Canaveses | |
|---|---|
| Localização de Canaveses em Portugal | |
| Coordenadas: 41° 30′ 15″ N, 7° 21′ 52″ O | |
| Região | Norte |
| Sub-região | Alto Tâmega |
| Distrito | Vila Real |
| Município | |
| Código | 171206 |
| Governo | |
| • Tipo | Junta de freguesia |
| • Presidente | Luís Miguel Moutinho Ferreira Valpaços |
| Área | |
| • Total | 12,66 km² |
| População | |
| • Total (2021) | 170 hab. |
| Densidade | 13,4 hab./km² |
| Orago | Santa Bárbara |
| Sítio | https://www.jf-canaveses.pt/ |
Canaveses é uma povoação portuguesa do Município de Valpaços, freguesia com 12,66 km² de área e 170 habitantes (censo de 2021), tendo, por isso, uma densidade populacional de 13,4 hab./km². Do ponto de vista etimológico, até aos anos 90 escrevia-se Canavezes com "z", inclusive nas escolas primárias. O nome poderá derivar do facto de no passado ter sido um centro de produção têxtil (linho e cânhamo), recursos críticos para a fabricação de roupas e cordoaria para naus.
Do ponto de vista geográfico as memórias paroquiais de 1758, descrevem Canaveses como terra de terrenos difíceis de trabalhar.
A localização de Canaveses ajuda a compreender a sua formação. O núcleo habitacional encontra-se numa zona relativamente favorável à agricultura, com terrenos mais planos e férteis nas proximidades, enquanto o relevo se torna progressivamente mais acidentado à medida que se afasta da aldeia.
O relato refere "os homens desta terra, não veem mais nada senão o céu" devido um possível arvoredo espesso desde as encostas até à sua ribeira de seu nome Mengracia. Os relatos referem que grandes nevadas e chuvadas atormentavam a região cuja corrente "(...) arrancava paus levando tudo na sua frente". O seu território deveras acidentado, é formado por grandes vales, montes de grande inclinação que se formam a sudeste durante quilómetros, apenas já próximo da povoação o terreno dá lugar solos mais planos, férteis os assim como fáceis de trabalhar.
Aldeia fica no limite entre o micro clima de terra quente e micro clima de terra fria, situando-se numa altitude entre 400 m de altitude, fica no meio das duas maiores serras do concelho de Valpaços, serra da Padrela (1147m) e Serra da Santa Comba (1016m) respetivamente. O clima é o reflexo perfeito da expressão popular transmontana "9 meses de inverno e 3 meses de inferno", o facto de estar situado no sopé da serra os invernos são húmidos, perfeitos para o cultivo de cânhamo, geograficamente "enterrada" tal como o Cadouço faz com que tenha menos horas de sol, onde as geadas não derretem em algumas zonas. Do ponto de vista biótico a paisagem é mercada por grandes extensões de cultivo agricola com pouca expressão de manchas florestais, com solos com pouca absorção de água, devido a estes factores os verões são cada vez mais agrestes, secando as ribeiras e poços de cultivo.
Além da sede, a freguesia engloba as povoações de Cadouço e Émeres.
O nome Cadouço advém de possível referência a depressão ou cavidade no terreno visto esta aldeia se situar num local pouco soalheiro, ainda assim é ainda uma aldeia próspera, na cultura da vinho e de azeite, como também, a variedade de frutas e legumes, dado o local estar inserido num microclima ideal para tudo que diz respeito à lavoura, ainda que na parte sul os terrenos sejam acidentados, onde predominou por muitos anos o pinheiro, até que um incêndio de 2012 varreu a floresta.
Émeres, ou Emeres, é uma pequena aldeia localizada entre Cadouço e a Quinta da Ermeiro, ao contrário de Canaveses e Cadouço os terrenos são menos acicentados sendo um povoado mais soalheiro. É circundada por enormes terrenos de cultivo, onde passa um rio.

É de crer que o povoamento desta freguesia seja muito recuado, na medida em que perto se encontram vestígios de uma fortificação que remete à idade dos metais, conhecida como a "cerca dos mouros", um local com excelentes condições naturais de defesa e onde têm sido recolhidos fragmentos de telha e moedas do tempo dos Romanos.
O povoado de Canavezes teria sido um povo algo pobre no séc. XVII e XVIII respetivamente, apenas abundante em azeite, trigo e linho; O inicio do povoado, teria-se iniciado, ao redor da atual igreja, até às imediações da atual escola agora desativada. Outrora nos final dos anos 90, uma derrocada perto da escola primária, deu conta de pequenas casas circulares cuja arquitetura parecia ser da idade do ferro, é incluso nessa zona, que se encontram oliveiras, com pelo menos mais de 500 anos. Com o crescimento populacional, houve necessidade de criar um novo cemitério, cujo antigo se situava na rua do atalho.

Duas minas, estruturas subterrâneas situadas numa zona elevada da aldeia fazem crer que possam ser de origem romana, sendo claramente visíveis sinais da sua criação antropogénica. É impossível não interligar estas cavidades com os lagares cavados na rocha características do concelho de Valpaços e do complexo mineiro de Tresminas. Ainda assim não existe fundamentação cientifica até à data.
"Colhe esta freguesia, centeio, trigo, milho grande e miúdo, tudo muito pouco, mas produz azeite suficiente, para socorrer à sua necessidade pela muita pobreza que aqui há (...) pertencem a este povo e suas árvores como são choupos e com seus pomares de macieiras. Tem também figueiras que dão figos bons, mas poucos" ; "Tem esta igreja uma quinta chamada Ermeiro, debaixo e metida entre dois cabeços que não prestam para nada. Os frutos em maior abundância que aqui se colhem é centeio e linho galego"
Os primeiros registos de casamentos e batismos, constam desde 1707. A paróquia de Canaveses foi criada no século XVI. Inicialmente, porém, não era independente: era uma filial da paróquia de São Pedro dos Vales, sendo o vigário de Canaveses apresentado pelo reitor desta última. Posteriormente, Canaveses tornou-se uma reitoria independente. A memória local acrescenta um elemento particularmente interessante: a igreja teria possuído um forro de madeira inteiramente pintado à mão, com representações de figuras e temas cristãos. O mesmo tipo de pintura existia, segundo a memória de habitantes, nas duas principais casas antigas da aldeia: a casa do padre e a grande casa associada à família Lais.
Nas décadas de 1950 e 1960 teve cerca de 600 habitantes, incluindo as aldeias anexas, Cadouço e Émeres. Tinha assim as "indústrias" artesanais necessárias ao trabalho agrícola e à vida quotidiana, sendo que, estavam em atividade ainda em meados e finais do século XX, com destaque para os teares, os lagares de vinho e de azeite, os fornos de cozer o pão, os alambiques, pombais, rancho folclórico, assim com um moinho de água ao longo do curso do rio, que nasce inclusive no seu território.

A serra constituída de sorgo, medronheiro, carrasco (...) "tem partes muito espessas que nela se criam lobos, raposas, porcos bravos".
A paróquia criada em Canavezes no século XVI foi uma filial da de S. Pedro dos Vales, sendo o vigário apresentado pelo Reitor desta; passando posteriormente a reitoria independente.
Administrativamente, no século XIII, Canavezes estava incluída na “terra” de Montenegro, hoje designada Carrazedo de Montenegro. Tendo passado, após a sua extinção (31 de Dezembro de 1853) para o concelho de Valpaços.
Fez parte da comarca de Bragança, sendo que em 1839 já aparece na comarca de Chaves.
O trabalho agrícola, feito em base familiar e com recurso a animais de tração, sempre contou com a colaboração dos vizinhos num sistema de troca de trabalho ("torno a geeira"). O perfil rural da vida quotidiana está bem expresso no importante núcleo de casas rurais que ainda subsistiram até incios do milénio, geralmente de dois pisos e pequenas janelas, com a sua varanda frontal em madeira e escadas em pedra, ou então construídas em torno de um curral com divisões de habitação, incluindo palheiro para os animais.
As descrições históricas dos séculos XVII e XVIII apresentam Canaveses como uma povoação relativamente pobre, embora com produção de azeite, trigo e linho. O rio ou ribeira local, referido historicamente como Mengracia, podia apresentar uma corrente forte e causar danos durante períodos de chuva, neve ou degelo. A economia tradicional baseava-se, portanto, numa combinação de agricultura, pecuária, transformação de produtos agrícolas e atividades artesanais.
A existência de lagares de vinho e azeite, alambiques, fornos, teares e moinho de água mostra que a aldeia possuía parte importante das estruturas necessárias para uma economia rural relativamente autónoma.
Devido às condições geomorfológicas é definitivamente uma ótima zona de caça, sendo também uma terra muito produtiva, predominando a cultura de cereais, vinho e saborosas frutas, com destaque para os frutos secos, mais precisamente, amêndoa e noz.

A população registada nos censos foi:
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Distribuição da População por Grupos Etários | ||||
|---|---|---|---|---|
| Ano | 0-14 Anos | 15-24 Anos | 25-64 Anos | > 65 Anos |
| 2001 | 44 | 32 | 139 | 88 |
| 2011 | 15 | 20 | 107 | 95 |
| 2021 | 4 | 11 | 65 | 90 |

A Igreja Paroquial de Santa Bárbara situa-se no interior da povoação. O atual edifício terá sido construído em finais do século XVII. É um templo maneirista e barroco, de planta longitudinal, composto por nave única e capela-mor. A fachada principal termina em empena, truncada por uma dupla sineira.
Outros locais de interesse turístico: