| Max Weber | |
|---|---|
Weber em 1918 | |
| Nome completo | Maximilian Carl Emil Weber |
| Nascimento | 21 de abril de 1864 Erfurt, Província da Saxônia, Reino da Prússia |
| Morte | 14 de junho de 1920 (56 anos) Munique, Baviera, República de Weimar |
| Alma mater | Universidade de Heidelberg, Universidade de Estrasburgo, Universidade de Berlim e Universidade de Göttingen |
| Obra filosófica | |
| Escola | Filosofia continental, antipositivismo e liberalismo |
| Principais interesses | História, economia, sociologia, direito e religião |
| Ideias notáveis | Burocracia, carisma, desencantamento do mundo, tipo ideal, individualismo metodológico, gaiola de ferro, ação social, racionalização, neutralidade axiológica, patrimonialismo, capitalismo político, ética protestante do trabalho e monopólio da violência |
| Trabalhos notáveis | A ética protestante e o espírito do capitalismo, Economia e Sociedade, A ética econômica das religiões mundiais, A Ciência como Vocação, A Política como Vocação e História econômica geral |
| Assinatura | |
Maximilian Carl Emil Weber (pronúncia em alemão: [ˈveːbɐ]; 21 de abril de 1864 – 14 de junho de 1920) foi um sociólogo, historiador, jurista e economista político alemão. Participou da formação da sociologia e das ciências sociais, e suas ideias seguem presentes na teoria social e na pesquisa social.
Nascido em Erfurt em 1864, Weber estudou direito e história em Berlim, Göttingen e Heidelberg. Obteve o doutorado em direito em 1889 e a habilitação em 1891, depois lecionou em Berlim, Friburgo e Heidelberg. Dois anos mais tarde, casou-se com sua prima Marianne Schnitger. Em 1897, passou por uma crise de saúde após a morte do pai, com quem havia discutido. Deixou o magistério e viajou até o início da década de 1900. Recuperou-se e escreveu A ética protestante e o espírito do capitalismo. Durante a Primeira Guerra Mundial, apoiou inicialmente o esforço de guerra alemão, mas passou a criticá-lo e a defender a democratização. Também proferiu as conferências "A Ciência como Vocação" e "A Política como Vocação". Depois da guerra, participou da fundação do Partido Democrático Alemão, buscou, sem sucesso, a indicação para a Assembleia Nacional de Weimar e aconselhou a elaboração da Constituição de Weimar. Voltou a lecionar em Viena e Munique. Morreu de pneumonia em 1920, aos 56 anos, possivelmente em consequência da pandemia de gripe espanhola. Deixou inacabado o livro Economia e Sociedade.
Entre as questões que mais ocuparam Weber estavam a racionalização e o desencantamento do mundo. Ele formulou a tese de que esses processos se relacionavam com a ascensão do capitalismo e da modernidade. Em A ética protestante e o espírito do capitalismo, sustentou que a ética protestante do trabalho participou da formação do capitalismo moderno. Em seguida, na série A ética econômica das religiões mundiais, examinou as religiões da China, da Índia e do judaísmo antigo. Para Weber, o Estado se definia pela reivindicação bem-sucedida do monopólio do uso legítimo da força física em um território; ele também distinguiu três formas de autoridade social: carismática, tradicional e racional-legal. Defendeu o antipositivismo metodológico e o estudo interpretativo da ação social, em vez de restringi-lo a métodos empiristas. Escreveu ainda sobre sociologia econômica, sociologia política e sociologia da religião.
Após sua morte, a instabilidade política da República de Weimar e a ascensão da Alemanha Nazista retardaram os estudos sobre sua obra. No pós-guerra, esses estudos começaram a se organizar sob o impulso de Talcott Parsons, ao lado de pesquisadores dos Estados Unidos e do Reino Unido. Ao longo do século XX, as traduções dos escritos de Weber circularam mais amplamente e sua vida e suas ideias passaram a receber maior atenção. Sua obra levou à sua inclusão, ao lado de Karl Marx e Émile Durkheim, entre os fundadores da sociologia e os autores que participaram da formação das ciências sociais.
Maximilian Carl Emil Weber nasceu em 21 de abril de 1864, em Erfurt, na Província da Saxônia, então parte do Reino da Prússia. Sua família mudou-se para Charlottenburg em 1869. Era o mais velho dos oito filhos de Max Weber Sr. e Helene Fallenstein. O pai exerceu a advocacia, ocupou cargos públicos e foi parlamentar pelo Partido Nacional Liberal no Landtag da Prússia e no Reichstag. Sua casa recebia estudiosos e figuras públicas, entre eles o filósofo Wilhelm Dilthey, o jurista Levin Goldschmidt e o historiador Theodor Mommsen. Max e seu irmão Alfred, que também se tornou sociólogo, cresceram nesse ambiente. Pelo lado materno, Weber descendia em parte da família huguenote francesa Souchay, que havia enriquecido com o comércio internacional e a indústria têxtil. As tensões entre os pais o afetaram: o pai apreciava o conforto material e dava pouca atenção à religião e à filantropia, enquanto a mãe era uma calvinista devota e filantropa.

Em 1870, Weber ingressou na Doebbelinsche Privatschule, em Charlottenburg, e de 1872 a 1882 estudou no Kaiserin-Augusta-Gymnasium. Entediado nas aulas e pouco impressionado com os professores, leu às escondidas os quarenta volumes das obras de Johann Wolfgang von Goethe publicados por Johann Friedrich Cotta. Antes de terminar os estudos escolares, leu muitos outros clássicos, entre eles obras de Immanuel Kant. No Natal de 1877, aos treze anos, presenteou os pais com dois ensaios históricos, "Sobre o curso da história alemã, com especial referência às posições do imperador e do papa" e "Sobre o período imperial romano, de Constantino ao período das migrações". Dois anos depois, também no Natal, escreveu "Observações sobre o caráter étnico, o desenvolvimento e a história dos povos indo-europeus". Os três textos, elaborados a partir de numerosas leituras, continham reflexões próprias sobre a filosofia da história.
Weber ingressou na Universidade de Heidelberg em 1882 para estudar direito. Mais tarde, frequentou a Universidade Real Frederico Guilherme de Berlim, hoje Universidade Humboldt de Berlim, e a Universidade de Göttingen. Seus anos universitários foram interrompidos por períodos de serviço militar, o mais longo entre outubro de 1883 e setembro de 1884. Nesse intervalo, assistiu às aulas de seu tio, o historiador Hermann Baumgarten, na Universidade de Estrasburgo. Tornaram-se amigos, e Baumgarten teve participação no desenvolvimento do liberalismo de Weber e de sua crítica à predominância de Otto von Bismarck na política alemã. Weber integrou a Burschenschaft Allemannia Heidelberg, uma associação estudantil alemã. Nos primeiros anos de universidade, bebia muita cerveja e praticava esgrima acadêmica, da qual conservou cicatrizes de duelo no lado esquerdo do rosto. A mãe desaprovava seu comportamento e lhe deu um tapa quando ele voltou para casa após o terceiro semestre, em 1883. Mais tarde, Weber amadureceu, passou a apoiar cada vez mais a mãe nas discussões familiares e se afastou do pai.

Em 15 de maio de 1886, Weber foi aprovado no exame jurídico que dava acesso ao estágio de formação como Referendar. Exerceu a advocacia e deu aulas enquanto prosseguia os estudos. Sob a orientação de Levin Goldschmidt e Rudolf von Gneist, escreveu, em 1889, uma dissertação de história do direito sobre o desenvolvimento da responsabilidade solidária e do patrimônio separado nas sociedades comerciais a partir das comunidades domésticas e associações mercantis das cidades italianas. O estudo integrou uma obra maior, A história das sociedades comerciais na Idade Média com base em documentos do sul da Europa, publicada naquele mesmo ano. Weber começou então a preparar sua habilitação com o estatístico August Meitzen, concluída dois anos depois. Intitulada O direito agrário romano e sua importância para o direito público e privado, a tese examinou a relação entre a agrimensura romana e o direito agrário de Roma. Theodor Mommsen compareceu à defesa e debateu com Weber. Depois, afirmou desejar que ele o sucedesse. Habilitado como Privatdozent, Weber passou a integrar o corpo docente da universidade de Berlim, onde lecionou, pesquisou e prestou consultoria ao governo.

