Capivari

 Nota: Para outros significados, veja Capivari (desambiguação).
Capivari
Estação ferroviária
Estação ferroviária
Estação ferroviária
Hino
LemaPaulista per misericordiam Dei
"Paulista por mercê de Deus"
Gentílicocapivariano
Localização de Capivari em São Paulo
Localização de Capivari em São Paulo
Localização de Capivari em São Paulo
Capivari está localizado em: Brasil
Capivari
Localização de Capivari no Brasil
Mapa de Capivari
Coordenadas: 22° 59′ 42″ S, 47° 30′ 28″ O
PaísBrasil
Unidade federativaSão Paulo
Região metropolitanaPiracicaba
Municípios limítrofesElias Fausto, Mombuca, Monte Mor, Porto Feliz, Rafard, Rio das Pedras e Santa Bárbara d'Oeste
Distância até a capital108 km
Fundação10 de julho de 1832 (194 anos)
Governo
 • Prefeito(a)Vitão Riccomini (PL , 2025–2028)
Área
 • Total 322,878 km²
Altitude675 m
População
 • Total (Estimativa IBGE/2025)51 369 hab.
Densidade159,1 hab./km²
ClimaSubtropical (Cfa)
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
CEP13360-000
IDH (PNUD/2010)0,750 — alto
PIB (IBGE/2016)R$ 1 606 977,72 mil
 • Per capita (IBGE/2019)R$ 38 526,42
Sítiocapivari.sp.gov.br (Prefeitura)
capivari.sp.leg.br (Câmara)

Capivari é um município brasileiro do interior do estado de São Paulo, pertencente à Região Imediata de Piracicaba, que por sua vez pertence à Região Intermediária de Campinas. A população aferida pelo IBGE no Censo de 2022 era de 50 068 habitantes, distribuídos em uma área de 322,88 km², o que resultava em uma densidade populacional de 155,07 habitantes por km². Na estimativa populacional calculada pelo IBGE para 2025, a população de Capivari era de 51 369 habitantes, resultando em uma densidade estimada de 159,09 habitantes por km². Em número de habitantes, está na 781.ª posição no país e na 117.ª no estado.

História

Surgimento do povoado

No início do século XVIII, Capivari recebeu os primeiros visitantes. Alguns deles encontraram um lugar com bom terreno, clima, água e peixes. Montaram acampamentos e decidiram começar uma nova vida. Em 1718, com a descoberta de ricas jazidas de ouro, nas cercanias de Cuiabá – período este em que um grande número de aventureiros passou por ela para abreviar o caminho até Mato Grosso –, em busca do metal precioso. Essas viagens aconteceram por via fluvial, pois a mata não oferecia condições favoráveis. Os aventureiros enfrentavam grandes perigos, fome e lutas ao longo do caminho. Uma dessas monções saiu de Porto Feliz, por ordem do marquês de Pombal e sob o comando do capitão general Morgado de Mateus, mas foi dizimada em grande parte por indígenas.

Por ser de difícil acesso, o lugar também foi escolhido pelos governadores das capitanias hereditárias para isolarem seus inimigos políticos. Longe dos centros urbanos, essas pessoas sentiram a necessidade de procurar uma maneira de se proteger das perseguições. E para isso, passaram a montar acampamentos às margens do rio, buscando assim, locais com bom clima, topografia e águas favoráveis à sobrevivência. No final do século XVIII, um grupo de ituanos encontrou um local com essas características e decidiu se estabelecer ali.

Assim, em 30 de abril de 1783, Antônio Pires de Almeida Moura e Joaquim da Costa Garcia, fundaram o “Arraial de São João de Capivary de Baixo”. Muitas famílias vieram de Itu e Porto Feliz e, dessa forma, o povoado começou a crescer, em 1785, Francisco Idorgo pede à Câmara de Itu e consegue fazer com que se instale a primeira venda: a “Venda do Chico”, este fato também atrai mais moradores ao longo dos tempos com a vontade de crescimento em novas terras.

No ano de 1790, o povoado aparece nos censos realizados por Itu com uma população flutuante. Na maioria, trabalhadores de empreiteiras que executavam serviços e se mudavam no final das obras. Já em 1800, às margens do lendário “Rio das Capivaras” floresce uma pequena população que mais tarde passa a se chamar Capivari, (da linguá Tupi, "Kapibara" = Capivara e "y"= rio).

