Conde de Anadia | |
|---|---|
| Pariato | Reino de Portugal |
| Criação | Príncipe regente D. João, em nome de D. Maria I Carta de 17 de dezembro de 1808 |
| Tipo | Vitalício – 1 vida 4 renovações |
| 1.º titular | D. João Rodrigues de Sá e Melo |
| Linhagem | Rodrigues de Sá e Melo (de Sá Pereira de Meneses) de Sá Pereira de Meneses Pais do Amaral (de Sá Pais do Amaral) |
| Solar | Palácio dos Condes de Anadia |
Conde de Anadia foi um título nobiliárquico português, criado por carta de 17 de dezembro de 1808 do príncipe regente D. João, em nome da rainha D. Maria I, em vida, a favor de D. João Rodrigues de Sá e Melo, único Visconde de Anadia.
O título foi renovado sucessivamente na família Sá Pereira e, depois, na família Pais do Amaral. Um filho do 4.º Conde foi o 1.º Conde de Alferrarede.
A casa da Anadia pertencia à família Sá e Melo pelo menos desde o século XVII. Aires de Sá e Melo (m. 1786), senhor do prazo e morgado da Anadia, ministro plenipotenciário em Nápoles, embaixador em Madrid e secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, casou com a sua prima D. Maria Antónia de Sá, irmã de José António de Sá Pereira.
O 1.º Conde era 6.º neto, por varonia, de João Gonçalves de Miranda Sotomaior, sobrinho de D. Pedro de Sotomaior, Conde de Caminha, e de D. Filipa de Sá, neta de João Rodrigues de Sá, «o das Galés»; o 2.º Conde era 7.º neto, também por varonia, do mesmo casal.
O filho de Aires de Sá e Melo e de D. Maria Antónia de Sá, João Rodrigues de Sá e Melo, nascido em Aveiro em 1755, recebeu, em atenção aos serviços do pai, o título de Visconde de Anadia, em sua vida, por carta de 8 de maio de 1786, de D. Maria I, confirmado a 12 de novembro de 1805.
João Rodrigues de Sá e Melo foi ministro plenipotenciário em Berlim e sócio da Academia Real das Ciências. Acompanhou a família real na partida para o Brasil e foi elevado a conde, em sua vida, por carta de 17 de dezembro de 1808. Morreu no Rio de Janeiro a 30 de dezembro de 1809, sem geração, e foi sepultado no convento de Santo António dessa cidade.
Como secretário de Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos, mandou enviar para o Brasil, por aviso de 1 de outubro de 1802, a vacina contra a varíola, recomendando aos governadores do ultramar a sua propagação. Manteve a pasta no primeiro ministério formado no Rio de Janeiro, a 10 de março de 1808. Foi o primeiro dos fidalgos que acompanharam o príncipe regente a morrer no Rio de Janeiro; o cortejo fúnebre saiu da sua residência, na rua dos Barbonos, e a pasta passou ao Conde das Galveias.
O tio materno do 1.º Conde, José António de Sá Pereira e Meneses (1731–1813), filho de Manuel de Sá Pereira e de D. Maria Plácida de Meneses, sucedeu-lhe no condado a 30 de dezembro de 1809, e o título foi-lhe renovado por decreto de 17 de dezembro de 1812 e carta de 23 de fevereiro de 1813. Já tinha sucedido em 1795 ao irmão, João António de Sá Pereira, 1.º Barão de Alverca, na casa de Alverca, e era 1.º Visconde de Alverca da Beira, em duas vidas, desde 1805. Doutor em Cânones e diplomata, foi enviado extraordinário nos Países Baixos em 1750 e esteve depois em missão em Viena e, durante mais de quarenta anos, em Nápoles. Casou em Nápoles, em 1799, e teve três filhas. Um retrato da sua família está na sala de baile do Palácio dos Condes de Anadia, cuja coleção terá sido em parte trazida por ele de Itália.
