Aron é mais conhecido por seu livro de 1955 The Opium of the Intellectuals ("O Ópio dos Intelectuais"), cujo título inverte a afirmação de Karl Marx de que a religião era o ópio do povo; ele argumenta que o marxismo era o ópio dos intelectuais na França do pós-guerra. No livro, Aron criticou os intelectuais franceses pelo que descreveu como sua dura crítica ao capitalismo e à democracia e sua defesa simultânea das ações dos governos comunistas do Leste. O crítico Roger Kimball sugere que Opium ("Ópio") é "um livro seminal do século XX". Aron também é conhecido por sua amizade de longa data, às vezes conflituosa, com o filósofo Jean-Paul Sartre. O ditado "Melhor estar errado com Sartre do que certo com Aron" tornou-se popular entre os intelectuais franceses.
Considerado por muitos como uma voz da moderação na política, Aron teve muitos discípulos tanto na esquerda quanto na direita política; ele observou que pessoalmente era "mais um aroniano de esquerda do que um de direita". Aron escreveu extensivamente sobre uma ampla variedade de outros temas. Citando a amplitude e a qualidade dos escritos de Aron, o historiador James R. Garland sugere: "Embora ele seja pouco conhecido na América, Raymond Aron provavelmente se destacou como o exemplo preeminente do intelectualismo francês durante boa parte do século XX."
Vida e carreira
Raymond Claude Ferdinand Aron nasceu em 14 de março de 1905 em Paris, filho de Gustave Aron, um advogado judeu laico. Aron estudou na École Normale Supérieure, onde conheceu Jean-Paul Sartre, que se tornou seu amigo e mais tarde seu oponente intelectual por toda a vida. Ele era um humanista racionalista, e um líder entre aqueles que não abraçaram o existencialismo. Aron ficou em primeiro lugar na agrégation de filosofia em 1928, no ano em que Sartre foi reprovado no mesmo exame. Em 1930, recebeu um doutorado em filosofia da história pela Universidade de Paris.
Jornalista durante toda a vida, Aron tornou-se em 1947 um influente colunista do Le Figaro, posição que ocupou por trinta anos até se juntar à L'Express, onde escreveu uma coluna política até sua morte.
Em 1978, fundou a Commentaire, uma revista trimestral de ideias e debate, junto com Jean-Claude Casanova, que foi o diretor fundador da iniciativa.
Aron morreu de ataque cardíaco em Paris em 17 de outubro de 1983.
Compromisso político
A identidade judaica de Aron foi moldada por seu confronto com o antissemitismo nazista. Ele se identificava abertamente como judeu, mas era cuidadoso ao analisar o nazismo de forma desapaixonada para que não fosse percebido como motivado por viés pessoal. Em Berlim, Aron testemunhou a ascensão ao poder do Partido Nazista e desenvolveu aversão a todos os sistemas totalitários. Em 1938, participou do Colloque Walter Lippmann em Paris. Na década de 1950, tornara-se muito crítico da Escola Austríaca e descreveu sua obsessão pela propriedade privada como um "marxismo invertido". Aron sempre promoveu uma forma "imoderadamente moderada" de liberalismo que aceitava a economia mista como o modelo econômico normal da época.
No campo das relações internacionais na década de 1950, Aron levantou a hipótese de que, apesar do advento das armas nucleares, as nações ainda precisariam de forças militares convencionais. A utilidade de tais forças seria necessária pelo que ele chamou de "tabu nuclear".