A partir de 1800, a pequena povoação foi ganhando novos moradores atraídos pelos comentários e deslumbramentos com o local. Às margens de um rio cristalino em que predominavam, em abundância, Capivari, teve origem, por iniciativa do cônego João Ferreira de Oliveira Bueno, em 1813. Ele encaminhou um requerimento para criação de um povoado, nos sertões de Itu, distante das igrejas de Itu, Porto Feliz e Piracicaba. A Freguesia deveria ser criada sob a invocação de São João Batista.

Em junho de 1820, o pequeno povoado formado por um bom número de casinhas e uma pequena capela esperava ansiosa pelo seu primeiro sacerdote, o padre João Jacinto dos Serafins (nomeado capelão pelo bispo de São Paulo). Ele chegou no final de julho após longa viagem a cavalo, vindo pelo caminho de Itu. Jacinto encontrou algumas casas espalhadas onde hoje são as ruas Antônio Pires e XV de Novembro. A capela estava ainda por terminar e no início o padre utilizou provisoriamente a casa de Joaquim da Costa Garcia.

Na missa de inauguração do dia 11 de agosto de 1820, estavam presentes os primeiros povoadores de Capivari: Antônio Pires de Almeida Moura, Joaquim da Costa Garcia, Manoel José de Almeida Leme, José Machado, Antônio José Fiúza, Manoel José do Amaral, Manoela José Vaz Botelho, entre outros. No pátio da capela, algumas cruzes indicavam que ali havia sido sepultados escravos e moradores do povoado. Ainda durou por muito tempo o hábito de se enterrar os escravos no pátio da capela e os demais paroquianos no seu interior. Somente os grandes fazendeiros eram levados para Itu e Porto Feliz para serem enterrados como de costume. Nessa época, o prédio não possuía torre e o sino, para a convocação dos fiéis, ficava em uma grande figueira ao lado. O santo padroeiro escolhido para a bênção da Vila, foi São João Batista.

As festas – principalmente as religiosas – atraem inúmeras pessoas ao longo dos anos. Próximo à capela de São João Baptista de Capivary (construção de taipa socada, constituída por um cômodo retangular, com um altar de madeira ao fundo), ficava a "Venda do Chico", a única em Capivari. Ela se torna um centro irradiador de construções e edificações no povoado. Cada vez mais pessoas – atraídas pelas vantagens da terra – chegam ao lugar.

Em 11 de outubro de 1826, a Capela é elevada a freguesia de São João Baptista de Capivary, com um decreto promulgado pelo imperador D. Pedro I. Nesse período, o vigário era Inácio Francisco de Morais.

Primeiros povoadores

Elevação de freguesia a vila

Estado de São Paulo (1850).

Por alvará de 10 de julho de 1832, é oficialmente denominada Vila de “São João Baptista de Capivary de Baixo” (Capivari de Cima era a atual Monte Mor). Assim tem início o desenvolvimento econômico do povoado. Predominam o açúcar, os cereais, o chá, o algodão e o café que contribuem para a proliferação das fazendas. A elevação da freguesia a vila atraiu ainda mais moradores, exigindo assim melhorias na infraestrutura local. A população da vila na época era:

As vias principais eram: Rua do Comércio (saída para Porto Feliz - atual XV de Novembro) e Bento Dias Pacheco (saída para Monte Mor); o nome foi em homenagem ao padre ituano Bento Dias. Na época não existia cemitério e os mortos eram sepultados na igreja. Também nessa época, começou a funcionar a primeira escola Emulação, na casa que foi do Padre Fabiano, na rua do mesmo nome, esquina com a Tiradentes.

Instalação da primeira Câmara

A primeira Câmara de Capivari foi eleita em 7 de setembro de 1832 e instalada em 25 de julho de 1833. Com a efetiva instalação do município, Capivari desliga-se de Porto Feliz. Os homens formados eram dois: o padre e o cirurgião. A vila possuía também oito negociantes e doze jornaleiros, quatro estrangeiros, sendo dois naturalizados. Era juiz de paz, o senhor Felisberto da Costa Guimarães.

Os vereadores foram nomeados por decreto, pelo regente Campos Vergueiro, com mandato previsto para três anos. O responsável pelo município, considerado o primeiro prefeito, foi o tenente Fernando Paes de Barros, nomeado pelo presidente da Província de São Paulo. Martim de Melo Taques foi o primeiro presidente da Câmara de Capivari. Em 1835, foram promulgados os primeiros atos municipais estabelecidas por lei de 26 de agosto de 1835. A segunda Câmara foi eleita em 1835, sendo criada a Cadeia Pública em baixo e a Casa da Câmara em cima. A composição da primeira Câmara era: Joaquim Correia Leite, Martim de Melo Taques, Antônio Pires de Almeida Moura, João Dias de Aguiar, Saturnino Paes, José Ferraz de Arruda, Manuel Ferraz de Sampaio e Felipe de Campos Bicudo.