Por decreto de 17 de dezembro de 1815 e carta de 15 de junho de 1816 foi concedida mais uma vida no título, que se verificou na filha do 2.º Conde, D. Maria Luísa de Sá Pereira de Meneses e Melo Sotomaior (1801–1861), 3.ª Condessa de Anadia e 2.ª Viscondessa de Alverca, que sucedeu ao pai a 3 de março de 1813. As suas duas irmãs morreram sem geração.
Em 1821, D. Maria Luísa casou com o seu tio materno, Manuel Pais de Sá do Amaral (1781–1859), senhor da Casa de Mangualde, autorizado a usar o título de Conde de Anadia por carta de 31 de agosto de 1822, do rei D. João VI. Manuel foi presidente da Junta da Sereníssima Casa de Bragança e foi nomeado par do Reino em 1826, suspenso em 1834 e de novo nomeado em 1849. Por varonia, Manuel era 6.º neto do desembargador Domingos Rodrigues de Macedo e de D. Ana Pais do Amaral, 4.os senhores da Casa de Mangualde.
Além do condado, a família reuniu os senhorios de Abrunhosa e Vila Mendo (1778), de Campo Maior (1786) e das vilas de Anadia (1787) e de Alverca da Beira (1795), e os títulos de Barão de Alverca (1795) e de Visconde de Alverca (1805).
Das filhas do casal, D. Maria Joana (1822–1842) casou em 1842 com D. João José de Lencastre Basto Baharem, 4.º Conde da Lousã, e D. Maria das Dores (n. 1842) casou em 1861 com Manuel de Almeida e Vasconcelos do Soveral, filho primogénito dos 3.os Condes da Lapa e herdeiro do título de Barão de Mossâmedes.
Por decreto de 12 de fevereiro de 1855 foi concedida mais uma vida no título, que se verificou no filho do casal, José Maria (1839–1870), 4.º Conde por carta de 31 de outubro de 1855, do rei D. Pedro V. O 4.º Conde, oficial-mor honorário da Casa Real, frequentou os meios boémios e fadistas de Lisboa, onde ficou conhecido o «fado do Conde da Anadia». Entre os seus filhos contaram-se o sucessor no título, José, 3.º Visconde de Alverca, e Carlos de Sá Pais do Amaral Pereira e Meneses, único Conde de Alferrarede.
O filho mais velho, Manuel (1862–1903), oficial-mor da Casa Real, foi autorizado a usar o título de Conde de Anadia por decreto de 22 de fevereiro de 1882, do rei D. Luís I.
Em 1838, os condes residiam em Lisboa, num palácio a São João dos Bem-Casados. As armas da família viam-se nesse palácio, na antiga rua de São João dos Bem-Casados, atual Rua de Silva Carvalho.
A Casa dos Pais do Amaral, em Mangualde, remonta ao final do século XVI. Com o casamento da 3.ª Condessa com Manuel Pais de Sá do Amaral, o antigo Palácio dos Pais do Amaral passou a ser conhecido como Palácio dos Condes de Anadia. Ali se instalou o marechal Masséna em 1810, e ali o 5.º Conde recebeu a família real em 1882, na inauguração da Linha da Beira Alta.
O palácio, exemplo de arquitetura civil rococó, está classificado como imóvel de interesse público desde 1978. Permanece na posse da família.
A família possui também a Quinta do Bom Sucesso, em Alferrarede, no concelho de Abrantes, antiga casa dos Almeida de Abrantes, que chegou aos Condes de Anadia por via das famílias Quifel Barbarino e Pais do Amaral e coube em 1870 a Carlos, filho do 4.º Conde e depois 1.º Conde de Alferrarede. Ali se guarda o arquivo da Casa dos Condes de Alferrarede.
As armas são as dos Sás: enxaquetado de prata e de azul, de seis peças em faixa e sete em pala, com um pelourinho de prata ao centro, posto em pala. Coroa de conde. Timbre: um búfalo enxaquetado de prata e de negro, armado de prata, com uma argola de ouro nas ventas (outras fontes indicam meio búfalo da sua cor, enxaquetado de prata).
