacou a forma como os novos arranjos se afastavam das gravações originais, reinterpretando esse repertório a partir da linguagem jazzística de Brecker e do grupo.
Em 2018, Brecker colaborou com o compositor e arranjador sueco Mats Holmquist em Together, gravado com a UMO Jazz Orchestra, da Finlândia. Embora o trompete de Brecker esteja presente ao longo do álbum, a conceção musical assenta principalmente nas composições e nos arranjos de Holmquist. Na JazzTimes, J.D. Considine destacou «My Stella», que proporciona a Brecker amplo espaço para improvisação, e «One Million Circumstances», cujo solo de trompete constitui um dos elementos centrais da composição.
Em 2019, Brecker voltou ao repertório dos Brecker Brothers em Rocks, gravado com a NDR Bigband e com a participação dos saxofonistas David Sanborn e Ada Rovatti. O álbum reuniu temas do período histórico do grupo com composições retomadas de The Brecker Brothers Band Reunion (2013), em novos arranjos orquestrais de Jörg Achim Keller. Na crítica para o All About Jazz, Angelo Leonardi destacou as novas versões de «Squids» e «Rocks», bem como as intervenções de Brecker no fliscorne e de Rovatti no saxofone soprano em «Adina».