Havia na vila de Capivari, uma Companhia de Infantaria da Guarda Nacional, e cinquenta praças da cavalaria desarmados.

Em agosto de 1833, foi criada uma linha postal ligando Capivari a São Paulo, via Porto Feliz, sob o comando de Antônio Correia Leite.

O único professor era um alfaiate que dava aulas de primeiras letras e ensinava música. Tinha dezoito alunos, sendo quatro meninas. Havia na vila mais de cem crianças em idade escolar. O problema da falta de vagas foi oficiado pela Câmara ao governo da província, ressaltando o problema e a necessidade de uma resolução que só pôde ser atendida no início em 1834, com a nomeação do professor José Custódio de Assunção.

Café, açúcar e política

Em 1836, aparece o café na região, primeiramente em Itu e Jundiaí.

Escala de produção:

No oeste e sul paulista, o açúcar superava o café. Em 1837, era a principal cultura, alavancando o comércio nas vilas ao ocidente da capital, Jundiaí, São Carlos, Itu, Porto Feliz, Capivari, Sorocaba e Piracicaba, que forneciam juntas, a metade do açúcar exportado pelo porto de Santos. O município, em 1836, contava com 3.437 habitantes e tinha 52 engenhos produzindo 52.193 arrobas de açúcar e 490 canadas de aguardente.

A terceira Câmara Municipal foi eleita em 7 de setembro de 1837. Assim, a construção da ponte – então considerada nova - sobre o rio Capivari (na XV de Novembro) seguiu de 1838 a 1840. Ela contava com 400 palmos de comprimento por 25 de largura.

Em 1839, foi nomeado vigário, o padre Fabiano José Moreira de Camargo, que mais tarde se tornaria chefe político da cidade e região e deputado provincial. Em 6 de agosto de 1840, o presidente da Província, Rafael Tobias de Aguiar, comunica à Câmara a maioridade de D. Pedro II e sua ascensão ao trono. Já em 7 de setembro foram eleitos os novos vereadores. Compareceram à votação 143 eleitores.

A população da vila continuava sem iluminação nas ruas e com estragos devido aos buracos causados pelas chuvas, as ruas ficam intransitáveis. A iluminação pública da cidade tem início no ano de 1886, com 16 lampiões a querosene. Onze anos depois, passam a ser 62. Finalmente, em 1910, a luz elétrica chega a Capivari.

Visita de D. Pedro II a Capivari

Um fato histórico e significativo para Capivari foi a visita do imperador D. Pedro II e da imperatriz Dona Teresa Cristina à cidade em 22 de setembro de 1878. Assim que o casal imperial chegou à estação de Capivari, já o aguardava uma comitiva para conduzi-los, em um trole (carruagem) a frente da igreja matriz onde esperavam diversos populares e autoridades para a realização da cerimônia oficial. Ainda na estação ferroviária, muitas pessoas animavam as festividades. As manifestações de carinho ficavam evidenciadas nos olhos da população presente. Dentre todas as demonstrações de afeto ao imperador uma foi surpreendentemente inesquecível: ao ser conduzido em direção ao trole, ainda na estação, um morador da cidade vendo que o imperador iria pisar no chão para subir ao veículo, subitamente tirou seu paletó e ajoelhou-se, estendendo a roupa para que pisasse antes de subir à carruagem, fato este que deixou o imperador muito emocionado.

O município foi preparado para a recepção com enfeites de flores, folhagens e muitos foguetes. A cidade recebeu limpeza para receber a comitiva imperial. Pedro II e Teresa Cristina, após receberem homenagens no largo da matriz, retiraram-se para descanso e almoço na casa do Barão de Almeira Lima (casa tombada como Monumento Histórico Paulista, próxima à Igreja matriz).

Os monarcas visitaram também em Capivari, as escolas dos professores Serafim e Luis de Freitas (masculinas) e das professoras Dona Fausta Isabel de Góis e de Maria do Carmo Maciel (femininas). Além de uma visita à Loja Maçônica Integridade (também próxima à matriz) tendo presidido a reunião. A cadeira em que se sentou ainda existe conservada na sede da Loja Integridade em Capivari.

