| Vulcão da Caldeira (ou Vulcão do Cabeço Gordo) | |
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O Vulcão da Caldeira visto do espaço. | |
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| Ponto mais alto | |
| Coordenadas | 38° 35′ 09″ N, 28° 42′ 54″ O |
| Altitude | 1 043 m |
| Proeminência | 1 043 m |
| Tipo | Estratovulcão com caldeira central |
| Geografia | |
| Localização | Ilha do Faial, Açores |
| Geologia | |
| Cordilheira | Dorsal Média do Atlântico/Linha de Fratura Faial-Pico |
| Última erupção | 1958 |





Vulcão da Caldeira (ou Vulcão do Cabeço Gordo, mais raramente Vulcão do Faial) é a montanha mais alta, um enorme estratovulcão e a maior estrutura geomorfológica que forma a ilha do Faial. O ponto mais alto da montanha, o Cabeço Gordo, atinge 1043 m de altitude acima do nível do mar. Uma das características mais notáveis deste vulcão é a sua caldeira com dois quilómetros de largura e cerca de 400 m de profundidade média abaixo do bordo do cratera (470 m entre o ponto mais profundo e o Cabeço Gordo, o ponto mais alto do bordo).
O Vulcão Caldeira é a principal unidade geomorfológica da ilha do Faial, correspondendo a um grande estratovulcão central poligenético encimado por uma caldeira vulcânica, a Caldeira do Faial, com dois quilómetros de diâmetro no topo e um quilómetro de diâmetro na base. As paredes dos bordos da caldeira são abruptas, embora a inclinação das suas encostas diminua com a altitude. A cobertura superficial do vulcão está revestida de material piroclástico, como pedra-pomes e depósitos freáticos e freatomagmáticos, evidência de fluxos piroclásticos e lahars. As vertentes do estratovulcão incluem também o Morro de Castelo Branco e uma península de material mais denso, que resistiu à erosão, que se prolonga para oeste e se encontra largamente recoberta por materiais mais recentes provenientes das erupções do Complexo Vulcânico do Capelo (de génese distinta).
O Vulcão da Caldeira é uma estrutura grosseiramente troncocónica, ocupando uma área emersa de cerca de 114 km2, mais alongada no seu eixo norte-sul (cerca de 14 km entre a Ponta de Castelo Branco, na costa sul, e a falésia costeira dos Cedros, na costa norte) do que no sentido este-oeste (com cerca de 10 km entre o graben de Pedro Miguel, a leste, e a região do Cabeço Verde, a oeste).
O vulcão emergiu sobre a linha de fratura Faial-Pico, instalando-se a oeste do Vulcão da Ribeirinha, um vulcão em escudo muito desmantelado pela tectónica associada à linha de fratura e parcialmente submerso sob o canal Faial-Pico (uma parte da estrutura emerge na ilha do Pico, na costa a sudoeste do aeroporto daquela ilha). Os materiais oriundos do Vulcão da Caldeira recobriram parcialmente aquela estrutura mais antiga, sendo pouco clara a fronteira entre este e o Vulcão da Ribeirinha.
Como é comum nas ilhas do Grupo Central dos Açores, a ilha do Faial desenvolveu-se sequencialmente de leste para oeste. Em consequência o extremo oeste do Vulcão da Caldeira encontra-se recoberto por estruturas basálticas mais recentes, associadas ao Complexo Vulcânico do Capelo, não sendo também aí claro o limite da estrutura dado o espesso recobrimento por materiais basálticos fissurais mais recentes. Contudo, uma análise das costas noroeste e sudoeste parece indicar que a estrutura terminaria por uma alta falésia entre a Ribeira do Cabo e a falésia a oeste da Praia do Norte.
A costa sul do Vulcão da Caldeira é baixa e relativamente indistinta até atingir o Morro de Castelo Branco, infletindo aí para noroeste e transformando-se na falésia a pique, com cerca de 200-250 m de altura, que forma a Baía do Varadouro, até desaparecer a oeste do povoado da Ribeira do Cabo (Capelo) sob as escoadas lávicas que originaram a fajã do Varadouro. Na costa norte, a falésia costeira é sempre elevada, atingindo a sua máxima altitude, acima dos 300 m, na região do Miradouro da Ribeira das Cabras. A partir daí a falésia transforma-se numa alta arriba fóssil que inflete para sudoeste, já que as erupções fissurais do Complexo Vulcânico do Capelo deram origem à Fajã da Praia do Norte, separando-a do mar. A arriba fóssil mergulha sob os materiais basálticos mais recentes da região do Cabeço Verde e Cabeço do Fogo.