O pelourinho terá sido acrescentado depois da concessão de um dos senhorios da família, o de Alverca da Beira (1795) ou o de Abrunhosa e Vila Mendo (1778), mas não se conhece documento que autorizasse a alteração.
| # | Titular | Datas | Títulos | Notas | Ref. |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | D. João Rodrigues de Sá e Melo | 1755–1809 | 1.º Conde de Anadia (1.º Visconde de Anadia) | Filho de Aires de Sá e Melo e de D. Maria Antónia de Sá. Casou com D. Maria Antónia de Carvalho Cortês de Vasconcelos, filha de Manuel António Cortês de Vasconcelos, senhor do morgado de Santa Eufémia. Sem geração. | |
| 2 | D. José António de Sá Pereira e Meneses | 1731–1813 | 2.º Conde de Anadia (1.º Visconde de Alverca) | Tio materno do anterior. Casou em 1799 com D. Maria Joana de Sá e Meneses, filha de Simão Pais do Amaral, senhor da Casa de Mangualde. | |
| 3 | D. Maria Luísa de Sá Pereira de Meneses e Melo Sotomaior | 1801–1861 | 3.ª Condessa de Anadia (2.ª Viscondessa de Alverca) | Filha do anterior. Casou em 1821 com o seu tio materno, Manuel Pais de Sá do Amaral. | |
| D. Manuel Pais de Sá do Amaral de Almeida e Vasconcelos Quifel Barbarino | 1781–1859 | 3.º Conde de Anadia, pelo casamento | Marido da anterior, autorizado a usar o título em 1822. Par do Reino. Casou em 1821 com a sua sobrinha, a 3.ª Condessa de Anadia. | ||
| 4 | D. José Maria de Sá Pereira e Meneses Pais do Amaral de Almeida e Vasconcelos Quifel Barbarino | 1839–1870 | 4.º Conde de Anadia | Filho do anterior. Oficial-mor honorário da Casa Real. Casou em 1861 com D. Ana Maria Juliana de Morais Sarmento, filha do 1.º Visconde da Torre de Moncorvo, que voltou a casar com o Conde de Vilar Seco. Pai do 5.º Conde, do 3.º Visconde de Alverca e do Conde de Alferrarede. | |
| 5 | D. Manuel Pais de Sá do Amaral Pereira e Meneses Quifel Barbarino | 1862–1903 | 5.º Conde de Anadia | Filho do anterior. Oficial-mor da Casa Real; autorizado a usar o título em 1882. Casou em 1889 com D. Maria da Graça Biester de Barros Lima (1871–1902). | |
| 6 | José de Sá Pais do Amaral Pereira de Meneses | 1890–1945 | 6.º Conde de Anadia | Filho do 5.º Conde. Moço fidalgo com exercício no Paço. Casou em 1929, em Paris, com D. Ester Salvegra Tomkinson, sobrinha do presidente argentino Marcelo Alvear. Sem geração. |
Após a implantação da República, em 1910, cessou a concessão de títulos nobiliárquicos pelo Estado. Desde então, reivindicaram a representação do título os seguintes membros da família:
| # | Nome | Datas | Títulos pretendidos | Notas | Ref. |
|---|---|---|---|---|---|
| 7 | Manuel de Sá Pais do Amaral | 1925–2020 | 7.º Conde de Anadia (3.º Conde de Alferrarede) | Sobrinho do anterior, filho de Miguel de Sá Pais do Amaral, irmão do 6.º Conde, e de D. Carolina Maria José Correia de Sá (1902–1983), filha dos 9.os Viscondes de Asseca. Casou em 1953 e teve descendência. | |
| 8 | Miguel Maria de Sá Pais do Amaral | n. 1954 | 8.º Conde de Anadia (4.º Conde de Alferrarede) | Filho do anterior. Engenheiro mecânico, empresário e piloto amador do automobilismo português. Teve duas filhas. |