As referências deste artigo necessitam de formatação. (setembro de 2016) |
| Carlos do Carmo | |
|---|---|
Carlos do Carmo (Novembro de 2007) | |
| Informações gerais | |
| Nome completo | Carlos do Carmo da Ascensão de Almeida |
| Nascimento | 21 de dezembro de 1939 Lisboa, Portugal |
| Morte | 1 de janeiro de 2021 (81 anos) Lisboa Portugal |
| Gêneros | Fado, música popular portuguesa |
| Ocupação | Cantor |
| Instrumento | Voz |
| Período em atividade | 1964-2019 |
| Gravadora | Universal Music |
| Afiliações | Lucília do Carmo, Alfredo Marceneiro, Armandinho, Amália Rodrigues, Joaquim Luís Gomes, José Carlos Ary dos Santos, Fernando Tordo, José Luís Tinoco, António Victorino de Almeida, Paulo de Carvalho, Raúl Nery, Martinho d'Assunção, António Chainho, José Maria Nóbrega, Camané, Mariza, Bernardo Sassetti |
Carlos do Carmo, nome artístico de Carlos do Carmo da Ascensão de Almeida ComIH • GOM (Lisboa, 21 de dezembro de 1939 – Lisboa, 1 de janeiro de 2021) foi um cantor e intérprete de fado português.
Filho de Alfredo de Almeida, livreiro e, posteriormente, proprietário da casa de fados O Faia, e da fadista Lucília do Carmo, Carlos do Carmo nasceu na Maternidade Magalhães Coutinho, à Rua de São Lazaro, n.º 100, freguesia da Pena, Lisboa.
Passou a infância no bairro da Bica.
Estudou no Liceu Passos Manuel, indo depois prosseguir os estudos na Suíça, para onde partiu com 17 anos de idade.
Nesse país frequentou o Institut auf dem Rosenberg, um colégio alemão de elite, situado em São Galo, onde teve oportunidade, durante três anos, de estudar intensamente línguas estrangeiras, tornando-se fluente em francês, inglês, alemão, italiano e espanhol.
Depois, já em Genebra, obteve um diploma técnico de Gestão Hoteleira.
Apesar de se encontrar empregado na Companhia Nacional de Navegação, a morte do pai, em 1962, levou Carlos do Carmo a assumir a gerência d'O Faia, que, com o passar dos anos, se tornara numa importante casa de Fados da capital.
N' O Faia começou a atuar para os amigos e clientes mais frequentes da casa, até que, em 1964, abraçou definitivamente a carreira artística.
O surgimento de Carlos do Carmo como fadista dá-se após gravar com Mário Simões uma versão de Loucura, fado de Júlio de Sousa, que a mãe Lucília interpretava.
O fadista afirmaria que escolheu o fado Loucura porque ser o unico de que sabia a letra.
É certo que estava habituado a ouvir o Fado desde criança, quer na voz de sua mãe, quer na voz de outros intérpretes. Fora levado a ouvir fadistas populares nas verbenas de Lisboa e cedo contactara também com os artistas que atuavam na casa de fados dos pais — Alfredo Marceneiro, Maria Teresa de Noronha ou Carlos Ramos são exemplos de fadistas que Carlos do Carmo ouviu em criança n'O Faia.
Na sua juventude, porém, afastara-se da canção tradicional de Lisboa.
Da infância retivera o gosto pelas canções brasileiras de Luiz Gonzaga e Dorival Caymmi, até que, adolescente, deixara-se fascinar pelas capacidades interpretativas de Frank Sinatra, na música anglo-saxónica, e de Jacques Brel, na música francófona.
Também o facto de passar alguns anos no estrangeiro, contribuíra para que Carlos do Carmo se afastasse do Fado.
A sua versão de Loucura, junto do quarteto de Mário Simões, seria um desafio à forma tradicional de interpretar o Fado — o estreante fadista gravou este tema acompanhado de um piano, um baixo, uma guitarra elétrica e um coro de vozes femininas.
