
O charnoquito é uma rocha magmática ou metamórfica de alto grau, caraterizada essencialmente pela presença de ortopiroxénio associado a quartzo e feldspatos, que constitui o membro estritamente granítico da chamada série do charnoquito. Batizada em 1893 pelo geólogo Sir Thomas Holland em homenagem a Job Charnock, cuja lápide tumular em Calcutá foi esculpida a partir desta litologia invulgar, a rocha apresenta-se tipicamente com uma matriz fanerítica de grão médio a grosso e uma coloração escura, exibindo tonalidades que variam entre o cinza-escuro, o castanho-esverdeado e o verde-azeitona. Esta pigmentação caraterística, que frequentemente induz em erro na sua classificação visual preliminar, decorre da presença de microfraturas nos feldspatos preenchidas por óxidos de ferro ou minúsculas inclusões fluidas disseminadas. Do ponto de vista mineralógico, o charnoquito destaca-se pelo quartzo de aspeto fumado ou azulado e pela microclina pertítica, mas o seu mineral diagnóstico e obrigatório é o hipersténio, um piroxénio anidro estável apenas sob condições de extrema pressão e temperatura, típicas da crosta inferior e da fácies granulítica. A origem petrogenética destas estruturas constitui um dos debates mais ricos da geologia moderna, dividindo-se entre a cristalização direta de magmas graníticos sob condições de baixíssima atividade de água e o metamorfismo metassomático de desidratação, frequentemente induzido pelo fluxo profundo de dióxido de carbono que quebra quimicamente os minerais hidratados pré-existentes. Amplamente distribuídos pelos antigos escudos cratónicos do supercontinente Gonduana, incluindo extensas ocorrências na Índia, em Madagáscar e no Brasil, os charnoquitos possuem também uma elevada relevância económica global, sendo intensamente extraídos como rocha ornamental de luxo devido à sua excecional durabilidade e ao polimento espelhado esteticamente apelativo.