Auguste Comte

Auguste Comte
Auguste Comte, por Tony Touillon
NascimentoAuguste Comte
19 de janeiro de 1798
Montpellier, França
Morte5 de setembro de 1857 (59 anos)
Paris, França
Sepultamentocemitério do Père-Lachaise, Grave of Auguste Comte
Nacionalidadefrancês
CidadaniaFrança
Progenitores
  • Rosalie Boyer
CônjugeCaroline Massin
Alma materUniversidade de Montpellier
Escola Politécnica
Ocupaçãoescritor, economista, sociólogo, historiador, filósofo
Distinções
  • Cavaleiro da Legião de Honra (1842)
Obras destacadasCurso de Filosofia Positiva
Escola/tradiçãoPositivismo
Principais interessesFilosofia, Sociologia, Ciências, política, teoria social
Movimento estéticopositivismo
Religiãoateísmo
Causa da mortecancro do estômago

Isidore Auguste Marie François Xavier Comte (19 de janeiro de 1798 – 5 de setembro de 1857) foi um filósofo e escritor francês que formulou a doutrina do positivismo. Ele é frequentemente considerado o primeiro filósofo da ciência no sentido moderno do termo. As ideias de Comte foram fundamentais para o desenvolvimento da sociologia, pois ele cunhou o termo e tratou a disciplina como a maior conquista das ciências.

Influenciado por Henri de Saint-Simon, o trabalho de Comte tentou remediar a desordem social causada pela Revolução Francesa, a qual ele acreditava indicar uma transição iminente para uma nova forma de sociedade. Ele buscou estabelecer uma nova doutrina social baseada na ciência, que ele rotulou de positivismo. Ele teve um grande impacto no pensamento do século XIX, influenciando o trabalho de pensadores sociais como John Stuart Mill e George Eliot. Seu conceito de Sociologia e evolucionismo social deram o tom para os primeiros teóricos sociais e antropólogos como Harriet Martineau e Herbert Spencer, evoluindo para a sociologia acadêmica moderna apresentada por Émile Durkheim como uma pesquisa social prática e objetiva.

As teorias sociais de Comte culminaram em sua "Religião da Humanidade", que prenunciou o desenvolvimento de organizações não teístas de humanismo religioso e humanismo secular no século XIX. Ele também pode ter cunhado a palavra altruísmo. As ideias de Comte influenciaram as palavras Ordem e Progresso, lema presente na bandeira da República Federativa do Brasil.

Vida

Auguste Comte nasceu em Montpellier, Hérault, em 19 de janeiro de 1798, na época sob o domínio da recém-fundada Primeira República Francesa. Após frequentar o Lycée Joffre e depois a Universidade de Montpellier, Comte foi admitido na École Polytechnique em Paris. A École Polytechnique era notável por sua adesão aos ideais franceses de republicanismo e progresso. A École fechou em 1816 para reorganização, e Comte continuou seus estudos na faculdade de medicina em Montpellier. Quando a École Polytechnique reabriu, ele não pediu readmissão.

Após seu retorno a Montpellier, Comte logo percebeu diferenças irreconciliáveis com sua família católica e monarquista e partiu novamente para Paris, ganhando dinheiro com pequenos trabalhos. Comte havia abandonado o catolicismo sob a influência de seu primeiro professor e pastor protestante Daniel Encontre.

Em agosto de 1817 ele encontrou um apartamento na Rue Bonaparte, 36, no 6º arrondissement de Paris (onde viveu até 1822). No final daquele ano, ele se tornou estudante e secretário de Henri de Saint-Simon, que colocou Comte em contato com a sociedade intelectual e influenciou grandemente seu pensamento a partir de então. Durante esse tempo, Comte publicou seus primeiros ensaios nas várias publicações dirigidas por Saint-Simon, L'Industrie, Le Politique, e L'Organisateur (Le Censeur Européen de Charles Dunoyer e Charles Comte), embora não publicasse sob seu próprio nome até 1819 com "La séparation générale entre les opinions et les désirs" "A separação geral entre as opiniões e os desejos".

Em 1824, Comte deixou Saint-Simon, novamente por causa de diferenças irreconciliáveis. Comte publicou um Plan de travaux scientifiques nécessaires pour réorganiser la société "Plano de trabalhos científicos necessários para reorganizar a sociedade" (1822). Mas ele não conseguiu um cargo acadêmico. Seu dia a dia dependia de patrocinadores e ajuda financeira de amigos. Há intensos debates sobre o quanto Comte se apropriou do trabalho de Saint-Simon.

Comte casou-se com Caroline Massin em 1825. Em 1826, ele foi levado para um hospital psiquiátrico, mas saiu sem estar curado – apenas estabilizado pelo alienista francês Jean-Étienne Dominique Esquirol – para que pudesse trabalhar novamente em seu plano (ele tentaria suicídio mais tarde em 1827 pulando da Pont des Arts). No tempo entre isso e seu divórcio em 1842, ele publicou os seis volumes de seu Cours "Curso".

Comte desenvolveu uma amizade próxima com John Stuart Mill. Em 1844, ele se apaixonou profundamente pela católica Clotilde de Vaux, embora, por ela não ser divorciada de seu primeiro marido, o amor deles nunca tenha sido consumado. Após a morte dela em 1846, esse amor se tornou quase religioso, e Comte, trabalhando de perto com Mill (que estava refinando seu próprio sistema desse tipo), desenvolveu uma nova "Religião da Humanidade". John Kells Ingram, um adepto de Comte, visitou-o em Paris em 1855.

Túmulo de Auguste Comte

Ele publicou quatro volumes do Système de politique positive "Sistema de Política Positiva" (1851–1854). Sua obra final, o primeiro volume de La Synthèse Subjective "A Síntese Subjetiva", foi publicada em 1856. Comte morreu em Paris em 5 de setembro de 1857 de câncer de estômago e foi enterrado no famoso Cemitério Père Lachaise, cercado por cenotáfios em memória de sua mãe, Rosalie Boyer, e de Clotilde de Vaux. Seu apartamento de 1841 a 1857 é hoje conservado como a Maison d'Auguste Comte e está localizado na rue Monsieur-le-Prince, 10, no 6º arrondissement de Paris.

