| Cerberus Capital Management, L.P. | |
|---|---|
Sede da empresa no 875 Third Avenue, em Nova Iorque | |
| Parceria limitada privada | |
| Atividade | Private equity |
| Fundação | 1992 |
| Fundador(es) | Steve Feinberg William L. Richter |
| Sede | Nova Iorque, Estados Unidos |
| Área(s) servida(s) | Mais de 30 escritórios no mundo |
| Pessoas-chave | Frank W. Bruno, diretor-presidente e diretor de investimentos Dan Quayle, presidente da Cerberus Global Investments John W. Snow, presidente da Cerberus Capital Management |
| Produtos | Títulos e ativos em dificuldades, aquisições alavancadas, capital de crescimento, investimentos imobiliários e crédito comercial |
| Subsidiárias | Cerberus Operations and Advisory Company LLC |
| Website | cerberus |
Cerberus Capital Management, L.P. é uma gestora americana de investimentos alternativos, com estratégias de crédito, private equity e imóveis. A empresa foi fundada em 1992, em Nova Iorque, por Steve Feinberg e William L. Richter. Desde março de 2025, é dirigida por Frank W. Bruno, que já exercia o cargo de codiretor-presidente ao lado de Feinberg desde 2018. A Cerberus tem cerca de mil funcionários em mais de 30 escritórios no mundo. Em 2026, administrava aproximadamente US$ 70 bilhões em ativos.
Em 2019, a Cerberus foi a 25.ª maior contratada de defesa dos Estados Unidos por valor de contratos federais, com cerca de US$ 1,9 bilhão em contratos concedidos naquele ano.
O nome Cerberus vem de Cérbero, o cão de três cabeças que guarda a entrada do submundo na mitologia grega. Feinberg disse mais tarde que a escolha parecera uma boa ideia quando a empresa foi criada, mas que acabou se arrependendo de batizá-la com o nome da criatura mitológica.
Dan Quayle, que foi vice-presidente dos Estados Unidos de 1989 a 1993 no governo de George H. W. Bush, entrou para a Cerberus em 1999 e preside a Cerberus Global Investments. John W. Snow preside a Cerberus Capital Management.
A empresa atua em private equity, crédito, finanças especializadas, imóveis e negociação de títulos. Em 2010, seu portfólio incluía mais de 40 empresas no mundo e o tempo médio de permanência dos investimentos passava de cinco anos.
Feinberg deixou a direção da Cerberus ao assumir o cargo de subsecretário de Defesa na segunda presidência de Donald Trump, em março de 2025. Documentos de divulgação financeira apresentados por ele afirmavam que sua participação na Cerberus havia sido desfeita, mas continham uma cláusula que mantinha uma relação financeira com a empresa. A ProPublica informou que, depois de sua entrada no Pentágono, o Departamento de Defesa contratou ao menos quatro empresas pertencentes à Cerberus.
Em dezembro de 2004, a Cerberus anunciou a compra do negócio de produtos de plasma sanguíneo da Bayer, que passou a se chamar Talecris Biotherapeutics. A Cerberus pagou US$ 83 milhões pela Talecris e vendeu a maior parte de suas ações em outubro de 2009, obtendo ganho líquido de US$ 1,8 bilhão.
Em 2005, a Cerberus comprou por US$ 2,3 bilhões o negócio de papel da MeadWestvaco e o rebatizou como NewPage. A empresa também comprou da Georgia-Pacific sua divisão de distribuição e produtos para construção, junto com os imóveis relacionados. O novo negócio recebeu o nome BlueLinx Holdings e ficou sediado em Atlanta.
Em 2015, o consórcio Atlantic Gateway, de David Neeleman e Humberto Pedrosa, venceu o processo de privatização de 61% da TAP Air Portugal. Neeleman havia fundado a Azul Linhas Aéreas Brasileiras e a JetBlue Airways, além de participar da fundação da WestJet. O plano financeiro da operação previa um empréstimo obrigacionista conversível de € 120 milhões a ser subscrito por uma entidade externa ao consórcio. A estrutura inicial previa financiamento da Cerberus, que acabou substituído por outra solução antes da conclusão do processo.
A Cerberus é proprietária da IAP Worldwide Services, que comprou a divisão World Services da Johnson Controls em fevereiro de 2005. A empresa também foi proprietária da Multimax, depois de comprar sua antecessora em 2000 e a própria Multimax em 2006. A participação foi vendida integralmente à Harris Corporation em 2007. A Cerberus também possui a Tier 1 Group, empresa privada de treinamento militar.
Por meio da Cerberus Real Estate, a empresa faz investimentos imobiliários de participação direta, dívida mezzanine, primeiras hipotecas e situações de estresse financeiro ou circunstâncias especiais. Também possui participação minoritária na LNR Property, incorporadora e gestora de investimentos imobiliários de Miami Beach, por meio da subsidiária Riley Property. Em setembro de 2015, uma afiliada da Cerberus comprou da Building and Land Technology uma carteira com mais de 4.200 casas unifamiliares para aluguel. A gestão passou para a FirstKey Homes, criada naquele mês por uma empresa cuja controladora majoritária era a Cerberus.
