| Nome | Clube Sportivo Mindelense |
|---|---|
| Alcunhas | Leões da Rua da Praia Leões do Norte Encarnados |
| Principal rival | Académica do Mindelo FC Derby |
| Fundação | 25 de maio de 1919 oficializado em 25 de maio de 1922 |
| Estádio | Estádio Municipal Adérito Sena |
| Localização | Mindelo, São Vicente, Cabo Verde |
| Presidente | Franklim Spencer |
| Treinador(a) | Américo Medina |
| Competição | Campeonato Regional de São Vicente |
Clube Sportivo Mindelense, geralmente referido como Mindelense, é um clube desportivo cabo-verdiano sediado na cidade do Mindelo, na ilha de São Vicente, cuja principal modalidade é o futebol. A agremiação surgiu em 25 de maio de 1919 e foi formalizada em 25 de maio de 1922, com a aprovação dos seus primeiros estatutos pela Portaria n.º 95. Até então, era conhecida como Naval. A equipa de futebol manda habitualmente os seus jogos no Estádio Municipal Adérito Sena, no Mindelo.
Historicamente, o Mindelense é o clube mais titulado do futebol cabo-verdiano. No Campeonato Cabo-Verdiano de Futebol, conquistou 19 títulos oficialmente contabilizados pela Federação Cabo-Verdiana de Futebol, além de três conquistas anteriores ao início da competição oficial reivindicadas pelo clube. O seu palmarés nacional inclui ainda três edições da Taça de Cabo Verde, conquistadas em 1982, 2024 e 2026, às quais se somam numerosos títulos do Campeonato de São Vicente, da Taça de São Vicente, da Supertaça e do Torneio de Abertura da ilha.
A trajetória do clube também compreende participações em competições realizadas fora do âmbito cabo-verdiano. Durante o período colonial, participou da Taça de Portugal de 1971, enfrentando o Sporting Clube de Portugal no Estádio José Alvalade, em Lisboa. Depois da independência, representou Cabo Verde na então Taça dos Clubes Campeões Africanos de 1993, principal competição continental de clubes da Confederação Africana de Futebol, sendo eliminado pelo ASAC Ndiambour, do Senegal, na fase preliminar.
No futebol de São Vicente, o Mindelense mantém rivalidades históricas sobretudo com a Académica do Mindelo e o FC Derby. O confronto com a Académica é tradicionalmente referido como um dos principais clássicos do futebol sanvicentino, enquanto os encontros com o Derby também decidiram competições regionais e nacionais, incluindo a final do Campeonato Cabo-Verdiano de 2015. Além da equipa principal masculina, o clube possui registos de atividade no futebol de formação e feminino e em modalidades como voleibol e xadrez.
A história do Mindelense remonta a 25 de maio de 1919, data em que surgiu no Mindelo. Três anos mais tarde, em 25 de maio de 1922, a agremiação foi formalizada com a aprovação dos seus primeiros estatutos pela Portaria n.º 95. Até então, utilizava a designação Naval e mantinha a sede no início da Rua de Morguino. Os estatutos definiam como finalidades a promoção da prática desportiva e da educação física, bem como a realização de atividades culturais e recreativas entre associados e atletas.
No plano competitivo, o primeiro campeonato regional conquistado pelo Mindelense foi o de 1938.
A partir da década de 1950, com uma sequência mais regular de campeões nas competições de âmbito cabo-verdiano, o Mindelense alcançou o seu primeiro título nacional oficial em 1955–56. Repetiu a conquista em 1959–60 e 1961–62 e, posteriormente, voltou a vencer em 1965–66, 1967–68 e 1970–71, somando seis títulos antes da independência.
Já em 1971, o Mindelense participou da Taça de Portugal, na qual enfrentou o Sporting Clube de Portugal no antigo Estádio José Alvalade, em Lisboa. Disputado em 23 de maio, o encontro terminou com vitória sportinguista por 21–0, placar que permaneceu como recorde de goleada na competição portuguesa. Entre os jogadores mindelenses daquela campanha, estavam Djosa Uim, Ti Naiss, Duca, Armando Tchukim, Toy Bodim, Ibraltino e Djobla.
Após a independência de Cabo Verde, em 1975, o Mindelense manteve-se entre os vencedores do campeonato nacional e conquistou as duas primeiras edições do novo período, em 1975–76 e 1976–77. O clube voltou ao título em 1980–81. Na temporada seguinte, em 1982, obteve a sua primeira Taça de Cabo Verde ao derrotar o Morabeza, da Brava, na final.
