Visconde de Asseca | |
|---|---|
| Pariato | Reino de Portugal |
| Criação | D. Afonso VI Carta de 15 de janeiro de 1666 |
| Ordem | Grandes do Reino |
| Honras | Honras de Grandeza Almotacé-Mor |
| Tipo | Juro e herdade |
| 1.º titular | D. Martim Correia de Sá e Benevides Velasco |
Visconde de Asseca foi um título nobiliárquico português, criado por carta do rei D. Afonso VI de 15 de janeiro de 1666 a favor de D. Martim Correia de Sá e Benevides Velasco, em cumprimento de uma promessa feita em 1658 ao seu pai, Salvador Correia de Sá e Benevides. Em 1753, o rei D. José I tornou o título de juro e herdade e concedeu aos seus titulares as honras de grande do Reino que competiam aos condes.
A partir de 1805, os viscondes exerceram também o ofício de almotacé-mor do Reino.
Por alvará de 11 de dezembro de 1658, a rainha D. Luísa de Gusmão, regente durante a menoridade de D. Afonso VI, prometeu o título de visconde a um filho de Salvador Correia de Sá e Benevides, membro dos conselhos de Guerra e Ultramarino, em atenção aos seus serviços na recuperação de Angola e às despesas que iria ter no Brasil com a exploração das minas. Salvador Correia de Sá e Benevides (1601–1688) foi governador da Capitania do Rio de Janeiro e expulsou os neerlandeses de Angola.
A mercê foi verificada no seu filho mais velho, Martim Correia de Sá e Benevides Velasco (1639–1678), por carta de 15 de janeiro de 1666. Filho de D. Catarina Velasco, filha de D. Pedro Velasco, vice-rei do Peru, o 1.º Visconde foi mestre de campo do terço de Moura e general das armas do partido de Setúbal na Guerra da Restauração, combateu no Ameixial (1663) e em Montes Claros (1665) e foi gravemente ferido no cerco de Badajoz. A família descendia por varonia de Tristão Vaz Correia, da casa dos senhores de Farelães.
O 1.º Visconde morreu em Setúbal a 28 de outubro de 1678. O filho mais velho, Salvador, sucedeu-lhe no título e ao avô na alcaidaria-mor do Rio de Janeiro, mas morreu solteiro poucos dias depois, e o título passou ao irmão seguinte, Diogo, em quem foi verificado a 26 de novembro de 1678 pelo príncipe regente D. Pedro. O 3.º Visconde foi alcaide-mor do Rio de Janeiro, membro da Academia dos Generosos e um dos sócios fundadores da Academia Real da História, em 1721.
O 4.º Visconde, Martim Correia de Sá e Benevides Velasco, deputado da Junta dos Três Estados e gentil-homem da câmara do infante D. António, manteve entre 1750 e 1755 um diário da vida da corte em Lisboa, hoje na Torre do Tombo. Morreu sem geração a 10 de junho de 1778. A casa passou ao seu irmão, Luís José Correia de Sá Velasco e Benevides, governador e capitão-general de Pernambuco entre 1749 e 1756, casado com D. Francisca Joana Josefa da Câmara, filha e herdeira de Lourenço Gonçalves da Câmara Coutinho, 5.º almotacé-mor do Reino, e o título ao filho de ambos, Salvador, que sucedeu na casa ao pai a 20 de dezembro de 1779.
D. Francisca Joana Josefa da Câmara, que casara com Luís José em 1758, voltou a casar, já viúva, com Manuel de Saldanha da Gama, de quem teve António de Saldanha da Gama, 1.º Conde de Porto Santo, meio-irmão do 5.º Visconde.
Em 1674, a Coroa doou ao 1.º Visconde, de juro e herdade, a capitania da Paraíba do Sul, também chamada dos Campos dos Goitacazes, entre Cabo Frio e o Espírito Santo, e ao seu irmão, João Correia de Sá, uma segunda capitania contígua, que nunca chegou a ser demarcada. Ausentes do Brasil, os donatários governaram a capitania por meio de um loco-tenente, Martim Correia Vasqueanes.