O single começou a passar regularmente na rádio e, em consequência do sucesso que teve, motivaria, noS anos seguintes, o EP Carlos do Carmo com Orquestra de Joaquim Luiz Gomes (1966) e o álbum O Fado de Carlos do Carmo (1969).
Tais passos suscitariam um auspicioso reconhecimento da critica, através da Casa da Imprensa — 1967 o EP valer-lhe-ia o Premio de Melhor Intérprete e, em 1970, o seu primeiro álbum o Prémio Pozal Domingues de Melhor Disco do Ano.
Entretanto, ainda em 1964, Carlos do Carmo casou com Maria Judite de Sousa Leal, com quem teve três filhos, Cila do Carmo, Becas do Carmo e Gil do Carmo.

À entrada da década de 1970, Carlos do Carmo grava outros títulos (EP e LP), nomeadamente junto da sua mãe (Lucília do Carmo), mas os trabalhos que marcariam esses seus primeiros anos seriam os albuns Por Morrer uma Andorinha e Carlos do Carmo.
No primeiro conter-se-ia o tema homônimo de Frederico de Brito, na composição do Fado Vianinha, originalmente gravado pelo amador Francisco Stoffel; na interpretação vigorosa de Carlos do Carmo, o tema tornar-se-ia um êxito comercial e um tema de sempre da sua carreira.
Em Carlos do Carmo, incluir-se-á o tema Canoas do Tejo, outra criação de Frederico de Brito, e que confirmaria o sucesso do fadista com voz de crooner junto do grande publico.
Entretanto, depois de algumas aparições na televisão, Carlos do Carmo surgiu em 1972 como produtor e apresentador de um programa semanal na RTP: o Convívio Musical, por onde passam alguns dos grandes nomes da canção portuguesa e internacional.
Subsequentemente ao 25 de abril, no Festival RTP da Canção de 1976, em que esta adotou um modelo diferente do habitual, Carlos do Carmo foi o único intérprete do concurso — a competição do certame incidia apenas sobre as canções por si interpretadas.
O intérprete cantou oito temas, previamente selecionadas por Manuel da Fonseca e Pedro Tamen — No teu poema (José Luís Tinoco), Novo Fado alegre (José Carlos Ary dos Santos/ Fernando Tordo), Os lobos e ninguém (José Luís Tinoco), Maria-criada, Maria-senhora (Tozé Brito), Flor de verde pinho (Manuel Alegre/ José Niza), Onde é que tu moras (Joaquim Pessoa/ Paulo de Carvalho) e Estrela da tarde (Ary dos Santos/ Fernando Tordo).
Pela sua qualidade e pelo reconhecimento público, vários destes temas tornaram-se clássicos da música portuguesa e marcos na carreira de Carlos do Carmo..
A disputa entre canções da autoria de nomes como Ary dos Santos, associado ao Partido Comunista Português, de um lado, e de Manuel Alegre, militante e deputado do Partido Socialista, de outro, sugeria, porém, uma confrontação política entre comunistas e socialistas, transportada para o festival, numa época em que este constituía um dos eventos de maior atenção mediática no país.
De resto, o festival com o formato original e irrepetível, ficaria ainda marcada pela interação suis generis entre o público presente com o maestro António Victorino de Almeida. Este, paralelamente à apresentação do programa, a cargo de Eládio Clímaco e Ana Zanatti, ocupava-se do comentário crítico de cada uma das canções, pedindo pontualmente a colaboração dos seus autores e ensaiando possíveis modificações.
De entre as canções concorrentes, seria Flor de Verde Pinho, poema de Manuel Alegre e música de José Niza, a canção mais votada pelo público (à época, através de boletins remetidos à televisão por via postal). Por consequência, foi com essa canção que Carlos do Carmo se apresentou em Montecarlo, Itália, em representação de Portugal na XXI edição do Festival Eurovisão da Canção.
A participação daria o mote para a gravação do disco Uma Canção Para a Europa.
Referência obrigatória na história do Fado e na carreira de Carlos do Carmo seria o álbum seguinte, Um Homem na Cidade, editado em 1977 pela Trova (etiqueta fundada pelo próprio intérprete).
