Raymond Aron

Raymond Aron
Raymond Aron em 1966
Nascimento
Morte
17 de outubro de 1983 (78 anos)

Paris, França
NacionalidadeFrancês
OcupaçãoFilósofo e sociólogo
Magnum opusO Ópio dos Intelectuais
Escola/tradiçãoLiberalismo

Raymond Claude Ferdinand Aron ([ɑːˈrɒn]; fr; 14 de março de 1905 – 17 de outubro de 1983) foi um filósofo, sociólogo, cientista político, historiador e jornalista francês, um dos pensadores mais proeminentes da França no século XX.

Aron é mais conhecido por seu livro de 1955 The Opium of the Intellectuals ("O Ópio dos Intelectuais"), cujo título inverte a afirmação de Karl Marx de que a religião era o ópio do povo; ele argumenta que o marxismo era o ópio dos intelectuais na França do pós-guerra. No livro, Aron criticou os intelectuais franceses pelo que descreveu como sua dura crítica ao capitalismo e à democracia e sua defesa simultânea das ações dos governos comunistas do Leste. O crítico Roger Kimball sugere que Opium ("Ópio") é "um livro seminal do século XX". Aron também é conhecido por sua amizade de longa data, às vezes conflituosa, com o filósofo Jean-Paul Sartre. O ditado "Melhor estar errado com Sartre do que certo com Aron" tornou-se popular entre os intelectuais franceses.

Considerado por muitos como uma voz da moderação na política, Aron teve muitos discípulos tanto na esquerda quanto na direita política; ele observou que pessoalmente era "mais um aroniano de esquerda do que um de direita". Aron escreveu extensivamente sobre uma ampla variedade de outros temas. Citando a amplitude e a qualidade dos escritos de Aron, o historiador James R. Garland sugere: "Embora ele seja pouco conhecido na América, Raymond Aron provavelmente se destacou como o exemplo preeminente do intelectualismo francês durante boa parte do século XX."

Vida e carreira

Raymond Claude Ferdinand Aron nasceu em 14 de março de 1905 em Paris, filho de Gustave Aron, um advogado judeu laico. Aron estudou na École Normale Supérieure, onde conheceu Jean-Paul Sartre, que se tornou seu amigo e mais tarde seu oponente intelectual por toda a vida. Ele era um humanista racionalista, e um líder entre aqueles que não abraçaram o existencialismo. Aron ficou em primeiro lugar na agrégation de filosofia em 1928, no ano em que Sartre foi reprovado no mesmo exame. Em 1930, recebeu um doutorado em filosofia da história pela Universidade de Paris.

Ele lecionava filosofia social na Universidade de Toulouse havia apenas algumas semanas quando a Segunda Guerra Mundial começou; juntou-se à Força Aérea Francesa. Quando a França foi derrotada, partiu para Londres para se juntar às forças da França Livre, editando o jornal France Libre (França Livre).

Quando a guerra terminou, Aron voltou a Paris para lecionar sociologia na École nationale d'administration e em Sciences Po. De 1955 a 1968, lecionou na Universidade de Paris, e depois de 1970 no Collège de France e na École des hautes études en sciences sociales (EHESS). Em 1953, tornou-se amigo do jovem filósofo americano Allan Bloom, que lecionava na Sorbonne.

Jornalista durante toda a vida, Aron tornou-se em 1947 um influente colunista do Le Figaro, posição que ocupou por trinta anos até se juntar à L'Express, onde escreveu uma coluna política até sua morte.

Foi eleito Membro Honorário Estrangeiro da Academia Americana de Artes e Ciências em 1960 e membro internacional da Sociedade Filosófica Americana em 1966.

Em 1978, fundou a Commentaire, uma revista trimestral de ideias e debate, junto com Jean-Claude Casanova, que foi o diretor fundador da iniciativa.

Aron morreu de ataque cardíaco em Paris em 17 de outubro de 1983.

Compromisso político

A identidade judaica de Aron foi moldada por seu confronto com o antissemitismo nazista. Ele se identificava abertamente como judeu, mas era cuidadoso ao analisar o nazismo de forma desapaixonada para que não fosse percebido como motivado por viés pessoal. Em Berlim, Aron testemunhou a ascensão ao poder do Partido Nazista e desenvolveu aversão a todos os sistemas totalitários. Em 1938, participou do Colloque Walter Lippmann em Paris. Na década de 1950, tornara-se muito crítico da Escola Austríaca e descreveu sua obsessão pela propriedade privada como um "marxismo invertido". Aron sempre promoveu uma forma "imoderadamente moderada" de liberalismo que aceitava a economia mista como o modelo econômico normal da época.