Em junho de 2006, a Cerberus comprou 655 das 2.500 lojas da Albertson's, Inc. e formou a Albertsons LLC, com sede em Boise, Idaho. Também teve participação na rede de lojas de departamentos Mervyn's, depois que ela foi comprada da Target Corporation. Em maio de 2012, a Cerberus vendeu à MICROS Systems sua participação na Torex Retail Holdings, empresa de Dunstable, Inglaterra, que fornecia sistemas de tecnologia da informação para varejo, postos de combustível, lojas de conveniência e pubs no Reino Unido e na Europa continental. A Torex havia sido comprada em junho de 2007. Em janeiro de 2013, a Cerberus anunciou o acordo para comprar 877 lojas das redes Albertsons, Acme, Shaw's e Star Market da SuperValu por US$ 100 milhões e assumir US$ 3,2 bilhões de dívida. Em fevereiro de 2014, a Safeway negociava com a Cerberus uma possível aquisição alavancada. Depois da incorporação da Safeway, a Kroger anunciou em 14 de outubro de 2022 um acordo de cerca de US$ 25 bilhões para comprar a Albertsons. Tribunais federais e estaduais bloquearam a fusão, e as empresas encerraram o acordo em dezembro de 2024.
Em outubro de 2003, a Cerberus comprou por US$ 230 milhões a ANC Rental, então em recuperação judicial e proprietária das locadoras National Car Rental e Alamo Rent A Car. O negócio foi vendido à Enterprise Rent-A-Car em 2007. Em maio de 2005, comprou da DaimlerChrysler uma participação de 45% na debis AirFinance, empresa de arrendamento de aeronaves. A aquisição foi concluída em julho, e a empresa passou a se chamar AerCap. A AerCap realizou sua oferta pública inicial em 2006. A Cerberus também comprou North American Bus Industries, Optima Bus Corporation e Blue Bird Corporation no setor de fabricação de ônibus. Em 2013, vendeu seus ativos de ônibus comerciais à New Flyer Industries, mas manteve a linha de ônibus escolares da Blue Bird.
Entre os investimentos automotivos da Cerberus estiveram a Peguform, comprada em 2004 e vendida à Polytec quatro anos depois, a GDX Automotive, mantida até 2011, e a Chrysler.
Em 2007, a Cerberus e cerca de cem outros investidores compraram 80% da Chrysler por US$ 7,4 bilhões. A intenção era melhorar o desempenho da montadora como empresa independente. Em 2008, o plano fracassou com a forte retração da indústria automobilística americana e a falta de capital.
Em audiência de uma comissão da Câmara dos Representantes em 5 de dezembro de 2008, o presidente e diretor-presidente da Chrysler, Robert Nardelli, disse à deputada Ginny Brown-Waite que as obrigações fiduciárias da Cerberus com seus demais investidores e investimentos impediam uma nova injeção de capital. A Cerberus informou ao Departamento do Tesouro que entregaria sua participação acionária na operação automotiva da Chrysler a trabalhadores e credores para facilitar a reestruturação.
Em 30 de abril de 2009, a Chrysler pediu proteção contra falência pelo Capítulo 11 e anunciou que a GMAC financiaria seus veículos novos no atacado e no varejo.
Em 30 de março de 2009, a Cerberus havia anunciado que abriria mão voluntariamente de sua participação acionária na Chrysler como condição do acordo de socorro do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, mas manteria sua participação na Chrysler Financial. A Cerberus também concordou em oferecer uma garantia de US$ 2 bilhões para um empréstimo de US$ 4 bilhões concedido pelo Tesouro à Chrysler em dezembro de 2008. As concessões incluíam a renúncia à participação acionária, a lucros e a assentos no conselho.
A Chrysler Financial, que havia sido o braço exclusivo de financiamento da montadora, permaneceu sob controle da Cerberus até abril de 2011, quando sua venda ao TD Bank Group foi concluída.
A Chrysler Financial inicialmente recusou US$ 750 milhões em recursos do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (TARP), em parte porque seus executivos não queriam se submeter aos limites de remuneração ligados ao programa. Em janeiro de 2009, recebeu US$ 1,5 bilhão do TARP e afirmou ter usado os recursos para financiar 85 mil empréstimos destinados à compra de veículos Chrysler. O empréstimo foi integralmente pago em julho de 2009, depois que a empresa captou recursos numa securitização de ativos pelo programa Term Asset-Backed Securities Loan Facility.
Em dezembro de 2010, a Cerberus concordou em vender determinados ativos da Chrysler Financial ao TD Bank Group por US$ 6,3 bilhões em dinheiro e manter cerca de US$ 1 bilhão em ativos da financeira. A transação, concluída em abril de 2011, permitiu à Cerberus recuperar praticamente todo o valor investido na Chrysler.
Em janeiro de 2025, a Hindenburg Research afirmou que documentos corporativos mostravam envolvimento da Cerberus com a Towd Point Auto, holding que teria adquirido dívidas problemáticas da Carvana.