Depois da morte de Vasqueanes, o 3.º Visconde vendeu em 1709, sem licença régia, a capitania, a alcaidaria-mor do Rio de Janeiro e bens do morgado ao prior Duarte Teixeira Chaves. A Coroa sequestrou então a jurisdição da capitania e só a restituiu ao 3.º Visconde em agosto de 1727, com poderes reduzidos.
Em 1728, o 3.º Visconde passou procuração aos filhos, Martim e Luís José, para governarem a capitania. Martim, futuro 4.º Visconde, foi o primeiro membro da família a fixar-se nos Campos dos Goitacazes, onde, como capitão-mor, entrou em conflito com o governador do Rio de Janeiro, Luís Vahia Monteiro, que tratava a capitania como anexa à sua; em 1729, o governador obrigou-o a prestar-lhe preito e homenagem, o que lhe valeu uma admoestação do Conselho Ultramarino. A capitania foi uma fonte de rendimento importante para a casa: ainda em 1771, cerca de um terço das rendas dos viscondes provinha do Brasil.
Por escritura de 14 de junho de 1753, assinada com o seu irmão, frei Salvador Correia, o 4.º Visconde cedeu a capitania à Coroa. Em troca, nos termos aprovados por decreto de 1 de junho (outras fontes indicam 1 de julho) e confirmados por carta de 9 de agosto de 1753, D. José I concedeu-lhe as honras de grande do Reino que competiam aos condes, tornou o título de juro e herdade, com dispensa da Lei Mental por duas vezes, e atribuiu-lhe uma renda anual de quatro mil cruzados.
O ofício de almotacé-mor do Reino, criado em 1572, pertencia desde 1675 à família Câmara Coutinho. Por morte sem descendência do 6.º almotacé-mor, João Gonçalves da Câmara Coutinho, irmão de D. Francisca Joana Josefa da Câmara, em 1787, o 5.º Visconde sucedeu à mãe no ofício, como 7.º almotacé-mor, e foi nele provido, em sua vida, por decreto de 15 de agosto e carta de 11 de setembro de 1805. O ofício manteve-se na casa: os 5.º a 9.º Viscondes foram, respetivamente, 7.º a 11.º almotacés-mores do Reino.
O 5.º Visconde seguiu a carreira militar: coronel de cavalaria em 1801, brigadeiro em 1808 e marechal de campo em 1812, foi governador interino das armas do Alentejo em 1814 e chegou a tenente-general.
O 6.º Visconde, António Maria Correia de Sá e Benevides Velasco da Câmara, sucedeu no título a 6 de setembro de 1798, ainda em vida do pai, e na casa a 17 de agosto de 1817. Oficial de cavalaria e ajudante de ordens do general Gomes Freire de Andrade, seguiu com a Legião Portuguesa para França e participou na campanha da Rússia, em 1812; na retirada de Moscovo foi apresentado em Vilna ao imperador Alexandre I, que o mandou conduzir a Inglaterra, com passaporte passado em São Petersburgo a 13 de janeiro de 1813. Regressado a Portugal, foi preso na Torre de Belém e absolvido pela Relação de Lisboa em 1813.
Foi nomeado veador da rainha D. Carlota Joaquina em 1815 e par do Reino por carta régia de 30 de abril de 1826 (outras fontes indicam que não chegou a tomar posse, por doença). Entre 1828 e 1831 representou D. Miguel em Londres e, em 1832, foi reintegrado no Exército e colocado às ordens do 2.º Conde de Barbacena, chefe do estado-maior do exército miguelista. Suspenso do pariato em 1834, terá recusado, durante o cabralismo, ser readmitido na Câmara dos Pares.
O título foi renovado no 7.º Visconde, com a grandeza que competia aos condes, por decreto de 7 de janeiro de 1846, de D. Maria II, e no 8.º Visconde por decreto de 2 de abril e carta de 7 de maio de 1859, de D. Pedro V.
O 8.º Visconde (1846–1910), doutorado em Ciências Políticas e Administrativas pela Universidade de Lovaina, foi par do Reino, 10.º almotacé-mor, veador da rainha D. Amélia e camarista e preceptor do príncipe real D. Luís Filipe. Integrou em 1902 a missão portuguesa à coroação de Eduardo VII e foi nomeado estribeiro-mor da Casa Real em 1909.