De 1887 até 1892, quando a piora da saúde mental de Emmy Baumgarten o levou a encerrar a relação, Weber manteve com a filha de Hermann Baumgarten uma espécie de noivado informal. Em 1893, iniciou um relacionamento com sua prima de segundo grau Marianne Schnitger, com quem se casou em 20 de setembro daquele ano, em Oerlinghausen. O casamento lhe trouxe independência financeira e permitiu que deixasse a casa dos pais. O casal não teve filhos. Marianne era ativista feminista e escritora. Na vida acadêmica, entre a dissertação e a habilitação, Weber se interessou pela política social de seu tempo e ingressou, em 1888, na Verein für Socialpolitik, a Associação para a Política Social. A organização reunia pensadores reformistas, em geral ligados à escola histórica da economia. Weber também entrou na política e participou, em 1890, da fundação do Congresso Social Evangélico, de orientação à esquerda, que abordava a questão social sob uma perspectiva protestante. Naquele ano, a Verein criou um programa de pesquisa sobre a Ostflucht, a migração para o oeste de trabalhadores agrícolas de origem alemã da Élbia Oriental e a chegada correspondente de trabalhadores rurais poloneses. Weber dirigiu o estudo e redigiu parte do relatório final, que chamou atenção e provocou controvérsia política.

Entre 1893 e 1899, Weber pertenceu à Liga Pangermânica, que se opunha à entrada de trabalhadores poloneses. O grau em que apoiou a germanização dos poloneses e outras políticas ligadas ao nacionalismo alemão é objeto de debate entre pesquisadores. Em 1894, ele e Marianne mudaram-se para Friburgo na Brisgóvia, onde recebeu uma cátedra de economia na Universidade de Freiburgo. Na aula inaugural de 1895, "O Estado nacional e a política econômica", criticou a imigração polonesa e argumentou que os Junkers a incentivavam por interesse econômico, em detrimento dos interesses da Alemanha. A conferência levou o político Friedrich Naumann a criar a Associação Nacional-Social, organização política de socialistas cristãos e nacionalistas alemães. Weber duvidava de suas chances, e a associação foi dissolvida depois de conquistar apenas uma cadeira no Reichstag nas eleições de 1903. Em 1897, Weber assumiu uma cátedra de economia e finanças na Universidade de Heidelberg. Ali, ele e Marianne passaram a reunir o chamado Círculo de Weber, frequentado por Georg Jellinek, Ernst Troeltsch e Werner Sombart. Pesquisadores mais jovens, como György Lukács e Robert Michels, também participaram dos encontros.
Em junho de 1897, Weber discutiu duramente com o pai sobre a maneira como ele tratava sua mãe. Weber Sr. morreu dois meses depois, durante uma viagem a Riga, sem que os dois tivessem se reconciliado. Max tornou-se cada vez mais deprimido, nervoso e insone, com dificuldade para cumprir suas obrigações de professor. Em 1899, obteve dispensa das aulas. Havia passado pela clínica Heilanstalt für Nervenkranke Konstanzer Hof em 1898 e, em 1900, internou-se em outro sanatório, em Bad Urach. Para se recuperar, viajou à Córsega e à Itália entre 1899 e 1903. Afastou-se por completo do magistério em 1903 e só voltou a lecionar em 1918. Descreveu minuciosamente sua doença mental numa cronologia pessoal que Marianne destruiu após sua morte, possivelmente por recear que os nazistas desacreditassem sua obra caso a experiência se tornasse conhecida.
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Após se recuperar, Weber tornou-se, em 1904, um dos editores do Archiv für Sozialwissenschaft und Sozialpolitik, ao lado de Edgar Jaffé e Werner Sombart. Sob sua direção, o Archiv passou a figurar entre os periódicos de ciências sociais mais conhecidos. Nele publicou alguns de seus trabalhos, entre eles A ética protestante e o espírito do capitalismo, sua obra mais difundida, que orientou pesquisas posteriores sobre a relação entre religião e desenvolvimento dos sistemas econômicos. Ainda em 1904, participou do Congresso de Artes e Ciências, realizado durante a Exposição Universal de 1904, a exposição universal de St. Louis. Viajou com Marianne, Werner Sombart, Ernst Troeltsch e outros estudiosos alemães. Os Weber aproveitaram a ocasião para percorrer os Estados Unidos por quase três meses, numa viagem circular que começou e terminou em Nova Iorque. Visitaram comunidades de imigrantes alemães e comunidades afro-americanas. Weber também conheceu parentes da família Fallenstein na Carolina do Norte. A viagem lhe permitiu examinar as condições sociais, econômicas e religiosas do país à luz de sua tese. Mesmo depois disso, sentiu-se incapaz de retomar as aulas e continuou a pesquisar por conta própria, amparado por uma herança recebida em 1907.

Pouco depois de voltar, Weber dirigiu sua atenção à Revolução Russa de 1905. Aprendeu russo em poucos meses, assinou jornais da Rússia e discutiu a política e a sociedade do país com a comunidade de emigrados russos de Heidelberg. Era bem recebido pelo grupo e cogitou duas vezes viajar ao Império Russo, mas sua agenda impediu a viagem. Embora duvidasse do êxito da revolução, defendia a formação de uma democracia liberal russa. Publicou dois ensaios sobre o assunto no Archiv. Para Weber, o desejo dos camponeses de obter terras estava na origem do movimento. Examinou o papel das obshchinas, comunidades camponesas rurais, nos debates políticos. Em sua interpretação, os reformadores agrários liberais tinham dificuldade para suprimi-las por causa de sua fundamentação no direito natural e da manipulação interessada que delas fazia a classe ascendente dos kulaks. Em linhas gerais, entendeu a revolução como um movimento sem liderança clara, movido pelas paixões dos camponeses, e não pelos objetivos dos intelectuais russos.

Em 1908 e 1909, Weber publicou estudos sobre a psicofísica do trabalho industrial. Eles faziam parte das pesquisas promovidas pela Verein für Socialpolitik sobre a seleção e a adaptação dos trabalhadores nas grandes empresas, e examinavam questões de fisiologia e organização do trabalho sob uma perspectiva sociológica.

Em 1909, cada vez mais insatisfeito com o conservadorismo político e com o que via como falta de rigor metodológico da Verein, Weber ajudou a fundar a Associação Alemã de Sociologia e se tornou seu primeiro tesoureiro. Considerava que a nova associação e a Verein podiam manter relações sem disputar espaço. Tentou, sem sucesso, influir nos rumos da entidade e fazer do Archiv seu periódico oficial. Deixou a tesouraria em 1912, em meio à controvérsia causada por sua defesa da neutralidade axiológica nas ciências sociais. Em 1909, ele e Marianne viajaram a Veneza com Else von Richthofen, antiga aluna de Weber e amiga de longa data de Marianne. O casal também fez amizade com a pianista Mina Tobler. Após uma tentativa frustrada de cortejar Richthofen, Weber iniciou um relacionamento amoroso com Tobler em 1911. Pesquisadores e seu sobrinho Eduard Baumgarten relacionaram a "Consideração intermediária", ensaio sobre religião, salvação e erotismo da série A ética econômica das religiões mundiais, aos sentimentos de Weber por Richthofen e Tobler.

Na Associação Alemã de Sociologia, Weber propôs uma pesquisa comparativa sobre a imprensa. Pretendia examinar a propriedade e os custos dos jornais, suas fontes de informação e a influência de proprietários, partidos, igrejas e grupos de interesse na formação da opinião pública. O projeto foi abandonado após conflitos judiciais que abalaram a relação de confiança necessária entre Weber e representantes dos jornais.
Em 1910, Max e Marianne passaram a morar no primeiro andar da casa hoje chamada Max-Weber-Haus, em Heidelberg. Ali, os encontros dominicais do círculo reuniam professores e jovens intelectuais. O edifício abriga atualmente o Centro Internacional de Estudos da Universidade de Heidelberg.

Na primavera de 1913, Weber passou férias na comunidade de Monte Verità, em Ascona, na Suíça. Ali aconselhou Frieda Gross na disputa pela guarda dos filhos e se opôs à participação de Erich Mühsam no caso por causa do anarquismo dele. Defendeu que a questão fosse tratada por reformadores burgueses que não se desviassem do objetivo. Voltou a Ascona na primavera seguinte. A comunidade reunia movimentos radicais de reforma política e de costumes, entre eles o naturismo, o amor livre e o esoterismo ocidental. Weber criticava os movimentos anarquistas e eróticos de Ascona, pois julgava politicamente absurda a fusão entre eles.
Com o início da Primeira Guerra Mundial em 1914, Weber ofereceu-se para servir e foi nomeado oficial da reserva responsável pela organização dos hospitais militares de Heidelberg, função que exerceu até o fim de 1915. Sua opinião sobre a guerra e a expansão do Império Alemão mudou nesse período. De início, apoiou firmemente o esforço de guerra alemão. Mais tarde, tornou-se um crítico da política expansionista e das decisões de guerra do imperador Guilherme II. Condenou em público a possível anexação da Bélgica prevista no Programa de Setembro e a guerra submarina irrestrita. Passou a apoiar a reforma constitucional, a democratização e o sufrágio universal. A morte de seu irmão mais novo Karl, arquiteto, em combate nas proximidades de Brest-Litovsk em 1915, fez com que se sentisse mais próximo dele, a quem antes desprezara.

Max e Marianne participaram das conferências de Lauenstein, realizadas em 1917 no castelo de Lauenstein, na Baviera. Organizados pelo editor Eugen Diederichs, os encontros reuniram intelectuais como Theodor Heuss, Ernst Toller e Werner Sombart. A presença de Weber lhe deu maior visibilidade na Alemanha e atenuou o ambiente romântico do evento. Diederichs o envolveu nos preparativos da segunda conferência por considerar necessária uma voz de oposição. Weber contestou o romantismo político do ex-teólogo Max Maurenbrecher e o que via como retórica excessiva dos grupos juvenis e nacionalistas. Defendia, em seu lugar, a democratização alemã. Para ele e os participantes mais jovens, o romantismo dos encontros não podia determinar o futuro do país. Em novembro, pouco depois da segunda conferência, a organização estudantil Juventude Estudantil Livre o convidou a falar em Munique. Dessa palestra surgiu "A Ciência como Vocação", na qual Weber sustentou que a vocação interior e a especialização eram necessárias à vida acadêmica. No ano seguinte, iniciou uma relação sadomasoquista com Else von Richthofen. Ela também mantinha um relacionamento com Alfred, irmão de Max. Os relacionamentos de Max com Richthofen e Mina Tobler duraram até sua morte, em 1920.

Após a guerra, Weber buscou, sem sucesso, ser indicado pelo liberal Partido Democrático Alemão, do qual havia sido um dos fundadores, para disputar a eleição de janeiro de 1919 à Assembleia Nacional de Weimar. Também aconselhou a Assembleia durante a elaboração da Constituição de Weimar. Na campanha, criticou a esquerda e os dirigentes da Liga Espartaquista, Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo. Julgava que a Revolução Alemã de 1918-1919 impedira a Alemanha de contestar as reivindicações da Polônia sobre territórios orientais. Sua oposição à revolução talvez tenha levado o novo presidente alemão, Friedrich Ebert, do Partido Social-Democrata da Alemanha, a não nomeá-lo ministro ou embaixador. Weber criticou o Tratado de Versalhes por considerar injusta a atribuição da culpa pela guerra à Alemanha no artigo 231. A seu ver, outros países também eram responsáveis, e a Rússia era a única grande potência que desejara a guerra. Suas iniciativas políticas tiveram pouco êxito, à exceção do apoio à criação de uma presidência forte e eleita democraticamente. Em 28 de janeiro de 1919, após não conseguir a indicação partidária, proferiu "A Política como Vocação", palestra sobre a política solicitada pela Juventude Estudantil Livre em meio às turbulências iniciais da República de Weimar. Pouco antes de integrar a delegação alemã às negociações de Versalhes, em 13 de maio, usou seus contatos entre os deputados do Partido Popular Nacional Alemão para encontrar Erich Ludendorff. Tentou durante horas, sem sucesso, convencê-lo a se entregar aos Aliados.
Weber retomou o magistério em parte porque ele e a família haviam perdido dinheiro investido em títulos de guerra. Lecionou primeiro na Universidade de Viena, em 1918, e depois na Universidade de Munique, em 1919. Em Viena, ocupou uma cátedra vaga de economia política para a qual vinha sendo cogitado desde outubro de 1917. Deu a oficiais do Exército Austro-Húngaro uma palestra sobre socialismo. Também teve uma discussão acalorada com Joseph Schumpeter no Café Landtmann sobre a possibilidade de usar a República Socialista Federativa Soviética Russa como caso para estudar o comunismo. Em Munique, assumiu a cátedra de ciências sociais, história econômica e economia política de Lujo Brentano. Aceitou o posto para ficar mais perto de Else von Richthofen. A pedido dos estudantes, ministrou um curso de história econômica, cujas transcrições foram editadas por Siegmund Hellmann e Melchior Palyi e publicadas em 1923 como História econômica geral. Na política bávara, Weber se opôs ao perdão de Anton Graf von Arco auf Valley, assassino do chefe de governo Kurt Eisner. Estudantes de direita interromperam suas aulas e protestaram diante de sua casa. No início de 1920, discutiu A decadência do Ocidente, de Oswald Spengler, em um seminário. Alunos que conheciam Spengler propuseram um debate entre os dois e outros estudiosos. A discussão durou dois dias na prefeitura de Munique, mas os estudantes saíram sem resposta para a questão de como resolver os problemas alemães do pós-guerra.

Lili Schäfer, uma das irmãs de Weber, suicidou-se inesperadamente em 7 de abril de 1920, depois que o pedagogo Paul Geheeb encerrou o relacionamento amoroso que mantinha com ela. Weber cuidava da irmã por causa da depressão que ela enfrentava desde a morte do marido, em 26 de agosto de 1914. Como ele próprio havia tido pensamentos suicidas, respeitou a decisão de Lili, pois considerava justificável o suicídio dela e acreditava que o suicídio em geral podia ser honroso. Max e Marianne acolheram os quatro filhos de Lili e planejaram criá-los. Weber se sentia desconfortável no novo papel de figura paterna, mas julgava que ele trazia realização a Marianne como mulher. Ela adotou formalmente as crianças em 1927. Max queria que a família ficasse em Heidelberg ou se mudasse para perto da escola Odenwaldschule, de Geheeb, para que ele pudesse permanecer a sós com Else von Richthofen em Munique. Deixou a decisão a Marianne, que respondeu que só ele poderia decidir partir. Weber, nesse período, começou a acreditar que sua própria vida chegava ao fim.
Em 4 de junho de 1920, os alunos de Weber foram avisados de que ele estava resfriado e precisaria cancelar as aulas. Até 14 de junho, o quadro evoluiu para gripe e ele morreu de pneumonia em Munique. É provável que tivesse contraído gripe espanhola durante a pandemia do pós-guerra e recebido cuidados médicos insuficientes. Else von Richthofen, presente ao lado da cama de Weber com Marianne, acreditava que ele teria sobrevivido com um tratamento melhor. Seu corpo foi cremado no cemitério Ostfriedhof, em Munique, após uma cerimônia laica. Em 1921, a urna com as cinzas foi sepultada no Bergfriedhof, em Heidelberg. Entre os presentes na despedida estavam seus alunos Eduard Baumgarten e Karl Loewenstein, além de colegas como Lujo Brentano. Weber deixou inacabado Economia e Sociedade, obra de teoria sociológica cuja edição para publicação, entre 1921 e 1922, contou com o trabalho de Marianne. Em 1926, ela publicou uma biografia do marido que se tornou uma das principais narrativas históricas sobre sua vida.

A ação social ocupava o centro da sociologia de Weber e, para ele, era também parte do caráter científico da disciplina. Dividiu-a em quatro tipos: afetiva, tradicional, racional com relação a fins e racional com relação a valores. A primeira decorria das emoções do agente, a segunda se baseava no costume, a terceira calculava os meios para atingir objetivos e a quarta buscava pôr em prática valores. Sua metodologia diferia das de Émile Durkheim e Karl Marx por se concentrar sobretudo nos indivíduos e na cultura. Durkheim dava maior atenção à sociedade, enquanto Weber examinava as pessoas e suas ações. Marx atribuía primazia ao mundo material em relação às ideias, ao passo que Weber via nas ideias motivos para agir. Suas concepções de estrutura e ação e de macroestrutura também se distinguiam das deles: aceitava que os fenômenos sociais pudessem ter muitas causas e dava atenção à interpretação que os agentes faziam de suas próprias ações.
Artigo principal: Verstehen
O resultado do que foi dito até aqui é que um tratamento "objetivo" dos acontecimentos culturais, no sentido de que o objetivo ideal do trabalho científico seria reduzir a realidade empírica a "leis", é absurdo. Não porque, como tantas vezes se afirmou, o curso dos processos culturais ou, digamos, dos processos da mente humana seria, "objetivamente", menos sujeito a leis, mas por duas razões: 1. o conhecimento das leis sociais não constitui conhecimento da realidade social, sendo apenas um dos instrumentos de que nosso intelecto precisa para tal fim; 2. só se pode conhecer os acontecimentos culturais tomando como ponto de partida a importância que a realidade da vida, sempre individual, tem para nós sob determinados aspectos particulares. Nenhuma lei pode nos revelar em que sentido e sob quais aspectos isso ocorre, pois a resposta depende das ideias de valor à luz das quais contemplamos a "cultura" em cada caso.

Na metodologia, Weber se ocupou sobretudo da objetividade e da subjetividade. Distinguia a ação social do simples comportamento social e sustentava que era preciso compreendê-la a partir das relações subjetivas das pessoas. O estudo interpretativo da ação, ou verstehen, exigia entender o sentido subjetivo e a finalidade que cada pessoa atribuía ao que fazia. Para determinar essa interpretação, era preciso reunir indícios por meio da empatia ou do raciocínio. Weber observou que a importância da subjetividade nas ciências sociais tornava mais difícil formular leis universais e infalíveis do que nas ciências naturais, e limitava o conhecimento objetivo que as ciências sociais podiam produzir. Defendia a objetividade científica como uma meta a perseguir, embora a julgasse inalcançável por completo.
A metodologia de Weber tomou forma em meio a debates sobre os métodos das ciências sociais. O primeiro foi a Methodenstreit, a disputa dos métodos. Nela, Weber se aproximava do historicismo por entender que as ações sociais dependiam fortemente de seus contextos históricos. Também defendia a análise histórica comparativa e se interessava mais por explicar como um resultado decorria de processos históricos do que por prever os resultados futuros desses processos. O segundo debate, a Werturteilsstreit, girava em torno dos juízos de valor nas ciências sociais e ocorreu de 1909 a 1914. Nasceu de uma discussão na Verein für Socialpolitik entre quem considerava a ética parte da economia e quem se opunha a essa ideia. Weber defendia que as ciências sociais buscassem a neutralidade axiológica. Para ele, a distinção entre fato e valor implicava que a ciência não deveria escolher valores. Na economia, argumentou que a produtividade não era um conceito científico útil, pois podia prejudicar a avaliação dos fenômenos econômicos.
Ao classificar as relações sociais, Weber distinguiu a Vergemeinschaftung (comunalização), fundada no sentimento subjetivo de pertencimento comum, da Vergesellschaftung (sociação), fundada no acordo ou na coordenação racional de interesses. A distinção descreve modos de orientação da relação entre as pessoas, que podem se combinar em situações concretas.
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Weber formulou o princípio do individualismo metodológico, pelo qual os cientistas sociais deveriam entender as coletividades a partir das ações das pessoas que as compõem. O economista austro-americano Joseph Schumpeter cunhou a expressão "individualismo metodológico" em 1908 para nomear essa maneira de explicar os fenômenos sociais. Embora seu interesse de pesquisa recaísse sobre a interpretação da história econômica, o princípio o afastava da escola histórica da economia e o aproximava de Carl Menger, fundador da Escola Austríaca, na Methodenstreit. No primeiro capítulo de Economia e Sociedade, Weber afirmou que somente os indivíduos "podem ser tratados como agentes de um curso de ação subjetivamente compreensível". Apesar do termo "individualismo", ele não via o indivíduo como a verdadeira fonte isolada da explicação sociológica. Apenas pessoas podem agir intencionalmente, mas suas ações não estão necessariamente separadas do grupo. O individualismo metodológico tinha, a seu ver, estreita relação com a sociologia interpretativa, pois as ações podiam ser interpretadas subjetivamente, e também com os tipos ideais, empregados em modelos abstratos e racionais do comportamento humano.

O tipo ideal ocupava uma posição central na metodologia de Weber, que o julgava indispensável às ciências sociais. Ao considerar o sentido atribuído às ações, era próprio desse campo. Tratava-se de um esquema que representava uma ação social e levava em conta o papel do sentido nela. Acentuava determinados traços de uma situação empírica; ao construir um tipo de ação racional, podia supor que os envolvidos conhecessem plenamente as circunstâncias, compreendessem seus atos e não cometessem erros. O pesquisador então confrontava o modelo com a realidade empírica para compreendê-la melhor. Weber advertia que os tipos ideais não eram retratos diretos da realidade. Serviam para formular conceitos, classificações e hipóteses, sendo esta última sua função principal. Não impunha limites aos fenômenos que podiam ser examinados por esse recurso. Por considerar a racionalidade inseparável do método científico, construía os tipos ideais racionalmente. Tomou a expressão "tipo ideal" de Georg Jellinek e apresentou o conceito em "A objetividade do conhecimento na ciência social e na política social" e no primeiro capítulo de Economia e Sociedade.
Artigo principal: Neutralidade axiológica

Weber defendia que os cientistas sociais evitassem juízos de valor em suas pesquisas. Isso lhes permitiria buscar a objetividade, desde que reconhecessem as maneiras pelas quais a própria pesquisa se relacionava com valores. Como parte dessa posição, opunha-se à promoção de opiniões políticas por professores e alunos em sala de aula. Expôs inicialmente essas ideias em textos sobre filosofia da ciência, entre eles "A objetividade do conhecimento na ciência social e na política social" e "A ciência como vocação". Foi inspirado pelo conceito de relevância valorativa de Heinrich Rickert, que relacionava os objetos históricos aos valores sem abandonar a objetividade, por meio de distinções conceituais explícitas. Weber, porém, não aceitava que um pesquisador pudesse manter a objetividade enquanto adotasse uma hierarquia de valores nos termos de Rickert. Essa concepção estava ligada à sua participação na Werturteilsstreit, na qual sustentou que as ciências sociais deviam ser livres de juízos de valor. Também tentou, sem sucesso, fazer da Associação Alemã de Sociologia uma organização comprometida com essa posição.

A racionalização foi um tema constante na obra de Weber. Ele a examinou em relação às motivações psicológicas, aos valores e crenças culturais e à estrutura da sociedade. Entendia que ela trazia maior conhecimento, relações mais impessoais e maior controle da vida social e material. Sua avaliação era ambivalente: reconhecia avanços, como a libertação de normas sociais tradicionais, restritivas e ilógicas, mas criticava a perda de humanidade e de liberdade das pessoas, aprisionadas na racional gaiola de ferro da burocracia. Começou a estudá-la em A ética protestante e o espírito do capitalismo. Ali argumentou que a nova relação estabelecida pelo protestantismo, sobretudo pelo calvinismo, entre trabalho e piedade orientou as pessoas para a busca racional do ganho econômico. A piedade protestante podia ser expressa na vocação secular. Os princípios religiosos que haviam participado da formação do capitalismo deixaram de ser necessários quando o sistema passou a se reproduzir sem eles.

Weber retratou a secularização da cultura ocidental e, sobretudo, o desenvolvimento das sociedades modernas sob o ângulo da racionalização. As novas estruturas sociais se caracterizavam pela diferenciação de dois sistemas funcionalmente entrelaçados, formados em torno dos núcleos organizacionais da empresa capitalista e do aparelho burocrático do Estado. Weber entendeu esse processo como a institucionalização da ação econômica e administrativa racional com relação a fins. À medida que essa racionalização cultural e social atingia a vida cotidiana, dissolviam-se as formas tradicionais de vida que, no início da era moderna, se distinguiam principalmente pelo ofício de cada pessoa.
Weber prosseguiu a investigação da racionalização nos estudos sobre a burocracia e na divisão da autoridade legítima em três tipos ideais: racional-legal, tradicional e carismático. Para ele, a forma racional-legal predominava na modernidade. Esses textos tratavam do que entendia como o avanço da racionalização na sociedade. Os Estados burocráticos justificavam-se pela própria racionalidade e se apoiavam no conhecimento especializado. Na economia, a racionalização aparecia no desenvolvimento de um capitalismo altamente calculado. O cálculo econômico, sobretudo a contabilidade por partidas dobradas, diferenciava-o de outras formas de organização econômica. A burocracia estatal e o capitalismo eram, para Weber, os dois pilares da sociedade racional em formação, que dissolviam costumes organizados em torno dos ofícios. Ele também via a racionalização como um dos fatores que distinguiam o Ocidente de outras regiões do mundo. Aplicou a mesma análise à música em Os fundamentos racionais e sociológicos da música. O texto foi inspirado pelo relacionamento com a pianista Mina Tobler e pela ideia de que apenas a música ocidental se tornara harmônica, enquanto a de outras culturas seria mais intensa e orientada pela audição. Para Weber, a música se racionalizava cada vez mais em decorrência de mudanças na construção dos instrumentos e na situação social e econômica de seus intérpretes.