Obra

O positivismo de Comte

Comte descreveu pela primeira vez a perspectiva epistemológica do positivismo em The Course in Positive Philosophy "O Curso de Filosofia Positiva", uma série de textos publicados entre 1830 e 1842. Estes textos foram seguidos pela obra de 1848, A General View of Positivism "Uma Visão Geral do Positivismo" (publicado em inglês em 1865). Os primeiros 3 volumes do Curso lidavam principalmente com as ciências físicas já existentes (matemática, astronomia, física, química, biologia), enquanto os dois últimos enfatizavam a inevitável chegada da ciência social. Observando a dependência circular da teoria e da observação na ciência, e classificando as ciências desta forma, Comte pode ser considerado o primeiro filósofo da ciência no sentido moderno do termo. Comte também foi o primeiro a distinguir a filosofia natural da ciência de forma explícita. Para ele, as ciências físicas tinham que chegar primeiro, antes que a humanidade pudesse canalizar adequadamente seus esforços para a "ciência Rainha" mais desafiadora e complexa da própria sociedade humana. Sua obra Visão do Positivismo iria, portanto, se propor a definir, em mais detalhes, os objetivos empíricos do método sociológico. [carece de fontes]?

Comte ofereceu um relato da evolução social, propondo que a sociedade passa por três fases em sua busca pela verdade de acordo com uma lei geral dos três estados.

Os estados de Comte eram (1) o estado teológico, (2) o estado metafísico e (3) o estado positivo.

  1. O estado Teológico era visto da perspectiva da França do século XIX como anterior ao Iluminismo, no qual o lugar do homem na sociedade e as restrições da sociedade sobre o homem eram referenciados a Deus. O homem acreditava cegamente em tudo que lhe era ensinado por seus ancestrais. Ele acreditava no poder sobrenatural. O Fetichismo teve um papel significativo durante essa época.
  2. Com o estado "Metafísico", Comte não se referia à Metafísica de Aristóteles ou outros filósofos gregos antigos. Em vez disso, a ideia estava enraizada nos problemas da sociedade francesa subsequentes à Revolução Francesa de 1789. Esse estado Metafísico envolvia a justificativa de direitos universais como estando em um plano superior alardeado do que a autoridade de qualquer governante humano para revogar, embora tais direitos não fossem referenciados ao sagrado além da mera metáfora. Esse estado é conhecido como o estado da investigação, porque as pessoas começaram a raciocinar e questionar, embora nenhuma evidência sólida tenha sido estabelecida. O estado da investigação foi o começo de um mundo que questionava a autoridade e a religião.
  3. No estado Científico, que surgiu após o fracasso da revolução e de Napoleão, as pessoas puderam encontrar soluções para problemas sociais e colocá-las em vigor apesar das proclamações de direitos humanos ou profecia da vontade de Deus. A ciência começou a responder a perguntas a todo vapor. Nesse aspecto, ele era semelhante a Karl Marx e Jeremy Bentham. Para a sua época, essa ideia de um estado Científico era considerada atualizada, embora, de um ponto de vista posterior,[necessário esclarecer] seja muito derivada da física clássica e da história acadêmica.

A lei dos três estados de Comte foi uma das primeiras teorias do evolucionismo social.

Teoria da Ciência de Comte – Segundo ele, todo o conjunto das ciências consiste em conhecimento teórico e aplicado. O conhecimento teórico se divide em campos gerais como física ou biologia, que são objeto de sua pesquisa, e detalhados como botânica, zoologia ou mineralogia. Os campos principais matemática, astronomia, física, química, biologia e sociologia podem ser ordenados de acordo com uma escala decrescente de pesquisa e complexidade de ferramentas teóricas, o que está conectado com a crescente complexidade dos fenômenos investigados. As ciências seguintes baseiam-se nas anteriores, por exemplo, para capturar metodicamente a química, devemos implicar o conhecimento da física, porque todos os fenômenos químicos são mais complicados que os fenômenos físicos, também são dependentes deles e eles próprios não exercem influência sobre eles. Da mesma forma, as ciências classificadas como anteriores são mais antigas e mais avançadas do que aquelas apresentadas como posteriores.

Ele escreveu uma vez: 'É evidente que o Sistema Solar é mal projetado'.

A outra lei universal ele chamou de "lei enciclopédica". Ao combinar essas leis, Comte desenvolveu uma classificação sistemática e hierárquica de todas as ciências, incluindo a física inorgânica (astronomia, ciência da terra e química) e a física orgânica (biologia e, pela primeira vez, physique sociale "física social", mais tarde renomeada como Sociologie "Sociologia"). Independentemente da introdução do termo por Emmanuel Joseph Sieyès em 1780, Comte reinventou a "sociologia" e introduziu o termo como um neologismo, em 1838. Comte havia usado anteriormente o termo "física social", mas esse termo havia sido apropriado por outros, notavelmente por Adolphe Quetelet.

A coisa mais importante a determinar era a ordem natural na qual as ciências se encontram – não como elas podem ser feitas para se encontrarem, mas como elas devem se encontrar, independentemente da vontade de qualquer um... Isso Comte realizou tomando como critério da posição de cada uma o grau do que ele chamou de "positividade", que é simplesmente o grau no qual os fenômenos podem ser determinados com exatidão. Isso, como se pode ver facilmente, é também uma medida de sua complexidade relativa, uma vez que a exatidão de uma ciência é inversamente proporcional à sua complexidade. O grau de exatidão ou positividade é, além disso, aquele ao qual ela pode ser submetida à demonstração matemática, e, portanto, a matemática, que não é em si uma ciência concreta, é o medidor geral pelo qual a posição de cada ciência deve ser determinada. Generalizando assim, Comte descobriu que havia cinco grandes grupos de fenômenos de igual valor classificatório, mas de positividade sucessivamente decrescente. A estes, ele deu os nomes: astronomia, física, química, biologia e sociologia.

— Lester F. Ward, The Outlines of Sociology "Os Esboços da Sociologia" (1898)

Essa ideia de uma ciência especial (não as humanidades, não a metafísica) para o social foi proeminente no século XIX e não exclusiva de Comte. Recentemente, foi descoberto que o termo "sociologia" (como um termo considerado cunhado por Comte) já havia sido introduzido em 1780, embora com um significado diferente, pelo ensaísta francês Emmanuel Joseph Sieyès (1748–1836). As formas ambiciosas (ou que muitos diriam 'grandiosas') como Comte concebeu esta ciência especial do social, no entanto, foram únicas. Comte via essa nova ciência, a sociologia, como a última e maior de todas as ciências, uma que incluiria todas as outras ciências e integraria e relacionaria suas descobertas em um todo coeso. Deve-se ressaltar, entretanto, que ele notou uma sétima ciência, uma ainda maior que a sociologia. A saber, Comte considerou a "Antropologia, ou a verdadeira ciência do Homem [como sendo] a última gradação na Grande Hierarquia da Ciência Abstrata".

