A celenterazina é uma molécula orgânica pertencente à classe das luciferinas que atua como o substrato fundamental para a ocorrência de reações de bioluminescência numa vasta gama de organismos marinhos. O seu nome deriva historicamente dos antigos «celenterados» (atualmente classificados como cnidários), o primeiro grupo taxonómico onde foi identificada, embora esteja amplamente distribuída por pelo menos oito filos marinhos, incluindo ctenóforos, radiolários, moluscos, crustáceos copépodes e peixes de águas profundas. Do ponto de vista químico, trata-se de um composto heterocíclico do grupo das imidazopirazinonas, apresentando a fórmula molecular C₂₆H₂₁N₃O₃ e uma massa molar de aproximadamente 423,47 g/mol. O mecanismo de emissão de luz ocorre quando a celenterazina é oxidada por enzimas específicas conhecidas como luciferases ou através do desencadeamento de fotoproteínas pré-carregadas (como a equorina da medusa Aequorea victoria). Este processo consome oxigénio molecular e resulta na libertação de dióxido de carbono e na formação de um intermediário excitado denominado celenteramida, que ao decair emite um fotão de luz visível, tipicamente no espetro azul-esverdeado com um comprimento de onda em torno dos 460 a 480 nanómetros. Curiosamente, a maioria dos animais que dependem desta molécula para funções de comunicação, atração de presas ou camuflagem por contrailuminação não possui a capacidade de a sintetizar autonomamente; em vez disso, obtêm-na diretamente através da cadeia alimentar pela ingestão de pequenos crustáceos. Na biotecnologia e na medicina moderna, a celenterazina tornou-se uma ferramenta molecular de extrema importância, sendo amplamente aplicada em ensaios de biologia celular para a monitorização em tempo real de iões de cálcio intracelular, em testes de repórter genético e em técnicas avançadas de transferência de energia por ressonância bioluminescente (BRET).