Em 22 de setembro de 1878 Capivari recebeu a visita do Imperador D. Pedro II e da imperatriz Dona Teresa Cristina. Após receberem homenagens no largo da Matriz, foram recepcionados pelo Barão Almeida Lima em sua casa e ali descansaram ... "Eu tinha 12 anos e lembro-me perfeitamente que eles ficaram hospedados na casa do Barão, onde atualmente reside a família Lembo. Toda a cidade se enfeitou para receber os imperadores; quem pode fez roupa nova. As ruas foram embandeiradas, houve salva de tiros e muitos foguetes. E um baile só de gente fina, em que se dançou o minueto até altas horas. Uma beleza!"

— Luiz Raimundo de Goes entrevista ao jornal O Estado de São Paulo e publicada em 03/01/1968, página 16, Luiz Raimundo de Goes, falecido no mesmo ano aos 102 anos.

Geografia

Localiza-se a oeste da capital São Paulo, entre Campinas, Piracicaba e Sorocaba. Suas coordenadas geográficas são 22º59'42" de latitude sul e a 47º30'28" de longitude oeste, estando a uma altitude de 675 metros.

Hidrografia

Rio Capivari.

A maior parte do município de Capivari encontra-se inserido na Bacia do rio Capivari. Entretanto a parte norte da zona rural do município está na área de drenagem da bacia do ribeirão dos Toledos, tributário do rio Piracicaba.

Clima

O clima de Capivari é Subtropical, com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual de 18,4 graus Celsius, tendo invernos secos e frios e verões chuvosos com temperaturas não muito altas. O mês mais quente, fevereiro, conta com temperatura média de 21,9 graus Celsius, sendo a média máxima de 32,1 graus Celsius e a mínima de 19,2 graus Celsius. E o mês mais frio, julho, de 12,0 graus Celsius, sendo 26,3 e 09,2 graus Celsius a média máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.

A precipitação média anual é de 1 257,1 milímetros, sendo agosto o mês mais seco, quando ocorrem apenas 33,3 milímetros. Em janeiro, o mês mais chuvoso, a média fica em 230 milímetros. Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos 25 graus Celsius, especialmente entre julho e setembro. Em agosto de 2010, por exemplo, a precipitação de chuva em Capivari não passou de zero milímetro. Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso, também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui para o desmatamento e o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.

A temperatura mínima registrada na cidade foi de -3,8 grau Celsius, registrada no dia 25 de junho de 2002. Já a máxima foi de 37,0 graus Celsius, observada no dia 17 de novembro de 1985. O maior acumulado de chuva registrado em 24 horas no município entre junho de 1988 e outubro de 2008 foi de 243,4 milímetros, no dia 25 de maio de 2005. Entre 1910 e 2004, houve 70 registros de geadas em Capivari. O mais recente foi em 12 de junho de 2016, quando a temperatura mínima chegou aos 0,1 graus Celsius. Ocasionalmente, também ocorrem episódios de forte ventania, com rajadas superiores a 100 quilômetros por hora. Houve registros de formação de tempestades fortes no município nos dias 4 de maio de 2001 e 9 de março de 2008 e muitos eventos em 2015/2016.

Dados climatológicos para Capivari
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 38,0 39,0 38,0 36,0 33,0 32,1 33,0 36,0 40,7 41,4 38,3 39,0 36,9
Temperatura máxima média (°C) 31,6 32,1 31,4 30,2 26,8 26,2 26,3 28,1 29,7 31,1 31,0 31,6 31,9
Temperatura mínima média (°C) 19,3 19,2 18,3 15,5 11,5 10,5 9,2 10,1 13,3 16,1 17,3 18,8 14,9
Temperatura mínima recorde (°C) 10,0 10,0 10,0 8,0 2,0 0,2 −1,0 2,0 3,0 3,0 7,0 9,0 5,7
Precipitação (mm) 230,0 159,6 147,9 61,2 66,1 54,6 47,2 33,3 54,2 99,0 132,2 171,8 104,7
Fonte: Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGRO) (médias de temperatura e precipitação: 2000-2020; recordes de temperatura: 23/03/2000-31/12/2020)

Rodovias

Capivari é servida pelas rodovias Jornalista Francisco Aguirra Proença (SP 101), Comendador Americo Emilio Romipela (SP 306) e Rodovia do Açúcar (SP 308), que permitem acesso rápido às principais rodovias do estado, como Rodovia Anhanguera, Rodovia dos Bandeirantes, Rodovia Dom Pedro I e Rodovia Castelo Branco.