Em 2006, a Cerberus comprou por US$ 7,4 bilhões uma participação de 51% na GMAC, braço financeiro da General Motors, e nomeou Ezra Merkin presidente não executivo.
Em dezembro de 2008, a GMAC informou que ainda não havia obtido capital suficiente para se converter em holding bancária e que uma troca de US$ 38 bilhões em dívida da companhia e de sua unidade hipotecária Residential Capital não tinha atraído participação suficiente. Sua exposição à diferença entre valores residuais era de cerca de US$ 3,5 bilhões.
Ainda em dezembro, a Cerberus avisou aos detentores de títulos da GMAC que a empresa poderia pedir proteção contra falência se o plano de troca de dívida não fosse aprovado. Merkin deixou a presidência em janeiro de 2009, como condição imposta pelo governo dos Estados Unidos. Cinco dias antes, o Federal Reserve havia autorizado a GMAC a se tornar uma holding bancária, abrindo seu acesso aos recursos de socorro financeiro. Em 29 de dezembro de 2008, o Tesouro dos Estados Unidos investiu US$ 5 bilhões na GMAC por meio do TARP. Novos aportes de US$ 7,5 bilhões, em 21 de maio de 2009, e US$ 3,8 bilhões, em 30 de dezembro do mesmo ano, elevaram o investimento governamental total para US$ 16,3 bilhões.
Os investimentos da Cerberus na Chrysler e na GMAC correspondiam a cerca de 7% de seus ativos sob gestão. No fim de maio de 2009, a Cerberus reduziu sua participação na GMAC como condição para a conversão da financeira em holding bancária. A maior parte da participação que a General Motors mantinha na GMAC foi colocada num fundo administrado por um agente nomeado pelo Tesouro para ser alienada gradualmente, e a Cerberus distribuiu a maior parte de sua participação a seus investidores. A Federal Deposit Insurance Corporation deu à GMAC acesso ao Temporary Liquidity Guarantee Program, criado em outubro de 2008 para facilitar a captação dos bancos mediante garantia governamental de pagamento aos investidores em caso de inadimplência. O governo também dispensou uma regra que limitaria os empréstimos da GMAC a clientes e concessionárias Chrysler pelo fato de as duas empresas terem participação da Cerberus.
Em dezembro de 2006, a Cerberus comprou o banco austríaco BAWAG P.S.K. por cerca de € 3,2 bilhões. Em agosto de 2007, anunciou o fechamento da Aegis Mortgage, uma de suas empresas hipotecárias. A Cerberus e o Gabriel Group haviam comprado em 2005 uma participação conjunta de 9,9% no Bank Leumi, metade pertencente a cada grupo. Em abril de 2009, decidiram vender a participação para reforçar o capital. A Cerberus também foi controladora do banco japonês Aozora e vendeu integralmente sua participação em 2013.
Na Austrália, a Cerberus comprou a Bluestone Mortgages, especializada em crédito e serviços hipotecários, em 2018, a Angle Finance, de financiamento de equipamentos, em 2019, e a unidade Strategic Alliances, de financiamento a fornecedores, do Westpac Group em 2020.
A Cerberus comprou a Bushmaster Firearms International de Dick Dyke, empresário de Windham, Maine, por valor não divulgado em abril de 2006, e a Remington Arms em abril de 2007. Sob controle da Cerberus, a Bushmaster comprou em agosto de 2007 a Cobb Manufacturing, fabricante de fuzis táticos de grande calibre. A Cerberus também comprou a DPMS Panther Arms em 14 de dezembro de 2007. A Remington Arms comprou a Marlin Firearms em janeiro de 2008. Em outubro de 2009, a Remington Military Products comprou a Advanced Armament Corporation, fabricante de silenciadores. Essas empresas foram reunidas na Remington Outdoor Company.
Em 18 de dezembro de 2012, depois que um fuzil Bushmaster AR-15 foi usado no massacre da Sandy Hook Elementary School, a Cerberus anunciou planos de vender sua participação na Remington Outdoor Company. A decisão também ocorreu depois de o conselho do fundo de pensão dos professores da Califórnia, CalSTRS, que investia na Cerberus, ameaçar vender participações em fabricantes de armas proibidas pela legislação estadual. Em março de 2014, a Cerberus rejeitou uma oferta de US$ 1 bilhão pela Remington Outdoor Company e não encontrou comprador que aceitasse em seguida. A Cerberus manteve sua participação, e a CalSTRS anunciou em junho de 2015 que havia encerrado seus investimentos em armas por meio da gestora. Em março de 2018, o Freedom Group, então chamado Remington Outdoor Company, pediu proteção contra falência pelo Capítulo 11.
Em 2007, a Cerberus comprou da CBS Corporation sete emissoras de televisão por meio da holding Four Points Media Group. Em 8 de setembro de 2011, anunciou a venda das mesmas sete emissoras à Sinclair Broadcast Group por US$ 200 milhões. A operação foi concluída em 1.º de janeiro de 2012.