Colatina | |
|---|---|
Do topo para baixo e da esquerda para direita: vista parcial de Colatina com a Ponte Florentino Avidos sobre o rio Doce ao fundo; Praça Belmiro Teixeira; pôr do sol visto da Avenida Prefeito José Zouain; rio Doce em Colatina sob um fim de tarde; e a cidade na margem do rio Doce com o Cristo Redentor ao fundo à esquerda. | |
| Hino | |
| Lema | Labor omnia vincit "O trabalho tudo vence" |
| Gentílico | colatinense |
![]() | |
| Coordenadas: 19° 32′ 20″ S, 40° 37′ 51″ O | |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Espírito Santo |
| Municípios limítrofes | Governador Lindenberg, São Domingos do Norte, Pancas, Baixo Guandu, Itaguaçu, São Roque do Canaã, João Neiva, Linhares e Marilândia |
| Distância até a capital | 132 km |
| Fundação | 22 de agosto de 1921 (105 anos) |
| Emancipação | 30 de dezembro de 1921 (104 anos) |
| Distritos | Lista
|
| Governo | |
| • Prefeito(a) | Renzo de Vasconcelos (PSD, 2025–2028) |
| Área | |
| • Total | 1 398,219 km² |
| • Urbana (IBGE/2019) | 21,41 km² |
| População | |
| • Total (Censo IBGE/2022) | 120 033 hab. |
| • Posição | ES: 9.º |
| • Estimativa (IBGE/2025) | 129 301 hab. |
| Densidade | 85,8 hab./km² |
| Clima | tropical quente úmido (Aw) |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| IDH (PNUD/2010) | 0,746 — alto |
| PIB (IBGE/2023) | R$ 5 157 944,64 mil |
| • Per capita (IBGE/2023) | R$ 42 971,05 |
| Sítio | colatina.es.gov.br (Prefeitura) camaracolatina.es.gov.br (Câmara) |
Colatina é um município brasileiro no estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Localiza-se na região noroeste do estado, estando situado a cerca de 130 km da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 1 400 km², sendo que 21 km² estão em área urbana. Sua população foi estimada em 129 301 habitantes em 2025, sendo então o nono mais populoso do Espírito Santo e o quarto mais habitado fora da Região Metropolitana da Grande Vitória. Possui ainda um IDH de 0,746, o quinto maior do estado. A cidade, também chamada de "Princesinha do Norte", está localizada nas margens do rio Doce e é um dos principais municípios do interior capixaba.
A cidade começou a se estabelecer na margem direita do rio Doce no final do século XIX, com o povoamento sendo intensificado ao longo do século XX, em função da efervescência do cultivo de café pelo município, associado à construção da ferrovia Vitória a Minas. Emancipada em 1921, Colatina chegou a ser um dos maiores produtores cafeeiros do Brasil entre as décadas de 1940 e 50. Contudo, a economia se diversificou nas décadas seguintes, com o desenvolvimento da indústria, comércio e prestação de serviços. Assim, consolidou-se como um polo atrativo local que abrange o norte capixaba e parte do leste mineiro.
A região do atual município de Colatina foi habitada no passado por povos botocudos, que ocupavam áreas entre os rios Doce e São Mateus no Espírito Santo. Na época do Brasil Colônia, a descoberta de ouro na região central de Minas Gerais fez concentrar ali os investimentos econômicos da Coroa Portuguesa, em detrimento a regiões vizinhas, o que incluiu o interior capixaba. Além disso, a fim de dificultar o contrabando de metais preciosos até o litoral, bem como possíveis invasões estrangeiras, foi proibida a construção de estradas nessa área.
A exploração da região de Colatina foi retardada ainda pela relutância dos botocudos frente aos avanços de colonizadores e pelo curso do rio Doce, o que desencorajava ocupações de forasteiros no norte do estado. A alta incidência de malária também era um desestímulo a ocupações. Esse conjunto de fatores se apresentava em um contexto de expansão do cultivo do café no Espírito Santo, que teve início na primeira metade do século XIX, no sul do estado, e buscava se expandir para áreas mais a norte.
A ocupação de áreas a sul do rio Doce em Colatina teve início na década de 1860, por migrantes de Minas Gerais e do Rio de Janeiro interessados em cultivar café. Os botocudos, por sua vez, viram-se forçados a se retirarem ou a conviverem com os forasteiros. No final da década de 1880, a localidade passou a receber imigrantes, sobretudo italianos, atraídos por oportunidades de trabalho em fazendas de café, o que foi fundamental para que o povoamento da área fosse efetivado.
A primeira povoação do atual município foi a Vila de Mutum (atual Boapaba), seguida pelo Barracão de Baunilha, nas margens do rio Baunilha. Mutum foi por um tempo o principal núcleo habitacional, sendo reconhecido como um distrito subordinado a Linhares em 26 de dezembro de 1895. Contudo, o desenvolvimento da atual sede municipal foi favorecido pela sua posição na margem do rio Doce, que passou a ser utilizado como forma de escoamento da produção cafeeira, além da proximidade do norte do estado, na outra margem do manancial. Assim, esse local acabou se tornando a vila principal posteriormente.
O povoamento da cidade foi iniciado no Barracão Santa Maria, nomeado assim pela proximidade da foz do rio Santa Maria do Doce, vindo a ser reconhecida como Vila de Colatina, subordinada a Linhares, em 1899. O nome "Colatina" é uma homenagem a Colatina Soares de Azevedo, esposa do governador Muniz Freire. O crescimento urbano da localidade foi diretamente beneficiado pela construção da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), com a inauguração das primeiras estações ferroviárias (Baunilha e Colatina) em 1906. Isso permitiu uma conexão direta com Vitória, bem como uma alternativa vital para o escoamento da produção de café, incentivando assim o cultivo cafeeiro e o aumento da população.
Com o crescimento econômico e político, o movimento comercial de Linhares passou a se concentrar em Colatina. Nesse contexto, Alexandre Calmon, o coronel Xandoca, líder político em Linhares, mudou-se com sua família para a então Vila de Colatina, fazendo com que se tornasse a sede do município de Linhares pela lei estadual nº 488 de 22 de novembro de 1907, adquirindo assim o nome deste. Com isso, passou a sediar a Câmara Municipal e a Comarca de Linhares.
Em 1916, a contestação do resultado da eleição estadual levou Colatina a ser declarada como capital do Espírito Santo por 33 dias pela oposição, no contexto da Revolta do Xandoca, que foi uma disputa política e militar entre coronéis pelo controle do governo capixaba. A oposição local, que tinha sua base em Colatina e possuía o apoio do presidente Venceslau Brás, buscava derrubar a oligarquia das famílias Souza Monteiro, porém não obteve sucesso. A revolta deu origem a conflitos violentos e fez com que moradores de Colatina fugissem para Minas Gerais temendo perseguições políticas.
Pela lei estadual nº 1.307 de 30 de dezembro de 1921, foi criado o município com o nome Colatina, enquanto que a atual cidade de Linhares permaneceu como um distrito pertencente a Colatina. O primeiro prefeito foi Virgínio Calmon Ferreira Fernandes. Vale ressaltar que Colatina continuou a comemorar o aniversário em 22 de agosto, aproveitando a data do aniversário de Linhares, mas conta sua idade a partir do ano em que se emancipou (1921).
O crescimento urbano prosseguiu de forma desordenada, sem planejamento de ruas e praças, seguindo o eixo da ferrovia Vitória a Minas e o caminho do rio Doce. Em 1928, foi construída a Ponte Florentino Avidos, favorecendo a ocupação da margem norte do Doce, assim como o acesso ao norte capixaba. Essa construção beneficiou ainda a extração de madeira, tida como uma importante fonte de renda naquela época. A cafeicultura também estava em ascensão, levando Colatina a figurar como o maior produtor de café do Espírito Santo e entre os maiores do Brasil nas décadas de 1940 e 50.
A forma como o crescimento econômico e urbano foi conduzido implicou profundas transformações na paisagem natural, sendo notáveis o desflorestamento e a poluição das águas. Na década de 1940, uma intervenção na Estrada de Ferro Vitória a Minas na cidade, no intuito de acelerar o transporte de minério de ferro pela ferrovia, acarretou a alteração do local da foz do rio Santa Maria do Doce, com o aterro do curso antigo. A terra utilizada para o aterramento foi retirada do antigo Morro da Cabrita, onde foi construído o bairro Esplanada, o que também aumentou a área plana da cidade.
Na década de 1960, a cultura cafeeira no Espírito Santo entrou em uma crise associada ao esgotamento de terras férteis e ao excesso de produção, o que diminuiu o preço do café no mercado. Assim, teve início uma considerável migração da zona rural para as cidades maiores, como a Grande Vitória e a própria zona urbana de Colatina. Dentro desse contexto, devido à falta de grandes áreas planas favoráveis ao crescimento urbano — com a cidade encravada entre o rio Doce e os morros —, os forasteiros passaram a ocupar áreas de elevada declividade de maneira massiva.
O distrito de Itapina, que possuía um comércio pujante e lojas dedicadas às classes altas, também entrou em decadência após a década de 1950. Além da evasão do comércio e da população, também houve o abandono da construção da Ponte de Itapina sobre o rio Doce, que havia sido iniciada sob a presença do presidente Juscelino Kubitschek em 1956. Ela encurtaria o acesso de Itapina à sede municipal em 20 minutos, porém nunca foi finalizada. Na década de 1970, a população urbana de Colatina ultrapassou a rural, com 50,46% dos moradores residindo na cidade e 49,54% no campo em 1970.

Com a crise do café, houve um impulso da pecuária e de atividades relacionadas, como frigoríficos e laticínios. Quanto à indústria, entraram em ascensão os setores metalmecânico, moveleiro e de vestuário. Além do mais, o fato de Colatina constituir uma centralidade regional favoreceu o desenvolvimento do comércio e da prestação de serviços. A cafeicultura voltou a observar crescimento em meados da década de 70, com a modernização da atividade. Em 1975, a ferrovia Vitória a Minas foi transferida para fora do Centro de Colatina, a fim de desviá-la do núcleo urbano. No antigo traçado foi aberta a Avenida Getúlio Vargas.
Desde a emancipação, quando era o maior município do Espírito Santo em área territorial, Colatina passou por diversas modificações territoriais, com sucessivas criações e emancipações de distritos. Do município foram desmembrados Baixo Guandu (1935), Linhares (1945), Pancas (1963), São Gabriel da Palha (1963), Rio Bananal (1979), Marilândia (1980), Alto Rio Novo (1988), Águia Branca (1988), São Domingos do Norte (1990), Sooretama (1994), Vila Valério (1994) e Governador Lindenberg (1998), além do distrito de Acioli, que atualmente faz parte de João Neiva. Em 2007, foi inaugurada a Segunda Ponte sobre o rio Doce, cuja construção havia sido iniciada em 1986. Com isso, foi desviado o trajeto da BR-259 para fora do Centro, desafogando o trânsito sobre a Ponte Florentino Avidos (Primeira Ponte).
Em novembro de 2015, o município foi um dos afetados pelos impactos do rompimento de barragem ocorrido em Mariana, Minas Gerais. A lama da barragem de rejeitos da Samarco chegou ao rio Doce, comprometendo o fornecimento de água em várias cidades que dependem do curso para o suprimento, como em Colatina a partir do dia 19 de novembro. O abastecimento começou a ser retomado depois de cinco dias, mas a qualidade da água do rio ficou comprometida pelos anos seguintes, prejudicando pescadores que dependiam do rio para a atividade.

O município de Colatina está localizado na região noroeste do Espírito Santo. Limita-se com Governador Lindenberg, São Domingos do Norte, Pancas (a norte), Baixo Guandu (a oeste), Itaguaçu, São Roque do Canaã, João Neiva (a sul), Linhares (a leste) e Marilândia (a nordeste). De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Colatina. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Colatina, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Noroeste Espírito-Santense.
O bioma original predominante é a Mata Atlântica. O município está situado na bacia do rio Doce e o relevo varia entre ondulado e acidentado, tornando-se cada vez mais variado à medida que se afasta do vale formado pelo curso do rio Doce. A zona urbana está localizada nas margens do rio Doce, que é o principal curso hídrico que banha o município.
Outros mananciais expressivos que são afluentes do rio Doce e têm sua foz localizada em Colatina são os rios Pancas e São João Pequeno pela margem esquerda e Baunilha, Laje, Santa Joana e Santa Maria do Doce pela margem direita. Entretanto, o território municipal também é banhado por diversos cursos hídricos de pequeno porte, que vertem para os leitos principais.
O desmatamento e o mau uso do solo da bacia do rio Doce têm sido responsáveis por provocar o assoreamento do leito principal. Essa situação favoreceu a ocorrência de enchentes, que avançam sobre áreas ocupadas e plantações nas margens em Colatina de forma reincidente na estação das chuvas. Algumas das mais graves ocorreram em 1979 (a pior), 1997 e 2013. Também em função da degradação do solo e da intensificação do assoreamento, tornou-se comum o surgimento de bancos de areia durante períodos de diminuição das chuvas.

O clima colatinense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente úmido (tipo Aw segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual em torno dos 25 °C, tendo invernos amenos e verões úmidos com temperaturas altas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de 27 °C, enquanto que o mês mais frio, julho, possui média de 22 °C. Outono e primavera são estações de transição, embora condições de umidade relativa elevada prevaleçam na maior parte do ano. O índice pluviométrico anual é de aproximadamente 1 040 mm, sendo junho o mês mais seco e dezembro o mais chuvoso.
As precipitações caem principalmente sob a forma de chuva e, esporadicamente, de granizo. As chuvas podem ainda vir acompanhadas de descargas elétricas e fortes rajadas de vento. Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de 1969 a 2023 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Colatina foi de 169,5 mm no dia 30 de outubro de 2009. Outros grandes acumulados foram de 135,4 mm em 20 de dezembro de 2013, 132 mm em 14 de novembro de 1991 e 131,4 mm em 15 de janeiro de 1980.
| Dados climatológicos para Colatina | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Mês | Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez | Ano |
| Temperatura máxima média (°C) | 33 | 33,8 | 33,1 | 31,6 | 30 | 28,8 | 28,4 | 29 | 29,4 | 30,5 | 31 | 32 | 30,9 |
| Temperatura média (°C) | 26,9 | 27,4 | 26,9 | 25,6 | 23,7 | 22,5 | 22,1 | 22,6 | 23,4 | 24,7 | 25,3 | 26,3 | 24,8 |
| Temperatura mínima média (°C) | 22,1 | 22,3 | 22,2 | 21,1 | 19 | 17,6 | 17,2 | 17,4 | 18,7 | 20,2 | 21 | 21,7 | 20 |
| Precipitação (mm) | 159,8 | 85,9 | 117,5 | 54,9 | 39,8 | 23,2 | 25,2 | 27,3 | 36,3 | 90,7 | 177,9 | 206,4 | 1 044,9 |
| Umidade relativa (%) | 77 | 76 | 78 | 78 | 75 | 76 | 75 | 72 | 69 | 70 | 76 | 78 | 75 |
| Fonte: Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper): temperaturas e precipitação; Climate-Data.org: umidade relativa | |||||||||||||
| Crescimento populacional | |||
|---|---|---|---|
| Censo | Pop. | %± | |
| 1970 | 105 096 | — | |
| 1980 | 111 678 | 6,3% | |
| 1991 | 106 845 | −4,3% | |
| 2000 | 112 711 | 5,5% | |
| 2010 | 111 788 | −0,8% | |
| 2022 | 120 033 | 7,4% | |
| Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) | |||
Em 2022, a população foi estimada em 120 033 habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda segundo o mesmo censo, 107 205 habitantes viviam na zona urbana (89,31% do total) e 12 828 na zona rural (10,69%). Segundo o IBGE, Colatina é considerada um centro sub-regional na hierarquia urbana brasileira, ao exercer influência regional com relação à gestão e disponibilidade de serviços e na gestão do território que abrange municípios de todo o norte do Espírito Santo e ainda do leste de Minas Gerais.
Da população total em 2022, 21 341 habitantes (17,78%) tinham menos de 15 anos de idade, 15 648 (13,03%) tinham de 15 a 24 anos, 27 658 (23,06%) tinham de 25 a 39 anos, 40 582 (33,8%) tinham de 40 a 64 anos e 14 804 (12,33%) possuíam 65 anos ou mais. Também em 2022, a população era composta por 58 403 pardos (48,66%), 51 593 brancos (42,99%), 9 922 negros (8,27%), 67 indígenas (0,06%) e 47 amarelos (0,04%).
Com relação aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por 66 952 católicos (63,54% do total), 29 374 evangélicos (27,88%), 6 333 pessoas sem religião (6,01%), 479 espíritas (0,45%), 235 da umbanda e candomblé (0,22%), 21 das tradições indígenas (0,02%) e 1,88% está dividido entre outras religiões. Segundo divisão feita pela Igreja Católica, o município abriga a sé episcopal da Diocese de Colatina, que é a Catedral do Sagrado Coração de Jesus.
A administração do município é feita a partir dos poderes Executivo, representado pelo prefeito e seus secretários, e Legislativo, constituído pela câmara de vereadores, composta por 15 vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. Colatina abriga uma comarca do Poder Judiciário estadual. O município possuía, em junho de 2026, 87 212 eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A cidade possui um bairro denominado Centro, situado na margem sul do rio Doce, onde está concentrada a maior parte da oferta de comércio e serviços. Contudo, a região do bairro São Silvano, na margem norte, também concentra uma significativa presença de estabelecimentos comerciais, religiosos, sociais e industriais, o que se verifica ainda nas margens das principais ruas e avenidas e das rodovias em outros bairros próximos, como Carlos Germano Naumann, Honório Fraga e Maria das Graças. O mesmo acontece com o bairro Colúmbia, que é desintegrado do restante da zona urbana, na margem da BR-259. Entretanto, os bairros ao redor desses polos comerciais são predominantemente residenciais.
A Ponte Florentino Avidos, conhecida também como Primeira Ponte, liga o bairro Centro à margem norte, sendo a principal via de acesso ao Centro. Como o fluxo de veículos é elevado em horários de pico, há ocorrência cotidiana de engarrafamentos sobre a ponte. Além desta, a chamada Segunda Ponte faz a ligação entre as margens do rio Doce pela BR-259, estando a jusante da ponte mais antiga. O bairro Colatina Velha, a leste do Centro, possui como principal característica um espaço livre de uso público de grande extensão (cerca de 55 mil m²). Nesse local está contida uma área de eventos onde são realizados eventos de grande vulto, como espetáculos musicais, parques de diversão, circos e outros eventos.
Além da divisão urbana em bairros, o município é composto por cinco distritos, fora a sede municipal. O distrito-sede era o mais populoso em 2022, com 112 705 habitantes (93,9% da população municipal), seguido por Itapina, com 1 983 moradores (1,65%). Essa divisão é fruto de uma série de alterações feitas na configuração do território colatinense ao longo do século XX, que envolveu o desmembramento de vários distritos para a criação de novos municípios. O último desmembramento ocorreu em 11 de maio de 1998, quando houve a emancipação de Governador Lindenberg.
| Distrito | Código IBGE | Habitantes (2022) | Domicílios particulares (2022) |
|---|---|---|---|
| Ângelo Frechiani | 320150610 | 1 084 | 393 |
| Baunilha | 320150615 | 1 427 | 514 |
| Boapaba | 320150620 | 1 670 | 603 |
| Colatina (sede) | 320150605 | 112 705 | 43 173 |
| Graça Aranha | 320150630 | 1 164 | 449 |
| Itapina | 320150635 | 1 983 | 779 |
O Produto Interno Bruto (PIB) de Colatina tem seu rendimento concentrado no setor terciário da macroeconomia, com o oferecimento de comércio, serviços e logística que atraem consumidores de cidades próximas. Além disso, encontra-se em um corredor entre Minas Gerais e a Região Metropolitana da Grande Vitória por vias rodoviária e ferroviária. Assim, constitui um polo atrativo local que abrange o norte capixaba e parte do leste mineiro. O município conta ainda com um Terminal Multimodal de Cargas, nas margens da ferrovia Vitória a Minas.
Em 2025, de acordo com o SEBRAE, havia 19 598 empresas ativas, a maior parte das quais representada pelo comércio varejista (19,4%), seguido pelo setor de serviços especializados para construção (6,95%) e pela alimentação (6,74%). No mesmo ano, 35 726 pessoas estavam empregadas, sendo que os setores que mais empregavam eram o comércio varejista (14,2%), atividades de atenção à saúde humana (11,4%) e administração pública (10,9%). Na mesma ocasião, os ramos industriais que mais empregavam eram a fabricação de produtos alimentícios, confecção de artigos do vestuário e acessórios, fabricação de produtos metálicos (exceto máquinas e equipamentos), extração de minerais não metálicos e fabricação de móveis.
Dentro da agricultura, o café representou a maior área ocupada pela lavoura permanente municipal em hectares (ha) em 2024, com um total de 11 110 ha cultivados, seguido pela banana (785 ha) e pelo cacau (730 ha). Enquanto isso, os cultivos temporários mais representativos foram o feijão (170 ha), mandioca (100 ha) e milho (100 ha). Com relação à pecuária, o município possuía um rebanho de 59 480 bovinos, 45 997 galináceos, 4 432 suínos, 2 050 equinos e 901 ovinos. Colatina produziu 6 789 mil litros de leite de 4 619 vacas, 36 mil dúzias de ovos de galinha de 5 174 galinhas e 38 000 quilos de mel de abelha. Ademais, foram pescados 12 000 quilos de tilápia e 1 000 quilos de alevinos.
Em 2022, foram registrados 882 óbitos por morbidades, dentre os quais as doenças do sistema circulatório representaram a maior causa de mortes (26%), seguida pelos tumores (17%). Já em 2023, foram registrados 1 587 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil no mesmo ano foi de 11,34 óbitos de crianças menores de um ano de idade a cada mil nascidos vivos, com 18 ocorrências. Em 2022, segundo o IBGE, 89,92% dos domicílios ocupados possuíam a rede geral de água como principal forma de abastecimento e 99,94% possuíam banheiro de uso exclusivo da moradia. Com relação ao esgotamento sanitário, 85,44% das habitações eram atendidas pela rede geral ou pluvial.
Na área da educação, dentre os habitantes de 18 anos ou mais em 2022, 34,22% não completaram o ensino fundamental, 18,46% tinham somente o fundamental completo, 31,78% tinham o ensino médio completo e 15,53% o ensino superior completo, sendo que a população com onze anos ou mais de idade tinha em média 9,3 anos de estudo. O percentual de alfabetização dos moradores de 15 anos ou mais, por sua vez, era de 94,76%, resultando em 5,24% de pessoas não alfabetizadas nesse grupo de idade. Colatina possui dois campi do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), sendo um na sede do município, no bairro Santa Margarida, e outro no distrito de Itapina, na margem da BR-259.
Colatina é cortada pela BR-259, ligando o município a cidades do leste de Minas Gerais e à BR-101; pela ES-080, que liga às regiões noroeste e serrana do Espírito Santo; e ES-248, que conecta Colatina a Linhares, seguindo a margem do rio Doce. O município também é cortado pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), operada pela mineradora Vale nas margens do rio Doce, por onde trafegam trens de cargas e de passageiros diários, entre Minas e o litoral capixaba.
Colatina é atendida pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, administrada pela Vale, antiga Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). A Estação Colatina, situada no bairro do Acampamento, próximo ao Centro da cidade, e a Estação Itapina, localizada no distrito de Itapina, possibilitam o transporte diário de passageiros por meio das composições que circulam entre as regiões metropolitanas de Vitória e de Belo Horizonte, cortando várias cidades da região do Vale do Rio Doce, além de outros municípios do noroeste e centro capixabas. Dentre as alternativas de transporte coletivo regulares, a EFVM possui grande importância para os moradores da região e se destaca por ser uma via de viagem mais barata e segura possível para várias cidades que contam com estações.

O transporte ferroviário em Colatina se faz presente desde os seus primórdios, com a inauguração das primeiras estações da localidade: Baunilha, no distrito homônimo, em 30 de agosto de 1906 e Colatina, na região central do município, em 28 de outubro do mesmo ano. O município também ganharia outras estações ao longo dos anos como a de Itapina, no distrito de Itapina, em 20 de outubro de 1919, e a de Santa Joana, na localidade de Santa Joana, na zona rural da cidade, em 1º de fevereiro de 1922.
Nos anos 1940, uma alteração do traçado da ferrovia, devido a uma retificação desta, levaria à desativação das estações Baunilha e Colatina. Por volta da mesma ocasião, uma segunda estação ferroviária foi construída no bairro Esplanada, sendo inaugurada em 1949, e coincidindo com a demolição da primeira estação de 1906, onde atualmente está localizada a Praça Municipal. A segunda estação de Colatina, ao longo dos anos, também receberia obras de ampliação. Com a retificação da ferrovia, o desvio que se seguia ao distrito de Baunilha acabou suprimido, resultando na desativação de sua estação ferroviária, que ficaria fechada por alguns anos. Desde 1954, o prédio da antiga Estação Baunilha abriga uma lanchonete em seu interior. Anos depois, o seu antigo leito ferroviário daria lugar a um trecho da BR-259.
Nos anos 1970, o município de Colatina apresentava um grande desenvolvimento urbano. Porém, devido a isto, começavam a surgir os primeiros transtornos envolvendo a ferrovia e o fluxo intenso de carros e pedestres, que dividiam o trânsito com os trens em uma mesma rua no Centro do município. Este fator fez com que a então CVRD construísse uma variante fora do perímetro urbano, resultando na implementação de uma terceira estação ferroviária, na retirada dos trilhos da região central e na desativação da segunda estação de Colatina em 1975. Posteriormente, o prédio foi aproveitado para abrigar um terminal de ônibus urbanos e em seu antigo leito ferroviário está situada a Praça do Sol Poente.
No mesmo ano de 1975, com a abertura ao tráfego da então nova variante duplicada, foi inaugurada a terceira e atual Estação Ferroviária de Colatina, no bairro Acampamento e distante à 2,5 km a oeste da área central da cidade, na margem direita ao sul do rio Doce. A Estação Ferroviária de Santa Joana, localizada no distrito homônimo, também seria desativada e consequentemente demolida ao longo dos anos, não sobrando vestígio algum. O local onde ela se situava, ainda se encontra às margens da ferrovia. Já a Estação Ferroviária de Itapina, no distrito de Itapina, se mantém ativa até os dias atuais.


Colatina é conhecida como a "Princesinha do Norte", apelido que surgiu entre as décadas de 1950 e 60, associado à importância econômica que apresentava na época por causa da produção de café. Pela lei municipal nº 5.915 de 18 de dezembro de 2012, foram tombados como patrimônio cultural municipal o prédio da Câmara Municipal, a antiga Escola Estadual Aristides Freire e o antigo Iate Clube de Colatina, situados na Rua Arnaldo Vasconcellos Costa. Em 2013, o Sítio Histórico de Itapina foi tombado a nível estadual pelo Conselho Estadual de Cultura do Espírito Santo.
Outras construções que configuram-se como pontos de interesse histórico e cultural são a Capela Santa Rita de Cássia, na comunidade de Lajinha do Oito; o Mosteiro das Irmãs Clarissas; a Catedral do Sagrado Coração de Jesus, da Diocese de Colatina; a Igreja Matriz de São Silvano; o Cristo Redentor, situado no bairro Bela Vista e inaugurado em 1975, com 35,5 metros de altura total (20 metros de escultura mais 15,5 metros do pedestal), sendo na época da construção um dos maiores do gênero no país; e a Ponte Florentino Avidos, inaugurada em 1928.
As características topográficas do município dão origem a paisagens físicas atrativas, nas quais se destacam o relevo ondulado, a vegetação e o leito do rio Doce, que corta a cidade. O pôr do sol no rio Doce em Colatina também é um atrativo que pode ser contemplado. Na margem do rio Doce na cidade se encontram um calçadão usado para caminhadas e uma área verde equipada com quadra de esportes e área de lazer, sendo recorrentemente usada para a realização de eventos.
Em Itapina, distrito que se encontra nas margens do rio Doce, destacam-se os casarões coloridos em estilo rococó, colonial e art déco pelas ruas de paralelepípedos, além do Museu Virgínia Tamanini, a Igreja Santo Antônio e a estação ferroviária, que é atendida pela ferrovia Vitória a Minas. Também em Itapina está localizada uma ponte em arco sobre o rio Doce que foi abandonada sem nunca ser finalizada. As obras, iniciadas na década de 1950, foram paralisadas por um erro de cálculo e jamais foram retomadas. A estrutura não pode ser reaproveitada por ter sido condenada, devido ao desgaste com o tempo, porém adquiriu valor histórico e paisagístico para a localidade.
Nos distritos de Baunilha e Boapaba está situada a Rota da Pereveca, que leva o nome de um rocambole de origem alemã típico dessa área, mas com influência de ingredientes locais, preparado com banana assada, amendoim torrado, canela, noz-moscada e cachaça. Essa região também é utilizada para passeios rurais e prática de esportes de aventura, como escaladas e saltos de voo livre. Outro atrativo rural é a localidade de São Pedro Frio, conhecida por suas baixas temperaturas no inverno e pela culinária rural das famílias locais. Nessa área se encontra o Mirante de São Pedro Frio, que chega aos 670 metros de altitude e permite contemplar a paisagem natural formada pelo relevo ondulado e pelas florestas.