Autor prolífico, ele "escreveu vários milhares de editoriais e várias centenas de artigos acadêmicos, ensaios e comentários, além de cerca de quarenta livros", que incluem:
Aron, Raymond (1935). La Sociologie allemande contemporaine. Paris: Alcan; Traduzido para o inglês como German Sociology. London: Heinemann. 1957
Aron, Raymond (1938). Introduction à la philosophie de l'histoire. Essai sur les limites de l'objectivité historique. Paris: Gallimard; Aron, Raymond (1948). Introduction to the Philosophy of History: An Essay on the Limits of Historical Objectivity. London: Weidenfeld & Nicolson
Essai sur la théorie de l'histoire dans l'Allemagne contemporaine. La philosophie critique de l'histoire. Paris: Vrin. 1938
L'Homme contre les tyrans. New York: Editions de la Maison française. 1944
De l'armistice à l'insurrection nationale. Paris: Gallimard. 1945
L'Âge des empires et l'Avenir de la France. Paris: Défense de la France. 1945
Le Grand Schisme. Paris: Gallimard. 1948
Les Guerres en Chaîne. Paris: Gallimard. 1951; The Century of Total War. London: Derek Verschayle. 1954
La Coexistence pacifique. Essai d'analyse. Paris: Editions Monde nouveau. 1953 (sob o pseudônimo François Houtisse, com Boris Souvarine)
L'Opium des intellectuels. Paris: Calmann-Lévy. 1955; The Opium of the Intellectuals, London: Secker & Warburg, 1957
Espoir et peur du siècle. Essais non partisans. Paris: Calmann-Lévy. 1957 (parcialmente traduzido em On War: atomic weapons & global diplomacy. London: Secker & Warburg. 1958)
L'Algérie et la République. Paris: Plon. 1958
La Société industrielle et la Guerre, suivi d'un Tableau de la diplomatie mondiale en 1958. Paris: Plon. 1959
Immuable et changeante. De la IVe à la Ve République. Paris: Calmann-Lévy. 1959; France, Steadfast and Changing: The Fourth to the Fifth Republic. Cambridge (Mass.): Harvard University Press. 1960
Introduction. Classes et conflits de classes dans la société industrielle (Ralph Dahrendorf). Paris: Mouton Éditeur. 1959
Dimensions de la conscience historique. Paris: Plon. 1961
Paix et guerre entre les nations. Paris: Calmann-Lévy. 1962; Peace and War. London: Weidenfeld & Nicolson. 1966
Le Grand Débat. Initiation à la stratégie atomique. Paris: Calmann-Lévy. 1963; The Great Debate, New York, Doubleday & Company, Inc., 1965
Dix-huit leçons sur la société industrielle, Paris: Gallimard, 1963; Eighteen Lectures on Industrial Society, London: Weidenfeld & Nicolson, 1967
La Lutte des classes, Paris: Gallimard, 1964
Essai sur les libertés, Paris: Calmann-Lévy, 1965
Démocratie et totalitarisme, Paris: Gallimard, 1965; Democracy and totalitarianism, Weidenfeld and Nicolson, 1968
Trois essais sur l'âge industriel, Paris: Plon, 1966; The Industrial Society. Three Essays on Ideology and Development, London: Weidenfeld & Nicolson, 1967
Les Étapes de la pensée sociologique, Paris: Gallimard, 1967; Main Currents in Sociological Thought, London: Weidenfeld & Nicolson, 1965
De Gaulle, Israël et les Juifs, Paris: Plon, 1968; De Gaulle, Israel and the Jews, Praeger, 1969
La Révolution introuvable. Réflexions sur les événements de mai, Paris: Fayard, 1968
Les Désillusions du progrès, Paris: Calmann-Lévy, 1969; Progress and Disillusion: The Dialectics of Modern Society, Pall Mall Press, 1968
D'une sainte famille à l'autre. Essai sur le marxisme imaginaire, Paris: Gallimard, 1969
De la condition historique du sociologue, Paris: Gallimard, 1971
Études politiques, Paris: Gallimard, 1972
République impériale. Les États-unis dans le monde (1945–1972), Paris: Calmann-Lévy, 1973; The Imperial Republic: The United States and the World 1945–1973, Little Brown & Company 1974
Histoire et dialectique de la violence, Paris: Gallimard, 1973; History and the Dialectic of Violence: Analysis of Sartre's Critique de la raison dialectique, Oxford: Blackwell, 1979
Penser la guerre, Clausewitz, Paris: Gallimard, 1976; Clausewitz: Philosopher of War, London: Routledge, 1983
Plaidoyer pour l'Europe décadente, Paris: Laffont, 1977; In Defense of Decadent Europe, South Bend IN: Regnery, 1977
com Andre Glucksman e Benny Levy. "Sartre's Errors: A Discussion". Telos 44 (1980). New York: Telos Press
Le Spectateur engagé, Paris: Julliard, 1981 (entrevistas)
Mémoires, Paris: Julliard, 1983
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Ligações externas
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