Demografia

População

Crescimento populacional
AnoPopulação%±
18728 197
189010 80931,9%
190010 8090,0%
191021 36297,6%
192025 59119,8%
192531 22322,0%
193428 830−7,7%
193730 8216,9%
194026 754−13,2%
194624 953−6,7%
195023 522−5,7%
195822 848−2,9%
196019 725−13,7%
197018 986−3,7%
198025 17532,6%
199134 22035,9%
200041 46821,2%
201048 57617,1%
202250 0683,1%
Est. 202451 3182,5%
Fontes:
Censos IBGE e Estimativas Fundação SEADE

Composição étnica

Em 2022, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população do município era composta por 31.388 brancos (62,69%), 13.930 pardos (27,82%), 4.637 pretos (9,26%), 88 amarelos (0,18%) e 21 indígenas (0,04%).

Política e administração

Executivo (2021/2024)

Legislativo (2021/2024)

Biênio (2021-2022)

Economia

A economia da cidade se baseia na agricultura (principalmente da Cana-de-Açúcar) e em empresas que se instalam no município. Atualmente, Capivari possui 326 empresas instaladas, um comércio amplo, com 1357 mil estabelecimentos em atividade, nos mais variados ramos de negócios e 1900 mil prestadores de serviços.

Infraestrutura

Educação

Escolas municipais
Escolas estaduais
Escolas particulares
Escola federal

Comunicações

Telefonia

O sistema de telefones automáticos foi inaugurado na cidade em 1976 pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP), que também implantou o sistema de discagem direta à distância (DDD) em 1979 com o código de área (0194). Anteriormente a cidade era atendida pela Companhia Telefônica Brasileira (CTB).

Na década de 90 o código DDD da cidade foi alterado para (019), para padronização do sistema telefônico com a telefonia celular que estava sendo implantada em todo o estado.

Rádios

Raízes FM.
Nome Cidade Frequência Prefixo RDS
Cacique AM Capivari 1550 Khz ZYK 572 não
Raízes FM Capivari 98.7 FM ZYD 990 sim
Alternativa FM Capivari 106.3 FM não
RFM Rafard 107.9 FM não
Ativa FM Mombuca 104.3 FM não

Jornais

  • Correio de Capivari
  • Jornal da Cidade
  • O Semanário (Rafard)

TV a cabo

  • ITV - Itu TV (canal 24 NET)
  • TVR - TV Regional (canal 26 NET)

Cultura e lazer

Casarão histórico.

Casarão do Barão de Almeida Lima (Casarão Solar)

Sua construção foi iniciada por iniciativa de um dos principais fundadores da cidade, Antônio Pires de Almeida Moura, neto do Capitão-mor de Sorocaba, José de Almeida Leme.Os trabalhos começaram em 1842, mas devido as suas responsabilidades com as produções das fazendas, as melhorias estruturais do povoado e a responsabilidade pela edificação da igreja, Antônio Pires foi adiando a conclusão ao longo dos tempos.

Os trabalhos começaram em 1842, mas devido as suas responsabilidades com as produções das fazendas, as melhorias estruturais do povoado e a responsabilidade pela edificação da igreja, Antônio Pires foi adiando a conclusão ao longo dos tempos.

A obra seria o seu novo solar, mas devido a sua morte em 1852, a viúva vendeu a construção – na fase de colocação do telhado – ao Major Manoel Bernardino de Almeida Lima (nascido em Porto Feliz, em 5 de fevereiro de 1808. Foi um importante fazendeiro em Capivari. Mais tarde, em 1886 Barão de Almeida Lima, título a ele concedido pelo Imperador D. Pedro II por ter colaborado com a Vila, no ano de 1884 doando o edifício do “Coleginho” ).

O grande edifício de taipa pilada, de quatro águas, com 12 janelas para a Rua Fernando de Barros e seis para a praça padre Marques, possui também jardim, quintal, porão alto, entrada lateral e ostenta no portão de entrada, dois leões de terracota, de 1837.

Em 1878, foi o edifício mais importante da cidade: recebeu o Imperador D. Pedro II e a Imperatriz Dona Teresa Cristina, durante a terceira visita deles à Província de São Paulo.

Após o falecimento do Barão – possuidor de inúmeras propriedades e sem filhos –, o único herdeiro universal, um sobrinho dele, alugou o prédio de 1910 a 1932 a Luiz Corazza um imigrante italiano, que transformou o edifício em um hotel chamado “Hotel Corazza”.

Localizada na Rua Tiradentes, 366, Centro, a casa foi tombada em 1975 pela Condephaat e é, ainda, um dos mais belos prédios da cidade. Atualmente o casarão encontra-se fechado aguardando restauro.

