Culturalismo

Na sociologia, antropologia e filosofia culturalismo é a corrente que defende a importância central da cultura como uma força organizadora nos assuntos humanos. O termo foi originalmente cunhado pelo filósofo e sociólogo polonês-americano Florian Znaniecki em seu livro Cultural Reality (1919). Znaniecki havia introduzido um conceito similar em publicações anteriores da língua polonesa, que ele descreveu como humanismo (humanizm). O termo culturalismo também foi usado nos primeiros trabalhos do círculo de antropologia cultural inglesa e nos estudos culturais de Stuart Hall. Hall define o culturalismo como a ênfase do cultural em oposição ao social, econômico ou histórico.

Origens

O culturalismo de Znaniecki foi baseado em filosofias e teorias como as de Matthew Arnold (Cultura e Anarquia), Friedrich Nietzsche (voluntarismo), Henri Bergson (evolucionismo criativo), Wilhelm Dilthey (filosofia da vida), William James, John Dewey (pragmatismo) e Ferdinand C. Schiller (humanismo). Znaniecki criticou vários pontos de vista filosóficos então predominantes: intelectualismo, idealismo, realismo, naturalismo e racionalismo. Ele também foi crítico do irracionalismo e intuicionismo.

Características

Em resposta a essas críticas, Znaniecki propôs um novo marco teórico. O "culturalismo" foi uma abordagem ontológica e epistemológica que visa eliminar os dualismos, como a crença de que a natureza e a cultura são realidades opostas. Esta abordagem permitiu-lhe "definir fenômenos sociais em termos culturais". Znaniecki defendia a importância da cultura, notando que nossa cultura molda nossa visão do mundo e de nosso pensamento. Znaniecki observa que, embora o mundo seja composto de artefatos físicos, não somos realmente capazes de estudar o mundo físico a não ser pelas lentes da cultura. Entre os aspectos fundamentais da filosofia do culturalismo estão duas categorias: valor e ação. Elżbieta Hałas, que a chama de "antítese aos dogmas intelectuais do naturalismo", identifica as seguintes suposições:

A filosofia do culturalismo de Znaniecki lançou as bases para seu sistema teórico mais amplo, baseado em outro conceito de seu "coeficiente humanista". Através de originalmente um conceito filosófico, o culturalismo foi desenvolvido por Znaniecki para informar suas teorias sociológicas. O culturalismo de Znaniecki influenciou as visões sociológicas modernas do antipositivismo e antinaturalismo.

A forte ênfase em fatores culturais - também na manifestação de signos semióticos (cultura como um sistema de símbolos e significados) - como postulado por Clifford Geertz e David M. Schneider, vem sendo estudada desde meados da década de 1980.

No Brasil

No estudo pátrio da sociologia, do direito e da história, a corrente culturalista, de inspiração marcadamente neokantiana, encontrou notáveis representantes em Tobias Barreto, Sílvio Romero, Oliveira Vianna e, mais recentemente, Miguel Reale, Paulo Mercadante e José Arthur Rios.

Ver também

Referências

  1. 1 2 Hałas (2010), p. 12.
  2. ↑ Hałas (2010), p. 214.
  3. 1 2 3 4 Dulczewski (1984), pp. 186–187.
  4. ↑ Stuart Hall: Cultural Studies. Zwei Paradigmen. 1980
  5. 1 2 Hałas (2010), p. 51.
  6. 1 2 3 Hałas (2010), p. 52.
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  8. 1 2 3 4 Hałas (2010), p. 21.
  9. ↑ Sztompka (2002), pp. 52–53.
  10. ↑ Dulczewski (1984), pp. 187–188.
  11. ↑ Dulczewski (1984), p. 189.
  12. ↑ Hałas (2010), pp. 55, 172.
  13. ↑ Sztompka (2002), p. 2425.
  14. ↑ William H. Sewell: The Concepts of Culture. In: Victoria E. Bonnell and Lynn Hunt: Beyond the cultural turn – New directions in the study of society and culture. University of California Press, 1999, ISBN 0-520-21678-4, S. 51.
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  16. ↑ Nascimento, Jorge Carvalho do (2008). «As notas de Sílvio Romero e o culturalismo do século XIX». Revista História da Educação: 275–302. ISSN 2236-3459. Consultado em 27 de outubro de 2025
  17. ↑ Paes, Alberto de Moraes Papaléo; Bacelar, Jeferson Antônio Fernandes; Rocha, Octávio Avertano (8 de setembro de 2022). «MIGUEL REALE E O CULTURALISMO JURÍDICO: UMA DEFESA DA ATUALIDADE DO CULTURALISMO NA TEORIA DO DIREITO». Teorias do Direito e Realismo Jurídico (1). ISSN 2525-9601. doi:10.26668/IndexLawJournals/2525-9601/2022.v8i1.8637. Consultado em 27 de outubro de 2025
  18. ↑ «José Arthur Rios». Sociedade Brasileira de Sociologia. Consultado em 27 de outubro de 2025