O desencantamento do mundo retirava aos poucos da magia o lugar central que ela ocupava na interpretação do mundo. Explicações anteriores dos acontecimentos recorriam à crença na intervenção sobrenatural na realidade material. Weber entendia que a atividade religiosa começara com atos do mundo material aos quais se atribuíam sentidos mágicos e que eram relacionados a espíritos pouco definidos. Essas crenças foram organizadas de forma progressiva: os espíritos se tornaram deuses e surgiram o politeísmo e a religião organizada. Com o avanço da racionalidade, formou-se o monoteísmo ocidental. Grupos voltados a determinados deuses por razões políticas e econômicas deram origem a uma religião universal. O protestantismo estimulou a busca da racionalidade até que esta contribuiu para a desvalorização da própria religião. A ciência moderna passou a oferecer uma alternativa considerada válida à crença religiosa. Ela também deixou de fornecer valores universais, pois não podia criar valores. Em seu lugar, surgiram sistemas de valores distintos, incapazes de substituí-los adequadamente. A situação lembrava o antigo politeísmo ocidental, embora seus novos "deuses" não tivessem as qualidades místicas dos anteriores.

O desenvolvimento da ideia de vocação logo deu ao empresário moderno uma consciência fabulosamente tranquila e lhe deu também trabalhadores diligentes. Como pagamento pela dedicação ascética deles à vocação e pela colaboração na exploração implacável que deles fazia por meio do capitalismo, oferecia-lhes a perspectiva da salvação eterna.
A ética protestante e o espírito do capitalismo é a obra mais difundida de Weber e sua primeira investigação da relação entre religiões e desenvolvimento de sistemas econômicos. O estudo saiu inicialmente em dois artigos no Archiv für Sozialwissenschaft und Sozialpolitik, em 1904 e 1905; Weber preparou uma versão revista em 1920. Nela apresentou a tese de que a ética protestante do trabalho, derivada das ideias teológicas da Reforma Protestante, participou do desenvolvimento do capitalismo. Buscou afinidades eletivas entre essa ética e o sistema econômico, expressão que talvez tenha tomado de As Afinidades Eletivas, de Johann Wolfgang von Goethe. Argumentou que a vocação dos puritanos para o trabalho os levava a acumular riqueza sistematicamente, como forma de provar a si mesmos que estavam predestinados à salvação. Usou a ética pessoal de Benjamin Franklin, exposta em "Conselhos a um jovem comerciante", como exemplo da ética econômica das seitas protestantes. Conceitos que depois se tornariam centrais em seus estudos, entre eles racionalização e tipo ideal, já figuravam no estudo.
Para Weber, certas formas de protestantismo, especialmente o calvinismo, favoreciam a busca racional de ganhos econômicos e as atividades seculares destinadas a obtê-los, atribuindo-lhes sentido moral e espiritual. O espírito do capitalismo se encontrava no desejo de trabalhar arduamente de maneira satisfatória para o trabalhador e capaz de afirmar seu valor, desejo que tinha origem teológica. A ética protestante estimulava os fiéis a se dedicar ao trabalho, ter êxito nos negócios e reinvestir os lucros, sem gastá-los em prazeres frívolos. Weber via no autocontrole, no trabalho árduo e na ideia de que a riqueza podia ser sinal de salvação traços do protestantismo ascético. Seus adeptos praticavam o ascetismo intramundano e procuravam mudar o mundo segundo suas crenças. Associada à predestinação, a ideia de vocação religiosa levava cada pessoa a buscar em seus atos a prova de sua própria salvação. O sucesso alcançado com esses princípios acabou por afastá-los do capitalismo moderno, que adquiriu uma perspectiva secular. A racionalização, por sua vez, aprisionava os herdeiros desse sistema numa gaiola de ferro social e econômica.
Artigo principal: A ética econômica das religiões mundiais

Os estudos de Weber em sociologia da religião começaram com A ética protestante e o espírito do capitalismo e prosseguiram na série A ética econômica das religiões mundiais, formada por A religião da China, A religião da Índia e O judaísmo antigo. Estudos planejados sobre o cristianismo, o judaísmo talmúdico e o islamismo não chegaram a ser escritos. A série se organizava em torno de três questões: o efeito das ideias religiosas sobre as atividades econômicas, a relação entre estratificação social e religião e as características que Weber via como próprias da civilização ocidental. Seu objetivo era explicar por que o Ocidente e o Oriente haviam seguido caminhos de desenvolvimento distintos. Propôs também um modelo de evolução social das religiões, pelo qual as sociedades passavam da magia ao monoteísmo ético, atravessando o politeísmo, o panteísmo e o monoteísmo. Para ele, a maior estabilidade econômica permitia a profissionalização e a formação de um sacerdócio mais elaborado. À medida que as sociedades cresciam e reuniam grupos diferentes, desenvolvia-se uma hierarquia de deuses; com a centralização do poder, a ideia de um deus universal ganhava força.
Na "Consideração intermediária", Weber examinou as tensões entre uma ética religiosa da fraternidade e outras esferas da vida, como a economia, a política, a ciência, a arte e o erotismo. Essas esferas seguiam orientações próprias, que nem sempre podiam ser conciliadas.
Artigo principal: A religião da China

Em A religião da China: confucionismo e taoismo, Weber examinou aspectos da sociedade chinesa que diferiam da Europa ocidental, em especial os que contrastavam com o puritanismo, para entender por que não havia surgido na China o capitalismo racional moderno que identificava na Europa. Estudou as cidades, o patrimonialismo, a administração pública, a religião e a filosofia chinesa, principalmente o confucionismo e o taoismo. Considerava que confucionismo e puritanismo tinham semelhanças superficiais, mas diferiam profundamente. Eram formas mutuamente excludentes de pensamento racional, cada uma delas prescrevendo uma maneira de viver baseada em doutrinas religiosas. Ambas valorizavam o autocontrole e a moderação e não se opunham à acumulação de riqueza, mas usavam essas qualidades para fins distintos. O confucionismo buscava uma "posição de status cultivada", enquanto o puritanismo pretendia formar "instrumentos de Deus". Para Weber, os puritanos procuravam controlar racionalmente o mundo e rejeitavam sua irracionalidade; os confucionistas aceitavam racionalmente as condições existentes. Concluiu que essa diferença nas atitudes e mentalidades, moldada pelas religiões predominantes, participara do desenvolvimento do capitalismo racional moderno no Ocidente e da ausência de um desenvolvimento independente equivalente na China. Pesquisadores posteriores questionaram aspectos de sua explicação, lembrando que havia atividade comercial na China e que sua comparação tomava a trajetória europeia como referência; a interpretação continua debatida.
Artigo principal: A religião da Índia

Em A religião da Índia: a sociologia do hinduísmo e do budismo, Weber tratou da estrutura da sociedade indiana e do que interpretava como as doutrinas ortodoxas do hinduísmo e as doutrinas heterodoxas do budismo e do jainismo. Em sua interpretação, assim como o confucionismo na China, o hinduísmo na Índia dificultava o desenvolvimento de um capitalismo racional moderno do tipo que havia surgido no Ocidente. O sistema de castas na Índia, formado depois do período clássico e tomado como fundamento das relações sociais legítimas, era decisivo nesse processo. O hinduísmo e a posição elevada dos brâmanes sustentavam o sistema. Os brâmanes mantinham seu lugar por meio do controle da educação e da autoridade teológica, enquanto o ciclo de reencarnação oferecia uma justificativa religiosa: a casta de cada pessoa dependeria das ações de sua vida anterior. A elevação da alma e a obediência à ordem predeterminada recebiam, assim, mais atenção do que o progresso material, inclusive econômico.
Weber encerrou o estudo da Índia aproximando suas conclusões da pesquisa anterior sobre a China. Entendia que os fiéis dessas religiões recorriam a experiências místicas voltadas a outro mundo para interpretar o sentido da vida. A sociedade se dividia entre uma elite instruída, orientada por um profeta ou sábio, e as massas sem instrução, cujas crenças giravam em torno da magia. Na Ásia, segundo sua análise, não havia profecia messiânica que desse sentido à vida cotidiana dos dois grupos. Contrastou as profecias messiânicas do Oriente Próximo com as profecias exemplares da Ásia continental, dirigidas sobretudo à elite instruída e voltadas a ensinar maneiras de viver, geralmente com pouca atenção ao trabalho árduo e ao mundo material. Para Weber, essas diferenças impediam que os países ocidentais seguissem os caminhos das civilizações chinesa e indiana. Seu trabalho seguinte, O judaísmo antigo, buscou demonstrar a tese.
Artigo principal: O judaísmo antigo
Em O judaísmo antigo, Weber procurou explicar os fatores que produziram as primeiras diferenças entre a religiosidade do Oriente e a do Ocidente. Contrastou o ascetismo intramundano desenvolvido pelo cristianismo ocidental com a contemplação mística da Índia. Observou que certas correntes cristãs buscavam conquistar e transformar o mundo, em vez de se afastar de suas imperfeições, e relacionou esse traço à antiga profecia judaica. Classificou os judeus como um povo pária, separado da sociedade em que vivia, e examinou suas origens e estruturas sociais. Em sua interpretação, os israelitas mantinham a ordem por meio de uma aliança com Javé, entendido como deus guerreiro, e de um ascetismo de guerreiros. Sob Salomão, a antiga confederação deu lugar a uma sociedade mais organizada e fundada em leis. No âmbito religioso, os sacerdotes substituíram antigos líderes carismáticos. Weber considerava Elias o primeiro profeta vindo do meio dos pastores e via em suas profecias políticas uma oposição à monarquia.

Weber empregou a ideia de teodiceia ao longo de seus escritos sobre teologia e religião. O assunto lhe interessava como pesquisador e pessoalmente, e ocupava um lugar em sua concepção do ser humano como alguém que busca sentido. Dizia-se "religiosamente sem ouvido musical", mas "nem antirreligioso nem irreligioso". A teodiceia era tema comum entre estudiosos alemães que procuravam entender como um mundo criado por um ser inteiramente bom e onipotente podia conter sofrimento. Weber a estudou com cuidado, por uma perspectiva social, e não como questão teológica ou ética. Também incorporou o ressentiment de Friedrich Nietzsche à discussão. Discordava, porém, do tratamento emocional que Nietzsche dava ao conceito e de sua interpretação como expressão, derivada do judaísmo, de uma moralidade de escravos. Dividiu as teodiceias em três formas: o dualismo, no qual a desgraça resultava de uma luta divina maniqueísta; o carma, pelo qual ela era consequência de atos anteriores; e a predestinação, segundo a qual apenas alguns eleitos escapariam da condenação.
Weber examinou a relação entre classe social e religião distinguindo a teodiceia da boa fortuna da teodiceia da desgraça. A primeira se relacionava ao desejo das pessoas bem-sucedidas de provar que mereciam sua posição. Elas tampouco se satisfaziam necessariamente com o que possuíam e queriam evitar a ideia de que sua situação fosse ilegítima ou pecaminosa. Quem não alcançava sucesso podia aderir à teodiceia da desgraça e acreditar que riqueza e felicidade seriam concedidas por Deus, mais tarde, a quem as merecesse. Em outro exemplo dessa relação com as classes, pessoas de menor condição econômica tenderiam a buscar na fé intensa consolo e esperança de prosperidade futura, ao passo que as de posição mais elevada prefeririam sacramentos ou atos capazes de justificar a posse de maior riqueza.

Weber definiu o Estado como a comunidade humana que reivindica com êxito o uso legítimo da força física em determinado território. Definiu também a política como a participação no poder do Estado ou a tentativa de influenciar sua distribuição entre Estados e entre grupos dentro de um Estado. A seu ver, o político precisava de paixão, capacidade de julgar e responsabilidade. Distinguia a Gesinnungsethik, ou ética da convicção, da Verantwortungsethik, a ética da responsabilidade. Quem seguia a ética da responsabilidade justificava os atos por suas consequências; quem seguia a ética da convicção, pelos princípios. Embora associasse cada ética a disposições e tipos de pessoa diferentes, Weber entendia que o político ideal reunia as duas. Isso exigia paixão pelos objetivos e pragmatismo para alcançá-los.
Weber classificou as relações de autoridade em três formas de dominação legítima. A dominação carismática era exercida por pessoas cujo poder decorria de qualidades pessoais extraordinárias. Era instável, pois resistia à institucionalização e dependia do êxito do líder. Com o tempo, precisava tornar-se mais rotineira e estruturada, e os seguidores formavam uma administração. A dominação tradicional se apoiava na lealdade a costumes estabelecidos e aos que deles derivavam sua autoridade. Para Weber, o patriarcalismo, governo de um patriarca sobre a família, era sua modalidade mais expressiva. O patrimonialismo, próximo dele, ocorria quando governantes tratavam o governo e as forças armadas como extensões da própria casa. A dominação racional-legal dependia da burocracia e da crença na legalidade das normas sociais e na legitimidade de quem governava em virtude delas. Ao contrário das outras formas, desenvolvia-se gradualmente, pois sistemas jurídicos podiam existir sem depender de uma pessoa carismática ou de costumes. Em A cidade, parte de Economia e Sociedade dedicada à cidade europeia na Antiguidade Clássica e na Idade Média, Weber argumentou que as cidades medievais europeias criaram uma forma própria de dominação não legitimada que contestou as formas antes predominantes. Elas estavam submetidas a autoridades distintas, das quais se libertaram ao obter autonomia, seja pelos privilégios concedidos às cidades novas, seja pela apropriação da autoridade nas antigas.

A análise da burocracia ocupa boa parte da obra de Weber. Ele a considerava o modo mais eficiente de organizar a sociedade e o sistema formalmente mais racional. Era necessária ao funcionamento da sociedade moderna e difícil de eliminar. Os funcionários burocráticos se sentiam superiores às pessoas de fora da administração, tinham forte senso de dever e recebiam salários fixos, o que os desestimulava a buscar ganhos pessoais no cargo. Entre os ocupantes de cargos eletivos, a burocracia era menos comum. Para Weber, tanto o capitalismo quanto o socialismo modernos precisavam dela. O tratamento impessoal dispensado a todos combinava com o capitalismo e aumentava a eficiência: funcionários não podiam tomar decisões abertamente arbitrárias nem agir com base em favores pessoais. Por ser, a seu ver, a forma de organização mais eficiente e racional, a burocratização era parte da dominação racional-legal e da racionalização da sociedade ocidental.
O tipo ideal de burocracia formulado por Weber tinha hierarquia, competências delimitadas em uma área fixa de atuação, decisões baseadas em regras escritas, formação especializada dos funcionários, aplicação imparcial das normas e progressão na carreira conforme qualificações técnicas avaliadas pela organização. As novas tecnologias da informação e comunicação e de transporte tornavam a administração mais eficiente e ampliavam a demanda por ela. A democratização e a racionalização da cultura, por sua vez, criavam a exigência de que o sistema tratasse as pessoas de modo igual. Ao examinar a história da burocracia em diferentes civilizações, Weber apontou a administração do Império Novo do Egito como modelo histórico das posteriores. Mesmo julgando a burocracia indispensável ao Estado moderno e mais eficiente que outras formas de organização, criticou-a. Acreditava que a burocratização da sociedade avançaria inevitavelmente e que nem uma hipotética vitória do socialismo sobre o capitalismo a impediria. Empresas e organizações políticas precisavam de empreendedores e políticos para conter os burocratas, sob pena de ficarem submetidas a eles.
Artigo principal: Teoria das três dimensões da estratificação

Weber formulou uma teoria da estratificação social em três dimensões: classe, status e partido. A classe decorria da relação com o mercado, definida economicamente; o status, ou Stand, dependia de atributos não econômicos, como honra e prestígio; e o partido se fundava nas filiações políticas. Expôs essa distinção com maior clareza no ensaio "A distribuição do poder na comunidade: classes, estamentos, partidos", publicado pela primeira vez em Economia e Sociedade. A honra e o prestígio eram decisivos para o status como forma de classificação social. Na definição de classe, Weber dava atenção ao conflito de classes e à propriedade privada. Retomou a leitura de Marx sobre o conflito, mas não achava que ela explicasse todas as relações e divisões sociais. Dedicou menos atenção aos partidos do que às outras dimensões, por considerar pouco eficazes suas ações. Entendia que buscavam poder para beneficiar seus integrantes materialmente ou em suas ideias.
A noção weberiana de status surgiu também de seus estudos sobre trabalhadores rurais e bolsas de valores. Weber encontrou relações sociais que não podia explicar apenas pela classe econômica: os Junkers impunham regras para o casamento entre posições sociais diferentes, e os trabalhadores agrícolas demonstravam forte senso de independência. Distinguia com cuidado "status" de "classe", embora, fora da pesquisa especializada, os termos muitas vezes sejam empregados como sinônimos. O status e a honra provinham da Gemeinschaft, a esfera das relações sociais marcadas pela lealdade. A classe se articulava às relações de tipo Gesellschaft, ligadas a mercados e organizações jurídicas orientados racionalmente. Os partidos combinavam as duas esferas. Weber considerava as chances de vida, ou oportunidades de melhorar as condições de existência, um aspecto definidor da classe: elas se relacionavam às diferenças de acesso às oportunidades. Status e classe não tinham uma relação simples. Um podia conduzir ao outro, mas pessoas e grupos também podiam alcançar boa posição em apenas uma das duas dimensões.

Perto do fim da vida, Weber proferiu na Universidade de Munique duas conferências sobre a vocação científica e a política: "A Ciência como Vocação" e "A Política como Vocação". Immanuel Birnbaum, representante da Juventude Estudantil Livre, uma organização estudantil liberal de esquerda, convidou-o a falar. Na primeira conferência, Weber sustentou que o pesquisador precisava sentir uma vocação interior. Julgava que apenas certas pessoas podiam seguir a carreira acadêmica, pois ela exigia método e a disposição de aceitar a possibilidade de fracasso. A especialização também fazia parte da pesquisa moderna. O desencantamento e a racionalização intelectual, temas de sua reflexão sobre o pesquisador na modernidade, levavam ao questionamento do valor da ciência. Weber argumentava que, embora ela não pudesse dar respostas absolutas, suas premissas iniciais permitiam alcançar algum grau de certeza. "A política como vocação" tratou da instabilidade dos primeiros anos da República de Weimar. Para Weber, o político precisava de paixão, discernimento e responsabilidade. Convicção e responsabilidade eram distintas, mas uma mesma pessoa, sobretudo o político ideal, podia reuni-las. Na palestra, ele também distinguiu a autoridade tradicional, a carismática e a racional-legal. Perto do fim, definiu a política como "a perfuração lenta e vigorosa de tábuas duras". Os problemas de sua época exigiam, a seu ver, trabalho persistente, e não soluções rápidas como as que os estudantes desejavam.


Max Weber ajudou a fundar a sociologia do direito e tinha formação em direito e história do direito. Dividia o desenvolvimento do direito em quatro fases: a revelação carismática por profetas da lei; a criação e aplicação de normas por Honoratioren, ou notáveis; a imposição de normas por poderes religiosos ou seculares; e a elaboração e administração sistemáticas do direito por profissionais com formação jurídica. Os profetas da lei eram autoridades carismáticas que criavam conscientemente normas novas. Os Honoratioren tinham posição social elevada o bastante para receber respeito na comunidade e recursos suficientes para se dedicar à política. Weber via a produção das leis e sua identificação e aplicação em casos concretos como processos complementares, que podiam ser racionais ou irracionais, formais ou substantivos. Distinguia a sociologia do direito da teoria jurídica: a primeira procurava compreender os efeitos das normas sobre o comportamento social; a segunda, a lógica interna das regras. Argumentava ainda que o direito moderno se organizava em torno de pretensões prescritivas ou proibitivas e de permissões. As primeiras davam maior segurança ao cumprimento de promessas; as segundas facilitavam a criação de novas normas. Para Weber, o direito era um conjunto de convenções cuja observância era imposta por um corpo de pessoas. Entendia o desenvolvimento dos sistemas jurídicos como condição indispensável ao capitalismo moderno.

Weber se via principalmente como economista, e todas as suas nomeações para cátedras foram na área da economia. Seu trabalho nesse campo, porém, ficou em segundo plano diante de sua participação na formação da sociologia moderna. Foi um dos fundadores da sociologia econômica. Definia o capitalismo como um sistema em que indivíduos empregavam a propriedade em empreendimentos comerciais para obter lucros numa economia de mercado, e distinguia suas modalidades. O capitalismo político, mais antigo, dependia de oportunidades de lucro criadas pelo Estado; o capitalismo racional, forma moderna ocidental, dependia do cálculo e se orientava para os mercados. Como economista político e historiador da economia, Weber integrava a escola histórica da economia alemã, à qual também pertenciam Gustav von Schmoller e seu aluno Werner Sombart. Seus interesses de pesquisa se aproximavam dessa escola, mas suas posições metodológicas e sua aceitação da utilidade marginal divergiam dela. Nesse aspecto, estava mais perto de Carl Menger e da Escola Austríaca, rivais tradicionais dos historicistas. Weber aceitava a utilidade marginal e a ensinava aos alunos. Em 1908, publicou "A teoria da utilidade marginal e a 'lei fundamental da psicofísica'", no qual argumentou que nem a utilidade marginal nem a economia dependiam da psicofísica. Em geral, rejeitava a ideia de que a economia tivesse de se apoiar em outra disciplina. As divisões da Methodenstreit o levaram a defender uma concepção ampla da economia, que reunia teoria, história econômica e sociologia econômica na Sozialökonomik, ou economia social.

Quando morreu em 1920, Weber trabalhava nos textos que seriam publicados postumamente sob o título Economia e Sociedade. Os textos tratavam de sociologia, filosofia social, política, estratificação social, religiões mundiais, diplomacia e outros assuntos. Os três primeiros capítulos da versão revista, preparados entre 1919 e 1920, estavam completos, e parte do quarto já se encontrava em impressão quando Weber morreu. Tratavam, respectivamente, dos conceitos da sociologia interpretativa, das categorias sociológicas da economia e dos tipos de dominação; o quarto abordava classes e estamentos. O primeiro, ao lado do terceiro, tornou-se uma das partes mais consultadas pelos estudiosos de Weber: partia da ação social dos indivíduos e chegava à centralidade do monopólio da violência na definição do Estado. O segundo recebeu menos atenção, pois apresentava uma teoria econômica que perdeu espaço entre economistas após a década de 1930. Incluía uma história econômica analítica, abordava as origens do capitalismo e defendia a possibilidade de aproximar metodologicamente a Escola Austríaca e a escola histórica da economia. O terceiro capítulo examinava as três formas de autoridade legítima. O capítulo final, deixado incompleto, reunia sobretudo classificações de classes e Stände, ou estamentos.
Depois da morte de Weber, Marianne assumiu a organização e a edição da obra, com a ajuda do economista Melchior Palyi. A primeira edição saiu em quatro fascículos, de fevereiro de 1921 a setembro de 1922, sob o título alemão Wirtschaft und Gesellschaft. Marianne reuniu aos capítulos revistos textos escritos em geral entre 1909 e 1914, encontrados entre os pertences do marido; a edição crítica posterior distingue essas duas fases da obra. Em 1956, o jurista alemão Johannes Winckelmann organizou uma quarta edição revista; editou depois uma quinta, em 1976. Guenther Roth e Claus Wittich prepararam a tradução inglesa de 1968 com base numa revisão de 1964 da edição de Winckelmann. Os editores da Max Weber-Gesamtausgabe publicaram Economia e Sociedade em seis partes. A primeira abrangeu os quatro capítulos iniciais; as cinco restantes foram organizadas segundo a época em que os textos foram escritos. Em 2019, Keith Tribe publicou uma nova tradução inglesa dos quatro primeiros capítulos, baseada na Max Weber-Gesamtausgabe.


Weber recebeu forte influência do idealismo alemão, sobretudo do neokantismo da escola do sudoeste alemão, na qual se destacavam Heinrich Rickert e Wilhelm Windelband. Lia Immanuel Kant a partir da psicologia moral e da antropologia filosófica. Kant também participou da formação de sua metodologia e de sua ética. Weber empregou conceitos neokantianos para elaborar suas próprias categorias e, em matéria ética, aderiu ao imperativo categórico e buscou uma liberdade definida sem arbitrariedade. Achava, porém, que a ética kantiana se tornara obsoleta numa época sem certezas religiosas. Suas respostas às questões formuladas por Kant e pelos neokantianos eram, por isso, pessimistas.
Weber também respondia aos efeitos da filosofia de Friedrich Nietzsche sobre o pensamento moderno. Na ética, buscava uma liberdade definida sem arbitrariedade no que via como uma época pós-metafísica, marcada pela tensão entre os elementos kantianos e nietzschianos de seu pensamento. Depois de debater com Oswald Spengler em 1920, afirmou que o mundo intelectual devia muito a Nietzsche e Marx. Em A ética protestante e o espírito do capitalismo e em "A ciência como vocação", referiu-se de modo crítico aos die 'letzten Menschen ou "últimos homens" nietzschianos, os "especialistas sem espírito". Recorreu também ao ressentiment de Nietzsche ao discutir a teodiceia, mas rejeitava o tratamento emocional dado por ele ao conceito e não o interpretava como uma moralidade de escravos proveniente do judaísmo.

