| Adam Smith | |
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O retrato Muir, atribuído a um artista desconhecido, foi provavelmente pintado após a morte de Smith, por volta de 1795. | |
| Nome completo | Adam Smith |
| Nascimento | Batizado em 5 de junho de 1723 Kirkcaldy, Fife, Escócia |
| Morte | 17 de julho de 1790 Edimburgo, Escócia |
| Obra filosófica | |
| Era | Idade Moderna |
| Escola | Iluminismo escocês, economia clássica |
| Principais interesses | Filosofia política, ética, economia |
| Ideias notáveis | Economia clássica, mercado livre, divisão do trabalho, mão invisível |
| Trabalhos notáveis | Teoria dos Sentimentos Morais (1759) A Riqueza das Nações (1776) |
| Assinatura | |
Adam Smith (batizado em 5 de junho de 1723 – 17 de julho de 1790) foi um economista e filósofo escocês ligado ao Iluminismo escocês e à formação da economia política. Frequentemente chamado de "pai da economia" ou do "capitalismo", escreveu Teoria dos Sentimentos Morais (1759) e Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações (1776). Nesta última obra, examinou a produção e a distribuição da riqueza, o comércio e as instituições que moldam a vida econômica. Sua análise do comércio internacional foi posteriormente associada à vantagem absoluta, mas essa interpretação de sua teoria é debatida pelos historiadores da economia.
Nascido em Kirkcaldy, em Fife, estudou filosofia social na Universidade de Glasgow e na Universidade de Oxford, onde recebeu uma das bolsas fundadas por John Snell. Depois de dar conferências públicas na Universidade de Edimburgo, aproximou-se de David Hume e se tornou professor de filosofia moral em Glasgow. Publicou ali Teoria dos Sentimentos Morais. Mais tarde, aceitou o cargo de tutor de um jovem duque e viajou pela Europa, onde conheceu outros pensadores de seu tempo.
Smith contestou as políticas mercantilistas de proteção aos comerciantes nacionais por meio da restrição de importações e do estímulo às exportações. Em A Riqueza das Nações, examinou a divisão do trabalho e explicou como o interesse próprio e a concorrência podiam favorecer a prosperidade econômica. Smith sabia que suas propostas de livre-comércio enfrentavam resistência política e não esperava vê-las plenamente adotadas em seu tempo.
Adam Smith nasceu em Kirkcaldy, em Fife. Seu pai, também chamado Adam Smith, era advogado com o título de Writer to the Signet, habilitado a atuar perante os tribunais superiores escoceses, exerceu funções de procurador e foi controlador da alfândega de Kirkcaldy. Sua mãe, Margaret Douglas, era filha de Robert Douglas, proprietário de terras em Strathendry, e havia se casado em 1720. O pai morreu dois meses antes do nascimento de Smith. O menino foi batizado na Igreja da Escócia em 5 de junho de 1723. A data exata de seu nascimento não é conhecida, embora a do batismo tenha sido muitas vezes tomada como tal.
Pouco se sabe sobre os primeiros anos de Smith. Seu biógrafo John Rae contou que ele foi levado por um grupo de ciganos aos três anos e devolvido quando pessoas da família saíram à sua procura. Smith manteve uma relação próxima com a mãe, que provavelmente o encorajou nos estudos. Entre 1729 e 1737, frequentou a escola de Kirkcaldy, elogiada por Rae como uma das melhores escolas secundárias escocesas da época, e estudou latim, matemática, história e escrita.

Smith ingressou na Universidade de Glasgow aos 14 anos e estudou filosofia moral com Francis Hutcheson. Interessou-se pela razão, pelas liberdades civis e pela liberdade de expressão. Em 1740, recebeu uma bolsa da fundação de John Snell para prosseguir os estudos no Balliol College, da Universidade de Oxford.
Smith julgava o ensino de Glasgow superior ao de Oxford, onde considerava o ambiente intelectual sufocante. No livro V de A Riqueza das Nações, escreveu que a maior parte dos professores de Oxford havia abandonado até mesmo a pretensão de ensinar. Também teria contado a amigos que autoridades da universidade confiscaram seu exemplar do Tratado da Natureza Humana, de Hume, e o puniram por lê-lo. O historiador William Robert Scott avaliou que a Oxford daquela época pouco ou nada ofereceu ao trabalho que Smith desenvolveria. Na Biblioteca Bodleiana, porém, Smith pôde estudar por conta própria. Suas cartas mostram que não foi feliz em Oxford. Perto do fim de sua estadia, começou a sofrer crises de tremores, talvez decorrentes de um esgotamento nervoso. Deixou a universidade em 1746, antes do término da bolsa.
Em Glasgow, seu currículo abrangia lógica, metafísica, filosofia moral e filosofia natural. Nas aulas de Hutcheson, discutiu justiça natural, trocas justas e questões morais ligadas ao comércio, temas que retomaria em A Riqueza das Nações. Hutcheson sustentava que os trabalhadores deveriam receber o suficiente para sustentar a si e à família. Smith desenvolveria essa ideia em sua análise dos salários. Ao comparar as universidades inglesas com as escocesas, Smith atribuiu a menor qualidade do ensino em Oxford e Cambridge, em parte, às dotações que tornavam a renda dos professores independente da procura dos alunos. Homens de letras também podiam ganhar mais como ministros da Igreja da Inglaterra.