O 9.º Visconde, Salvador Correia de Sá e Benevides (1873–1939), oficial de engenharia, recebeu a renovação do título por decreto de 25 de julho de 1903, de D. Carlos I. Depois da implantação da República, deixou o Exército, esteve algum tempo em Inglaterra ao serviço de D. Manuel II e foi um dos três dignitários encarregados de comunicar aos interessados a aquiescência do rei aos pedidos de uso de títulos. Publicou Notícias Históricas Acerca de Salvador Correia de Sá e Benevides, conferência lida na Sociedade de Geografia de Lisboa em 1907.
Uma filha dos 1.os Viscondes, D. Maria Antónia da Silva (m. 1708), dama da rainha D. Maria Sofia de Neuburgo, casou em 1698 com Martim de Sousa de Meneses Manuel de Vilhena, 3.º Conde de Vila Flor.
Duas filhas do 5.º Visconde, D. Teresa e D. Maria Vitória, foram sucessivamente mulheres do 9.º Conde de São Lourenço.
José Correia de Sá (1830–1902), filho do 6.º Visconde, nascido em Londres, casou em 1849 com D. Eugénia de Almeida, filha dos 5.os Marqueses do Lavradio e herdeira das casas de Avintes e do Lavradio. O filho de ambos, D. António de Almeida Portugal Soares de Alarcão Correia de Sá (n. 1852), herdeiro da casa do Lavradio, casou em 1872 com a sua prima direita, D. Isabel Correia de Sá e Benevides, filha do 7.º Visconde. Viúvo, José Correia de Sá casou em 1882 com D. Maria da Conceição Machado de Castelo Branco, filha dos 2.os Condes da Figueira. O 6.º Marquês do Lavradio, D. Salvador de Almeida Correia de Sá, oficial da Armada, pertencia por varonia à família dos Viscondes de Asseca.
Uma filha do 8.º Visconde, D. Maria da Piedade Correia de Sá (1872–1964), casou em 1895 com João Pinto Leite, 3.º Visconde dos Olivais.
Dos filhos do 9.º Visconde, Salvador José Maria Correia de Sá (1904–1969) e José Maria Correia de Sá (1905–1976) usaram, respetivamente, os títulos de Visconde de Soveral e de Visconde de São Luís, e D. Leonor Maria Correia de Sá (1906–1973) casou em 1933 com o diplomata romeno Emanuel Krupenski.
D. Carolina Maria José Correia de Sá (1902–1983), filha dos 9.os Viscondes, casou em 1923 com Miguel de Sá Pais do Amaral. O filho de ambos, Manuel de Sá Pais do Amaral (1925–2020), era descendente dos Condes de Anadia.
Em 1838, os viscondes residiam no palácio aos Marianos, em Lisboa, e na Quinta da Freiria, no termo de Aldeia Galega da Merceana. No final do século XIX, no pátio da casa dos Viscondes de Asseca, junto ao largo de Santos, em Lisboa, funcionava um serviço de carruagens de aluguer.
No Rio de Janeiro, o nome do bairro da Praça Seca tem origem no antigo Largo do Visconde de Asseca, em terras que pertenceram à família.
Escudo esquartelado: no primeiro quartel, as armas dos Correias (de ouro, fretado de correias de vermelho, repassadas umas pelas outras); no segundo, as dos Sás (enxaquetado de prata e azul, de seis peças em faixa e sete em pala); no terceiro, as dos Velascos (xadrezado de quinze peças, três em faixa e cinco em pala, de ouro e de veiros de azul e prata, sendo a primeira de ouro e a segunda de veiros); no quarto, as dos Benevides (de prata, com um leão de púrpura faixado de três faixas de ouro). Coroa de conde, pelas honras de grandeza.