Na segunda metade da década de 1980, o Mindelense iniciou novo ciclo de conquistas nacionais, com títulos em 1987–88, 1989–90 e 1991–92. A conquista de 1991–92 levou o clube à sua participação conhecida nas competições continentais africanas. Em 1993, disputou a então Taça dos Clubes Campeões Africanos, principal competição de clubes da Confederação Africana de Futebol e antecessora da atual Liga dos Campeões da CAF. Na fase preliminar, enfrentou o ASAC Ndiambour, campeão do Senegal, empatando uma das partidas por 1–1 e perdendo a outra por 2–1, sendo eliminado por 3–2 no resultado agregado. Depois de um intervalo de seis temporadas sem conquistar o Campeonato Cabo-verdiano, voltou ao título nacional em 1997–98.
Em 2010–11, após treze anos sem vencer a competição, o Mindelense voltou a ser campeão de Cabo Verde. Na final contra o Sporting da Praia, venceu a primeira mão na Praia por 1–0 e empatou a segunda por 0–0 em 9 de julho de 2011, assegurando o título. Vozinha foi distinguido como guarda-redes menos batido, Fufura como melhor marcador, Almara como melhor treinador e Adilson Nascimento como melhor dirigente; o capitão Nhambú recebeu a taça de campeão.
Dois anos depois, em 2012–13, o Mindelense regressou à final nacional, desta vez contra a Académica do Porto Novo. Sob orientação de Bubista, venceu a primeira mão por 3–0 no Estádio Adérito Sena, com dois golos de Adyr e um de Dukinha. Na segunda partida, o empate por 2–2 foi suficiente para confirmar a conquista.
Na época seguinte, já com Rui Alberto Leite como treinador, o Mindelense voltou a alcançar a final nacional, tendo pela frente a Académica do Fogo. A vitória por 2–1 na primeira mão permitiu que o empate por 0–0 no encontro decisivo garantisse o campeonato pelo agregado de 2–1. Ao fim da competição, Tóll foi eleito o melhor guarda-redes, enquanto Rui Leite recebeu a distinção de melhor treinador.
A sequência prosseguiu em 2014–15. Depois de conquistar o campeonato regional, o Mindelense voltou à final do Nacional, desta vez diante do Derby. A primeira mão terminou empatada por 1–1, placar que se repetiu no segundo jogo e permaneceu inalterado após o prolongamento. No desempate por grandes penalidades, o Mindelense saiu vencedor e alcançou o terceiro campeonato nacional consecutivo. A época também ficou marcada pela conquista da Taça de São Vicente, com vitória por 3–2 sobre o Amarante na final, completando a dobradinha regional. Já no arranque da temporada seguinte, o clube acrescentou a Supertaça de São Vicente ao palmarés ao derrotar novamente o Amarante, desta vez por 2–1.
Naquele período, o calendário da Associação de Futebol de São Vicente compreendia, além do campeonato e da Taça de São Vicente, a Supertaça e a chamada Taça Associação. Esta última correspondia ao antigo Torneio de Abertura e era disputada, então, pelos clubes da primeira divisão em sistema de todos contra todos a uma volta.
Em 2015–16, a equipa alcançou a quarta final nacional consecutiva e reencontrou a Académica do Porto Novo. Depois de perder a primeira mão por 1–0 no Mindelo, recuperou a eliminatória em Santo Antão e levou a decisão para os pontapés da marca de grande penalidade. A vitória no desempate assegurou ao Mindelense o quarto título consecutivo e o tetracampeonato nacional.
Em 2018, sob Rui Alberto Leite, o clube conquistou o quarto campeonato regional consecutivo. No Campeonato Nacional, terminou o Grupo A com dez pontos, um a menos que a Académica da Praia, e avançou às meias-finais como o melhor segundo classificado. A campanha prolongou-se até à decisão, na qual voltou a enfrentar a Académica da Praia. Após empate no tempo regulamentar, o Mindelense sofreu dois golos no prolongamento e perdeu por 2–0, encerrando a prova como vice-campeão nacional.