Smith começou a dar conferências públicas em Edimburgo em 1748, com o apoio da Sociedade Filosófica de Edimburgo e o patrocínio de Henry Home, Lord Kames. Falava de retórica e belas-letras e, mais tarde, do "progresso da opulência". Nestas últimas aulas, expôs pela primeira vez sua concepção econômica do "sistema óbvio e simples da liberdade natural". Embora não fosse um orador especialmente hábil, as conferências tiveram boa acolhida.
Em 1750, conheceu David Hume, mais de dez anos mais velho. Os dois escreveram sobre história, política, filosofia, economia e religião e mantiveram uma amizade intelectual e pessoal particularmente próxima no círculo do Iluminismo escocês. Smith foi nomeado professor de lógica em Glasgow em 1751. No ano seguinte, ingressou na Sociedade Filosófica de Edimburgo, à qual Lord Kames o apresentara. Em 1752, assumiu a cadeira de filosofia moral em Glasgow, onde lecionaria por mais treze anos. Mais tarde, chamou esse período de "de longe o mais útil e, portanto, de longe o mais feliz e honroso" de sua vida.
Publicada em 1759, Teoria dos Sentimentos Morais incorporou parte de suas aulas de Glasgow. Smith examinou como os juízos morais dependem da simpatia entre quem age e quem observa, e fez da "simpatia mútua" a base dos sentimentos morais. Sua explicação não recorria ao "senso moral" de Shaftesbury e Hutcheson, nem ao utilitarismo de Hume. O termo se aproxima, em parte, da noção moderna de empatia, a capacidade de reconhecer os sentimentos de outra pessoa.
A publicação do livro atraiu alunos abastados de outros países para Glasgow. Smith passou a dedicar mais espaço à jurisprudência e à economia nas aulas. Ensinava, por exemplo, que o trabalho, e não a quantidade de ouro e prata de uma nação, era a origem do aumento da riqueza, em desacordo com o mercantilismo predominante nas políticas econômicas europeias.
Em 1762, a Universidade de Glasgow concedeu-lhe o grau de doutor em Direito. No fim de 1763, o Chanceler do Tesouro Charles Townshend, a quem Hume o apresentara, convidou-o para ser tutor de seu enteado Henry Scott, jovem duque de Buccleuch. Smith deixou a cátedra em 1764. Tentou devolver aos alunos as taxas referentes ao semestre interrompido, mas eles recusaram o dinheiro.

O cargo de tutor exigia que Smith viajasse pela Europa com Scott e lhe ensinasse diferentes assuntos. Recebia 300 libras anuais, despesas pagas e uma pensão de outras 300 libras por ano, aproximadamente o dobro do que ganhava como professor. Passaram primeiro por Toulouse, na França, onde ficaram um ano e meio. Smith achou a cidade monótona e escreveu a Hume que começara a redigir um livro para passar o tempo. Depois de percorrerem o sul da França, foram a Genebra, onde ele conheceu Voltaire.

Em Paris, Smith conversou com François Quesnay e outros pensadores ligados à fisiocracia, incluindo Turgot. Eles se opunham ao mercantilismo e resumiam seu programa na máxima laissez faire et laissez passer, le monde va de lui-même, isto é, "deixe fazer e deixe passar, o mundo segue por si mesmo".
Os gastos com guerras nos reinados de Luís XIV e Luís XV pressionaram as finanças francesas. Mais tarde, a participação da França na Guerra de Independência dos Estados Unidos aumentaria seus compromissos financeiros. Smith, atento às diferenças entre a economia francesa e a britânica, escreveu que, apesar de suas imperfeições, o sistema fisiocrático talvez fosse o que mais se aproximava da verdade em economia política. A separação entre trabalho produtivo e improdutivo, expressa pelos fisiocratas na ideia de classe stérile, se tornaria uma questão na elaboração da economia clássica.