O lema Ordem e Progresso na bandeira do Brasil é inspirado no lema do positivismo de Auguste Comte: L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but ("O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim"). Vários dos envolvidos no golpe de estado militar que depôs o Império do Brasil e proclamou o Brasil como uma república eram seguidores das ideias de Comte.

A explicação de Comte sobre a filosofia Positiva introduziu a importante relação entre teoria, prática e o entendimento humano do mundo. Na página 27 da impressão de 1855 da tradução de Harriet Martineau de The Positive Philosophy of Auguste Comte "A Filosofia Positiva de Auguste Comte", vemos sua observação de que, "Se é verdade que toda teoria deve ser baseada em fatos observados, é igualmente verdade que os fatos não podem ser observados sem a orientação de algumas teorias. Sem essa orientação, nossos fatos seriam desconexos e infrutíferos; não poderíamos retê-los: na maioria das vezes, nem poderíamos percebê-los."

A ênfase de Comte na interconexão dos elementos sociais foi precursora do funcionalismo moderno. No entanto, como muitos outros da época de Comte, certos elementos de seu trabalho são hoje vistos como excêntricos e não científicos, e sua grande visão da sociologia como a peça central de todas as ciências não se concretizou.

Sua ênfase em uma base quantitativa e matemática para a tomada de decisões permanece conosco hoje. É um fundamento da noção moderna de Positivismo, da análise estatística quantitativa moderna e da tomada de decisões nos negócios. Sua descrição do contínuo relacionamento cíclico entre teoria e prática é vista nos sistemas de negócios modernos de Gestão da qualidade total (TQM) e Melhoria contínua onde os defensores descrevem um ciclo contínuo de teoria e prática através do ciclo de quatro partes de Plan-Do-Check-Act (PDCA, o Ciclo de Shewhart). Apesar de sua defesa da análise quantitativa, Comte via um limite em sua capacidade de ajudar a explicar fenômenos sociais.

A sociologia inicial de Herbert Spencer surgiu amplamente como uma reação a Comte; escrevendo após vários desenvolvimentos na biologia evolutiva, Spencer tentou reformular a disciplina no que agora poderíamos descrever em termos de darwinismo social.

A fama de Comte hoje se deve em parte a Émile Littré, que fundou The Positivist Review "A Revista Positivista" em 1867.

Auguste Comte não criou a ideia da Sociologia, o estudo da sociedade, os padrões de relações sociais, a interação social e a cultura, mas em vez disso, ele a expandiu grandemente. O Positivismo, o princípio de conduzir a sociologia através do empirismo e do método científico, foi a principal forma pela qual Comte estudou a sociologia. Ele dividiu a sociologia em duas áreas diferentes de estudo. Uma, a estática social, como a sociedade se mantém unida, e dois, a dinâmica social, o estudo das causas das mudanças sociais. Ele via essas áreas como partes do mesmo sistema. Comte comparava a sociedade e a sociologia ao corpo humano e à anatomia. "Comte atribuiu as funções de conexão e limites às estruturas sociais de linguagem, religião e divisão do trabalho." Através da linguagem, todos na sociedade, tanto no passado quanto no presente, podem se comunicar uns com os outros. A religião une a sociedade sob um sistema de crenças comum e funciona em harmonia sob um sistema. Finalmente, a divisão do trabalho permite que todos na sociedade dependam uns dos outros.

O projeto utópico

Comte é frequentemente desconsiderado quando se fala em utopia. No entanto, ele fez muitas contribuições à literatura utópica e influenciou o debate moderno. Alguns intelectuais aludem ao fato de que o sistema utópico da vida moderna "serviu como um catalisador para várias atividades de construção de mundos durante o século XIX e o início do século XX" (Willson, M. 2019).[necessário esclarecer] Neste projeto utópico, Comte introduz três conceitos principais: altruísmo, sociocracia e a religião da Humanidade. No século XIX, Comte cunhou o altruísmo como "uma teoria de conduta que considera o bem dos outros como o fim da ação moral." (Britannica, T, 2013). Além disso, Comte explica a sociocracia como a governança por pessoas que se conhecem, amigos ou aliados. Após a revolução francesa, Comte estava procurando por uma base racional para o governo; após desenvolver a filosofia do Positivismo, ele desenvolveu a sociocracia para o "método científico" do governo.

A religião da humanidade

Templo positivista em Porto Alegre

Em anos posteriores, Comte desenvolveu a Religião da Humanidade para que as sociedades positivistas cumprissem a função coesiva outrora mantida pelo culto tradicional. Em 1849, ele propôs uma reforma do calendário chamada de 'calendário positivista'. Para o associado próximo John Stuart Mill, era possível distinguir entre um "Comte bom" (o autor do Curso de Filosofia Positiva) e um "Comte ruim" (o autor do sistema secular-religioso). O sistema não teve sucesso, mas encontrou-se com a publicação de A Origem das Espécies "A Origem das Espécies" (1859) de Darwin para influenciar a proliferação de várias organizações Humanistas Seculares no século XIX, especialmente através do trabalho de secularistas como George Holyoake e Richard Congreve. Embora os seguidores ingleses de Comte, incluindo George Eliot e Harriet Martineau, em sua maior parte rejeitassem a panóplia sombria completa de seu sistema, eles gostaram da ideia de uma religião da humanidade e de sua injunção "vivre pour autrui" ("viver para os outros"), da qual vem a palavra "altruísmo".

A Religião da Humanidade encontrou em Pierre Laffitte seu principal dirigente na França após a morte de Comte, especialmente na III República francesa. No Brasil, o Positivismo religioso encontrou grande aceitação no século XIX; embora com menor intensidade no século XX. A Igreja Positivista do Brasil, fundada por Miguel Lemos e Raimundo Teixeira Mendes em 1881, em cujos quadros estiveram Benjamin Constant Botelho de Magalhães, o Marechal Rondon e o diplomata Paulo Carneiro, continua ativa no Rio de Janeiro, assim como a Igreja Positivista do Rio Grande do Sul, que segue em Porto Alegre.

Lei dos três estados

Comte estava incomodado com o fato de que ninguém havia sintetizado a física, a química e a biologia em um sistema coerente de ideias, então ele iniciou uma tentativa de deduzir razoavelmente fatos sobre o mundo social a partir do uso das ciências. Através de seus estudos, ele concluiu que o crescimento da mente humana progride em estágios, e as sociedades também devem fazer o mesmo. Ele afirmou que a história da sociedade poderia ser dividida em três estados diferentes: teológico, metafísico e positivo. A Lei dos Três Estados, uma teoria evolutiva, descreve como a história das sociedades é dividida em três seções devido a novos pensamentos na filosofia. Comte acreditava que a evolução era o crescimento da mente humana, dividindo-se em estágios e evoluindo por esses estados. Comte concluiu que a sociedade age de forma semelhante à mente.

A lei é a seguinte: que cada uma de nossas principais concepções – cada ramo do nosso conhecimento – passa sucessivamente por três condições teóricas diferentes: a Teológica, ou fictícia; a Metafísica, ou abstrata; e a Científica, ou positiva.

— A. Comte

A Lei dos Três Estados é a evolução da sociedade na qual os estágios já ocorreram ou estão se desenvolvendo atualmente. A razão pela qual existem estados recém-desenvolvidos após um certo período de tempo é que o sistema "perdeu seu poder" e está impedindo o progresso da civilização, causando situações complicadas na sociedade. (Lenzer 1975, pág. 10) A única maneira de escapar da situação é que as pessoas dentro das nações civilizadas se voltem para um novo sistema social "orgânico". Comte se refere aos reis para mostrar as complicações do restabelecimento na sociedade. Os reis sentem a necessidade de reorganizar seu reino, mas muitos fracassam porque não consideram que o progresso da civilização precisa de reformas, não percebendo que não há nada mais perfeito do que inserir um sistema novo e mais harmonioso. Os reis não conseguem ver a eficácia de abandonar os sistemas antigos porque não compreendem a natureza da crise atual. Mas para progredir, é preciso que haja as consequências necessárias que vêm com isso, o que é causado por uma "série de modificações, independentes da vontade humana, para as quais todas as classes da sociedade contribuíram, e das quais os próprios reis frequentemente foram os primeiros agentes e os promotores mais ávidos". As próprias pessoas têm a capacidade de produzir um novo sistema. Esse padrão é demonstrado através do estado teológico, estado metafísico e estado positivo. A Lei dos Três Estados é dividida em fases, assim como a mente humana muda de estágio para estágio. Os três estados são o estado teológico, o estado metafísico e o estado positivo, também conhecidos como a Lei dos Três Estados. O estado teológico aconteceu antes dos anos 1300, no qual todas as sociedades viviam uma vida que era completamente teocêntrica. O estado metafísico foi quando a sociedade buscou direitos e liberdades universais. Com o terceiro e último estado, o estado positivo, Comte se posiciona sobre a questão "como as relações entre a filosofia da ciência, a história da ciência e a sociologia da ciência devem ser vistas." Ele diz que a sociologia e a história não são mutuamente exclusivas, mas que a história é o método da sociologia, e por isso ele chama a sociologia de "ciência final". Esse estado positivo servia para resolver os problemas sociais e forçar a correção desses problemas sem se importar com "a vontade de Deus" ou os "direitos humanos". Comte descobre que esses estados podem ser vistos em diferentes sociedades ao longo de toda a história.

Estado teológico

O primeiro estado, o estado teológico, baseia-se em explicações sobrenaturais ou religiosas dos fenômenos do comportamento humano porque "a mente humana, em sua busca pelas causas primárias e finais dos fenômenos, explica as aparentes anomalias no universo como intervenções de agentes sobrenaturais". O Estado Teológico é o "ponto de partida necessário da inteligência humana" quando os humanos recorrem aos agentes sobrenaturais como a causa de todos os fenômenos. Neste estado, os humanos se concentram em descobrir o conhecimento absoluto. Comte desaprovava esse estado porque se voltava para explicações simples criadas pelos humanos em suas mentes de que todos os fenômenos eram causados por agentes sobrenaturais, em vez de recorrer à razão e à experiência humana. Comte refere-se à filosofia de Bacon de que "não pode haver conhecimento real exceto aquele que se baseia em fatos observados", mas ele observa que a mente primitiva não poderia ter pensado dessa forma porque teria apenas criado um círculo vicioso entre observações e teorias. "Pois se, por um lado, toda teoria positiva deve necessariamente ser fundada em observações, é, por outro lado, não menos verdade que, para observar, nossa mente precisa de uma teoria ou de outra". Como a mente humana não poderia ter pensado dessa forma na origem do conhecimento humano, Comte afirma que os humanos seriam "incapazes de lembrar fatos", e não teriam escapado do círculo se não fosse pelas concepções teológicas, que eram explicações menos complicadas para a vida humana. Embora Comte não gostasse desse estado, ele explica que a teologia foi necessária no início do desenvolvimento da mente primitiva.

O primeiro estado teológico é o ponto de partida necessário da inteligência humana. A mente humana foca principalmente sua atenção na "natureza interior dos seres e nas causas primeiras e finais de todos os fenômenos que observa." (Ferre 2) Isso significa que a mente está procurando a causa e o efeito de uma ação que governará o mundo social. Portanto, ela "representa esses fenômenos como sendo produzidos por uma ação direta e contínua de agentes sobrenaturais mais ou menos numerosos, cujas intervenções arbitrárias explicam todas as anomalias aparentes do universo." (Ferre 2)

Esse subconjunto primário do estado teológico é conhecido como fetichismo, onde os fenômenos devem ser causados e criados por um ser sobrenatural teológico como Deus, fazendo os humanos verem cada evento no universo como uma vontade direta desses agentes sobrenaturais. Algumas pessoas acreditavam em almas ou espíritos que possuíam objetos inanimados e praticavam o Animismo. Esses seres espirituais naturais que possuíam almas e podiam existir independentemente dos corpos materiais eram capazes de interagir com os humanos, exigindo, portanto, sacrifícios e adoração para agradar os agentes.

Com todas essas novas razões por trás dos fenômenos, surgem inúmeros fetichismos, precisando de vários deuses para continuar a explicar os eventos. As pessoas começam a acreditar que todo objeto ou evento tem um deus único ligado a ele. Essa crença é chamada de politeísmo. A mente "substituiu a ação providencial de um único ser pelo jogo variado de vários deuses independentes que foram imaginados pela mente primitiva."

Esses Deuses muitas vezes assumiam semelhança humana e animal. No Egito, havia vários deuses com partes do corpo de animais como Rá, que tinha a cabeça de um falcão e tinha associações solares com os egípcios. Os gregos politeístas tinham vários deuses, como Poseidon, que controlava o mar, e Deméter, que era a deusa da fertilidade. No entanto, com todos esses novos deuses governando os fenômenos da sociedade, o cérebro pode ficar confuso com os numerosos deuses que precisa se lembrar.

