Concurseiro é um neologismo utilizado no Brasil para designar o indivíduo que dedica uma parte significativa de sua vida à preparação para concursos públicos.
Diferente de um estudante convencional, o termo carrega uma conotação de identidade social e profissionalização do estudo: muitos "concurseiros" tratam a preparação como uma jornada de trabalho em tempo integral, visando a estabilidade empregatícia e remunerações acima da média da iniciativa privada garantidas pelo serviço público brasileiro.
O fenômeno é impulsionado pela Constituição de 1988, que estabeleceu a obrigatoriedade do concurso para o ingresso em cargos públicos, criando uma cultura de meritocracia burocrática no país.
O termo deriva da junção da palavra "concurso" com o sufixo "-eiro", que na língua portuguesa denota profissão, ocupação ou hábito (como em "engenheiro", "pedreiro" ou "brasileiro").
Embora tecnicamente qualquer inscrito em um certame seja um "candidato", a alcunha "concurseiro" é geralmente reservada àqueles que mantêm uma rotina de estudos de médio a longo prazo, muitas vezes prestando múltiplas provas em diferentes estados até obter a aprovação (a chamada "vida de concurseiro").
O perfil do concurseiro brasileiro é heterogêneo, mas pesquisas de cursos preparatórios e dados do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) de 2024 apontam tendências:
O contingente de concurseiros alimenta um setor econômico robusto no Brasil, apelidado de "Indústria dos Concursos". Estima-se que este mercado movimente bilhões de reais anualmente. A cadeia produtiva inclui:
A rotina do concurseiro é frequentemente associada a altos níveis de estresse e ansiedade. A pressão familiar, a incerteza quanto à data da aprovação e a abdicação da vida social geram desafios à saúde mental.
A comunidade de concurseiros desenvolveu um vocabulário próprio, compartilhado em fóruns e redes sociais: