Cervejaria Amazonense

Cervejaria Amazonense Miranda Corrêa
Fachada histórica do prédio durante o século XX
Razão socialCervejaria Amazonense de Miranda Corrêa & Cia.
AtividadeIndústria de bebidas alcoólicas
Fundação1912
DestinoA Brahma assumiu o controle das instalações da empresa em 1972, e posteriormente, encerrou a marca
Encerramento1970
Proprietário(s)Família Miranda Corrêa (1912-1970)
J. Macêdo (1970-1972)
ProdutosCervejaria

Cervejaria Amazonense de Miranda Correa & Cia, também conhecida como Cervejaria Miranda Corrêa, foi uma cervejaria amazonense fundada pela família Miranda Corrêa, marcando história sobre a primeira indústria do Amazonas.

Funcionou até ser atingida pelos concorrentes e pelo desenvolvimento da capital amazonense, passando para a propriedade da Brahma em 1972.

Histórico

Fábrica de Gelo Crystal

A Fábrica de Gelo Crystal foi fundada em 21 de fevereiro de 1905, por meio da empresa Miranda Corrêa & Cia., com capital de 1.600 contos de réis. A primeira fábrica de gelo no Amazonas possuía capacidade de produzir 50 toneladas de gelo por dia. Com mais investimentos, teve sua capacidade ampliada para 100 toneladas por dia.

O local da construção da fábrica escolhido era a orla do Rio Negro, para absorver a água para a fabricação do gelo. O transporte do gelo era feito até a mercearia que ficava na região central da cidade, na Avenida Eduardo Ribeiro, que nesse período, possuía comércios e hotéis luxuosos.

Após a abertura da Cervejaria Paraense no início do século XX, o engenheiro Antonino Carlos de Miranda Corrêa propôs aos irmãos a oferta de fundarem uma fábrica em Manaus. Antonio viajou para a Alemanha para estudar o mercado cervejeiro, os produtos para a exportação e o maquinário utilizado na época.

Com o comércio intensificado pela economia gomífera no final do século XIX, e o aumento do consumo da cerveja na cidade, a família planejou a construção de uma cervejaria em 1905, buscando expandir a Fábrica de Gelo Crystal. Os irmãos tiveram que lidar com dificuldades políticas, já que as concorrentes de outros Estados não queriam dividir o mercado cervejeiro, principalmente a Cervejaria Paraense, que dificultou as aprovações necessárias para fundar a fábrica em Manaus.

Cervejaria Miranda Corrêa

A Cervejaria Miranda Corrêa surgiu a partir de uma fábrica de gelo. Antes da fundação da primeira fábrica de cerveja no Norte do país, a cerveja era importada de outros estados brasileiros e países. Com a atividade extrativista em expansão no final do século, a família Miranda Corrêa foi para Manaus em busca de investimentos que aumentassem seu patrimônio financeiro. A família já possuía certos recursos financeiros, mas buscava investir em empreendimentos que somassem seu capital. Naturais de Belém, Pará, logo instalaram a sua residência no bairro Nossa Senhora Aparecida, na Zona Sul da capital amazonense.

As construções iniciaram-se em fevereiro de 1910, já em 12 de outubro de 1912, foi realizada a inauguração oficial da fábrica, marcando história sobre a primeira indústria do Amazonas, por meio do extrativismo econômico da borracha. O projeto da construção foi realizado na França.

O primeiro produto da cervejaria se baseava na Escola Alemã, levando como ingredientes água, lúpulo e cevada. Para a criação de variações da cerveja, a indústria adicionou o modo de fabricação das demais escolas, sendo elas a Escola Britânica e Franco-belga. A água utilizada na fabricação era extraída do Rio Negro, por esse motivo o edifício necessitava estar o mais próximo do rio. A extração e o processo de purificação da água eram realizados na própria cervejaria. A purificação da água era considerada na época “de ótima qualidade”, pois não encontrava-se nenhum vestígio de insalubridade. De acordo com a análise de Carlos Chagas, o sabor da água era doce, possuindo um gosto “magnífico”, trazendo uma singularidade para a cerveja.

As cervejas engarrafadas possuíam um público na cidade e municípios próximos e, em poucos anos, passaram a fornecer em outros Estados e internacionalmente, transportando para a Europa, por meio de navios a vapor. A fábrica possuía inicialmente quatro rótulos. A mais popular na cidade era a X.P.T.O., mas também ofereciam a Cerveja Amazonense, Cerveja Sublime e a Cereja Yankee, essa última lançada após a Primeira Guerra Mundial.

Em 1967, a direção da fábrica passou a J. Macedo, que em 1970 adquiriu o controle da cervejaria, encerrando sua produção, continuando, porém, com a produção de gelo. Dois anos depois foi adquirida pela Brahma. Com a fusão entre Brahma e Antarctica, e a posterior aquisição das instalações pela Heineken em 2010, a fábrica produziu as cervejas Brahma, Bavaria e Kaiser. Em 2017, a antiga fábrica pegou fogo.

De acordo com a obra ‘Miranda Corrêa – Histórias e Memórias’, publicado em 1996 pelo historiador Abrahim Baze, a fabricação da cerveja levava como base a cevada e lúpulo. Como matéria prima utilizavam produtos açucarados (para criar-se o teor em álcool), amido (de milho), lúpulo, fermento, ácido carbônico (para criar o gás) e água purificada.

Referências

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  3. 1 2 3 4 5 6 7 «Descubra, com o nosso historiador Marcelo Freitas, a fascinante história por trás deste edifício icônico!». Arquivo Público do Estado do Amazonas (APEAM). 28 de novembro de 2024. Consultado em 30 de abril de 2026 – via Instagram
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  7. 1 2 «Histórias e Memórias da Cervejaria Amazonense». Portal Amazônia. 11 de maio de 2020. Consultado em 30 de abril de 2026
  8. ↑ Mendonça, Rosanna Lima de (21 de abril de 2021). «Turismo e Patrimônio Industrial: Analise do potencial turístico da cervejaria Miranda Corrêa através do olhar dos moradores». REVISTA ACADÊMICA OBSERVATÓRIO DE INOVAÇÃO DO TURISMO: 43–57. ISSN 1980-6965. doi:10.17648/raoit.v15n1.5793. Cópia arquivada em 6 de maio de 2025
  9. ↑ «Fogo atinge antigo prédio de cervejaria no Centro de Manaus». G1. 15 de agosto de 2017. Consultado em 30 de abril de 2026. Cópia arquivada em 15 de agosto de 2017
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