No ano seguinte, que marcou o centenário da sua criação, o Mindelense realizou uma das temporadas mais vitoriosas da sua história recente. A equipa começou por conquistar o Torneio de Abertura de São Vicente, terminando a prova com 15 pontos depois de vencer o Derby por 1–0 na última jornada. Seguiram-se as conquistas do campeonato regional e da Taça de São Vicente, fazendo com que o clube chegasse ao Campeonato Nacional já detentor das principais provas da época na ilha.
Na fase de grupos do Campeonato Nacional, terminou na liderança do Grupo A, com onze pontos, e avançou até à final contra o Oásis Atlântico. A decisão, realizada no Estádio Marcelo Leitão, terminou com vitória mindelense por 3–1. Catchupa colocou o Oásis em vantagem no início da segunda parte, mas Pibip empatou e Papalelé marcou duas vezes para completar a reviravolta. A conquista correspondeu ao 19.º título oficial da equipa de acordo com a Federação Cabo-Verdiana de Futebol; paralelamente, o clube contabilizava outras três conquistas anteriores ao início da competição oficial.
A sequência de troféus regionais prolongou-se pela época seguinte. Em outubro de 2019, o Mindelense conquistou a Supertaça de São Vicente ao vencer os Falcões do Norte por 2–0, com golos de Ailton e Toy Adão. Em dezembro, revalidou também o Torneio de Abertura: precisava vencer o Castilho por uma diferença superior a quatro golos na última jornada e triunfou por 5–0, chegando aos mesmos 17 pontos do Batuque e ficando com o troféu pelo maior número de golos marcados.
A temporada regional de 2019–20 foi interrompida pela pandemia de COVID-19. Em junho de 2020, a Associação Regional de Futebol de São Vicente decidiu anular a época, sem atribuição do título nem despromoções. No momento da suspensão, quando ainda restavam duas jornadas, o Mindelense ocupava a terceira posição, com 20 pontos.
Com a retomada das competições, o Mindelense voltou ao primeiro lugar regional em 2021–22, encerrando o campeonato de São Vicente com 31 pontos, um a mais que a Académica do Mindelo. Na época seguinte, renovou o título com a mesma pontuação. No Campeonato Nacional de 2023, liderou o Grupo A com 14 pontos e avançou às meias-finais, nas quais enfrentou o Palmeira. Depois de empatar a primeira mão por 2–2, perdeu o jogo de volta por 2–1 no Estádio Adérito Sena e foi eliminado.
No campeonato de São Vicente de 2023–24, o Mindelense terminou como vice-campeão, com 33 pontos, um atrás do Derby. Apesar do segundo lugar no campeonato, conquistou a Taça de São Vicente ao vencer o São Pedro por 3–0, garantindo a representação da ilha na Taça de Cabo Verde. Na competição nacional, alcançou a final de 5 de julho, disputada no Estádio Marcelo Leitão, e derrotou o Palmeira por 2–1, com dois golos de Jon, conquistando o troféu pela segunda vez.
No plano diretivo, Franklim Spencer foi eleito presidente em novembro de 2024 para um mandato de três anos, sucedendo Daniel Jesus. Ainda naquele mês, já no plano desportivo, o Mindelense conquistou o Torneio de Abertura de São Vicente ao derrotar o Derby por 2–0 na final.
A conquista da Taça regional permitiu ao Mindelense disputar a Supertaça de São Vicente no início de 2024–25 contra o Derby, campeão regional. Um golo de João aos 41 minutos deu aos encarnados a vitória por 1–0 e o primeiro troféu da nova época. Em novembro, conquistou também o Torneio de Abertura ao derrotar novamente o Derby, desta vez por 2–0 na final, com golos de Tiago e Malick.
Na época de 2024–25, sob o comando de Américo Medina, o Mindelense recuperou também o campeonato regional. Mindelense e Derby concluíram as 14 jornadas com 30 pontos, e o título ficou com os encarnados pelo melhor goal-average. A campanha foi encerrada sem derrotas, com oito vitórias e seis empates, além de 30 golos marcados e sete sofridos. Três dias depois, a vitória por 3–0 sobre os Falcões do Norte valeu também a Taça de São Vicente e uma nova dobradinha regional. No Campeonato Nacional, contudo, a equipa não superou a fase inicial, apesar de vencer a Académica da Praia por 5–2 na última jornada.