Em 1766, o irmão mais novo de Henry Scott morreu em Paris, e a viagem de Smith como tutor terminou pouco depois. Smith voltou a Kirkcaldy e dedicou grande parte da década seguinte a A Riqueza das Nações. Fez amizade com Henry Moyes, um jovem cego que demonstrava grande aptidão, e obteve o apoio de Hume e Thomas Reid para sua educação. Foi eleito membro da Royal Society em maio de 1767 e do Literary Club em 1775. Publicada em 1776, A Riqueza das Nações esgotou sua primeira edição em seis meses.
Em 1778, foi nomeado comissário da alfândega escocesa e mudou-se com a mãe, que morreu em 1784, para a Panmure House, em Canongate, Edimburgo. Com a concessão de carta régia à Sociedade Filosófica de Edimburgo, em 1783, tornou-se membro fundador da Sociedade Real de Edimburgo. Também foi membro da Royal Society of Arts. Entre 1787 e 1789, ocupou o cargo honorário de reitor da Universidade de Glasgow, sucedendo Robert Cunninghame Graham de Gartmore e sendo sucedido por Walter Campbell de Shawfield.

Smith morreu após uma doença dolorosa em 17 de julho de 1790, na ala norte da Panmure House, em Edimburgo, e foi sepultado no Canongate Kirkyard. No leito de morte, lamentou não ter realizado mais.
Seus testamenteiros literários foram o físico e químico Joseph Black e o geólogo James Hutton. Smith deixou anotações e manuscritos inéditos, mas determinou que fossem destruídos os que não estivessem em condições de publicação. Uma antiga História da Astronomia, que ele considerava possivelmente publicável, apareceu em 1795 com outros textos reunidos em Essays on Philosophical Subjects.
Smith deixou sua biblioteca a David Douglas, Lord Reston, filho de um primo que morara com ele. A coleção foi dividida entre as filhas de Douglas, Cecilia Margaret Cunningham e David Anne Bannerman. Após a morte do marido em 1878, Cecilia vendeu parte dos livros. Outros passaram ao filho, Robert Oliver Cunningham, professor no Queen's College de Belfast, que doou uma parcela à biblioteca da instituição. Os restantes foram vendidos depois de sua morte. Com a morte de David Anne em 1879, sua parte chegou ao New College da Igreja Livre, em Edimburgo. Em 1972, a coleção foi transferida para a biblioteca principal da Universidade de Edimburgo.

Fora do que se pode deduzir de suas publicações, pouco se conhece das opiniões pessoais de Smith. Seus papéis particulares foram destruídos após a morte, conforme pedira. Nunca se casou e continuou próximo da mãe. Ao regressar da França, voltou a viver com ela, que morreu seis anos antes dele.
Contemporâneos e biógrafos o retrataram como distraído, de fala e jeito de andar peculiares, com um sorriso de "benevolência inexprimível". Costumava falar sozinho desde criança e às vezes acreditava estar doente sem estar. Também mantinha livros e papéis empilhados no gabinete. Conta-se que, ao acompanhar Charles Townshend numa visita a um curtume e discutir livre-comércio, caiu num tanque de curtimento e precisou de ajuda para sair. Outra história diz que colocou pão com manteiga num bule e, ao beber a mistura, declarou ter feito o pior chá de sua vida. Em uma caminhada distraída, teria percorrido cerca de 24 km para fora da cidade antes de o toque de sinos de uma igreja fazê-lo perceber onde estava.
James Boswell, seu aluno em Glasgow e mais tarde companheiro no Literary Club, supôs que Smith reservava suas ideias para os livros. Relatou que Smith havia dito a Joshua Reynolds que, em sociedade, seguia a regra de nunca falar do que entendia.
Uma descrição fala em nariz grande, olhos salientes, lábio inferior projetado, tique nervoso e dificuldade na fala. Outra lhe atribui um rosto agradável e de expressão viril. Smith teria brincado que só era belo em seus livros. Posou raramente para retratos, e quase todas as imagens produzidas em vida foram feitas de memória. Entre as mais conhecidas estão um perfil por James Tassie e duas gravuras em água-forte de John Kay. As ilustrações de reedições oitocentistas de A Riqueza das Nações se basearam, em grande parte, no medalhão de Tassie.