Ao longo da margem oeste do Vulcão da Ribeirinha, o Complexo Vulcânico Central do Faial formou-se há cerca de 410 000 anos, juntamente com várias estruturas que surgiram devido à tectónica associada à linha de fratura Faial-Pico. A evidência deste processo não se preservou devido ao abatimento, mas acredita-se geralmente que duas formações (um grupo «Superior» e um «Inferior») refletem uma variação geoquímica ocorrida há cerca de 16 000 anos. O grupo «Inferior» (datado de há 410 000 anos) caracterizou-se pelo predomínio de um processo eruptivo que alternou episódios do tipo havaiano e estromboliano, composto por rochas basálticas e benmoreíticas. O grupo secundário, o «Superior», foi um período altamente explosivo (de caráter sub-pliniano), que produziu uma série de pelo menos doze depósitos de pedra-pomes e depósitos de correntes piroclásticas (fluxos piroclásticos de natureza traquítica e benmoreítica).
A altitude máxima do vulcão foi reduzida em cerca de 300 m devido a uma erupção que ocorreu há cerca de 1000 anos. Este foi um dos últimos grandes eventos explosivos registados nos Açores.
Após este violento episódio vulcânico mais de 40% da área do Faial ficou coberta com materiais piroclásticos e a maior parte da cobertura vegetal (senão a totalidade) soterrada, arrancada ou destruída pela queda de cinzas. Alguma desta vegetação encontra-se representada por abundantes troncos carbonizados englobados no depósito ignimbrítico que resultou desta erupção. Seguiram-se vários episódios de enxurrada (lahars) que resultaram de precipitação intensa sobre o relevo íngreme e desflorestado, coberto por materiais incoerentes, que resultou deste episódio pliniano. Alguns destes depósitos encontram-se expostos nas arribas da costa norte e nordeste da ilha, nomeadamente na praia da Fajã Grande.
Embora o vulcão central não tenha estado ativo nos últimos dois séculos, registou-se atividade hidromagmática relacionada com a erupção dos Capelinhos (1957–1958). Durante este período, as fumarolas na caldeira tornaram-se ativas, emitindo potentes nuvens de vapor e os pequenos lagos e pântanos ali existentes secaram devido ao calor.
O vulcão, devido à sua natureza central, faz parte de cada freguesia da ilha (exceto Matriz, Conceição e Angústias, as freguesias urbanas da cidade da Horta).
O topónimo Vulcão da Caldeira tem como origem a presença de uma grande e profunda caldeira vulcânica formada no topo do atual vulcão central da ilha do Faial. A caldeira apresenta cerca de 2,1 km de diâmetro médio, uma profundidade média de 400 m e uma forma quase perfeitamente circular. O seu rebordo situa-se a altitudes que variam entre os 1043 m (no Cabeço Gordo) e os 874 m (no bordo norte). O fundo, aplanado, situa-se abaixo da cota dos 600 m, com o ponto mais profundo nos 573 m acima do nível médio do mar, o que corresponde a uma profundidade média de cerca de 400 e a um máximo de 470 m de desnível entre o ponto mais profunda da caldeira, na pequena lagoa situada no seu extremo leste, e o topo do Cabeço Gordo.
As paredes da caldeira são íngremes, apresentando-se quase verticais a leste, norte e oeste, talhadas em derrames lávicos constituídos por afloramentos de basaltos e benmoreítos até cerca de meia altura e depósitos de pedra pomes na metade superior. A escassez de depósitos de vertente no sopé das paredes, apesar destas serem ricas na sua parte superior em pomitos, escórias vulcânicas e outros materiais pouco consolidados, indica uma formação muito recente, estimada em torno dos 1 200 a 1 000 anos.
No fundo da caldeira está presente um cone de escórias, constituído por material basáltico, que emitiu um pequeno derrame lávico, cujos pontos mais elevados emergem do escasso preenchimento sedimentar, e um domo traquítico (conhecido por Rocha do Altar). A parte mais profunda e aplanada é ocupada por uma zona húmida, maioritariamente constituída por uma turfeira e duas pequenas lagoas de regime intermitente. Esta zona húmida constituiu outrora uma lagoa, drenada em 1958 durante a atividade sísmica associada à erupção dos Capelinhos, da qual resultou uma erupção hidromagmática no interior da Caldeira, dando ao fundo a atual configuração.
