A Capitania de Machico foi uma capitania-donatária estabelecida na ilha da Madeira no século XV, concedida pelo Infante D. Henrique a Tristão da Ilha por carta de 8 de Maio de 1440. Constituiu, com a Capitania do Funchal e a capitania do Porto Santo, parte da organização senhorial e territorial inicial do arquipélago.
A capitania abrangia a parte oriental da ilha da Madeira e extensa porção da vertente norte. A historiografia madeirense situa a antiga divisória com a capitania do Funchal na Ponta da Oliveira, no Caniço, prolongando-a através do interior da ilha até à Ponta do Tristão. A demarcação e o exercício das funções dos primeiros capitães precederam a formalização das respectivas cartas de doação.
Os capitães recebiam poderes senhoriais delegados, nomeadamente rendimentos e competências jurisdicionais, subordinados às limitações estabelecidas pela Coroa. Entre os oficiais nomeados em nome do donatário encontrava-se o ouvidor, encarregado do exercício da justiça.
Em 1740, Lourenço Biard, ouvidor de Machico, foi objecto de uma sindicância conduzida pelo corregedor, cujo processo foi estudado pela historiadora Ana Madalena Trigo de Sousa. O estudo aborda a organização judicial da capitania e as relações de poder nas vilas de Machico e Santa Cruz.
O historiador Alberto Vieira analisou o cultivo de cereais e os mecanismos de subsistência nas áreas rurais historicamente integradas na capitania de Machico, em contraste com os centros de decisão e comércio do Funchal.