As crenças religiosas de Smith são objeto de debate. Seu pai tinha forte interesse pelo cristianismo e integrava a ala moderada da Igreja da Escócia. A bolsa Snell que levou o filho a Oxford levou alguns autores a supor que ele talvez pretendesse seguir carreira na Igreja da Inglaterra.
O economista Ronald Coase questionou a interpretação de que Smith fosse deísta, pois seus escritos não recorrem explicitamente a Deus para explicar a ordem da natureza ou da sociedade. Smith por vezes mencionou o "grande arquiteto do universo", mas Coase julgou que Jacob Viner e outros intérpretes exageraram seu compromisso com a crença em um Deus pessoal. Em A Riqueza das Nações, Smith observou que a curiosidade pelos fenômenos naturais levou primeiro à superstição, que os atribuía à ação imediata dos deuses, e depois à filosofia, que procurou causas mais familiares. Outros autores entendem que sua filosofia econômica e social pressupõe uma teologia e que seu modelo de ordem social depende logicamente da ação divina na natureza. Brendan Long o interpreta como teísta, enquanto Gavin Kennedy o considera cristão "em algum sentido".
Smith também foi amigo próximo de David Hume, tido por muitos contemporâneos como ateu, embora suas crenças religiosas continuem debatidas. Em 1777, a publicação de uma carta de Smith ao editor William Strahan, na qual elogiava a coragem de Hume diante da morte apesar de sua falta de religiosidade, causou controvérsia.

Smith publicou seu primeiro livro, Teoria dos Sentimentos Morais, em 1759. Andrew Millar o vendeu em Londres, e Alexander Kincaid, em Edimburgo. Revisou o texto até o fim da vida. Embora A Riqueza das Nações tenha recebido maior atenção posterior, Smith aparentemente atribuía grande valor à primeira obra.
No livro, examina o pensamento moral de seu tempo e propõe que a consciência se forma nas relações sociais, quando as pessoas buscam uma "simpatia mútua de sentimentos". Ao observar as avaliações que os outros fazem de si e uns dos outros, o indivíduo percebe o próprio comportamento de outro ângulo. A percepção, real ou imaginada, desses julgamentos o incentiva a procurar a simpatia alheia, a adquirir hábitos e a estabelecer princípios de conduta que passam a constituir sua consciência.
A tensão entre a simpatia nesta obra e o interesse próprio em A Riqueza das Nações foi chamada de "problema de Adam Smith". Uma leitura comum entre estudiosos recentes entende que os livros tratam de aspectos complementares da vida moral e econômica. Na Teoria, as pessoas desejam a aprovação de um "espectador imparcial" capaz de partilhar seus sentimentos. A prudência, desenvolvida no livro econômico, regeria as relações privadas, enquanto Smith pretendia dedicar uma terceira obra à justiça. James Otteson sustenta que os dois livros seguem uma metodologia próxima à de Isaac Newton e explicam como se formam ordens sociais de grande escala, inclusive na moral, na economia e na linguagem. Robert Ekelund e Robert Hébert salientam que o interesse próprio está presente em ambos: na primeira obra, a simpatia o modera no plano moral, e, na segunda, a concorrência cumpre papel semelhante no plano econômico.
Há divergência entre economistas clássicos e neoclássicos sobre a ideia central de Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações, publicada em 1776. Os neoclássicos enfatizam a mão invisível, mencionada no livro IV, capítulo II, enquanto autores clássicos dão maior peso às frases iniciais, que relacionam a prosperidade à divisão do trabalho. Smith também tratou da prudência nas relações econômicas privadas e planejou escrever uma terceira obra sobre a justiça.

Smith usou a expressão "mão invisível" em sua História da Astronomia, ao falar da "mão invisível de Júpiter", uma vez na Teoria dos Sentimentos Morais e uma vez em A Riqueza das Nações. Esta última passagem recebeu interpretações diferentes.
Como cada indivíduo procura empregar seu capital, tanto quanto pode, no apoio à atividade de seu país e orientar essa atividade de modo que seu produto tenha o maior valor possível, ele necessariamente trabalha para tornar a renda anual da sociedade tão grande quanto puder. Em geral, não pretende promover o interesse público, nem sabe quanto o promove. Ao preferir a atividade nacional à estrangeira, pensa apenas na própria segurança; ao orientá-la para produzir o maior valor possível, pensa apenas no próprio ganho. Nesse caso, como em tantos outros, é conduzido por uma mão invisível a promover um fim que não fazia parte de suas intenções. Nem sempre é pior para a sociedade que esse fim não fosse sua intenção. Ao buscar o próprio interesse, muitas vezes promove o da sociedade com mais eficácia do que quando pretende promovê-lo. Nunca vi muito bem resultar daqueles que alegavam negociar em benefício do público. Tal alegação, aliás, não é comum entre os comerciantes e poucas palavras bastam para dissuadi-los dela.
Quem toma essa passagem como a mensagem central de Smith costuma citar também sua observação sobre a troca:
Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos o jantar, mas da atenção que dão ao próprio interesse. Dirigimo-nos ao seu amor-próprio, não à sua humanidade, e nunca lhes falamos de nossas necessidades, mas das vantagens que podem obter.
Na Teoria dos Sentimentos Morais, porém, escreveu que, por mais egoísta que se suponha uma pessoa, há na sua natureza princípios que a fazem interessar-se pela sorte alheia e considerar necessária a felicidade dos outros, mesmo que dela não tire senão o prazer de vê-la.