A formação e evolução da Caldeira do Faial resulta da própria evolução geológica do vulcão central do Faial, a qual se estima tenha resultado de duas fases eruptivas consecutivas de natureza e estilo distintos: (1) uma primeira fase correspondente à instalação de um centro eruptivo sobre a Linha de Fratura Faial-Pico, de carácter predominantemente efusivo, que originou um edifício do tipo vulcão escudo essencialmente constituído por derrames lávicos, cuja atividade se desenrolou desde há cerca de 410 000 anos até 10 000 anos atrás; (2) uma segunda fase, resultante de uma mudança de estilo eruptivo, que passou a ser quase exclusivamente explosiva, originando os vastos depósitos de pedra pomes e outros materiais piroclásticos que cobrem a quase totalidade da ilha do Faial. A formação da grande caldeira vulcânica ocorreu durante a fase mais recente, parecendo ser o resultado de dois episódios de colapso distintos: (1) um episódio inicial, de que apenas resta o bordo sul da caldeira e uma doma traquítica, conhecida por Rocha do Altar, que se terá formado no interior da caldeira na fase terminal da erupção pliniana que originou o colapso; e (2) um segundo evento causado por outra erupção muito violenta que ocorreu há cerca de 1200 anos atrás. Este segundo evento corresponde a uma erupção pliniana, uma das mais violentes que terão atingido o arquipélago nos últimos milénios, cujos produtos se encontram dispersos pelos flancos norte e leste do vulcão, iniciada por atividade freatomagmática com explosões rítmicas, seguindo-se o estabelecimento de uma coluna eruptiva sustentada que deu origem a queda de pedra pomes que recobriu a quase totalidade da ilha. No topo da pedra pomes observam-se níveis com características freatomagmáticas alternando com pedra pomes de queda, sugerindo instabilidade da coluna eruptiva. Finalmente ocorreu colapso da coluna com emissão de volumoso ignimbrito que se dirigiu para norte (os seus depósitos encontram-se preservados desde a Fajã da Praia do Norte até ao Salão) e para leste, pelo interior do Graben de Pedro Miguel, canalizado entre as escarpas da Espalamaca e Lomba Grande. É provável que o colapso da caldeira tenha ocorrido durante ou imediatamente após a emissão do ignimbrito. Após a formação da caldeira ocorreu pelo menos mais um episódio explosivo na caldeira. Este último episódio, ocorrido há cerca de 1000 anos, foi menos poderoso, não deixando depósitos volumosos. Posteriormente, ocorreu uma erupção basáltica, provavelmente já relacionada com o Complexo Vulcânico do Capelo, que levou à formação do cone de escórias e da pequena escoada lávica basáltica existente no fundo da Caldeira.
A alteração dos materiais que constituem o fundo da caldeira, associada à deposição de sedimentos oriundos das paredes da depressão, originaram a impermeabilização das zonas mais deprimidas e a formação de uma lagoa, descrita por Gaspar Frutuoso nas suas Saudades da Terra. A erupção dos Capelinhos originou prolongadas crises sísmicas, a mais intensa das quais, em maio de 1958, originou a rutura da camada impermeável que mantinha a lagoa, levando ao seu desaparecimento. No processo, a infiltração das águas para o interior do edifício vulcânico desencadeou fortes explosões freáticas e a ocorrência de poderosa atividade fumarólica temporária. Este episódio originou a presente configuração do fundo da Caldeira, dando origem a uma extensa turfeira na qual se anicham duas pequenas lagoas que quase desaparecem nos períodos de menor precipitação.
A Caldeira do Faial é um geossítio prioritário do Geoparque Açores, com relevância nacional e significativo valor científico, pedagógico e turístico. A Caldeira do Faial foi a primeira área protegida dos Açores, criada a 7 de março de 1972 com o estatuto de reserva integral, incluída presentemente o Parque Natural do Faial como Reserva Natural da Caldeira do Faial.
Adossado à falésia interna da Caldeira situa-se um volumoso domo vulcânico, com o topo a 889 m de altitude, constituído por rocha traquítica superficialmente muito alterada, de coloração cinzento-esbranquiçada (félsica), muito semelhante à que constitui o Morro de Castelo Branco (o único outro domo vulcânico que se conhece no Faial).
Esta estrutura, conhecida por Rocha do Altar, ter-se-á formado no interior da caldeira na fase terminal da poderosa erupção pliniana que originou o colapso do vulcão, durante a mudança na atividade do vulcão central que se iniciou há cerca de 10 000 anos, a qual gerou grandes depósitos de pedra-pomes, que recobriram a quase totalidade da ilha e provocou o abatimento do topo da câmara magmática.