Nesse álbum, interpreta poemas de José Carlos Ary dos Santos, aliados a um conjunto de composições musicais inovadoras, de autorias bem diversas — alguns músicos originários do Fado, outros da música erudita, do jazz ou mesmo do pop-rock: José Luís Tinoco, Paulo de Carvalho, António Vitorino de Almeida, Frederico de Brito, Fernando Tordo, Joaquim Luís Gomes, Mário Moniz Pereira ou Martinho d'Assunção.
Com uma abordagem inovadora, o disco tornar-se-ia uma obra de culto e um contributo decisivo para a consolidação do Fado enquanto manifestação musical integrada no novo período democrático.
Por esses anos, Carlos do Carmo deverá grande parte dos seus êxitos a Ary dos Santos, entre eles Um homem na cidade (letra de Ary dos Santos e música de José Luís Tinoco), Lisboa, menina e moça (letra de Ary dos Santos, Joaquim Pessoa e Fernando Tordo, e música de Paulo de Carvalho), Estrela da Tarde (Ary dos Santos/ Fernando Tordo), Novo Fado alegre (Ary dos Santos/ Fernando Tordo), O homem das castanhas (Ary dos Santos/ Paulo de Carvalho), O amarelo da Carris (Ary dos Santos/ José Luís Tinoco), Sonata de Outono (Ary dos Santos/ Fernando Tordo), Fado varina (Ary dos Santos/ Mário Moniz Pereira), Fado do Campo Grande (Ary dos Santos/ António Victorino de Almeida), Balada para uma velhinha (Ary dos Santos/ Martinho d'Assunção) ou Menor maior (Ary dos Santos/ Fado das Horas).
Contudo, rigoroso e ambicioso que era, o fadista não cessaria de buscar a inovação no seu repertorio, procurando até ao fim da sua carreira, trazer novos autores para o Fado, encontrando-se, entre eles, alguns dos mais marcantes escritores e poetas de língua portuguesa da segunda metade do século XX em Portugal — casos de António Lobo Antunes (Canção da Tristeza Alegre), José Saramago (Aprendamos o rito), Vasco Graça Moura (Nasceu assim, cresceu assim), Herberto Helder (Poemas canhotos), Nuno Júdice (Lisboa Oxalá), Fernando Pinto do Amaral (Fado da Saudade).
Ao mesmo tempo, revelaria autores sem prévia relação com as letras (nem, igualmente com o Fado), como a atriz Manuela de Freitas (Fado Penélope), que viria a ocupar presença de destaque na discografia de Camané, ou o pintor Júlio Pomar (Fado do 112)
A escritora e editora Maria do Rosário Pedreira teria com Carlos do Carmo, para quem assinou temas como Pontas soltas ou Vem, não te atrases, o seu debute no meio musical, e do Fado em particular, nele prosseguindo com a assinatura de letras de significativo sucesso, nomeadamente para António Zambujo (Flagrante, por exemplo).
Congregando uma nova plêiade de autores, e rejeitando o chamado fado fadário ou o fado das elegias marialvas, o estilo de Carlos do Carmo derruba o estigma do fado associado ao regime fascista, transportando-o para o período do pós-revolução e para o Portugal novo, livre e democrático, assim conquistando novas gerações de publico, que ouve esse fado novo.
Desde as suas atuações n'O Faia, que se sucedem as apresentações ao vivo de Carlos do Carmo.
Numa entrevista ao jornal A Capital, afirmaria que: (...) cantar é um ato de prazer, mas sobretudo no palco, que é um constante jogo de sedução, uma troca indescritível de sentimentos e emoções (...).

As suas primeiras digressões foram realizadas ainda no início da década de 1970, com espetáculos em Angola, EUA e Canadá, dirigidos sobretudo para a diáspora portuguesa.
Já em 1973 debutava no Brasil ao lado de Elis Regina, num concerto realizado no Copacabana Palace, Rio de Janeiro.
No fim da década de 1970, mais precisamente quando abandona a gerência d'O Faia, em 1979, Carlos do Carmo intensifica as suas apresentações ao vivo, e em particular, fora de Portugal.