A mente humana elimina esse problema acreditando em um subestágio chamado monoteísmo. Em vez de ter múltiplos deuses, há simplesmente um Deus onisciente e onipotente que é o centro de poder controlando o mundo. Isso cria harmonia com o universo porque tudo está sob um governante. Isso não deixa confusão sobre como agir ou quem é o governante superior entre os vários deuses vistos no politeísmo. O estado teológico funciona bem como o primeiro estado da mente ao formar uma crença sobre um evento porque cria um espaço temporário para a causa da ação que pode ser substituído posteriormente. Ao permitir que o cérebro pense no motivo por trás dos fenômenos, os deuses politeístas são preenchimentos que podem ser substituídos por deuses monoteístas.

O estado teológico mostra como a mente primitiva vê os fenômenos sobrenaturais e como define e classifica as causas. "O progresso inicial da mente humana só poderia ter sido produzido pelo método teológico, o único método que pode se desenvolver espontaneamente. Ele por si só tem a propriedade importante de nos oferecer uma teoria provisória... que imediatamente agrupa os primeiros fatos; com sua ajuda, cultivando nossa capacidade de observação, fomos capazes de preparar a era de uma filosofia inteiramente positiva." (Comte 149)

Comte acreditava que o estado teológico era necessário por causa da crença fundacional de que a filosofia inicial de explicação do homem é o ato de conectar os fenômenos ao seu redor com suas próprias ações; que o homem pode "aplicar o estudo da natureza externa a si mesmo". Este primeiro estado é necessário para remover a humanidade do "círculo vicioso no qual ela foi confinada pelas duas necessidades de observar primeiro, a fim de formar concepções, e de formar teorias primeiro, a fim de observar". Além disso, o estado teológico é capaz de organizar a sociedade direcionando "a primeira organização social, à medida que primeiro forma um sistema de opiniões comuns, e formando tal sistema". Embora, segundo Comte, não pudesse durar, esse estado foi capaz de estabelecer uma unidade intelectual que formou um sistema político impressionante. O estado teológico também foi necessário para o progresso humano porque cria uma classe na sociedade dedicada à "atividade especulativa". É dessa forma que Comte vê o estado teológico continuar a existir no Iluminismo. Comte momentaneamente admira o estado teológico por sua notável capacidade de colocar em prática essa atividade em meio a um tempo em que se argumentava ser impraticável. É a esse estado que a mente humana deve "a primeira separação efetiva entre teoria e prática, que não poderia ocorrer de nenhuma outra maneira" senão através da instituição fornecida pelo estado teológico.

O Estado Teológico é o estado que foi visto principalmente entre as civilizações no passado distante. Tendo sido usado antes dos anos 1300, esta é uma visão de mundo muito básica com pouco ou nenhum envolvimento no mundo da ciência, e um mundo de ilusões e delírios, como Freud diria. Para buscar a natureza de todos os seres, a humanidade coloca seu foco nos sentimentos, nas sensações e nas emoções. Isso voltou a humanidade para a teologia e para a criação de deuses para responder a todas as suas perguntas.

O Estado Teológico é dividido em três seções:

  1. O Fetichismo é a filosofia na qual a humanidade coloca o poder de um deus em um objeto inanimado. Todo objeto poderia deter esse poder de um deus, então começou a confundir aqueles que acreditavam no Fetichismo e criaram múltiplos deuses.
  2. O Politeísmo é, em termos básicos, a crença em uma ordem de múltiplos deuses que governam o universo. Dentro do politeísmo, cada deus é atribuído a uma coisa específica da qual eles são os deuses. Exemplos disso seriam o deus grego Zeus, o deus do céu/raio, ou Rá, o deus sol, na mitologia egípcia. Um grupo de sacerdotes era frequentemente designado a esses deuses para oferecer sacrifícios e receber bênçãos daqueles deuses, mas mais uma vez, por causa do número inumerável de deuses, ficou confuso, então a civilização recorreu ao Monoteísmo.
  3. O Monoteísmo é a crença em um Deus todo-poderoso que governa todos os aspectos do universo. A remoção de um aspecto emocional e imaginacional de ambos, Fetichismo e Politeísmo, resultou em despertar intelectual. Essa remoção permitiu que o Iluminismo ocorresse, bem como a expansão do mundo científico. Com o Iluminismo vieram muitos filósofos famosos que trouxeram uma grande mudança no mundo. Esta é a razão pela qual o "Monoteísmo é o clímax do estado teológico de pensamento."

Estado metafísico ou abstrato

O segundo estado, o estado metafísico, é meramente uma modificação do primeiro porque uma causa sobrenatural é substituída por uma "entidade abstrata"; destina-se a ser um estágio de transição, onde há a crença de que forças abstratas controlam o comportamento dos seres humanos. Por ser um estágio de transição entre o estado teológico e o estado positivo, Comte considerou-o o menos importante dos três estados e só foi necessário porque a mente humana não pode dar o salto do estado teológico para o positivo por conta própria.

O estado metafísico é o estágio de transição. Como "A teologia e a física são tão profundamente incompatíveis", e suas "concepções são tão radicalmente opostas em caráter", a inteligência humana deve ter uma transição gradual. Fora isso, Comte diz que não há outro uso para esse estado. Embora seja o estado menos importante, é necessário porque os humanos não conseguiriam lidar com a mudança significativa de pensamento de teológico para a positividade. O estado metafísico é apenas uma ligeira modificação do estado anterior, quando as pessoas acreditavam nas forças abstratas em vez do sobrenatural. A mente começa a notar os próprios fatos, causados pelo vazio dos agentes metafísicos através de uma "qualificação excessivamente sutil de que todas as pessoas de mente sã os consideravam ser apenas os nomes abstratos dos fenômenos em questão". A mente familiariza-se com conceitos, querendo buscar mais e, portanto, está preparada para passar para o estado positivo.

Comte explica os estados teológico e positivo primeiro e só então retorna para explicar o estado metafísico. Seu raciocínio nessa decisão é que "qualquer estado intermediário só pode ser julgado após uma análise precisa dos dois extremos". Somente após a chegada ao estado racional positivo é que o estado metafísico pode ser analisado, servindo apenas ao propósito de auxiliar na transição do estado teológico para um estado positivo. Além disso, este estado "reconcilia, por um tempo, a oposição radical dos outros dois, adaptando-se ao declínio gradual de um e ao aumento preparatório do outro". Portanto, a transição entre os dois estados é quase imperceptível. Ao contrário de seu predecessor e sucessor, o estado metafísico não tem uma base intelectual forte nem poder social para uma organização política. Em vez disso, simplesmente serve para guiar o homem até que a transição do estado teológico imaginativo para o estado racional positivo esteja completa.

Estado positivo

O último estado – o estado positivo – é quando a mente para de procurar a causa dos fenômenos e percebe que existem leis para governar o comportamento humano e que este estado pode ser explicado racionalmente com o uso da razão e da observação, ambas usadas para estudar o mundo social. Este estado se apoia na ciência, no pensamento racional e nas leis empíricas. Comte acreditava que esse estudo da sociologia que ele criou era "a ciência que [veio] depois de todas as outras; e como a ciência final, ela deve assumir a tarefa de coordenar o desenvolvimento de todo o conhecimento" porque ela organizava todo o comportamento humano.

O estágio final e mais evoluído é o estado positivista, o estágio em que os humanos desistem de descobrir a verdade absoluta e se voltam para descobrir, através do raciocínio e da observação, leis reais dos fenômenos. Os humanos percebem que as leis existem e que o mundo pode ser racionalmente explicado através da ciência, do pensamento racional, das leis e da observação.

Comte era um positivista, acreditando no natural em vez do sobrenatural, e por isso ele alegou que seu período de tempo, os anos 1800, estava no estado positivista. Ele acreditava que dentro deste estado existe uma hierarquia das ciências: matemática, astronomia, física terrestre, química e fisiologia. A matemática, a "ciência que se relaciona à medição de magnitudes", é a ciência mais perfeita de todas e é aplicada às leis mais importantes do universo. A astronomia é a ciência mais simples e é a primeira "a ser submetida a teorias positivas". A física é menos satisfatória que a astronomia, porque é mais complexa, tendo teorias menos puras e sistematizadas. A física, assim como a química, são as "leis gerais do mundo inorgânico", e são mais difíceis de distinguir. A fisiologia completa o sistema de ciências naturais e é a mais importante de todas as ciências porque é a "única base sólida da reorganização social que deve encerrar a crise na qual as nações mais civilizadas se encontram". Esse estado consertará os problemas nas nações atuais, permitindo a progressão e a paz.

É através da observação que a humanidade consegue reunir conhecimento. A única forma dentro da sociedade de reunir evidências e construir sobre o que não sabemos ainda para fortalecer a sociedade é observar e vivenciar nossos arredores situacionais. "No estado positivo, a mente para de procurar por causas dos fenômenos e se limita estritamente às leis que os regem; da mesma forma, as noções absolutas são substituídas pelas relativas," A imperfeição da humanidade não é resultado da forma como pensamos, mas da nossa perspectiva que orienta a forma como pensamos.

Comte expressa a ideia de que temos que abrir nossos olhos para diferentes ideias e formas de avaliar nossos arredores, como focar fora dos fatos simples e ideias abstratas, mas, em vez disso, mergulhar no sobrenatural. Isso não significa que o que está ao nosso redor não é crítico de se observar, já que nossas observações são ativos fundamentais para nosso pensamento. As coisas que estão "perdidas" ou o conhecimento que está no passado continuam sendo relevantes para o conhecimento recente. É o que está antes de nós que norteia o motivo pelo qual as coisas são como são hoje. Estaríamos sempre contando com nossos próprios fatos e nunca levantaríamos hipóteses para revelar o sobrenatural se não observássemos.

Observar se empenha em aperfeiçoar nossos processos de pensamento. De acordo com Comte, "'Os mortos governam os vivos,' o que é provável ser uma referência à natureza cumulativa do positivismo e ao fato de que nosso mundo atual é moldado pelas ações e descobertas daqueles que vieram antes de nós". Sendo isto verdade, as observações apenas relevantes para a humanidade e não abstratamente relacionadas com a humanidade são distintas e vistas situacionalmente. A situação leva à observação humana à medida que o reflexo da tensão na sociedade pode ser revisado, no geral ajudando a melhorar o desenvolvimento do conhecimento.

A partir de nossas habilidades de observação, nosso pensamento muda. Como pensadores e observadores, nós mudamos da tentativa de identificar a verdade e nos voltamos para a racionalidade e a razão que a natureza traz, nos dando a capacidade de observar. Essa mudança distinta assume a transição do abstrato para o sobrenatural.

"A classificação das ciências de Comte baseou-se na hipótese de que as ciências se desenvolveram da compreensão de princípios simples e abstratos para a compreensão de fenômenos complexos e concretos." Em vez de tomar o que acreditamos ser verdade, nós invertemos isso para usar os fenômenos da ciência e a observação da lei natural para justificar o que acreditamos ser verdade dentro da sociedade. A condensação e a formulação do conhecimento humano é o que Comte nos leva em direção para finalmente construirmos a sociedade mais forte possível. Se os cientistas não tiverem a chance de pesquisar por que certa espécie animal está sendo extinta e os fatos pesquisados por eles no passado não forem mais verdadeiros no presente, como os dados irão crescer? Como vamos obter mais conhecimento?

Esses fatos da vida são valiosos, mas é além desses fatos que Comte nos acena para olharmos. Em vez do ápice de fatos com pouca suficiência, o conhecimento por completo assume seu papel no domínio da ciência. Em conexão com a ciência, Comte se relaciona à ciência em dois campos específicos para reconstruir a construção do conhecimento humano. Como a ciência é ampla, Comte revela essa classificação científica para o bem do pensamento e da organização futura da sociedade. "Comte dividiu a sociologia em dois campos ou ramos principais: a estatística social, ou o estudo das forças que unem a sociedade; e a dinâmica social, ou o estudo das causas da mudança social". Ao fazer isso, a sociedade é reconstruída. Ao reconstruir o pensamento e a observação humana, o funcionamento da sociedade se altera. A atenção atrai-se para a ciência, a hipótese, a lei natural e as ideias sobrenaturais, permitindo que a sociologia seja dividida nessas duas categorias.

Ao combinar os fatos simples desde o abstrato até o sobrenatural e mudar nosso pensamento em direção à observação hipotética, as ciências culminam para formular a sociologia e essa nova divisão da sociedade. "Todo sistema social... visa definitivamente direcionar todas as forças especiais para um resultado geral, pois o exercício de uma atividade geral e combinada é a essência da sociedade". Fenômenos sociais Comte acreditava que podiam ser transferidos para leis e que a sistematização poderia se tornar o principal guia da sociologia para que todos pudessem manter o conhecimento para continuar construindo uma sociedade intelectual forte.

