A organização realizou sete Congressos Mundiais em Moscou entre 1919 e 1935. Durante esse período, também conduziu treze Plenárias Ampliadas de seu Comitê Executivo dirigente, que cumpriam funções semelhantes às dos Congressos, embora fossem menos numerosos e grandiosos. Inicialmente, a organização concentrou-se no apoio a atividades revolucionárias na Europa, especialmente na Alemanha, e decidiu em seu Segundo Congresso, em 1920, "lutar por todos os meios disponíveis, inclusive pela força armada, pela derrubada da burguesia internacional e pela criação de uma república soviética internacional como etapa de transição para a completa abolição do Estado". Durante a década de 1920, a Comintern tornou-se um campo de batalha para disputas internas soviéticas, como a luta entre Leon Trótski e Josef Stalin sobre a questão do "socialismo em um só país", que acabou com a expulsão de Trótski em 1927. A partir de então, a organização ficou amplamente sob a direção de Stalin.
A partir de 1928, a Comintern adotou a política do "Terceiro Período", que pregava a não cooperação com os sociais-democratas na luta contra o fascismo, passando a denunciar a social-democracia como "socialfascismo". Com a ascensão do Partido Nacional-Socialista ao poder na Alemanha Nazi, em 1933, essa política foi revertida em favor da colaboração com socialistas em "frentes populares" contra o fascismo. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1939, a Comintern passou a condenar ambos os lados como imperialistas, mas, após a invasão da União Soviética pela Alemanha em 1941, passou a apoiar os Aliados — dos quais os soviéticos então faziam parte — contra o Eixo. Em 1943, Stalin dissolveu a Comintern para evitar antagonizar seus aliados de guerra, e a organização foi sucedida em parte pelo Cominform, em 1947.
Antecedentes
Como já recordava o preâmbulo dos primeiros Estatutos da Internacional Comunista, os antecedentes da organização remontavam à Associação Internacional dos Trabalhadores fundada por Karl Marx e Friedrich Engels, em Londres, no ano de 1864, quando, pela primeira vez na história, se reuniram militantes de diferentes países.
Com o começo da Primeira Guerra Mundial se produz a cisão da Segunda Internacional entre socialistas reformistas e revolucionários, apoiando, os primeiros, seus respectivos governos nacionais na declaração de guerra, e os segundos, propondo o derrotismo revolucionário.
Os grupos socialistas revolucionários realizaram a Conferência de Zimmerwald, em setembro de 1915, e a Conferência de Kienthal, em abril de 1916, ambas na Suíça, estabelecendo-se nestes encontros a base programática da Terceira Internacional. Esta foi criada em março de 1919, em Petrogrado, para romper definitivamente com os elementos reformistas, que, na opinião dos socialistas revolucionários, haviam traído a classe trabalhadora e provocado o colapso da Segunda Internacional.
A Internacional Comunista publicou uma revista teórica em uma variedade de línguas europeias de 1919 a 1943
A Internacional Comunista realizou sete Congressos Mundiais:
Do I ao IV Congresso Mundial
O I Congresso Mundial da Internacional Comunista teve lugar em Moscovo, entre 2 de março e 6 de março de 1919. O congresso de fundação realizou-se sobre o pano de fundo da Guerra Civil na Rússia, com o regime soviético sendo submetido ao bloqueio das potências europeias, razão para o número relativamente pequeno de participantes e para o caráter improvisado do evento e da própria organização: estiveram presentes 52 delegados, representando 34 partidos. Estes decidiram pela constituição de um Comitê Executivo, composto de representantes das seções mais importantes, o qual elegeria um birô de 5 membros para cuidar dos assuntos de rotina administrativa e de casos urgentes entre os congressos. Como este birô não foi constituído, três líderes do comunismo soviético - Lenin, Trotsky e o médico socialista romeno de etnia búlgara Christian Rakovsky - delegaram a tarefa de gerenciar a Internacional ao judeu Grigori Zinoviev, como Secretário do Comitê Executivo. Zinoviev foi assistido por Angélica Balabanoff, Secretária da Internacional, pelo ex-anarquista russo-belga (e escritor de expressão francesa) Victor L. Kibaltchitch, conhecido como Victor Serge, e por Victor Ossipovitch Mazin. Este congresso ocupou-se basicamente das diferenças entre a "democracia burguesa e a ditadura do proletariado" e da necessidade de difundir o sistema de Sovietes.