O cantor assinalaria sempre a sua passagem pelo Olympia de Paris como um fator determinante no seu percurso pelos palcos internacionais. A sua estreia na sala parisiense ocorreu com um espetáculo realizado nas noites de 11 e 12 de outubro de 1980 e foi registada em disco (Carlos do Carmo ao vivo no Olympia).
Ao Olympia seguir-se-ia a sua primeira atuação na Alte Oper de Frankfurt, em 1982, palco onde teve tal sucesso que motivou convites para atuar nos dois anos seguintes. Uma gravação do primeiro espetáculo foi igualmente editada em disco.
Além das suas atuações no Olympia e na Ópera de Frankfurt, são de assinalar as suas passagens pela Ópera de Wiesbaden, no Canecão do Rio de Janeiro, pelo Hotel Savoy de Helsínquia, o Teatro da Rainha em Haia, o Teatro de São Petersburgo, no Place des Arts em Montreal, o Tivoli de Copenhaga ou no Memorial da América Latina em São Paulo.
Em Portugal, ate ao fim da sua carreira, o fadista apresentou-se nas principais salas de espetáculos e eventos nacionais, como os coliseus de Lisboa e do Porto, o Casino Estoril, o Centro Cultural de Belém, o claustro do Mosteiro dos Jerónimos ou a Fundação Calouste Gulbenkian.
Na producao discografica, na decada de 1980, Carlos do Carmo lançaria Um Homem no País, em 1984, novamente um projeto em torno de poemas de Ary dos Santos, e Mais do que Amor é Amar, em 1986.
O primeiro tratar-se-ia do ultimo trabalho da profícua parceria com Ary dos Santos, falecido pouco tempo depois, e que se destacou como a primeira edição em formato CD de um artista português.
O disco marcaria igualmente o inicio de parceria com José Mário Branco, responsável pela produção e direção musical do álbum, tendo também sido o coautor (com Ary) dos temas "Fado excursionista", "Fado Manguela" e "Fado Ultramar", além de responsável pelos arranjos de outros temas. De referir ainda que a melodia do "Fado excursionista", de José Afonso, foi único que este concebeu para um álbum de outro artista.
O segundo foi um álbum produzido a partir da seleção de autores da clássica e contemporânea - de Almeida Garrett, Antero e Bocage a Fernando Pessoa ou Teixeira de Pascoaes, de Pedro Homem de Mello a Ary dos Santos, Saramago e Carlos de Oliveira – nas melodias dos fados estróficos tradicionais de Alfredo Marceneiro, Frederico de Brito, Maria Teresa de Noronha, Miguel Ramos ou José Marques.
Desta forma, o fadista procurava um equilíbrio entre a gravação de fados de novos compositores com os chamados fados tradicionais.
No inicio da década de 1990, em 1990, Carlos do Carmo publica o álbum Carlos do Carmo... Que se fez homem de cantar, o que constitui parte do verso da canção Velho Cantor, que o fadista pediu a Sérgio Godinho. O tema partiu de uma sugestão do escritor Manuel da Fonseca ao fadista, para que cantasse um tema sobre os operários da Lisboa antiga que tinham o gosto de cantar o Fado e, por isso, se faziam homens de cantar. José Mário Branco seria um dos responsáveis pelos arranjos e direção musical deste álbum.
No mesmo ano, durante um espetáculo no Bordéus, o fadista sofria uma queda do palco para a primeira fila da plateia, numa altura equivalente a um andar, que o obrigou a realizar três cirurgias e a uma cuidada recuperação.
Em março de 1991, fazia o seu regresso no Casino Estoril, apresentando um espetáculo transmitido em direto para a RTP, intitulado Vim Para o Fado e Fiquei. Nessa transmissão se podem ver, além dos acompanhantes à guitarra e à viola de décadas a fio, António Chainho e José Maria Nóbrega, outros seus acompanhantes regulares de então, Carlos Bica, no contrabaixo, e Júlio Pereira, no cavaquinho.