| # | Titular | Datas | Títulos | Notas | Ref. |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | D. Martim Correia de Sá e Benevides Velasco | 1639–1678 | 1.º Visconde de Asseca | Filho mais velho de Salvador Correia de Sá e Benevides. Casou em 1663 com D. Ângela de Melo, filha de Diogo Fernandes de Almeida. | |
| 2 | D. Salvador Correia de Sá e Benevides Velasco | 1665–1678 | 2.º Visconde de Asseca | Filho do anterior. Morreu solteiro. | |
| 3 | D. Diogo Correia de Sá e Benevides Velasco | 1669–1745 | 3.º Visconde de Asseca | Irmão do anterior. Casou em 1697 com D. Inês de Lencastre, filha de Luís César de Meneses, alferes-mor do Reino. | |
| 4 | D. Martim Correia de Sá e Benevides Velasco | 1698–1778 | 4.º Visconde de Asseca | Filho do anterior. Recebeu as honras de grandeza em 1753. Casou em 1739 com a sua prima D. Mariana Josefa Joaquina de Lencastre, dama do Paço, filha de D. João de Saldanha da Gama, vice-rei da Índia. Sem geração. | |
| 5 | D. Salvador Correia de Sá e Benevides Velasco | 1760–1817 | 5.º Visconde de Asseca | Sobrinho do anterior. Tenente-general e 7.º almotacé-mor do Reino. Casou em 1784 com D. Helena Gertrudes José de Melo, filha dos 1.os Marqueses de Sabugosa, e em 1793 com D. Maria Benedita de Sampaio, filha dos 1.os Condes de Sampaio. | |
| 6 | D. António Maria Correia de Sá e Benevides Velasco da Câmara | 1786–1844 | 6.º Visconde de Asseca | Filho do anterior, do primeiro casamento. Par do Reino e 8.º almotacé-mor. Casou em 1818 com D. Rita de Castelo Branco, filha dos 1.os Marqueses de Belas. | |
| 7 | D. Salvador Correia de Sá e Benevides Velasco da Câmara | 1825–1852 | 7.º Visconde de Asseca | Filho do anterior. Nasceu em 1825. 9.º almotacé-mor. Casou em 1845 com D. Mariana de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, filha dos 1.os Condes de Vila Real, dama de honor das rainhas D. Estefânia e D. Maria Pia. | |
| 8 | D. António Maria Correia de Sá e Benevides Velasco da Câmara | 1846–1910 | 8.º Visconde de Asseca | Filho do anterior. Par do Reino, 10.º almotacé-mor e estribeiro-mor. Casou em 1872 com a sua prima em segundo grau D. Leonor Maria Pinto de Soveral (1849–1879), filha do 1.º Visconde de São Luís, e depois com D. Maria Rita de Castelo Branco, viúva do 5.º Marquês de Pombal. | |
| 9 | D. Salvador Correia de Sá e Benevides | 1873–1939 | 9.º Visconde de Asseca | Filho do anterior, do primeiro casamento. Oficial de engenharia, par do Reino e 11.º almotacé-mor. Casou em 1898 com D. Carolina Maria Matilde Correia Henriques, filha do 2.º Conde de Seisal. |
Após a implantação da República, em 1910, cessou a concessão de títulos nobiliárquicos pelo Estado. Desde então, reivindicaram a representação do título os seguintes membros da família:
| # | Nome | Datas | Títulos pretendidos | Notas | Ref. |
|---|---|---|---|---|---|
| 10 | António José Correia de Sá e Benevides Velasco da Câmara | 1900–1968 | 10.º Visconde de Asseca | Filho do 9.º Visconde. Engenheiro civil, veador da rainha D. Amélia e presidente da Câmara Municipal de Sintra (1960); reconhecido por alvará do Conselho de Nobreza de 20 de janeiro de 1948. Casou em 1923 com D. Maria Luísa de Sousa Holstein Beck, filha dos 4.os Duques de Palmela. | |
| 11 | Salvador Correia de Sá e Benevides Velasco da Câmara | 1926–1999 | 11.º Visconde de Asseca | Filho do anterior. Casou em 1951 com D. Maria do Carmo Villar de Figueiredo Cabral da Câmara, filha de D. Vasco Manuel de Figueiredo Cabral da Câmara. | |
| 12 | Carolina Maria da Câmara Correia de Sá | n. 1954 | 12.ª Viscondessa de Asseca | Filha do anterior. Casou em 1978. |