Para continuar a construir uma sociedade intelectual forte, Comte acreditava que a construção ou a reforma requer passos complexos para alcançar o sucesso. Em primeiro lugar, a nova sociedade deve ser criada depois que a velha sociedade é destruída porque "sem... destruição não poderia ser formada nenhuma concepção adequada do que devia ser feito". Essencialmente, uma nova sociedade não pode ser formada se for constantemente prejudicada pelo fantasma do seu passado. Nos mesmos termos, não haverá espaço para progresso se a nova sociedade continuar a comparar-se à antiga sociedade. Se a humanidade não destruir a antiga sociedade, a antiga sociedade destruirá a humanidade.

Ou por outro lado, se alguém destrói a antiga sociedade, "sem nunca substituí-la, as pessoas marcham em direção à anarquia total". Se a sociedade é continuamente desgastada sem ser substituída por novas estruturas sociais ideais, então a sociedade cairá mais profundamente nas suas velhas falhas. Os fardos crescerão profundos e enredarão as plataformas da nova sociedade, proibindo assim o progresso, e acabando por cumprir o amaldiçoado vai e vem de remodelar e destruir a sociedade. Portanto, de acordo com Comte, para desenhar uma nova sociedade com sucesso, deve-se manter o equilíbrio da reconstrução e da desconstrução.

Outras visões

Auguste Comte é muito conhecido por escrever em seu livro The Positive Philosophy "A Filosofia Positiva" que as pessoas nunca saberiam a composição química das estrelas. Isso tem sido chamado de uma previsão muito ruim em relação aos limites humanos na ciência. Trinta anos depois, as pessoas já começavam a aprender a composição das estrelas por meio da espectroscopia.

Influências contrarrevolucionárias

Comte também foi influenciado pelos críticos contrarrevolucionários da Revolução Francesa, incluindo Joseph de Maistre. com quem ele compartilhava as preocupações de que a "anarquia moral" era tanto um "flagelo" do século XIX e vinha da falta de uma doutrina unificadora, embora Comte rejeitasse o Catolicismo e o realismo de Maistre. Os estudiosos observaram que Comte secularizou alguns temas associados a Maistre, particularmente a ideia de que a coesão social depende de crenças e instituições compartilhadas ao invés de apenas na razão individual.

Ele também estava interessado em autores semelhantes, como Bonald e Lamennais.

Islã

Em seus trabalhos anteriores, Comte criticou o Islã (então frequentemente referido como "Maometismo") como uma religião menos racional ou progressista em comparação com as tradições monoteístas ocidentais. No entanto — especialmente em seus textos posteriores como Sistema de Política Positiva — Comte reavaliou sua posição. Ele passou a ver o Islã e a civilização islâmica mais favoravelmente, elogiando o que considerava a simplicidade doutrinária da religião, rituais comunitários e a história civilizatória — fatores que ele acreditava tornar o Islã especialmente adequado para a transição para a "religião positiva" que ele idealizou. Comte até propôs pegar emprestados certos elementos simbólicos e organizacionais ritualísticos do Islã (por exemplo, uma direção fixa para a adoração, semelhante à qibla) para a "religião da humanidade" global. Seu confidente Pierre Laffitte chegou a nomear o apartamento de Comte de "nossa Caaba". Ele reconheceu que seus julgamentos anteriores refletiam os preconceitos da sua época (particularmente os preconceitos anti-islâmicos comuns nos meios Católicos/Iluministas) e admitiu ter se enganado, especialmente no seu Sistema de Política Positiva. Esta evolução influenciou os pensadores positivistas posteriores e ajudou a explicar o porquê de certos intelectuais e movimentos muçulmanos — especialmente no final do século XIX e início do século XX — acharam o positivismo compatível com a identidade islâmica.

Publicações

Publicações completas (em francês)

Trabalhos originais

Reedições

Correspondência e outros escritos

Publicações (em inglês)