A Rocha do Altar encontra-se em parte encastrada no bordo da Caldeira, com algum recobrimento por piroclastos pomíticos depositados por eventos eruptivos posteriores. A sua base e parte dos flancos estão recobertas por um depósito clástico em cunha (uma pequena cunha detrítica) resultante da meteorização e consequente desagregação dos traquitos que constituem o domo.
A estrutura apresenta um denso e variado coberto vegetal, rico em endemismos açorianos.
O rebordo da Caldeira do Faial, que é também a linha de cumeeiras do Vulcão da Caldeira, desenvolve-se ao longo de um conjunto de elevações, designadas por «cabeços», com altitudes que variam entre os 1043 m no bordo su-sudoeste (no Cabeço Gordo) e os 874 m (no bordo norte).
O Cabeço Gordo, com os seus 1043 m de altitude acima do nível médio do mar, é também o ponto mais elevado da ilha do Faial. Apesar desta grande elevação, o monte eleva-se apenas 43 m acima da superfície da rechã em que assenta, na cumeada sul da Caldeira, no território da freguesia de Castelo Branco. O Cabeço Gordo é constituído por uma grande massa de material pomítico, na sua maioria pedra pomes sob a forma de uma bagacina esbranquiçada, depositada durante o último episódio explosivo do Vulcão da Caldeira, ocorrido há cerca de 1000 anos.
O topo do monte é acessível por um estradão florestal que dá acesso ao centro de radiodifusão ali instalado. Também o trilho pedestre que contorna a Caldeira (PRC04FAI) atravessa a sua cumeada. No topo da elevação situa-se o Miradouro do Cabeço Gordo.
As restantes elevações ao longo da cumeeira são menos pronunciadas, mas ainda assim dão origem a um conjunto de topónimos, entre os quais o Alto do Brejo, o Alto do Cabouco, o Canto dos Banquinhos (erradamente referido em alguma cartografia como «Canto dos Saquinhos»), a Lomba de Baixo e o Alto do Guarda-Sol, entre outros.
Na zona de chegada da estrada florestal que dá acesso ao bordo da Caldeira foi escavado um pequeno túnel que dá acesso ao Miradouro da Caldeira, situado num recesso da falésia interior da caldeira.
Apesar de ocupar a maioria do território da ilha do Faial, constituindo toda a parte central da ilha desde a costa sul à costa norte, o Vulcão da Caldeira é comparativamente pobre em cones adventícios, apresentando-se essencialmente como uma estrutura de linhas lisas, apenas marcada por profundas ravinas criadas pelas ribeiras que drenam as suas encostas, em boa parte em resultado da grande espessura dos depósitos pomíticos, pouco densos, que o recobrem.
Na vertente norte do vulcão os únicos cones adventícios com alguma expressão são o Rinquim e cone anexo, com 543 m de altitude, localizado a su-sudoeste da localidade de Ribeira Funda, e o Alto do Inverno, com 545 m de altitude, situado imediatamente a leste daquele.
Na vertente sul, o cone adventício com maior expressão é o Morro de Castelo Branco, um imponente domo traquítico parcialmente coberto por piroclastos pomíticos (pedra pomes) do Vulcão da Caldeira. Devido à erosão marinha, forma uma península cujas arribas quase verticais mergulham diretamente nas águas do mar. Na parte superior do domo, a rocha traquítica apresenta-se muito alterada, evidenciando, por isso, uma coloração esbranquiçada (daí a designação do morro) e aspeto sacaroide. Dada a sua localização e proeminência em relação ao território circundante, é visível de grande parte da costa sul e sudoeste da ilha. O domo constitui um geossítio prioritário do Geoparque Açores, com relevância nacional e interesse científico, pedagógico e geoturístico. A estrutura constitui também um importante sítio para conservação das aves marinhas, com destaque para o cagarro, integrando por isso o Parque Natural do Faial como Reserva Natural do Morro de Castelo Branco (categoria Ib do Sistema IUCN de Categorias de Gestão de Áreas Protegidas).
Os cones de escórias situados no flanco oeste do vulcão têm origem genética distinta, não pertencendo, pois, ao Vulcão da Caldeira, antes fazendo parte da estrutura fissural, mais recente, que deu origem ao Complexo Vulcânico do Capelo, de distinta natureza basáltica. O mesmo acontece com as elevações situadas no sueste da ilha, nas imediações da cidade da Horta, também de natureza basáltica e de origem distinta.