Pensamento político

Aron é autor de livros sobre Karl Marx e Carl von Clausewitz. Em Peace and War ("Paz e Guerra"), ele apresentou uma teoria das relações internacionais. Argumenta que a afirmação de Max Weber de que o Estado detém o monopólio do uso legítimo da força física não se aplica à relação entre Estados.

No campo das relações internacionais na década de 1950, Aron levantou a hipótese de que, apesar do advento das armas nucleares, as nações ainda precisariam de forças militares convencionais. A utilidade de tais forças seria necessária pelo que ele chamou de "tabu nuclear".

Honrarias

Obras

Autor prolífico, ele "escreveu vários milhares de editoriais e várias centenas de artigos acadêmicos, ensaios e comentários, além de cerca de quarenta livros", que incluem:

Outras mídias

Referências

  1. ↑ Kimball, Roger (2001). "Aron & the power of ideas". New Criterion, 2001.
  2. ↑ Memoirs: Fifty Years of Political Reflection, Raymond Aron (1990).
  3. ↑ Poirier, Agnès (1 de maio de 2018). «May '68: What Legacy?». The Paris Review (em inglês)
  4. ↑ Rosenblatt, Helena; Geenens, Raf (2012). French Liberalism from Montesquieu to the Present Day. [S.l.]: Cambridge University Press. pp. 271–291
  5. ↑ Sawyer, Stephen W.; Stewart, Iain (2016). In Search of the Liberal Moment: Democracy, Anti-totalitarianism, and Intellectual Politics in France Since 1950. [S.l.]: Palgrave Macmillan US. p. 25
  6. 1 2 Garland, James R. "Raymond Aron and the Intellectuals: Arguments Supportive of Libertarianism." Journal of Libertarian Studies, Vol. 21, No. 3 (2007).
  7. ↑ Anderson, Brian C. (1997). Raymond Aron: The Recovery of the Political. [S.l.]: Rowman & Littlefield. ISBN 978-0847687589 – via Google Books
  8. ↑ Aron (1994) In Defense of Political Reason, p. 170.
  9. ↑ Carruth, Gorton (1993) The Encyclopedia of World Facts and Dates, p. 932.
  10. ↑ Mazgaj, Paul (11 de novembro de 2020). «Raymond Aron, the United States, and the Early Cold War, 1945–1953». The International History Review. 43 (4): 796–814. ISSN 0707-5332. doi:10.1080/07075332.2020.1838599
  11. ↑ «Book of Members, 1780–2010: Chapter A» (PDF). American Academy of Arts and Sciences
  12. ↑ «APS Member History». search.amphilsoc.org
  13. ↑ François Quinton (10 de abril de 2008). «Entretien avec Jean-Claude Casanova (1) : La création de la revue». nonfiction.fr
  14. ↑ "The Burden of Loneliness and the Virtue of Solitude: On Raymond Aron and Albert Camus." Society 62.1 (2025): 72-82. ProQuest. 12-9-2026.
  15. ↑ Rosenblatt, Helena; Geenens, Raf (2012). French Liberalism from Montesquieu to the Present Day. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 223
  16. ↑ Sawyer, Stephen W.; Stewart, Iain (2016). In Search of the Liberal Moment: Democracy, Anti-totalitarianism, and Intellectual Politics in France Since 1950. [S.l.]: Palgrave Macmillan US. p. 22
  17. ↑ Dabila, Antony. «Res militaris - Antony Dabila - Raymond Aron: Peace & War (review)»
  18. ↑ «Introduction». Raymond Aron
  19. ↑ Henrik Østergaard Breitenbauch, "Aron, Raymond" in Christopher John Murray (ed.), Encyclopedia of Modern French Thought, Routledge (2013), pp. 18–19.
  20. ↑ House, Floyd N. (1939). «Review of Introduction a la philosophie de l'histoire: essai sur les limites de l'objectivite historique.». American Journal of Sociology. 45 (2): 287–288. ISSN 0002-9602. JSTOR 2769823. doi:10.1086/218279

Fontes

Ligações externas