A temporada de 2025–26 começou com mais uma conquista regional. Em novembro, o Mindelense derrotou os Falcões do Norte por 4–1 e venceu a Supertaça de São Vicente. No campeonato, garantiu depois o bicampeonato com três jornadas de antecedência e terminou as 14 jornadas invicto, com 36 pontos. Dois dias depois do encerramento do campeonato, em 15 de abril, goleou o Ribeira Bote por 4–0 e conquistou novamente a Taça de São Vicente, completando outra dobradinha.
Ainda em 2026, o Mindelense avançou na Taça de Cabo Verde após eliminar Belo Horizonte e Sanjoanense. Na final, disputada em 2 de maio no Estádio Marcelo Leitão, venceu o Grémio de Nhagar por 2–0: Bis abriu o marcador aos 19 minutos e um autogolo definiu o resultado ainda na primeira parte. Paralelamente, no Campeonato Nacional, terminou a fase de liga na segunda posição, com 15 pontos, um a menos que o Palmeira. A equipa superou a Académica do Porto Novo nas meias-finais e alcançou a decisão de 4 de julho contra o Palmeira. Após empate por 2–2, perdeu o desempate por grandes penalidades por 3–2 e encerrou a competição como vice-campeã. Bis terminou a prova como melhor marcador.
O Mindelense manda habitualmente os seus jogos em São Vicente no Estádio Municipal Adérito Sena, situado no Mindelo. A sede social do clube localiza-se na Rua da Praia d'Bote. Em 2024, a direção presidida por Franklim Spencer incluiu entre os seus projetos a preparação de um centro de estágio, cuja concretização ainda dependia da obtenção de um terreno.
Além da equipa principal masculina, o Mindelense mantém registos competitivos noutras categorias e modalidades. A formação sub-17 foi vice-campeã nacional em 2015, enquanto, no futebol feminino, o clube conquistou o campeonato de São Vicente e terminou como vice-campeão nacional em 2013. Em 2019, a direção também recordou a existência de uma equipa de voleibol que conquistara um título nacional em período anterior. Já em 2021, a secção de xadrez venceu o campeonato regional de São Vicente por equipas.
No futebol de São Vicente, o Mindelense mantém rivalidades históricas com a Académica do Mindelo e o FC Derby.
O confronto com a Académica do Mindelo é considerado o principal clássico do futebol sanvicentino. Em âmbito nacional, os dois clubes enfrentaram-se no Campeonato Nacional de 1989 — no qual a Académica avançou pelo critério de golos fora após dois empates — e voltaram a cruzar-se na edição de 2022. As equipes mantêm disputas frequentes no Campeonato de São Vicente e no Torneio de Abertura.
Outro rival tradicional do clube é o FC Derby, com quem protagoniza um dos jogos de maior relevância local. Em 2015, a rivalidade decidiu o Campeonato Cabo-Verdiano: após empates por 1–1 nos dois jogos e no prolongamento, o Mindelense venceu no desempate por grandes penalidades e conquistou o tricampeonato nacional. Posteriormente, voltaram a decidir a Supertaça de São Vicente e a final do Torneio de Abertura de 2024 (ambos vencidos pelo Mindelense), além do Campeonato Regional de 2024–25, no qual terminaram empatados em pontos, com o título atribuído ao Mindelense pelo goal-average.
| Nome | De | Até | Troféus | Referências |
| Não determinado | Não determinado | 1 Taça de Cabo Verde (1982) | ||
| Não determinado | Não determinado | |||
| 2000 | Não determinado | |||
| 2011 | 2011 | 1 Campeonato de Cabo Verde | ||
| 2013 | 2013 | 1 Campeonato de Cabo Verde | ||
| 2014 | Fevereiro de 2022 | 4 Campeonatos de Cabo Verde, 5 Campeonatos de São Vicente | ||
| Fevereiro de 2022 | Não determinado | 1 Campeonato de São Vicente | ||
| 2023 | Presente | 3 Campeonatos de São Vicente, 2 Taças de Cabo Verde, 1 Taça de São Vicente |
| Competição | Títulos | Épocas/anos |
|---|---|---|
| Campeonato de Cabo Verde — antes da independência | 6 | 1955–56, 1959–60, 1961–62, 1965–66, 1967–68, 1970–71 |
| Campeonato de Cabo Verde — após a independência | 13 | 1975–76, 1976–77, 1980–81, 1987–88, 1989–90, 1991–92, 1997–98, 2010–11, 2012–13, 2013–14, 2014–15, 2015–16, 2018–19 |
| Taça de Cabo Verde | 3 | 1982, 2024, 2026 |