Entretanto, Carlos do Carmo regressava à televisão com um programa com o seu próprio nome — Carlos do Carmo é transmitido em cerca de 30 emissões, entre 1997 e 1998, onde o fadista conversa com diversos convidados, sobre musica e outras vertentes artísticas.
A sua discografia prosseguiria com Nove fados e uma canção de amor, de 2002. O álbum marca uma nova colaboração com um artista oriundo de outro género musical, Pedro Abrunhosa, autor da letra de Manhã, um dos temas incluídos no disco; Abrunhosa iniciava então uma ligação ao universo do Fado, vindo a assinar temas para Camané, Ana Moura e Sara Correia.
Em 2007, Carlos do Carmo apresentou, no Museu do Fado, um álbum intitulado À Noite, que reuniu textos inéditos de Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral, Maria do Rosário Pedreira, Júlio Pomar, Luís Represas, José Luís Tinoco e José Manuel Mendes, para as músicas de fados tradicionais da autoria de Armandinho, Joaquim Campos e Alfredo Marceneiro.
Em 2009, na sequência de uma intervenção de Carlos do Carmo num recital organizado pelo "Intervalo – Grupo de Teatro", num tributo aos 60 anos de carreira de Maria João Pires. contando igualmente com a apriticpação de António Vitorino de Almeida, a pianista viria a propor um projeto musical entre os três. Da proposta nasceria o álbum Maria João Pires/ Carlos do Carmo (2012), compreendendo nove temas em diálogo, da autoria de Vasco Graça Moura, José Carlos Vasconcelos, Júlio Pomar, Fernando Pinto do Amaral, José Saramago, Urbano Tavares Rodrigues, Nuno Júdice, Maria do Rosário Pedreira e Fernando Tavares Marques, sobre partituras de António Vitorino d’Almeida.
Paralelamente, desde o início da década de 2000, numa relação próxima com as novas gerações do Fado, Carlos do Carmo promoveu atuações conjuntas com novos fadistas. Assim, partilhou, frequentemente, o palco com Mariza — Gala de Fado do Casino Estoril, a 8 de junho de 2004, por exemplo — ou Camané — concerto de encerramento das Festas de Lisboa, nos jardins da Torre de Belém, em 2006, por exemplo.
A ligação às novas gerações sairia reforçada com a edição, em 2014, do álbum Fado é amor, apresentado nesse ano no Coliseu dos Recreios, onde o fadista apresentou temas gravados com Camané, Mariza, Ana Moura, Aldina Duarte, Cristina Branco, Mafalda Arnauth, Ricardo Ribeiro, Marco Rodrigues, Raquel Tavares e Carminho.
Em 2010, juntou-se ao pianista e compositor Bernardo Sassetti para fazer o álbum Carlos do Carmo & Bernardo Sassetti, onde recriou canções marcantes de outros intérpretes, entre elas Cantigas do Maio (Zeca Afonso), Lisboa que amanhece (Sérgio Godinho), Porto sentido (Rui Veloso), Foi por ela (Fausto Bordalo Dias), Quand on n'a que l'Amour (Jacques Brel) ou Gracias a la vida (Violeta Parra).
Anunciou em 7 de fevereiro de 2019 o fim de atuação em palcos. Os seus últimos concertos foram a 12 de outubro no Theatro Circo, a 2 de novembro no Coliseu do Porto e a 9 de novembro no Coliseu dos Recreios.
Carlos do Carmo viria a falecer no dia 1 de janeiro de 2021 no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, devido a um aneurisma. As cerimónias fúnebres ocorreram dia 4 de janeiro, na Basílica da Estrela, sendo sepultado no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.
Em abril do mesmo ano de 2021 era publicado o ultimo álbum de originais do fadista, gravado ao longo dos seus três últimos anos de vida. Intitulado "E ainda...", nele sao interpretados poemas e/ ou letras de Herberto Helder, José Saramago, Sophia de Mello Breyner, Vasco Graca Moura, Mia Couto, Hélia Correia, Júlio Pomar e Jorge Palma. A letra assinada por Jorge Palma a seu pedido, "Canção de Vida", seria depois por reinterpretada por Palma no seu álbum "Vida".