Casa de Júlio Ribeiro

Júlio César Ribeiro Vaughan, mais conhecido como Júlio Ribeiro, nasceu em Sabará, Minas Gerais, no dia 16 de abril de 1845 e faleceu em 1º de novembro de 1890 na cidade de Santos, vítima de tuberculose. Foi filólogo, jornalista e romancista, e é patrono da cadeira de número 24 na Academia Brasileira de Letras, bem como o criador da bandeira do estado de São Paulo.

Júlio foi um dos primeiros professores da cidade de Capivari e mandou construir uma casa localizada na Rua Bento Dias, número 173 no Centro da cidade, onde viveu durante algum tempo de sua vida. Atualmente, a casa se encontra como sendo um restaurante comida oriental.

Durante sua vida, quando ainda era proprietário da casa situada em Capivari, escrevera a obra “A Carne”, publicado em 1888. Um romance naturalista, que trata de temas como o divórcio, o amor livre e o novo papel da mulher na sociedade. De fato, esta obra fora um tanto quanto escandalosa na época, pois abordava temas que até então, eram considerados imorais. Algumas obras que Júlio escrevera em Capivari são “Cartas Sertanejas” e “Gramática Portuguesa”.

Além de sua moradia, a casa tinha um salão destinado a servir de um colégio, que funcionou de 1882 a 1886 no período que residiu em Capivari. Dizem que na pedra fundamental da edificação, Júlio teria escrito “Sem Deus e sem rei”, retratando seu caráter ateu e antimonarquista, rendendo críticas à sua pessoa.

Durante sua permanência na casa, conta-se que em um determinado dia ouviram-se alguns tiros de pistola na casa. Os vizinhos, preocupados, acreditando que algum desastre teria acontecido, entram na casa e encontram o professor deitado na cama com a arma na mão. Perguntaram-lhe o que havia conhecido e com ar de gozação, Júlio disse que só estava testando a nova arma que havia acabado de comprar.

Júlio Ribeiro deu início a uma dinastia de escritores. É avô da escritora e cronista Elsie Lessa, bisavô dos escritores e cronistas Ivan Lessa e Sérgio Pinheiro Lopes, e trisavô da escritora Juliana Foster.

Estação Ferroviária Sorocabana

Antiga estação ferroviária.
Armazém da antiga estação ferroviária.
Antiga ponte ferroviária sobre o Rio Capivari.

O processo de transições socioeconômicas se dá na região com a chegada da ferrovia. A CPEF (Companhia Paulista de Estradas de Ferro) inaugura o trecho férreo ligando Campinas e Jundiaí em 1872, três anos depois a ferrovia chega a Capivari.

A Cidade de São João Baptista de Capivari de Baixo avistou o primeiro trem em “tráfego provisório” no dia 21 de outubro de 1875 às 13h50, que transportava produtos e altas autoridades da Província de São Paulo, garantindo o progresso à região e diminuindo as distâncias com o porto de Santos.

Esse episódio foi de muita importância para a cidade, pois recebera novos serviços e capitais, relatado por viajantes que estiveram na região, como por exemplo, Augusto Emilio Zaluar, um jornalista português.

O prédio da estação passou por alterações ao longo dos anos. Projeto de Cândido Motta Filho, o prédio atual foi construído em 1918 e segue estilo arquitetônico inglês.

Em 1980 os trens deixam de circular por Capivari e na da década de 1990 os trilhos foram removidos pela Ferrovia Paulista S/A (Fepasa).

Igreja Matriz São João Batista

Ela está no mesmo local onde ficava a capela do início do povoado. Sua construção (da capela) se deu entre os anos 1818 e 1820. Esse período é anterior ao “Plano de Arruamento”, por isso o prédio está na posição atual, ou seja, de lado no lote.

A “Igreja Matriz de São João Batista de Capivari” deveria ter sido construída em outro lugar, onde atualmente estão as praças Rodrigues de Abreu e dr. Cesário Motta, que seriam o “Jardim Público” dela (isso segundo o Plano de Arruamento). Contudo ela foi iniciada, mas o dinheiro não foi suficiente para continuar e a obra ficou abandonada até ser totalmente demolida, anos mais tarde.

Em 1839, quando esteve à frente da paróquia, o padre Fabiano, recebeu, em 19 de junho (dois meses após sua posse) a visita pastoral do monsenhor Antônio de Carvalho Pinto (vigário da vara), que ficou muito impressionado com a rústica capela de pau a pique. Ele recomendou ao recente pároco, que fizesse uma reconstrução digna do povoado em formação.

O pedido do monsenhor não pôde ser atendido de imediato devido a existência de túmulos recentes de escravos, em ambos os lados da edificação. Contudo, no ano de 1842, começaram as primeiras providências para que as obras começassem, de modo que o antigo prédio fosse conservado para as missas. Ele ficou funcionando como “Capela-Mor”, sendo erguidas monumentais paredes de taipas, formando dois corredores internos ladeando-a.

Após alguns anos da posse do padre Fabiano, Antônio Pires de Almeida Moura (um dos primeiros moradores do povoado e um dos responsáveis pelo “Plano de Arruamento”), assumiu a reedificação da antiga igreja, designado pelo presidente da Província. Grande parte das obras foi custeada pelo próprio Antônio Pires, encorajando a pequena comunidade, em 1851, para que unissem forças para a conclusão dos trabalhos.

Nesse período, não se construiu a torre e a cobertura foi feita em um domingo após o fim da missa, pedido feito por Antônio Pires no altar, aos fiéis. Ele foi prontamente atendido e o telhado estava totalmente posto antes do anoitecer.

Em 1851, já eram celebradas missas na Igreja Matriz, graças a muitas pessoas da comunidade e também através de loterias em postos para angariar fundos para a reedificação dela.

No ano de 1882, a igreja ainda estava em reformas, tendo como encarregado da pintura os senhores Benére e Leonci Murlani (artistas que faziam decorações para residências e responsáveis pela pintura do “Teatro São João”).

Já em 1898, ela foi citada na obra de dr. Moreira Pinto, no livro intitulado “Viagens pela Ituana”, descrevendo seus aspectos estruturais, como a torre no centro com relógio e 10 estátuas de anjos em tamanho natural.

Dois anos depois, quando o padre Manoel José Marques (10º vigário dessa paróquia) assumiu a igreja de São João Batista, empreendeu uma grande reforma que durou de 1890 a 1907.

Ela foi ampliada até a rua Regente Feijó, suas paredes externas (taipa de um metro) foram revestidas de tijolos em ambos os lados. As paredes internas foram removidas e substituídas por colunas. O forro e os medalhões receberam pintura com cenas da história da igreja e quadros de santos. Entre, 1911 e 1912, um tufão destelhou-a e em abril de 1929 termina sua reforma externa.

A igreja ostenta um altar de mármore de carrara de 1942 e guarda em seu solo sagrado o corpo do padre Fabiano, sepultado em 12 de fevereiro de 1875.

Passados mais de 150 anos desde o início de sua edificação, ela continua sendo uma das mais belas construções do Estado. Sua “majestosa” estrutura arquitetônica e pinturas internas foram restauradas pelo artista Nori Figueiredo, que encerrou seus trabalhos após muitos anos de atividade.

Os 15 primeiros sacerdotes da Igreja de São João Batista no período de 1820 a 1927:

Praças Rodrigues de Abreu e Dr. Cesário Motta

Ricas em vegetação, as praças Rodrigues de Abreu e Dr. Cesário Motta reúnem algumas das mais belas paisagens de Capivari. O verde predominante das árvores e plantas divide o espaço com duas fontes, um coreto e um platô, no qual foi inaugurado, em 1932, um obelisco em comemoração ao centenário da fundação da cidade. As praças abrigam também as hermas de Amadeu Amaral (criação de Victor Brecheret), de Tarsila do Amaral (criação de Pandolfo) e Rodrigues de Abreu (criação de Tarsila do Amaral), três dos principais artistas capivarianos.

No passado já foi um ponto de separação entre negros frequentando a Praça Rodrigues de Abreu e os brancos frequentando a praça Dr. Cesário Motta, outra curiosidade que os rapazes e as moças circulavam em direções opostas, poderiam paquerar na troca de olhares

Quilombo de Capivari

Em abril de 2004, o Itesp (Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo) reconheceu como terra quilombola uma área denominada “Sítio Santa Rita”, cercada por cana-de-açúcar, localizada na rodovia Jornalista Francisco Aguirre Proença (SP-101), ocupada por descendentes de escravos. Como aponta relatório técnico-científico do Itesp, a terra se tornou propriedade de Eva Barreto, que recebeu a área de seu ex-dono com o compromisso de trabalhar para pagar pelo terreno. Desde então, até o reconhecimento do quilombo, a terra permaneceu sendo ocupada por descendentes da proprietária.

Arena Capivari

A Arena Capivari, antigo Estádio Municipal Carlos Colnaghi, inaugurado em 1992. Pertence à prefeitura municipal de Capivari, onde o Capivariano Futebol Clube joga suas partidas. O estádio tem atualmente a capacidade cerca de 19.000 pessoas devido a uma reforma que ocorreu no ano de 2014. Por lá já se passou vários times de grande importância, como Corinthians, Santos, Botafogo, Guarani, Ponte Preta, entre outros.