Ver também

Referências

  1. ↑ "(...) the only thing we have in common with those so designated is that we do not believe in God." John Stuart Mill, Auguste Comte. 'The Correspondence of John Stuart Mill and Auguste Comte', Transaction Publishers, p. 320.
  2. ↑ "Despite his atheism, Comte was concerned with moral regeneration and the establishment of a spiritual power." Mary Pickering, 'Auguste Comte and the Saint-Simonians', French Historical Studies Vol. 18, No. 1 (Spring 1993), pp. 211-236.
  3. ↑ "But tragically, Comte's "remarkable clearness and extent of vision as to natural things" was coupled with a "total blindness in regard to all that pertains to man's spiritual nature and relations." His "astonishing philosophic power" served only to increase the "plausibility" of a dangerous infidelity. Comte was, once unmasked, a "blank, avowed, unblushing Atheist." [...] Some of the Reformed writers were careful enough to note that technically Comte was not an atheist since he never denied the existence of God, merely his comprehensibility. Practically, however, this made little difference. It only pointed to the skepticism and nescience at the core of his positivism. The epistemological issues dominated the criticism of Comte. Quickly, his atheism was traced to his sensual psychology (or "sensualistic psychology", as Robert Dabney preferred to say)." Charles D. Cashdollar, 'Auguste Comte and the American Reformed Theologians', Journal of the History of Ideas Vol. 39, No. 1 (January–March 1978), pp. 61-79.
  4. ↑ Auguste Comte - University of Hawaii
  5. 1 2 3 4 Chisholm, Hugh, ed. (1911). «Comte, Auguste». Encyclopædia Britannica (em inglês) 11.ª ed. Encyclopædia Britannica, Inc. (atualmente em domínio público)
  6. ↑ «Auguste Comte». The Stanford Encyclopedia of Philosophy. [S.l.]: Metaphysics Research Lab, Stanford University. 2018
  7. ↑ Park, Robert E. (1921). «Sociology and the Social Sciences». American Journal of Sociology. 26 (4): 401–424. ISSN 0002-9602. JSTOR 2764494. doi:10.1086/213192
  8. ↑ «A Comtean Centenary». American Journal of Sociology. 27 (4): 510–513. 1922. ISSN 0002-9602. doi:10.1086/213378
  9. ↑ «Lecture 25: The Age of Ideologies (3): The World of Auguste Comte»
  10. ↑ «Auguste Comte (1798-1857)». Humanist Heritage. Humanists UK. Consultado em 5 de fevereiro de 2025
  11. ↑ «altruism (n .)». Online Etymology Dictionary. Consultado em 21 de agosto de 2013
  12. ↑ BRAZIL: Order and Progress, Ronald Hilton, World Association of International Studies Forum Q&A, 4/27/03
  13. ↑ «Rencontre avec Annie Petit "Auguste Comte"». Montpellier Agglomeration. 19 de outubro de 2007. Consultado em 15 de outubro de 2008. Arquivado do original em 15 de fevereiro de 2009. Né à Montpellier, brillant élève du Lycée Joffre..." Translation: "Nascido em Montpellier, aluno brilhante do Lycée Joffre ...
  14. ↑ Climont, Jean de. Contra Calvitius (English): A critical view of Calvinism. [S.l.]: Editions d Assailly. ISBN 9782902425334
  15. ↑ Bridges, John Henry (1883). «Comte: The successor of Aristotle and st. Paul, a discourse»
  16. ↑ Pickering (2006), p. 192ff.
  17. 1 2 Bourdeau, Michel (1 de outubro de 2008). «Stanford Encyclopaedia: Auguste Comte». Stanford Encyclopedia of Philosophy. Consultado em 19 de janeiro de 2026
  18. ↑ Giddens, Positivism and Sociology, 1
  19. ↑ Des Manuscrits de Sieyès. 1773–1799, Volumes I and II, published by Christine Fauré, Jacques Guilhaumou, Jacques Vallier et Françoise Weil, Paris, Champion, 1999 and 2007. See also Jacques Guilhaumou, Sieyès et le non-dit de la sociologie: du mot à la chose, in Revue d'histoire des sciences humaines, Number 15, November 2006. Naissances de la science sociale.
  20. ↑ 1874 translation of System of Positive Polity, Vol. II, pages 356–347, cited in Urbanowicz, Charles F. 1992. "Four-Field Commentary". Anthropology Newsletter. Volume 33, Number 9, page 3.
  21. ↑ «BRAZIL: Order and Progress». wais.stanford.edu
  22. ↑ Comte, A. b (1974 reprint). The positive philosophy of Auguste Comte freely translated and condensed by Harriet Martineau. New York: AMS Press. (Original work published in 1855, New York: Calvin Blanchard, p. 27.b)
  23. ↑ "Comte's secular religion is no vague effusion of humanistic piety, but a complete system of belief and ritual, with liturgy and sacraments, priesthood and pontiff, all organized around the public veneration of Humanity, the Nouveau Grand-Être Suprême (New Supreme Great Being), later to be supplemented in a positivist trinity by the Grand Fétish (the Earth) and the Grand Milieu (Destiny)" According to Davies (p. 28-29), Comte's austere and "slightly dispiriting" philosophy of humanity viewed as alone in an indifferent universe (which can only be explained by "positive" science) and with nowhere to turn but to each other, was even more influential in Victorian England than the theories of Charles Darwin or Karl Marx.
  24. ↑ «Templo da Humanidade». templodahumanidade.org.br. Consultado em 5 de setembro de 2026
  25. ↑ COMTE IN: VALENTIM, Oséias Faustino. O Brasil e o Positivismo. Rio de Janeiro: Publit, 2010. ISBN 9788577733316
  26. 1 2 Delaney, Tim. "Auguste Comte". Council for Secular Humanism. Council for Secular Humanism, Oct.-Nov. 2003.
  27. ↑ From The Positive Philosophy of Auguste Comte (trans. Harriet Martineau; London, 1853), Vol. I, p. 1.
  28. 1 2 3 4 5 6 Gertrud Lenzer. Auguste Comte and Positivism: The Essential Writings. New York: Harper & Row, 1975. Print.
  29. ↑ Bourdeau, Michel. “Auguste Comte.” Stanford Encyclopedia of Philosophy, Stanford University, 8 May 2018, plato.stanford.edu/entries/comte/.
  30. 1 2 3 Bourdeau, Michel. Auguste Comte. Stanford University. http://plato.stanford.edu/entries/comte/ [28-4-2016].
  31. 1 2 3 4 5 6 7 "Auguste Comte." Columbia Electronic Encyclopedia, 6Th Edition (2015): 1. MAS Ultra School Edition. Web.
  32. 1 2 3 4 5 6 7 Lenzer, Gertrud (1998). Auguste Comte and Positivism: The Essential Writings. [S.l.]: Transaction Publishers. pp. 286, 289, 292
  33. ↑ Priya, Rashmi. "Law of Three Stages: The Corner Stone of Auguste Comte's.” Your Article Library, 1-12-2014, www.yourarticlelibrary.com/sociology/law-of-three-stages-the-corner-stone-of-auguste-comtes/43729.
  34. 1 2 Delaney, Tim. Auguste Comte. Council for Secular Humanism, 2003.
  35. ↑ Bourdeau, Michel. «Auguste Comte». Stanford Encyclopedia of Philosophy. Consultado em 22 de maio de 2019
  36. 1 2 Fletcher, Ronald. «Auguste Comte». Encyclopedia Britannica. Consultado em 22 de maio de 2019
  37. ↑ Comte, Auguste (1975). Lenzer, Gertrud, ed. Auguste Comte and Positivism. New York: HarperCollins Publishers. ISBN 978-0-06-131827-6
  38. 1 2 Comte, Auguste (1998). Auguste Comte and positivism : the essential writings. [S.l.]: Transaction Publishers. ISBN 0-7658-0412-3. OCLC 473779742
  39. ↑ How do we know the composition of stars?
  40. ↑ «Comte on Astronomy». www.faculty.virginia.edu. Arquivado do original em 23 de abril de 2021
  41. ↑ Lucien Lévy-Bruhl (1903). The Philosophy of Auguste Comte. New York: Putnam and Sons, pp. 297-8.
  42. ↑ Pickering 1993, p. 262.
  43. ↑ Pickering 1993, pp. 261-268, Note 92.
  44. ↑ Wartelle, Jean-Claude (2001). L'héritage d'Auguste Comte: histoire de "l' Eglise" positiviste, 1849-1946 (em francês). [S.l.]: L'Harmattan. ISBN 978-2-7475-1575-7
  45. ↑ Gentil, Bruno (1 de abril de 2002). «La maison d'Auguste Comte, témoin de l'histoire du positivisme». Bulletin de la Sabix. Société des amis de la Bibliothèque et de l'Histoire de l'École polytechnique (em francês) (30): 21–38. ISSN 0989-3059. doi:10.4000/sabix.341. Consultado em 26 de novembro de 2025
  46. ↑ Braunstein, Jean-François (21 de maio de 2021). «Auguste Comte et l'« islamisme »». Revue européenne des sciences sociales. European Journal of Social Sciences (em francês). 59–1 (59–1): 13–40. ISSN 0048-8046. doi:10.4000/ress.7345. Consultado em 26 de novembro de 2025

Fontes

Leitura adicional

Ligações externas

O Wikiquote tem citações relacionadas a Auguste Comte.