Ao contrário de Bernard Mandeville, para quem "vícios privados" podiam se converter em "benefícios públicos", Smith entendia que a busca do interesse próprio, sob condições de justiça, podia favorecer a sociedade sem que esse fosse o objetivo de quem agia. A concorrência tenderia a manter preços baixos e a estimular a oferta de bens e serviços. Ele desconfiava, porém, dos empresários e advertia sobre combinações "contra o público" para elevar preços. Repetiu o alerta contra conluios e monopólios capazes de cobrar dos compradores o máximo que conseguissem. Os interesses de comerciantes e fabricantes podiam divergir dos interesses do público, por isso, recomendava examinar com cuidado e desconfiança propostas de leis comerciais vindas deles. Ao tratar da divisão do trabalho, descreveu também o aumento da produção e das trocas entre trabalhadores como uma fonte de abundância que alcançaria as camadas mais pobres de uma sociedade bem administrada.
A leitura neoclássica da "mão invisível" a aproxima da ideia de equilíbrio geral. Paul Samuelson a mencionou repetidas vezes em seu manual Economics, chegando a substituir "interesse público" por "interesse geral" ao citá-la. Concluiu que Smith não havia demonstrado sua tese e que uma formulação rigorosa da ideia para mercados de concorrência perfeita só surgiu no século XX.

Na interpretação clássica, as primeiras páginas expõem o programa econômico do livro. Os fisiocratas concebiam a economia como um processo circular em que os insumos de um período precisavam produzir recursos superiores aos necessários para iniciar o período seguinte. Por esse critério, o trabalho cujo produto não alimentasse o ciclo seguinte era chamado improdutivo. Smith conheceu a ideia na França e admirava François Quesnay a ponto de talvez lhe dedicar o livro, caso Quesnay não tivesse morrido antes. Smith, porém, rejeitava a restrição fisiocrática do trabalho produtivo à agricultura e abriu sua obra com uma análise da capacidade da divisão do trabalho de elevar a produção, inclusive nas manufaturas. A concorrência e os mercados maiores favoreceriam novas formas de produção, mais bens, preços menores e melhores condições materiais. O início do livro resume os dois fatores que, para Smith, regulam o produto disponível por habitante:
O trabalho anual de cada nação é o fundo que originalmente lhe fornece todas as coisas necessárias e convenientes à vida que consome a cada ano. [...] A proporção entre esse produto e o número de pessoas que o consomem é regulada, em toda nação, por duas circunstâncias:
- a habilidade, destreza e discernimento com que o trabalho é aplicado;
- a proporção entre o número dos empregados em trabalho útil e o dos que não o são.
Smith acrescentou que a abundância ou escassez da oferta parecia depender mais da primeira circunstância do que da segunda.
No livro V, apresentou quatro regras para os impostos: proporcionalidade à capacidade de cada contribuinte, certeza sobre valor e forma de cobrança, conveniência do pagamento e economia na arrecadação. Também escreveu que não seria irrazoável que os ricos contribuíssem para as despesas públicas em proporção um pouco maior que a de sua renda. Defendeu que o governo fornecesse serviços de interesse coletivo, como educação pública, transporte, defesa, justiça, segurança e infraestrutura necessária ao comércio.

Pouco antes de morrer, Smith mandou destruir quase todos os seus manuscritos. Nos últimos anos, parece ter planejado dois tratados, um sobre teoria e história do direito e outro sobre ciências e artes. O póstumo Essays on Philosophical Subjects reúne uma história da astronomia até sua época e reflexões sobre a física antiga e a metafísica, possivelmente partes do segundo projeto. Lectures on Jurisprudence reúne anotações de aulas e uma versão inicial de trechos de A Riqueza das Nações, publicada na edição de Glasgow de suas obras e correspondência em 1976. Entre os textos publicados após sua morte estão ainda Lectures on Justice, Police, Revenue, and Arms, de 1763, impresso pela primeira vez em 1896, e Essays on Philosophical Subjects, de 1795.