Museu João Batista Prata e Biblioteca João Batista Prata

Em 10 de julho de 1944, a partir da ideia de Abelardo Vergueiro César, uma galeria possuindo retratos e biografias de prefeitos de 1890 até aquele ano surge. E será a partir disto que o Museu passa a se organizar.

O Museu Histórico e Pedagógico Dr. Cesário Motta se instala na Câmara Municipal (na Praça) sobre o decreto nº 30.324 de 20 de dezembro de 1957. Após um tempo, segue para o salão paroquial localizado na Rua Martim Tarques. Dois anos depois, em 18 de maio, a Prefeitura enviou um Projeto de Lei à Câmara pedindo autorização para a doação do prédio da Cadeia para o Estado. Dessa forma, o Museu passará por uma nova instalação localizada na Praça José Zuza.

Eduardo Maluf foi o primeiro diretor do local e foi o responsável pela aquisição de peças doadas para o acervo, dentre eles objetos do final do século XVIII ao século XIX, obras de arte, fotografias, mobiliário, numismática, objetos domésticos e arqueológicos, antropológicos e etnográficos relativos a ciência e história natural, objetos referentes a revolução de 1932, escravidão e tecnológicos. A partir do ano de 1989, o Museu passa a compartilhar seu espaço com a Biblioteca Municipal João Batista Prata, dessa forma adquirindo ainda mais “peças” em sua constituição. Em 2013 a prefeitura de Capivari interditou o prédio por problemas estruturais e seu acervo foi transferido para outro local, o projeto de restauro foi orçada em um milhão de reais e enviado ao governo estadual, em março de 2020 a parede lateral desaba e no final de 2020 começa o restauro do prédio.[carece de fontes]?

Filhos ilustres

Tarsila do Amaral (c.1925).

Religião

De acordo com o Censo 2022 (IBGE), 89,07% da população do município é cristã, sendo 58,29% católicos e 30,78% evangélicos. Outras religiões representam 4,61% da população total.

O Cristianismo se faz presente na cidade da seguinte forma:

Igreja Católica

Igrejas Evangélicas

Entre as igrejas protestantes históricas, pentecostais e neopentecostais, encontram-se na cidade:

Ver também

Notas e referências

Notas

  1. ↑ Tarsila nasceu na Fazenda São Bernardo, onde ficou até os nove anos. A área na época pertencia a Capivari, e era um povoado conhecido como ″Villa Raffard″, fundado por Júlio Henrique Raffard três anos antes do nascimento de Tarsila. Em 1964, o então distrito de Rafard foi desmembrado do município de Capivari e elevado à categoria de município.

Referências

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  2. 1 2 3 4 5 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2021). «Capivari»
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  4. ↑ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2016). «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2016». Consultado em 20 de fevereiro de 2019. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2018
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  19. ↑ «Telesp - Código DDD e Prefixos». www.telesp.com.br. Página oficial da Telecomunicações de São Paulo (arquivada). 14 de janeiro de 1998. Consultado em 4 de abril de 2025
  20. ↑ Casa onde Tarsila do Amaral nasceu é restaurada para virar museu interativo SISEMSP
  21. ↑ História de Rafard IBGE
  22. ↑ «Tabela 6417: Pessoas de 10 anos ou mais de idade, por cor ou raça, segundo o sexo e a religião». sidra.ibge.gov.br. Consultado em 20 de março de 2026
  23. ↑ O termo "cristão" (em grego Χριστιανός, transl Christianós) foi usado pela primeira vez para se referir aos discípulos de Jesus Cristo na cidade de Antioquia (Atos cap. 11, vers. 26), por volta de 44 d.C., significando "seguidores de Cristo". O primeiro registro do uso do termo "cristianismo" (em grego Χριστιανισμός, Christianismós) foi feito por Inácio de Antioquia, por volta do ano 100. Tyndale Bible Dictionary, pp. 266, 828
  24. ↑ «Sul 1 Region of Brazil [Catholic-Hierarchy]». www.catholic-hierarchy.org. Consultado em 30 de junho de 2024
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  26. ↑ «Campos Eclesiásticos». CONFRADESP. 10 de dezembro de 2018. Consultado em 30 de junho de 2024
  27. ↑ «Arquivos: Locais». Assembleia de Deus Belém – Sede. Consultado em 30 de junho de 2024
  28. ↑ «Localidade - Congregação Cristã no Brasil». congregacaocristanobrasil.org.br. Consultado em 30 de junho de 2024

Ligações externas

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