O termo cetosteroide designa qualquer composto de natureza esteroide que possui um grupo funcional de cetona (=O) ligado à sua estrutura de carbonos, desempenhando um papel crucial na bioquímica hormonal humana. Embora esta oxidação possa ocorrer em diferentes posições do esqueleto de ciclopentanoperidrofenantreno, a biomedicina foca-se essencialmente nos 17-cetosteroides, que apresentam essa ligação no carbono 17. Estes compostos funcionam como precursores ou metabolitos das hormonas sexuais masculinas (androgénios), sintetizados maioritariamente pelo córtex da glândula suprarrenal e, em menor quantidade, pelas gónadas. O principal representante circulante é a desidroepiandrosterona (DHEA) e o seu sulfato, além da androstenediona, intermediários na síntese da testosterona. A testosterona em si não é um 17-cetosteroide por possuir um grupo de hidroxilo nessa posição, mas a sua degradação no fígado gera metabolitos como a androsterona, eliminados na urina. Historicamente, a medição dos 17-cetosteroides na urina de 24 horas (pela reação de Zimmermann) foi um método pioneiro para avaliar a função adrenal e androgénica. Níveis elevados indicam hiperatividade glandular, associada à hiperplasia adrenal congénita, síndrome de Cushing ou tumores virilizantes; valores baixos sugerem hipofunção, como na doença de Addison ou no hipopituitarismo. Na medicina moderna, esta análise urinária genérica foi largamente substituída por exames de sangue específicos e precisos, baseados em imunoensaios e espetrometria de massa. Contudo, o conceito permanece basilar na história da endocrinologia para a compreensão do metabolismo dos esteroides.