Embora declarando-se independente, Carlos do Carmo manifestou, por largos anos, apoio ao Partido Comunista Português.
Aquando do seu falecimento, o PCP publicou uma Nota de Pesar, onde, entre vários elogios (“cidadão com um percurso cívico e democrático, com uma carreira artística de mais de 50 anos reconhecida no país e no mundo, intérprete de autores como Ary dos Santos”), referia que Carlos do Carmo fora “participante, entre muitos outros, na afirmação da dimensão cultural da Festa do ‘Avante!’”.
Ressalve-se, porém, que a reticência do Partido face ao Fado após o 25 de Abril de 1974 (tendo como principal voz Fernando Lopes-Graça), fez com que o fadista estivesse para ser afastado da primeira edicao da Festa do Avante!, em 1976, realizada na antiga Feira Internacional de Lisboa. A sua inclusão, segundo o testemunho do fadista incluído no livro de Miguel Carvalho, “Amália – Ditadura e Revolução”, ter-se-á devido a um finca-pé de Adriano Correia de Oliveira, quando a contenda surgiu: “Não quiseram que eu cantasse nessa primeira Festa do Avante!. Entendeu-se que não fazia sentido aparecer ali um fadista… Foi o meu querido e saudoso amigo Adriano Correia de Oliveira, que sempre gostou de fado, que disse à direcção: Ou o Carlos do Carmo canta ou eu não canto!”, contou o fadista ao autor.
Apoiando a sua intervenção no domínio da música, Carlos do Carmo teve igualmente responsabilidades na formação da banda Trovante, apadrinhada pelo PCP, financiando-lhe a compra de material, na sequência de pedido de Luís Represas, João Gil e Manuel Faria.
Não obstante ser considerado um compgnong de route do partido de Cunhal, em 2009, Carlos do Carmo surgiria como mandatário da candidatura socialista de António Costa à presidência da Câmara de Lisboa.
Já em 2015, voltou a manifestar publicamente o seu apoio a António Costa, enquanto candidato as eleições legislativas desse ano. Na ocasião, perante a imprensa, recusou contudo ser considerado um "simpatizante socialista"
Aquando da sua morte, o empenhamento político de Carlos do Carmo foi assinalado por diversas outras figuras da cultura e da música em particular, como Pedro Abrunhosa .
Carlos do Carmo foi, por duas vezes, agraciado pela Presidência da República Portuguesa com graus honoríficos:
O fadista recebeu diversos prémios, atribuídos pelos seus álbuns ou pela sua carreira, de que se destacam:
Em 2008, recebeu em Espanha, em conjunto com o poeta Fernando Pinto do Amaral, o prestigiado Prémio Goya, na categoria de Melhor Canção Original, com o Fado da Saudade. A canção faz parte da banda sonora do filme Fados, que concorria à edição de 2008 daqueles que são considerados os óscares espanhóis. No entanto, foram levantadas dúvidas sobre a verdadeira autoria deste fado.
Em 2014, tornou-se, a par da soprano Elisabete Matos, no segundo artista português a ganhar um Grammy, obtido na categoria Excelência Musical, entregue apenas aos artistas pelo conjunto da obra que produziram ao longo da sua carreira e não devido ao êxito que lograram com determinada canção ou álbum. No mesmo ano, a 19 de novembro, o fadista recebe o Grammy Latino de Carreira, no Hollywood MGM de Las Vegas.
Na sequência deste galardão internacional, a Rádio Comercial prestou a Carlos do Carmo uma singular homenagem, ao produzir um vídeo onde 35 cantores portugueses de diferentes gerações cantam Lisboa Menina e Moça, entre eles Paulo de Carvalho, Jorge Palma, Rui Reininho, Camané, Mariza, Aurea, Ana Moura, Tiago Bettencourt ou David Fonseca.
A cidade de Lisboa atribuiiu o nome de Carlos do Carmo ao passeio na zona ribeirinha localizado entre o Terreiro das Missas e o Jardim das Docas da Ponte.
Em 2008 Carlos do Carmo recebeu uma estrela em sua homenagem no Muro da Fama - Nirvana Studios.