A Riqueza das Nações antecedeu a consolidação da economia como disciplina universitária. Nele e em outras obras, Smith examinou como o interesse próprio e a concorrência podiam favorecer a prosperidade. A recepção britânica contemporânea foi desigual: suas propostas comerciais enfrentavam resistência política, e a influência imediata do livro nas decisões de governo é debatida pelos historiadores. Em 2005, A Riqueza das Nações entrou numa lista dos cem melhores livros escoceses.
As obras de Smith e de outros teóricos contribuíram para o declínio do apoio acadêmico ao mercantilismo britânico no fim do século XVIII. Durante a Revolução Industrial, o Reino Unido adotou o livre-comércio e políticas associadas ao laissez-faire. Com a expansão do Império Britânico, o país difundiu um modelo econômico liberal de mercados abertos e poucas barreiras às trocas internas e externas.
George Stigler atribuiu a Smith uma das proposições mais importantes da economia: em condições de concorrência, os donos de trabalho, terra e capital tenderiam a empregar seus recursos nos usos mais rentáveis. Os rendimentos se aproximariam de um nível de equilíbrio, feitas as correções por diferenças como formação, confiança, dificuldade do trabalho e desemprego. Paul Samuelson viu na análise smithiana de oferta e demanda para salários, rendas e lucros uma antecipação do equilíbrio geral desenvolvido um século depois por Léon Walras. Ao admitir aumentos salariais de curto e médio prazo resultantes da acumulação de capital e das invenções, Smith se afastava da teoria rígida do salário de subsistência presente em Malthus, Ricardo e Marx.

Joseph Schumpeter criticou Smith por falta de rigor técnico, mas considerou que essa característica tornara seus livros acessíveis a um público maior. Para Schumpeter, Smith evitou métodos difíceis, conduziu o leitor por observações familiares e, assim, encontrou leitores que um tratamento mais elaborado não alcançaria.
Economistas clássicos desenvolveram teorias do valor-trabalho que por vezes divergiam das formulações de Smith. O Capital, cujo primeiro volume saiu em alemão em 1867, retomou parte dessas ideias na análise de Marx sobre o trabalho e a exploração pelo capital. Pela teoria do valor-trabalho, o trabalho empregado na produção determina o valor de um bem. Na economia neoclássica, o valor é relacionado ao que as pessoas estão dispostas a ceder para obtê-lo. Frédéric Bastiat defendeu uma explicação semelhante, baseada na utilidade para outras pessoas. Usou o exemplo de um diamante encontrado sem grande esforço que, ainda assim, teria valor porque outras pessoas o desejavam.

A corrente chamada economia neoclássica ou marginalismo tomou forma aproximadamente entre 1870 e 1910. Alfred Marshall difundiu o termo "economia" como alternativa mais concisa à antiga expressão "economia política". O uso da matemática nas ciências naturais também passou a orientar o estudo da economia. Os neoclássicos organizaram oferta e demanda como determinantes conjuntos de preços e quantidades no equilíbrio de mercado, com efeitos sobre a produção e a distribuição da renda. Na análise do valor, privilegiaram a utilidade marginal na demanda e os custos na oferta em vez da teoria do valor-trabalho.
O bicentenário de A Riqueza das Nações, em 1976, renovou o interesse pela Teoria dos Sentimentos Morais e pelos demais escritos de Smith. Passou a ser mais frequente apresentá-lo como autor das duas obras e examinar o chamado homo economicus também como agente moral. David Levy e Sandra Peart ressaltaram a importância da igualdade humana no pensamento de Smith, inclusive na crítica às hierarquias raciais. Suas objeções à escravidão e às políticas coloniais também são examinadas por estudos recentes. Em The Vanity of the Philosopher, Levy e Peart lembraram a observação de Smith de que um carregador de rua não era intelectualmente inferior a um filósofo e sua resistência à ideia de que a ciência, por si, estivesse acima do senso comum.
Smith também examinou a relação entre propriedade privada e governo civil. Em A Riqueza das Nações, argumentou que grandes propriedades tornam mais aguda a desigualdade e exigem proteção jurídica. Escreveu:
Os homens podem viver juntos em sociedade com razoável segurança, mesmo que não haja um magistrado civil que os proteja da injustiça dessas paixões. Mas a avareza e a ambição dos ricos, e, entre os pobres, a aversão ao trabalho e o amor à facilidade e aos prazeres presentes, são as paixões que levam à invasão da propriedade. Elas atuam com maior constância e têm alcance mais geral. Onde há muita propriedade, há grande desigualdade. Para cada homem muito rico deve haver ao menos quinhentos pobres, e a abundância de poucos pressupõe a indigência de muitos. A riqueza dos ricos desperta a indignação dos pobres, que muitas vezes são levados pela necessidade e pela inveja a invadir suas posses. Só sob a proteção do magistrado civil o dono de uma propriedade valiosa, adquirida pelo trabalho de muitos anos ou talvez de gerações sucessivas, pode dormir uma única noite em segurança. Está sempre cercado por inimigos desconhecidos que não provocou, mas não consegue aplacar, e de cuja injustiça só o braço poderoso do magistrado civil, sempre pronto a puni-la, pode protegê-lo. A aquisição de propriedades valiosas e extensas exige, portanto, a instituição do governo civil. Quando não há propriedade, ou quando ela não excede o valor de dois ou três dias de trabalho, o governo civil não é tão necessário. O governo civil pressupõe certa subordinação. Mas, à medida que a aquisição de propriedades valiosas torna necessário o governo civil, crescem também as causas que naturalmente introduzem a subordinação. [...] Homens de menor riqueza se unem para defender os de maior riqueza na posse de seus bens, para que estes, por sua vez, os ajudem a defender os seus. Os pastores e criadores de rebanhos menores sentem que a segurança de seus animais depende da segurança dos rebanhos dos grandes pastores e criadores. A manutenção de sua autoridade menor depende da autoridade maior destes, e é da sua subordinação a eles que vem o poder de manter subordinados os que estão abaixo de si. Formam uma espécie de pequena nobreza, interessada em defender a propriedade e sustentar a autoridade de seu pequeno soberano para que ele possa defender sua propriedade e sustentar sua autoridade. O governo civil, na medida em que é instituído para garantir a propriedade, é, na realidade, instituído para defender os ricos contra os pobres, ou os que possuem alguma propriedade contra os que nada possuem.

Smith se opunha à ideia de que as colônias fossem necessárias à prosperidade e ao poder britânicos. Tampouco aceitava que sociedades como as da China e da Índia fossem inferiores à Europa em cultura ou desenvolvimento. Embora preferisse uma sociedade comercial, não defendia impô-la a outros povos por uma mudança radical. Propôs conceder independência às colônias ou estender aos colonos todos os direitos políticos.
Seu capítulo sobre as colônias alimentou debates imperiais britânicos a partir de meados do século XIX. Diante da crise entre a metrópole e as treze colônias norte-americanas, Smith aventou duas saídas: a independência amistosa, seguida de livre-comércio e talvez de uma aliança militar informal, ou uma federação imperial com representação parlamentar e comércio livre entre as partes.

Richard Cobden, defensor da paz e um dos leitores de Smith no Reino Unido oitocentista, preferiu a primeira proposta. Liderou a Anti-Corn Law League na campanha que levou à revogação das Corn Laws em 1846. A política posterior de livre-comércio e de um império com menos gastos e intervenção recebeu o nome de cobdenismo ou Escola de Manchester. Já Joseph Shield Nicholson e outros defensores da segunda proposta pediram uma federação imperial mais estreita. Marc-William Palen observou que grupos opostos recorreram a Smith: cobdenistas para defender uma redução gradual do controle imperial e federalistas para pedir a união política do império.

O retrato de Smith figurou em cédulas emitidas por dois bancos britânicos. A partir de 1981, figurou em notas de 50 libras do Clydesdale Bank, na Escócia. Em 13 de março de 2007, sua imagem entrou na nova série de notas de 20 libras do Banco da Inglaterra, a primeira emissão desse banco a retratar um escocês. As notas de papel com seu retrato perderam o curso legal em 30 de setembro de 2022.

Entre 1867 e 1870, uma estátua foi instalada na fachada de 6 Burlington Gardens, então sede da Universidade de Londres e depois ocupada pela Royal Academy of Arts. Em 4 de julho de 2008, Edimburgo inaugurou uma escultura de bronze de Alexander Stoddart, com cerca de 3 m de altura, na Royal Mile, diante da Catedral de Santo Egídio, na Parliament Square.
O escultor Jim Sanborn produziu obras com textos de Smith. Na Central Connecticut State University, Circulating Capital é um cilindro que traz um trecho de A Riqueza das Nações na parte inferior e o mesmo texto em código binário na parte superior. Na Universidade da Carolina do Norte em Charlotte está Adam Smith's Spinning Top, perto da escola de negócios. Outra escultura de Smith fica na Cleveland State University.

Smith é narrador da peça The Low Road, de 2013, ambientada no fim do século XVIII e relacionada indiretamente à crise financeira de 2008 e à Grande Recessão. Bill Paterson interpretou o personagem na estreia, no Royal Court Theatre, em Londres. Há um busto seu no Hall of Heroes do Monumento Wallace, em Stirling. Em dezembro de 2023, a Universidade de Glasgow instalou cinco pedras de calçamento com trechos de suas obras na High Street da cidade, em comemoração aos trezentos anos de seu nascimento.

Smith viveu na Panmure House de 1778 a 1790. Em 2008, a casa foi comprada pela Edinburgh Business School, da Universidade Heriot-Watt, que arrecadou fundos para restaurá-la. Em 2018, foi aberta como centro de estudos com seu nome.
Defensores de políticas de mercado livre apresentam Smith como fundador dessa corrente. Seu nome foi adotado pelo Adam Smith Institute, em Londres, por associações nos Estados Unidos e na Itália, e por um clube australiano. A chamada gravata Adam Smith tornou-se uma forma de manifestar adesão ao mercado livre.

Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve, observou que Smith não criou a expressão laissez-faire, mas reuniu princípios que lhe permitiram explicar o aparente caos das transações de mercado. Considerou A Riqueza das Nações uma realização intelectual extraordinária. P. J. O'Rourke chamou Smith de fundador da economia de livre mercado. Milton Friedman afirmou em 1976, duzentos anos após a publicação do livro, que a obra lhe parecia ainda mais pertinente do que no centenário de 1876.
Outros autores consideram exagerada a associação de Smith a uma rejeição geral da intervenção estatal. Herbert Stein argumentou que usar a gravata Adam Smith para defender mercado livre e governo reduzido deturpa uma posição que aceitava medidas públicas quando benéficas e compatíveis com um sistema fundamentalmente livre. Na leitura de Stein, A Riqueza das Nações poderia justificar órgãos como a Food and Drug Administration, responsável pela fiscalização de alimentos e medicamentos, e a Consumer Product Safety Commission, voltada à segurança de produtos, benefícios obrigatórios de saúde, medidas ambientais e impostos para desestimular determinados consumos. Vivienne Brown escreveu que apoiadores da Reaganomics e publicações como The Wall Street Journal difundiram nos Estados Unidos do século XX uma visão parcial de Smith como defensor dogmático do laissez-faire e da economia pelo lado da oferta.

Em A Riqueza das Nações, Smith escreveu que os cidadãos deveriam contribuir para a manutenção do governo, tanto quanto possível, na proporção de sua capacidade, ou seja, da renda desfrutada sob a proteção do Estado. Alguns intérpretes veem nessa passagem apoio a um imposto progressivo, além de impostos sobre artigos de luxo e sobre a renda da terra. Smith, porém, também escreveu que não era possível tributar cada pessoa em proporção exata à renda mediante um imposto por cabeça. Defendia gastos públicos com a justiça e com instituições necessárias à sociedade que a iniciativa privada não poderia manter adequadamente.
No livro V, Smith listou entre as atribuições do governo a execução de contratos, a administração da justiça, a concessão de patentes e direitos autorais, a defesa, a regulação bancária e obras como estradas, pontes, canais e portos. Admitiu financiamento público parcial à educação elementar e examinou a proteção de invenções por patentes. Ao tratar de restrições às importações, abriu exceções por motivos de defesa, para igualar a tributação de produtos nacionais e importados e, sob condições, como retaliação comercial; também recomendou cautela na retirada repentina de restrições já existentes. Considerava preferível que obras de interesse local fossem administradas e financiadas localmente. Também examinou as despesas para manter a dignidade pública de monarcas e governantes, esperando-se maior esplendor de uma corte real que da residência de um dogo. Em certas situações, admitia tarifas de retaliação comercial se a recuperação de um grande mercado externo compensasse o encarecimento temporário dos bens. Advertia, contudo, que em geral a retaliação tarifária acrescentava novos prejuízos àqueles que se procurava remediar.

Jacob Viner entendia Smith como defensor dos mercados livres e de um governo com atribuições limitadas, mas sem adesão inflexível ao laissez-faire. Daniel B. Klein julgou a expressão "economista do livre mercado" genérica demais para suas ideias e propôs seis características para descrevê-las com maior precisão. A leitura de suas propostas comerciais exige atenção a essas exceções: Smith admitia tarifas de importação para compensar impostos internos sobre o mesmo bem e restrições ligadas à defesa nacional. Também distinguia a redução gradual de uma proteção existente da concessão de novos privilégios aos produtores.

Emma Rothschild e outros autores levantaram a hipótese de que Smith apoiaria um salário mínimo, embora nenhum trecho de seus escritos sustente diretamente essa posição. Smith escreveu que os salários variavam até no mesmo lugar e para a mesma atividade, conforme a habilidade dos trabalhadores e a facilidade ou dureza dos patrões, e que a lei não conseguia regulá-los com precisão. Também apontou a desigualdade de poder de negociação: um proprietário, fazendeiro, fabricante ou comerciante podia viver um ou dois anos de seus recursos sem empregar ninguém, ao passo que muitos trabalhadores não sobreviveriam uma semana sem trabalho. A necessidade que cada parte tinha da outra não era igualmente urgente.
Um edifício da Universidade de Glasgow recebeu o nome de Smith. Destinado a estudantes de pós-graduação, teve custo anunciado de 86 milhões de libras. No Dia Internacional da Mulher de 2000, integrantes do conselho estudantil mudaram simbolicamente por um dia o nome de um edifício da universidade para o de Frances McPhun.