| Centaur Technology | |
|---|---|
Processador CHA desenvolvido pela Centaur | |
| Subsidiária | |
| Atividade | Projetos de microprocessadores |
| Fundação | Abril de 1995, em Austin, Texas, Estados Unidos |
| Fundador(es) | Glenn Henry, Terry Parks, Darius Gaskins e Al Sato |
| Destino | Parte dos funcionários contratada pela Intel |
| Encerramento | 2021 |
| Sede | Austin, Texas, Estados Unidos |
| Pessoas-chave | Glenn Henry |
| Produtos | Projetos de processadores X86 |
| Empresa-mãe | VIA Technologies |
| Website | Site oficial arquivado |
Centaur Technology foi uma empresa dos Estados Unidos que desenvolvia microprocessadores compatíveis com a arquitetura X86. Fundada em 1995, tornou-se subsidiária integral da VIA Technologies em 1999 e projetou processadores vendidos com os nomes WinChip, VIA C3, VIA C7 e VIA Nano.
O documentário Rise of the Centaur, de 2015, acompanha o início da empresa. Em 2021, a Intel contratou parte da equipe, e as instalações da Centaur foram encerradas.
Glenn Henry, Terry Parks, Darius Gaskins e Al Sato fundaram a Centaur em abril de 1995, com financiamento da Integrated Device Technology, a IDT. A empresa pretendia desenvolver processadores x86 de menor custo e consumo de energia, com um núcleo próprio e uma equipe de desenvolvimento menor que a dos fabricantes que disputavam o segmento de maior desempenho.
O plano combinava um núcleo x86 desenvolvido do início, com escolhas de arquitetura diferentes das da Intel, e uma forma de administrar o desenvolvimento voltada à produtividade de uma equipe pequena. Durante o período sob controle da IDT, a Centaur desenvolveu três projetos vendidos com o nome WinChip. A VIA comprou a empresa em setembro de 1999 e passou a vender seus projetos nas famílias C3, C7 e Nano. Projetos derivados da Nano também foram utilizados pela Zhaoxin, empresa da qual a VIA participa.
No fim de 2019, a Centaur apresentou o núcleo CNS, integrante de um sistema em um chip x86 com um coprocessador para inteligência artificial. Em novembro de 2021, a Intel anunciou uma operação de US$ 125 milhões para contratar profissionais da divisão. A VIA manteve sua licença x86 e as patentes relacionadas, além da participação na Zhaoxin.
A Centaur procurava atender a computadores de uso comum e a equipamentos embarcados com processadores de custo e consumo de energia menores. Essa escolha orientava o tamanho dos circuitos, os recursos de execução e a frequência de operação. A equipe buscava desempenho suficiente para as aplicações previstas, sem disputar em todas as gerações o processador mais rápido do mercado.
O VIA PadLock acrescentou recursos de criptografia, cálculo de resumos criptográficos e geração de números aleatórios aos processadores da empresa. O C7, lançado em maio de 2005, incorporava esses recursos de segurança.
Os projetos C3 reservavam espaço para memórias cache de primeiro nível, tabelas de tradução de endereços e mecanismos de busca antecipada de dados. O acesso à memória podia limitar o desempenho, de modo que a redução do tamanho do núcleo não era aplicada de forma uniforme a esses componentes.
A arquitetura priorizava uma frequência de operação elevada com circuitos de execução relativamente simples. Recursos como execução fora de ordem exigiriam mais transistores, área e energia. O processamento das instruções mais frequentes era favorecido, enquanto operações menos utilizadas podiam ser realizadas por sequências de microcódigo. Essa divisão mantinha a compatibilidade com o conjunto x86, mesmo com uma organização interna diferente da dos processadores da Intel e da AMD.
A organização das etapas de execução procurava reduzir o número de ciclos necessário às instruções comuns de transferência entre registradores e memória. As instruções x86 menos utilizadas podiam ser decompostas em operações menores. Essas escolhas guardavam semelhança com propostas RISC, mas o processador continuava oferecendo ao software um conjunto de instruções CISC, o x86. Alguns processadores da família também tinham um conjunto alternativo de instruções, separado da interface x86 pública.
O núcleo Esther, também chamado de C5J, deu continuidade ao Nehemiah+ da família C3. A equipe manteve o objetivo de equilibrar desempenho, número de transistores e consumo de energia, com mudanças nos circuitos de busca de instruções, previsão de desvios e acesso às memórias cache.
A família C7 tinha 128 kB de cache de primeiro nível e 128 kB de segundo nível. Na apresentação de maio de 2005, a VIA anunciou modelos de até 2 GHz, fabricados pelo processo de 90 nm da IBM, com área de 30 mm². A arquitetura procurava melhorar o desempenho sem elevar o consumo ao nível dos processadores maiores destinados ao mesmo conjunto de aplicações. As mudanças nas memórias e na busca antecipada também foram examinadas em testes da plataforma.
A arquitetura Isaiah, utilizada no Nano, acrescentou execução superescalar, processamento de instruções fora de ordem e suporte a 64 bits. O desenvolvimento procurava elevar o desempenho por watt sem um aumento proporcional do consumo térmico em relação ao C7.
Os núcleos passaram a distribuir operações entre unidades de execução enquanto mantinham a ordem exigida para a entrega dos resultados ao programa. A família também incorporou virtualização e recursos de segurança do PadLock. A evolução da arquitetura resultou em modelos de dois núcleos, como o Nano X2, anunciado em 2011.
A Centaur anunciou o CNS no fim de 2019, com suporte a AVX-512 e um coprocessador para inteligência artificial. O projeto não chegou ao mercado antes da transferência de parte da equipe para a Intel em 2021. Os protótipos tinham até oito núcleos, frequência básica de 2 GHz e fabricação pelo processo de 16 nm da TSMC. Embora usassem um encapsulamento com a mesma disposição de contatos do soquete LGA2011-3 da Intel, não eram eletricamente compatíveis com as placas-mãe desse fabricante. Parte das soluções do projeto foi aproveitada em processadores da Zhaoxin.
O sistema em um chip CHA reunia oito núcleos CNS e o coprocessador de aprendizagem profunda Ncore, com unidades de processamento que trabalhavam sobre 4.096 bytes em paralelo. O acelerador foi submetido aos testes MLPerf Inference v0.5, cujos resultados e condições de execução foram disponibilizados publicamente.
A redução da área dos circuitos era uma das escolhas da Centaur para conter os custos e o consumo de energia. O C7 foi apresentado com área de 30 mm² no processo de 90 nm, enquanto a arquitetura Isaiah foi desenvolvida para o processo de 65 nm.