Os escritos de Karl Marx também influenciaram profundamente a obra de Weber. Ele concordava com Marx sobre o peso do conflito social, mas não acreditava que uma sociedade fosse destruída caso as tradições que a sustentavam fossem mais valorizadas que ela própria. Além disso, achava possível resolver conflitos no interior do sistema social existente. Em 1932, Karl Löwith contrapôs os dois autores: ambos se interessavam pelas causas e consequências do capitalismo ocidental, mas Marx o interpretava pela alienação e Weber pela racionalização. Weber estendeu a análise marxiana da alienação, aplicada aos trabalhadores em relação ao trabalho, a situações semelhantes vividas por intelectuais e funcionários públicos. Durante a Guerra Fria, era comum que pesquisadores o tratassem como "uma resposta burguesa a Marx". Weber, porém, respondia às questões da burguesia alemã sob Guilherme II, com atenção ao conflito entre racionalidade e irracionalidade.

Weber é frequentemente incluído, com Karl Marx e Émile Durkheim, entre os fundadores da sociologia moderna. Participou do desenvolvimento de uma corrente antipositivista e hermenêutica nas ciências sociais, e suas ideias foram retomadas por autores de diferentes posições políticas. Teóricos de esquerda, como Theodor W. Adorno, Max Horkheimer, György Lukács e Jürgen Habermas, recorreram à sua análise da modernidade e das tensões ligadas à modernização. Seus trabalhos sobre modernidade e racionalização tiveram repercussão na teoria crítica da Escola de Frankfurt. Entre os autores de direita, Carl Schmitt, Joseph Schumpeter, Leo Strauss, Hans Morgenthau e Raymond Aron se interessaram por sua discussão dos líderes democráticos fortes, da relação entre ética política, neutralidade e relativismo dos valores e da possibilidade de enfrentar a burocracia por meio da ação política. Pesquisadores que examinaram sua obra filosoficamente, entre eles Strauss, Hans Henrik Bruun e Alfred Schütz, costumavam lê-la pela filosofia continental.

No Brasil, pesquisadores examinaram a presença das ideias de Weber em Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, e em Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro, com atenção especial ao conceito de patrimonialismo. Em 1974, Maurício Tragtenberg publicou Burocracia e ideologia, em diálogo com a obra de Weber. A partir do fim da década de 1970, Crítica e resignação, de Gabriel Cohn, abriu espaço para estudos centrados na própria obra de Weber. Antônio Flávio Pierucci, Jessé Souza e Carlos Eduardo Sell também escreveram sobre ela.
As primeiras pesquisas dedicadas à obra de Weber foram retardadas pela desorganização da vida acadêmica na República de Weimar. A hiperinflação enfraqueceu o respeito dos professores alemães pela democracia parlamentar que Weber havia defendido. Muitos se afastaram da política, tornaram-se pessimistas e se aproximaram das interpretações históricas de Oswald Spengler em A decadência do Ocidente. As universidades ficaram cada vez mais submetidas ao Estado, processo acelerado após a chegada dos nazistas ao poder. A sociologia de Alfred Vierkandt e Leopold von Wiese, antes predominante, foi substituída em grande parte por outra alinhada ao nazismo, representada por Hans Freyer e Othmar Spann; Werner Sombart também passou a apoiar o coletivismo e o nazismo. A ascensão do partido afastou os estudos weberianos da universidade alemã. Alguns de seus pesquisadores deixaram o país e se estabeleceram sobretudo nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Esses estudiosos chegaram às universidades britânicas e estadunidenses quando começavam a sair traduções inglesas dos escritos de Weber, como História econômica geral. O estadunidense Talcott Parsons conheceu Weber e Sombart ainda estudante na Alemanha, na década de 1920. Com a autorização de Marianne, traduziu A ética protestante e o espírito do capitalismo, publicada em inglês como livro independente em 1930. A editora alterou bastante a tradução, que inicialmente teve pouca circulação. O trabalho fazia parte do esforço de Parsons para construir uma sociologia acadêmica, desenvolvido em A estrutura da ação social, de 1937. Nesse livro, apresentou Weber e Durkheim como autores fundadores da disciplina. A obra de Parsons só alcançou êxito depois da Segunda Guerra Mundial. Ele traduziu parte de Economia e Sociedade com o título The Theory of Social and Economic Organization. À medida que ganhava espaço na academia, a tradução também passou a circular mais. Outras versões apareceram, entre elas From Max Weber: Essays in Sociology, coletânea de trechos preparada por C. Wright Mills e Hans Gerth em 1946. Em 1949, Edward Shils organizou uma tradução dos ensaios metodológicos, lançada como The Methodology of the Social Sciences.
No fim da década de 1940, o reconhecimento acadêmico de Weber cresceu com interpretações inspiradas no funcionalismo estrutural de Parsons e na teoria do conflito de Mills. Nas décadas seguintes, prosseguiram as traduções de textos sobre direito, religião, música e cidade. Apesar dos problemas dessas versões, tornou-se possível conhecer quase toda a produção de Weber. A publicação dispersa, porém, dificultava entender as relações entre os escritos. Em 1968, saiu uma tradução inglesa integral de Economia e Sociedade baseada numa revisão da edição de Winckelmann. From Max Weber já havia oferecido uma leitura distinta da de Parsons; uma interpretação mais política e histórica surgiu em Max Weber: An Intellectual Portrait, de Reinhard Bendix, de 1948, Class and Conflict in an Industrial Society, de Ralf Dahrendorf, de 1957, e Key Problems in Sociological Theory, de John Rex, de 1962. No centenário do nascimento de Weber, uma conferência realizada em Heidelberg em 1964 discutiu, entre outros temas, se sua noção de dominação carismática ajudava a explicar a ascensão da Alemanha Nazista. No ano seguinte, Main Currents in Sociological Thought, de Raymond Aron, apresentou uma alternativa à leitura de Parsons para a história da sociologia, reunindo Weber, Marx e Durkheim como os três autores fundadores. Capitalism and Modern Social Theory, de Anthony Giddens, consolidou essa interpretação em 1971. Depois dos anos 1970, vieram a público textos menos conhecidos de Weber, acompanhados de novos comentários sobre sua obra. Em 2000, surgiu o periódico Max Weber Studies, dedicado ao assunto. A Fundação Max Weber foi criada em 2002, inicialmente com outro nome, para reunir institutos alemães de humanidades no exterior; adotou o nome do sociólogo em 2012. O centenário de sua morte, em 2020, motivou conferências acadêmicas realizadas pela internet por causa da pandemia de COVID-19.
Horst Baier defendeu em 1972 a publicação de uma edição das obras completas de Weber. No ano seguinte, começou a ser planejada a Max Weber-Gesamtausgabe, uma coleção em muitos volumes. Os editores iniciais foram Wolfgang J. Mommsen, Wolfgang Schluchter, Johannes Winckelmann, M. Rainer Lepsius e Baier. A editora Mohr Siebeck foi escolhida para o projeto. Em 1981, um prospecto conhecido informalmente como "brochura verde" o apresentou à comunidade acadêmica, dividindo a coleção em "Escritos e discursos", "Cartas" e "Manuscritos e apontamentos de aulas". A publicação começou quatro anos depois. Os escritos foram organizados por assunto e cronologia, enquanto os textos que Weber não pretendia publicar seguiram apenas a ordem cronológica. Os editores adotaram as últimas versões de cada obra, com exceção de A ética protestante e o espírito do capitalismo, incluída tanto na forma original quanto na revista. Após a morte de Mommsen em 2004, Gangolf Hübinger o sucedeu. Winckelmann, Lepsius e Baier também morreram antes da conclusão. A coleção foi encerrada em junho de 2020, com 47 volumes, dois deles de índices.
Artigo principal: Bibliografia de Max Weber