O II Congresso Mundial da Internacional Comunista se reuniu em Moscou, entre o 19 de julho e o 7 de agosto de 1920. Neste congresso se insiste na necessidade de propagar o sistema de Sovietes, e devido à existência de numerosas organizações social-democratas que solicitavam entrada, para evitar a diluição do programa comunista, foram estabelecidas as 21 condições para a adesão à I.C. (entre estas, notadamente, a disposição a realizar trabalho político tanto de forma legal quanto clandestina) e aprovados seus primeiros Estatutos.
O III Congresso Mundial da Internacional Comunista se celebrou entre 22 de junho e 12 de julho de 1921, em Moscou. Nele, foram combatidas as posturas ultra-esquerdistas de alguns partidos comunistas, como o KPD alemão, e assumindo-se que a situação mundial havia mudado, resolveu-se que os comunistas deveriam trabalhar politicamente, sob certas condições, com os partidos social-democratas nas chamadas "frentes únicas". Também se tratou da importância de incorporar às mulheres trabalhadoras no movimento comunista.
O IV Congresso Mundial da Internacional Comunista teve lugar em Moscou, entre 30 de novembro e 5 de dezembro de 1922, ocupando-se com as tácticas da "frente única", tratando da situação dos negros, assim como do trabalho dos comunistas nos sindicatos. Também se aborda a situação dos comunistas na Ásia e no Pacífico.
As organizações trotskistas até hoje só reconhecem, quanto ao seu próprio programa político, a validade destes quatro primeiros congressos (Trotsky chegaria a participar ativamente do V Congresso, mas já numa posição secundária; suas mais importantes comunicações ao Comintern estão na sua antologia, Os Primeiros Cinco anos da Internacional Comunista).
do V ao VII Congresso Mundial
O V Congresso Mundial da Internacional Comunista foi celebrado em Moscou entre junho e julho de 1924. Marcado pelo fracasso da revolução na Alemanha, e pela ascensão de Stalin ao poder na União Soviética, sob a consigna do "Socialismo em um só país", adotou novos estatutos com os quais começa a chamada "bolchevização" (ou russificação) da Internacional Comunista e dos partidos membros.
No verão de 1926 foi extinta a Presidência do CEIC, perdendo Zinoviev - que entrementes havia-se indisposto com Stalin - a direcção da Komintern. Foi eleito Nikolai Bukharin para sucedê-lo como secretário-geral do CEIC.
O VI Congresso Mundial da Internacional Comunista teve lugar entre julho e setembro de 1928 em Moscou. No novo contexto do começo da grave crise económica se aprova o slogan ultraesquerdista de "classe contra classe" que oficializa o começo do chamado "Terceiro Período", propondo-se a oposição irreconciliável entre comunistas e social-democratas. Aprova-se também o novo Programa da Internacional Comunista.
Em abril de 1929 Bukharin, alijado da liderança soviética, viu-se obrigado a se demitir de seu cargo. Para substituí-lo à frente do CEIC, foi eleito em 1934 o comunista búlgaro Georgi Dimitrov, que dirigiria a Internacional Comunista até a sua dissolução.
O VII Congresso Mundial da Internacional Comunista se reuniu em agosto de 1935 em Moscou. Depois da ascensão dos fascismos, e do fracasso da política ultraesquerdista aprovada no anterior congresso, passou-se à política de Frentes Populares.
Os partidos e organizações stalinistas e maoístas reconhecem a totalidade destes sete congressos.
Dissolução da Internacional Comunista
Em 15 de maio de 1943, seis meses antes de ser celebrada a Conferência de Teerã, o Presidium do comitê executivo da Internacional Comunista, "tendo em conta a maturidade dos partidos comunistas" nacionais, a necessidade de dar mais independência aos mesmos, e para evitar os temores dos países capitalistas aliados, decidiu dissolver a Internacional Comunista.
Embora carecessem de uma organização internacional, os diferentes Partidos Comunistas seguiam as diretrizes do Partido Comunista da União Soviética com o qual mantinham encontros periódicos.
Organizações associadas
Sob a tutela da Internacional Comunista, criaram-se várias organizações internacionais, tais como:
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